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Batman # 22

Por Leonardo Araújo

Na edição anterior: Batman e Diana cada vez mais evidenciam o domínio do feromônio sobre eles. Super-Homem procurava a Mulher-Gato. Uma estranha Lois Lane atacou Batman. Bruce Wayne, o mais perigoso inimigo de Batman, o atacou.

Feromônios — Parte III
Medo e Delírio

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Bruce deixa o quarto e, de roupão, caminha por um dos longos corredores da mansão. Alfred, percebendo o movimento, aparece e pergunta:

— Senhor, devo levar o café dos três? — ele retira o avental enquanto aguarda a resposta.

— Cheiro agradável. — diz Bruce parando momentaneamente — Não, Alfred, pode deixar que eu levo o café. (*)

Horas depois, Bruce fixa alguns sinalizadores nos trajes de Selina, caso ela resolvesse se ausentar desavisadamente. Após uma conveniente refeição, Bruce volta a analisar as pistas que recolhera no armazém. Diana e Selina agora estão muito próximas. A amazona tenta ajudar suar a ex-ladra a lembrar de qualquer coisa que pudesse auxiliar no caso.

A primeira amostra que Batman separa são pêlos, ou cabelos, que ficaram retidos no esparadrapo. Alguns poucos e diferem dos cabelos e pêlos da Mulher-Gato. Ele os junta em um frasco e torce para que a amostra seja suficiente para possibilitar uma amostra de DNA.

As duas agora se aproximam, enquanto o detetive introduz os dados recolhidos no espectrômetro no computador. Diana pergunta:

— E agora, algo concreto?

— Em menos de um segundo saberemos.

Batman pressiona o botão "enter" de seu computador. Pode se observar que a máquina cruza um extenso banco de dados. Por fim, para numa ficha com foto.

— Dentes-de-Sabre! — exclama a amazona.

— Ele. Dentre as amostras que recolhi existia alguns poucos pelos loiros no esparadrapo que prendia Selina. Parecia de um animal, mas só parecia. Eram poucos fios, felizmente foram suficientes para uma amostra de DNA.

— Ra's! — exclama Diana.

— Tudo indica. — diz o vigilante.

— Aquele cachorro imundo! — exclama a convidada — Como ele está ligado ao Dentes-de-Sabre?

— Enfrentamos Dentes-de-Sabre e Metallo há alguns dias, em Nova Iorque. Procurávamos Ra's na ocasião. — afirma a princesa.

— Eu o mato se o pegar. — diz Selina com fúria.

— Bruce, você voltou ao armazém e trouxe este material, esparadrapo, terras e outros, no qual fez a perícia em que descobriu o Dentes-de-Sabre, certo?

— Sim.

— Não trouxe nada consigo após o confronto direto? — pergunta em quase completa surpresa — Quer dizer, além da Selina, você não levantou indício de prova alguma?

— Eu estava preocupado com a saúde dela.

— Hummm, obrigada, bonitão. — ela se inclina no ombro dele. Diana põe as mãos nos quadris, faz cara de reprovação, mas pisca ao fim. Com um leve sorriso a rainha arremata:

— Mas eu nunca vi isto acontecer, não com você. — ela fala com um ar intrigado — Veja, já participamos de vários casos na Liga e você ou pegava os detalhes e indício daquilo que poderia desvendar os casos, ou retornava de imediato para fazer a perícia.

— Mas eu voltei para fazer a perícia.

— Bruce, meu bem, sabemos que você perceberia que Selina não estava correndo risco maior. É que você tinha outros interesses. — diz a amazonas pressionando o morcego em um canto. Selina sorri da "prensa".

— Ela está certa. — fala com um ar maroto.

— Onde pretende chegar com isso Diana.

— Lembra que quando cheguei na caverna você fazia uma investigação e a abandonou praticamente no momento seguinte que me viu?

Diana continua encurralando Bruce e Selina se debruça sobre uma mesa, intrigada com a possível resposta do morcego.

— Querida, acho que você tirou a sorte grande. — fala a Mulher-Gato deitando sensualmente na mesa — Ele está completamente apaixonado por você.

— Eu sei disso Selina, — diz ela piscando para a amiga — mas mesmo assim, é estranho pra ele.

— Diana tem razão. — concorda Batman.

— E não foram só nestes casos. Você anda esmurrando gente demais, até para seus padrões, e muito inquieto... ardente. Acha que não converso com Alfred e não leio jornais?

— Admito que está certa, Diana. Eu devo me focar mais. — ele se lembra do recente sonho que teve.

