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Por
Alexandre Mandarino
Derrotas
Oceano Pacífico
2h30
Uma pequena ilha sem nome, localizada milhas a sudoeste do Havaí.
Um binóculo dotado de visão infravermelha vasculha
um armazém visivelmente construído às pressas.
Do outro lado do binóculo, a mais de dois mil metros de
distância do armazém, o agente 47 se intriga. Com
um discreto sinal de seu dedo indicador, ele chama o agente 11.
O que é? sussurra 11 em seu comunicador. Estou terminando
de rastrear as minas do jardim. Em menos de um minuto, o sensor
deverá estar mandando o mapeamento para a impressora em
meu capacete. Então, será fácil avançarmos
até o armazém.
Eu sei. Mas não é isso que me preocupa. Como estão
23 e 7? Não mandam mensagens há mais de 15 minutos.
Engano seu. Responderam agora há pouco, pela freqüência
LAN 3. Está tudo bem na margem oeste da ilha.
Bom. Mas estou achando tudo tranqüilo demais. Tem certeza
que somos em número suficiente para esta operação?
Carl, somos 20 homens. Um esquadrão inteiro do pelotão
de campo da SHIELD. Além do mais, segundo os informes preliminares,
no armazém estão apenas cinco funcionários
não-treinados e dezenas de caixas de armamentos.
Não me chame pelo nome, 11. Quantas vezes nossos informes
falharam antes?
Poucas, mas...
Mas falharam. Não quero arriscar nosso pessoal. O sensor
de minas pode tentar um rastreamento do interior do armazém?
Creio que sim, posso pedir ao agente 39 que faça uma
rápida mudança de hardware, ele sempre traz um kit
portátil com as placas e cabos necessários para...
Peça.
A partida do número 11 deixa o agente 47 ainda mais intranqüilo.
Algo está errado. Ele sabe disso, pode sentir a iminência
do desastre em seu poros. É quando se lembra da Dra. Maggie
Dylan, psicóloga do porta-aviões, que teima em acusar
traços de paranóia em Carl. Uma dúvida se
abate sobre o agente, que não sabe se deve ou não
acreditar em seus instintos. Súbito, algo parece mudar
na imagem esverdeada gerada pelos binóculos. Um par de
asas, grandes demais para um corpo de pássaro, passa rapidamente
pela fachada do armazém.
11, movimentação estranha na frente do prédio.
Alguma relação desta base com experimentações
genéticas?
Hã? Negativo, Carl, err, 47. O armazém é
apenas um entreposto avançado para o armazenamento de material
bélico, drogas e equipamento para montagem de naves. Não
tem importância para a organização, serve
apenas para facilitar suas operações e desviar das
alfândegas internacionais.
Ele o chamou novamente pelo nome. Idiotas. Estava trabalhando
com idiotas. Vinte e dois anos de experiência em operações
de campo. E para quê? Para "presentearem-no" com
um esquadrão de novatos cretinos que mal aprenderam a andar
fora do porta-aviões. Maldita organização
burocrática. Fury, seu velho ultrapassado.
"Não tem importância para a organização",
pensa 47. "Claro, deve ser por isso que estão todos
se borrando para invadir o armazém. Algo está errado."

Do outro lado da
ilha, na margem oeste, outros dez homens observam os fundos do
armazém. A parte traseira da tosca construção
de concreto e argamassa aparentes é mais próxima
da praia que a sua fachada, dispensando o uso de binóculos.
Mas aqui o jardim que separa a areia do edifício é
mais denso, com árvores baixas e de copa larga, restringindo
o campo de visão. O agente 23 amaldiçoa pelo comunicador:
7, o que está acontecendo? 11 e 47 não dão
notícias há mais de meia-hora. Algo está
errado.
Nada errado, 23. 55 e 309 acabaram de receber uma mensagem deles
pela LAN 3. A operação prosseguirá dentro
de minutos. Vamos repassar os planos: entramos pela janela traseira,
já que esta parte do prédio não tem porta.
O grupo leste entra pela porta dianteira da direita, a menor.
Não nos encontraremos de imediato, são cômodos
diferentes. Pelas informações preliminares, a esta
hora apenas cinco funcionários estão presentes.
Dois deles dormem no quarto onde entraremos. O grupo leste terá
de lidar com os outros três, que estarão acordados
na parte frontal, o armazém propriamente dito. Lembrem-se:
os cinco são funcionários remunerados e não-treinados.
Não são agentes da Hidra. Tentem imobilizá-los;
se reagirem de alguma forma, tentarem fugir, apertar algum botão,
acionar alguma alavanca, qualquer coisa, atirem para matar.

