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Capitão América - Origens # 03

Por Octavio Aragão

Operação Renascimento

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— Quem é você, janota? Quem deu permissão para depositar sua carcaça aqui? — perguntou Monk Mayfair ao ver Harry Vincent recostado no buick 1932. Doc Savage, Lamont Cranston e Howard Stark, reunidos em torno de um homem grisalho, de fartos bigodes, o professor Phineas Horton, com quem conversavam aos sussurros, só perceberam a crise iminente quando Vincent apontou a 45 para o rosto de Monk.

— Chefe, — perguntou Vincent a Cranston — permissão para arrebentar esse macaco?

Savage e Cranston seguraram seus parceiros, cada qual a seu modo. O homem que usava a identidade de Lamont Cranston, muito ágil, desarmou Vincent, e Clark Savage Jr aplicou um golpe sutil no ombro de Monk, afetando um nervo que paralisou o braço direito.

— Você prometeu se comportar, Monk, — disse Savage — lembre-se do que está em jogo aqui.

— O mesmo vale para você, Harry — complementou Cranston, num tom de voz gélido, contra o qual não havia possibilidade de argumentação.

Monk, massageando o braço, não calou a boca.

— Achei que este encontro era secreto, mas se você diz que esses maricas podem entrar, Doc, eu fico quieto. Não aceito, mas acato.

A cena de tiroteio iminente não passou despercebida pelos agentes do serviço secreto espalhados pela rua aparentemente deserta e, apesar de Monk e Harry não saberem, suas cabeças ficaram sob a mira de vinte armas diferentes durante todo o tempo em que estiveram com os pés na calçada. Eles não perceberam, mas Cranston e Savage tinham certeza que por muito pouco seus assistentes e amigos não terminaram o dia transformados em pixações expressionistas nas paredes do antiquário.

Howard Stark, com uma careta de desagrado por causa da situação delicada, conduziu o professor

Horton para a sala de apresentações, localizada atrás de uma inocente loja de antiguidades, no Soho, em Nova York. Dentro da loja, escura e úmida, foram recebidos por uma velha encarquilhada cujas feições repugnantes combinavam com as teias que pendiam do teto em grossas cordas brancas.

— Parem e identifiquem-se — disse a mulher.

Stark, acostumado a assumir a frente em situações diplomáticas, declarou, apontando para Cranston e para si mesmo:

— Somos os agentes L6 e L8, trouxemos os instrutores da Arma I.

A velha deixou escapar um assobio que não saía de seus lábios vincados, mas de algum ponto atrás da cabeça. Sem dizer uma palavra, suas feições pareceram inflar, ganhando características semelhantes as de um balão de gás. Em seguida, o rosto descolou-se da estrutura óssea e caiu como uma casca de lagarta da qual emerge uma borboleta.

Essa borboleta tinha cabelos negros revoltos e íris de um azul tão frio que ganhava tons acinzentados. Longe de serem unanimidades estéticas, esses olhos apavoraram a maioria dos homens que cometeram o erro de tentar se meter com ela. Gail Carter, a Agente 13, poliglota, mestre em disfarces e no manejo de diversas armas, havia matado vinte homens, em sua maioria espiões alemães infiltrados em território aliado, na Inglaterra, França e América. Mas esses foram a maioria dos que ela eliminou. Houve outros nos quais deu sumiço talvez por algum capricho.

Foi essa bela máquina de matar que serviu de cicerone para os seis homens pelo laboratório secreto que existia no subsolo da loja. Gail abria portas e explicava detalhes do Projeto Renascimento para um frio e distante Doc Savage e para um interessadíssimo professor Horton, que franzia a testa de quando em quando, como se tentasse decorar cada palavra, cada inflexão, cada pausa. Por outro lado, Monk Mayfair e Harry Vincent sofreram uma súbita e aparentemente irreversível catatonia imbecilizante que os fazia salivar por Gail, sem atinar com o que ela falava.

E foi assim que, ao final da décima porta, os visitantes encontraram o professor Erskine, chefe do projeto Renascimento. Numa sala limpa e até perfumada com essência de alfazema, o professor, com as mãos cruzadas e à frente de uma maca pequena demais para um adulto normal, conclamou o silêncio e pediu:

— Bem vindos, cavalheiros. Hoje vou lhes mostrar o futuro. Se tiverem a bondade de assumirem seus lugares na sala de observação ao lado, lhes apresentarei em primeira mão as chaves para a vitória na Alemanha.

Além dos seis recém-chegados e da Agente 13, dois outros homens, encapotados e sérios, encaminharam-se para a sala contígua, cuja parede de ligação com o laboratório do dr. Erskine possuía uma janela de vidro grosso.

— Por favor, — disse o dr. para seus assistentes — tragam o voluntário.

O franzino Steven Grant Rogers adentrou a sala por outra porta, ladeado por dois soldados de cara fechada. Monk cutucou Harry Vincent e segredou-lhe:

— Olha, e eu que pensei que você era uma anormalidade genética. Devo-lhe desculpas, pois esse guri deixa você no chão no quesito feiúra. É uma abominação.

Monk bateu no ombro de Harry, sorrindo. Harry pensou em revidar, mas foi interrompido por um som estridente advindo de uma das máquinas que desciam do teto. Dois eletrodos de aproximadamente um metro posicionaram-se ao lado da maca onde deitaram Rogers. Quando começaram a pulsar, Vincent pensou que, para um procedimento ultra-secreto, havia gente demais naquela sala. Aproximou-se de Cranston, sussurrando.

— O senhor sabe quem são os sujeitos que já estavam aqui quando chegamos?

Lamont Cranston respondeu sem mover os lábios.

— O Sombra sabe, Harry — e fez sinal para Vincent afastar-se um pouco, em direção à porta de saída.

Um brilho azulado banhou a sala. Erskine gritava que não havia com o que se preocupar, aqueles eram os Raios Vita e serviam como um bálsamo para o corpo do paciente enquanto ele, Erskine, aplicava uma injeção na veia do rapaz. Monk, que jamais foi amigo de agulhas, arrepiou-se a ver o calibre da seringa que despejou seu conteúdo verde no braço de Rogers.

Durante dois segundos eternos nada aconteceu. De repente, o rapaz franzino encurvou as costas como se fosse partir ao meio. Só então a assistência percebeu que os soldados haviam algemado o rapaz à maca como medida de precaução. O que parecia uma decisão exagerada, revelou-se sábia, pois sem as algemas, Rogers teria caído em convulsões. Os músculos saltavam como se submetidos a descargas elétricas e os dentes trincavam a ponto de fazer Vincent temer por suas próprias obturações.

Rogers parecia ampliar, ganhava a compleição de um homem de trinta anos e logo seu peso excedeu o limite da maca. A queda subsequente não interrompeu o processo, que só parou quando o jovem atingiu a estatura de dois metros e dez. Ninguém percebeu, mas a perna manca, defeito congênito, foi curada. Carinhosamente, Erskine ajudou Rogers a ficar de pé. Parecia um anão prestando auxílio a um jogador de basquete combalido.

— Seja bem vindo a um novo mundo, meu filho — disse o cientista que já havia se chamado Reistein segundos antes de cair morto sobre um aturdido Steve Rogers.

Alguém naquela sala secreta e segura havia gritado Heil, Hitler. E as balas começaram a voar.


A seguir: Quem é o nazista misterioso? O que o professor Phineas Horton faz ali? Qual será o papel de Cranston e Savage no projeto? Tudo isso e mais um convite irrecusável para Steve Rogers em "A Tropa de Um Só Homem".




 
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