Batman se dirige às amostras que recolheu no local em que achou Selina. Pega algumas lâminas com amostras de material e seleciona uma em particular.

— Aqui nós temos uma amostra interessante. — ele fala enquanto apresenta um mapa da cidade com duas áreas marcadas — É o pólen de uma orquídea desenvolvida em um laboratório local. Somente dois sítios nos arredores de Gotham produzem esta variação da flor.

— Você deduz que Dentes-de-Sabre estava em um dos dois. — fala a Mulher-Gato.

— São sítios com intensa ocupação. É pouco provável que Ra's ou Dentes-de-Sabre estejam lá. Na outra lâmina, achei o resíduo de um adubo químico caro, também de uso restrito. Na tela, vocês podem ver onde o adubo é usado. Envolve os sítios e algumas fazendas.

— Mesmo assim, — fala a amazona — a área é grande.

— Certo, Diana. Mas entre os sítios e na área que foi usado o adubo, há um terceiro sítio. Este era um laboratório de teste com animais até o ano passado.

— Então, temos certeza que a base deles — diz a ladra apontando para um ponto no mapa — é aqui?

— Principalmente porque havia traços de lã de ovelha em sua roupa. Provavelmente você ficou desacordada em um antigo depósito de lã ou onde parte das ovelhas ficavam.

— O laboratório trabalhava com ovelhas, obviamente. — deduz Diana

— Sim, era a criação em maior número no terreno.

Nisso os três passam a se preparar para uma eminente investida ao local.

— Onde você pensa que vai? — pergunta Batman.

— Ué, lá no tal laboratório com vocês. — responde a gata.

— Nada disso.

— E desde quando a Mulher-Gato é subordina ao Batman? Nem na última noite foi assim. — ela fala fazendo beicinho.

Bruce tenta se conter, mas é inevitável: o trio cai na gargalhada.

Naquela noite, Batman, Diana e Mulher-Gato invadem o sítio do laboratório fechado. As instalações são de médio porte. Fora alguns galpões, o único local que poderia comportar realmente um esconderijo é o prédio principal, com dois andares. A invasão é discreta. Não queriam que Ra's, caso estivesse ali, viesse a fugir. Na medida que avançam, pondo os poucos vigias que guardavam a área fora de ação, Batman nota que as sentinelas parecem ser drogadas: pequenas injeções nos braço apontam a evidência.

Após certificar-se que não há helicóptero ou veículos mais rápidos do que o batmóvel para fuga, o trio resolve invadir o prédio.

No interior do prédio, munição, caixas não identificadas e armamentos são carregados em um caminhão próximo a uma das portas da edificação. Todos se espantam com o barulho de metal se retorcendo e o caminhão saltando, como quem leva golpes. Era a Diana que adentrava o recinto. Não bastasse isso, duas das janelas laterais são estouradas com a entrada de Batman e Mulher-Gato. Disparos passam a cortar o ambiente. Gritos e muita confusão na seqüência. Um a um os bandidos vão caindo, ou arremessados para fora do prédio. Um forte estrondo se segue e uma pequena parte do teto vem abaixo.

— Você de novo? — interroga a amazona ao ver Metallo a sua frente, em meio aos escombros.

Ele parte para cima de Diana e esta usa de fúria similar.

— Hera! — diz Batman ao perceber uma presença feminina ao fundo do ambiente.

— Não vai trás dela sozinho. — grita Selina em vão.

A amazona e Metallo vão deixando marcas profundas nas paredes enquanto se chocam violentamente com as mesmas. O barulho das colisões é ensurdecedor.

— Vai ser uma pena desfigurar um rosto tão lindo, hehehehe — ri Metallo.

Diana arranca o braço esquerdo da criatura.

— Sua piranha vadia, vou enfiar este braço no teu rabo!!

— Uma máquina que pensa e age como um verme. — observa Diana.

Hera sobe uma escada aos fundos. Batman se livra de alguns homens armados que protegiam a entrada para seguir no encalço da vilã.

A Mulher-Gato vê um cabo-de-aço e, em meio a socos, chutes, saltos e esquivas, começa a esticar o mesmo no ambiente.

Metallo acerta Diana com violência, fazendo-a atravessar uma porta. Ao ir ao seu encontro é surpreendido com um salto da amazona que atinge seu peito com ambos os pés. Na seqüência, ela tem de se livrar de alguns homens armados, dando oportunidade de Metallo se recuperar.

