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Capitão América - Origens # 02

Por Octavio Aragão

Homens de Metal

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A mão de Andrew Blodgett Mayfair, mais conhecido por Monk, era tão grande que o telefone parecia um apetrecho de prestidigitação.

— Escritório do doutor Clarke Savage Júnior — berrou — Monk Mayfair falando.

— Não sou surdo, seu macaco. Tenha um mínimo de educação e não cuspa ao telefone.

— Howard Stark? Rusty Howie? — gritou Monk subindo o tom de voz até parecer um guincho.

Quem ouvisse a voz sem conhecer o resto, poderia imaginar que o filho da senhora Mayfair era um sujeito franzino, um fracote. Nada mais distante dos fatos — Rapaz, a quanto tempo!

— Doc está por aí? Não quero perder meu tempo trocando perdigotos com você, orangotango.

— Não, Doc está ausente, capachildo — disse Monk, com um sorriso que contrariava a grosseria — Vai ter de passar seu recado para mim. E aí? Continua lambendo coturnos? Os meus estão precisando de um polimento.

— Então peça ao inútil do Ham Brooks para estender a língua. Vocês continuam dividindo a tenda aí no Empire State?

Monk estava adorando o duelo. Apesar dele e Ham Brooks serem grandes amigos e os principais assistentes de Doc Savage, gostavam de manter a imagem de rivalidade constante, disputando não apenas dinheiro em jogatinas, mas também garotas e sopapos. Apesar disso, todos sabiam que Monk e Ham eram como irmãos.

— Não, sua mãe anda me solicitando bastante. Mas qual é o papo com Doc?

— Não posso falar por telefone, Monk. Liguei para avisar que darei um pulo aí hoje, ok? Será que às seis ele estará por aí?

— Pode apostar, Howie. Ele foi atender a uma emergência, mas nada demorado.

Os dentes voaram como as pérolas de um colar arrebentado. Joe Chill, cuspindo sangue, caiu de joelhos.

— Quantas vezes teremos de repetir esta dança, Joe? — disse Doc Savage, enquanto acertava uma joelhada no rosto do homem — Quando vai aprender a não assaltar pessoas à saída dos teatros?

— Prometo que mudo de vida depois que você morrer, Savage — Chill sacou uma pistola do casaco puído — A partir de amanhã, só roubarei freqüentadores de cinemas.

Doc Savage, inexpressivo, girou sobre a perna esquerda, desferindo um chute com o pé direito na mão do bandido. A pistola voou dois metros, bateu numa parede e perdeu-se no lixo. Eram quatro horas da tarde, mas as sombras já caíam sobre Nova York antecipando o inverno. O beco fedia como o hálito da mãe de Joe Chill.

— Sabe qual o seu problema? — disse o bandido, quase sem fôlego — Não tem um pingo de humor.

— Você não tem jeito, Joe. É hora de mudar de vida.

E, antes de voltar ao escritório no 84º andar do edifício Empire State, James Clark Wildman Savage Júnior, cirurgião e químico, levou Joseph Napier Chiller, punguista e ladrão, a uma clínica particular para uma rápida e, acreditava-se, inofensiva lobotomia.

De todas as qualidades, aquela que Doc mais admirava em si mesmo era o senso de praticidade.

— Olá, Howard — cumprimentou Doc Savage, evitando a mão estendida.

— Os germes, não é? — Stark abaixou o braço, consternado — Quebrar a cara de bandidos deve ser menos perigoso que saudar os amigos.

— Sempre tenho o cuidado de usar os pés quando lido com a escória. De você, Howard, eu gosto.

— Sabe, Doc, às vezes tenho a impressão que você faria uma bela carreira política na Alemanha.

— Não aprecio o clima de lá. Prefiro Nova York.

Stark desistiu. Doc Savage era impermeável à ironia.

— Vamos ao ponto, então. Como vai a experiência com a nova liga metálica?

Monk entrou na conversa.

— Ei, Doc, é aquele serviço que você me encomendou?

Stark arregalou os olhos.

— Você repassou o projeto para Monk? Por quê? Eu indiquei você ao alto-comando.

— Eu estava ocupado. Problemas em El Fidalgo. Monk é tão bom químico quanto eu, talvez melhor. Creio que os resultados serão do agrado de seus superiores. Stark esticou um dedo diante de Doc Savage. Precisou ficar na ponta dos pés para tentar o efeito desejado.

— Danem-se meus superiores, Doc. Eu dou as ordens aqui e fui bastante claro quando disse que você e mais ninguém deveria tomar conta desta fase do Projeto Renascimento.

— Ups! — disse Monk — Terei presenciado uma quebra de protocolo, Howie? Ou será que o nome de seu projeto poderia ter sido pronunciado diante de ouvidos não autorizados?

— O estrago já foi feito, babuíno. Agora, se entendi bem, você tem algo para mostrar.

— Venham comigo — disse Monk, dirigindo-se ao laboratório contíguo à recepção — Ainda é instável, mas as primeiras experiências foram promissoras.

Um bloco metálico fosco de trinta centímetros de altura por vinte de largura repousava sobre um pedestal no centro da sala. Os três homens abrigaram-se numa cabine com paredes reforçadas.

— Atire nele — disse Monk, entregando um revólver calibre 45 para Stark — Vai, passa o revólver pela portinha e dispare.

Stark descarregou seis tiros na direção do bloco. Quatro erraram o alvo, mas, em compensação, os projéteis que acertaram sofreram uma transformação. Em silêncio absoluto, as balas ricochetearam e caíram inertes no piso de lajotas brancas.

Monk arreganhou o sorriso que o deixava parecido com um animal mitológico

— Senhor Howard Stark, apresento-lhe o primeiro e único bloco de vibranium-adamantium do mundo. O adamantium é impenetrável e indestrutível. O vibranium absorve qualquer impacto, eliminando o choque e reduzindo sua energia cinética. Ricochete perto de zero. Como efeito colateral, o som desaparece. Agora imaginem um tanque fabricado a partir dessa liga.

— Ou uma armadura... — complementou Stark, ajeitando os cabelos em desalinho. Aproximou-se da peça e tentou tocá-la. Monk impediu.

— Não sei se funcionaria em uma armadura, Howie. Outro efeito colateral é que a peça torna-se muito quente. Qualquer um que utilize essa liga metálica teria de envergar luvas muito grossas. Quanto maior o impacto, mais quente o metal.

— Monk, meus parabéns — disse Doc Savage — Há poesia numa guerra quente e silenciosa.

Stark percebeu que, por trás da fisionomia impassível, Doc Savage estava feliz. Era uma felicidade limpa, absoluta e estéril.


No próximo episódio: Doc Savage! Howard Stark! Lamont Cranston! E o jovem Steve Rogers! Sejam bem-vindos à Operação Renascimento!




 
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