Interior do armazém
2h55
O homem conhecido como Fixer liga novamente seu Intruvox, aparelho
modulador de voz e invasor de freqüências privadas.
Antes de acioná-lo, pergunta para um homem careca ao seu
lado:
Eh. Isso está começando a ficar engraçado.
Creel, quem você acha que devo mimetizar agora? Já
fingi que era os agentes 23 e 11. Os dois grupos pensam que ainda
são capazes de se comunicar um com o outro. Cretinos.
O Homem-Absorvente responde:
Finge que é o retardado do Capitão América.
Fala que ele tá aqui, que tá tudo bem e eles podem
ir embora. Ah, ah.
E privá-los da diversão? Nah, isso é muito
cruel, Creel. Vamos acabar com isso de uma vez.
Fixer acopla o Intruvox ao seu capacete e fala, imitando a voz
do agente 23 (na freqüência LAN 3 recebida pelo grupo
leste) e do agente 11 (na freqüência LAN 3 captada
pelo pessoal que a oeste):
Atenção! Atenção! Código
Dell! Repetindo! Código Dell! Fomos descobertos! Agentes
armados avançam em nossa direção! Não
há mais sentido em manter as posições! Ataque
imediato ao armazém!
Nas duas margens da ilha, dois pelotões saem de suas trincheiras
e avançam atirando na direção da construção.
Dezenove homens entram no prédio, dez pelo lado oeste e
nove pela margem leste. Um deles mantém-se em seu lugar,
protestando:
Parem! Cretinos! Se estivessem atacando, estaríamos ouvindo
tiros! Parem!
A voz do agente 47 não se faz ouvir. Dezenove agentes da
SHIELD caminham como porcos para um matadouro. Carl corre até
sua mochila, abre-a e retira um fuzil de assalto CAR-15 e um lança-foguetes,
que começa a montar. "OK, idiotas, corram para a morte.
Mas não me pegarão desse jeito ridículo".

Nekra, eles estão
entrando. Faça as honras assim que colocarmos os óculos
especiais. ordena Fixer.
Assim que os agentes entram atirando, todo o interior do prédio
vira breu. Nekra, auto-intitulada deusa da escuridão, imediatamente
mergulha os agentes da SHIELD num mar de trevas. Incapazes de
ver, os inexperientes operativos disparam a esmo. Nove agentes
tombam, mortos pelos próprios companheiros. Do lado de
fora, o agente 47 ouve tudo pelos comunicadores de seus colegas.
Merda, gritos. Nekra, meu Deus! O que está havendo lá
dentro? Quem mais está lá? "Cinco funcionários
destreinados", "local sem importância"! Maldita
SHIELD!
Duas das balas atingem a cabeça de Crusher Creel. Ao invés
de sangrar, ele imediatamente transforma-se em um ser feito de
chumbo e teflon, rodopiando sua maça. Caixas caem pelo
cômodo. Cinco delas despencam sobre o agente 309, esmigalhando
sua cabeça. Creel gargalha e ameaça destroçar
o local, mas é acalmado por Fixer.
Droga, Crusher, não esqueça que estamos aqui,
seu idiota! Pare de rodar essa maldita maça!
Nem o Homem-Absorvente é tão cretino a ponto de
estragar uma operação da HIDRA. Creel pára
e começa a aterrorizar dois agentes. Enxergando-os através
de óculos especiais criados por Fixer para penetrar a escuridão
gerada por Nekra, ele toca em uma das caixas de madeira, assumindo
as características desse material. Com os dedos cheios
de farpas, começa a socar os dois agentes, que logo caem
aos seus pés. Ao seu lado, Fixer tira dos bolsos um par
de pequenos aparelhos, com o formato de parafusos. O cientista
lança-os ao ar e logo a bizarra dupla mecânica, zumbindo
como mosquitos, encontra os crânios dos agentes 11 e 23.
Rodopiando, as pequenas máquinas abrem caminho pelos cérebros
dos dois espiões.
Sei que vocês estão vendo, mas restam cinco. avisa Nekra. Eles não podem nos ver. Quer que um deles
fique são para falar sobre a SHIELD?
Não. responde Fixer. O Supremo Hidra foi claro: eliminar
os agentes e mostrar à SHIELD que nada pode impedir o desenvolvimento
da Estrela Z.
Seja feita a vontade dele. responde Nekra, sorrindo.
As trevas
ao redor dos cinco agentes sobreviventes se intensifica. Um mundo
de escuridão leitosa, frio intenso e sons tenebrosos se
aninha nos corpos e mentes do quinteto, que mal consegue gritar.
Três deles sofrem ataques cardíacos fulminantes;
um fica com cabelos completamente brancos em três segundos
e cai, com o cérebro paralisado; o último prostra-se
como uma criança, ajoelha-se chorando, saca sua Glock e
dá um tiro no próprio peito.
Putz! Depois vocês falam que eu sou mau. ironiza o Homem-Absorvente.
Não sou má, Creel; sou efetiva. Mas perceberam
que apenas dezenove homens entraram?
Sim, um deles deve ter ficado lá fora. responde Fixer.
Não tem problema. Perceberam que só nós
três estamos aqui dentro?