Perseguindo Hera, Batman percebe estar sendo atraído deliberadamente. Nota a armadilha, mas os feromônios dela já o envolveram. Ele luta, mas sabe da inutilidade da briga interna que trava.

Ainda no depósito, Selina, por fim, consegue esticar todo o cabo de aço. Vai até a amazona e fala as costas dessa.

— Aquele cabo de aço está ligado à caixa de força.

Diana entende o recado perfeitamente. Quando Metallo investe, ela simplesmente lança seu adversário ao encontro do condutor eletrificado. Metallo berra furiosamente, inicialmente alto, depois, quase sem vigor.

A gata já derrotava os últimos homens armados enquanto Diana prendia o vilão-robô no cabo de aço, agora desenergizado. Ela chama:

— Batman!

— Ele foi apanhar Pámela: Pâmela Isley!! — afirma Selina.

— Hera Venenosa aqui? As coisas começam a fazer sentido.

Rapidamente as duas seguem em direção as escadas que o vigilante subiu. Diana segue a frente. Ouve-se claramente a voz de Hera por trás de uma porta. A amazona arrebenta a porta e recebe uma borrifada de um líquido: é o feromônio em dose concentradíssima.

— Pegue-as, meu mascote. — comanda Hera ao morcego que investe, com pouca coordenação, sobre as duas.

Selina esquiva-se da ofensiva, dando tempo da amazona se recuperar. A seguir ela o imobiliza com um abraço. Sem saber o que fazer ao certo, Diana o beija:

— Vamos Batman! — e fala baixo junto dele — Sou eu.

Batman começa a reagir e o domínio de Selina sobre Hera garante a quebra do controle da vilã no Homem-Morcego. Pâmela, sem mais opções, acaba por se entregar. Ele algema Hera.

— E agora, amazona? — pergunta Hera. Sem saber do romance entre Brude e Diana, ela dispara — Sabe porque o beijou? — ela faz uma pausa e sorri — Eu sei!

O trio não entende o questionamento. A prisioneira prossegue:

— Você recebeu uma dose fortíssima de um potente feromônio. — comenta com um sorriso sórdido e lambendo os lábios — Vai começar a sentir seus efeitos em breve.

Imediatamente Batman se lembra dos guardas e as marcas de injeção: era um antídoto para o feromônio. Ele também sabe que o efeito dos ferormônios de Hera não atinge mulheres, mas se ela assim falou é porque algo foi feito para alterar seus efeitos. Diana avança até Hera, imprensando-a contra a parede. Batman interroga a prisioneira:

— Como seus feromônios a tingirão? Eles só faziam efeitos em homens.

— Ra's, com ajuda de Crane, os alterou para que afetem as mulheres também. Eles sintetizaram e produziram como uma droga. O processo é lento e caro.

— E o antídoto? — pergunta Selina.

— Não sei. Aqui não tem. Eles já vinham imunizados. — aponta para o piso inferior, onde os homens estavam.

— Onde está Ra's? — pergunta o vigilante.

— Não sei.

— Batman, é melhor fazer algo. Acho que estou começando a perder o controle da situação. — afirma Diana.

Ele a olha, ela está excitada, muito excitada.

— Não disse. Selina também, em breve estará descontrolada. Ela também recebeu parte da dose quando entrou. E você, Batman, já está há muito tempo. — afirma Hera.

Batman saca uma máscara e a põem, a fim de minimizar os efeitos.

— Tão gostoso e tão bobo. Ele é absolvido por sua pele também, garanhão. Aproveita a situação: somos três. — ela se insinua provocantemente — Você não é nenhuma novidade pra mim, já tivemos nosso momentos. Estou com saudades, muitas saudades.

Ele gostaria, muito, mas tudo está fugindo do controle.

— Selina, leve Diana para o carro. — diz Batman enquanto prende Hera a um cano de ferro junto à parede.

— Sadomasoquismo? — pergunta Hera.

Batman recolhe o resto do feromônio que foi borrifado em Diana. Ele se afasta enquanto avisa a Gordon para vir recolher os prisioneiros. Avisa que o ambiente está contaminado quimicamente, para tomarem cuidado. Informa ainda da presença de Hera e Metallo.

Antes de sair, ele observa uma câmera no ambiente. Acha provável que Ra's acompanhe tudo.

Do outro lado dos monitores, Ra's aplaude Batman, ao ver que ele observa a câmera.

— Parabéns, detetive. Já sabe o que o está afetando. Será que descobriu como começou esta história toda? Sabe que segui a Mulher-Gato para usá-la no roubo dos segredos militares e a vi flertando com você? Desenvolvi o feromônio pra usar esta informação. Sabe que a mantive bombardeada com o feromônio após isso? E você, meu caro adversário, foi contaminado, foi tragado, para o abismo que eu criei.

Diz Ra's para si mesmo enquanto aprecia seu plano e saboreia um bom vinho.

— Ubu, recolha tudo. Esse local já me serviu suficientemente.

— Sim, mestre!

No sítio onde houve o confronto, o vigilante corre para seu veículo. Chegando no carro ele vê Diana perdendo o controle: suas coxas estão úmidas e ela as esfrega uma contra a outra insistentemente. Selina diz, como quem está morrendo de calor:

— Batman... eu estou... ficando perigosamente fora de mim...

Com resto de controle que lhe restou, ele aplica um sonífero à dupla de morenas. O batmóvel corta as ruas e rodovias até a caverna como quem faz uma corrida de um rali. Ao chegar, ele sente suas paixões tentarem dominá-lo e subjugá-lo: uma verdadeira guerra interna.

— Controle-se! — ele repete insistentemente para si mesmo.

O clímax de suas guerra particular é quando se obriga a pegar as duas mulheres no carro e levá-las para uma maca na caverna, sobretudo Diana que tinha espasmos seguidos na região pélvica.

Rapidamente ele começa a analisar a amostra da droga que recolheu. O agente que ativa a substância é similar ao que Crane usa em seu "gás do medo". Assim, o detetive pega a fórmula que usou para desenvolver um antídoto para o gás do Espantalho, bem como a que fez contra os feromônios naturais de Hera, analisá-as e, por fim, desenvolve os cálculos para neutralizar o feromônio.

Alguns testes preliminares são executados com pleno sucesso. Batman percebe que o tratamento que Ra's vez pode ser revertido, levando o feromônio a seu estado primário. Isso é ótimo, pois contra este agente ele já havia desenvolvido, anos antes, o antídoto.

Ele escuta os gemidos das mulheres, sua cabeça roda, seus pensamentos fogem do trabalho.

"Está perto. É só introduzir os agentes químicos, na proporção certa, no agitador de substâncias e aquecê-las. Concentre-se."

Num esforço sobre-humano para vencer seu próprio corpo, ele toma uma decisão drástica: junto dos agentes químicos que manipulava, pega um tubo de ácido e joga em seu braço.

— Arrrgh!

A dor o faz manter o controle, ao menos momentaneamente. Ele termina seu trabalho com a fórmula, não há tempo para mais testes. Enquanto a máquina termina o processo fabril, em dez minutos, ele corre para o chuveiro gelado. O banho frio o ajuda durante esse tempo. Sai do box com o queixo batendo de frio e músculos tremendo sem intervalos, vai até a máquina e recolhe o antídoto. Para testar os efeitos, aplica em si mesmo e retorna para o chuveiro. Os gemidos das belas mulheres são como larva em seu sangue. O chuveiro, novamente, terá de ajudar.

Finalmente, após alguns minutos, ele pode sentir o controle retornar. De posse novamente de pleno controle, ele segue até as duas e aplica o antídoto em ambas. Uma carga extra de um sonífero, principalmente em Diana, as ajudarão a descansar.

Há bolhas em seu braço.

Ele relembra o que deixou para traz na luta no sítio. Resolve ligar para Gordon.

— Comissário! Recolheu os computadores que estavam no laboratório?

Claro que sim. Trouxemos tudo para a delegacia. Quer analisar?

— Disponibilize on-line para mim. Preciso saber se há alguma pista.

Em que caso está trabalhando?

— Ainda não tenho certeza, velho amigo, mas lhe manterei informado.

É melhor você tomar algo quente, está tremendo.

— Obrigado, Jim. — Batman desfaz a comunicação.

"Não gosto de mentir para Jim, mas não posso dizer que Selina está aqui e nem expor Diana."

Ele analisa o que deixou para trás na luta no sítio e resolve fazer um exame rigoroso no local. Assim, também ficaria algumas horas longe daquelas lindas mulheres que o fazem perder a cabeça. Mesmo com o antídoto, elas são lindas e encantadoramente desejáveis.


Na próxima edição: não perca o desfecho deste arco. Além de Ra's, teremos a presença de Cara-de-Barro, Rino e Lápide. O Arqueiro Verde vai até Gotham para ajudar no confronto: Batman x Super-Homem, Diana x Super-Homem.


:: Notas do Autor

(*) Ver Mulher-Maravilha # 35. voltar ao texto




 
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