Carl Sitwell, irmão
mais novo do veterano espião Jasper, codinome agente 47,
termina de montar o lança-foguetes e espera pelo pior.
Posicionado em sua trincheira, na areia da praia leste, apontou
o lançador de seis tiros para o armazém. "Seja
que inferno sair de lá, vai pelos ares assim que aparecer",
pensa, enquanto aperta o CAR-15 com a mão esquerda. Com
um toque no PowerBook G4 à sua frente, aciona os sensores
de terreno que haviam colocado, uma hora e meia atrás,
ao redor da trincheira.
Cinco minutos. Os gritos continuam dentro do armazém.
Seis.
Sete minutos. Silêncio.
Dez minutos. Nada acontece. Os sensores permanecem silenciosos.
O barulho do vento marinho aumenta levemente. O agente 47 percebe
tarde demais que sua sombra aumenta de tamanho. Um forte soco
em sua nuca o leva ao chão. Surpreso, o veterano olha para
cima. Um homem negro, alado, volta para as alturas.
"Condor", reconhece 47. "Pensei que fosse pior.
Tudo que ele pode fazer é voar. Um teco no meio da testa
e vai para o beleléu".
Infelizmente, Condor tem a mesma idéia. De sua cintura,
saca uma submetralhadora Uzi e 47 se vê preso numa tempestade
de chumbo. Pequenas crateras se formam na areia ao seu redor.
"Cristo, eles estão pegando pesado. Se não
fugir, não saio daqui vivo. Dane-se a missão, foi
tudo um fracasso".
Com esses pensamentos, Sitwell puxa dois tubos de seu capacete
comunicador, ligando-os à sua cintura. O novo modelo do
Mini-Mandróide Aquático, desenvolvido por Gaffer,
não foi propriamente testado, mas é a única
tábua de salvação, literalmente. 47 joga-se
na água, digita rapidamente a latitude e longitude de Honolulu
e liga os jatos propulsores do uniforme.
Nada acontece.
O barulho dos jatos pode ser ouvido, a água borbulha, mas
47 não sai do lugar. Ele olha para trás e seu coração
vem à boca. Das trevas das águas do Pacífico,
um pesadelo emerge lentamente. Os dentes de Todd Arliss, o Tubarão
Assassino, brilham em meio às ondas.
Adeus, 47. Ou você prefere Carl?

Ah, ah, ah. Era
só o que faltava, Sitwell. E aí, o que você
disse? pergunta Gabe Jones, em uma das cantinas do porta-aviões
da SHIELD.
Você não acredita em mim, Jones? Não me
importa. responde o intelectual e metódico Jasper Sitwell,
atrás de seu par de óculos.
Aí, o Gabe tá certo, Jasper. diz Dum-Dum Dugan.
Você não vai querer que a gente acredite nessa
lorota. Afinal, você mesmo acabou de dizer que...
uuuuueeeeeeeeeennnnnnn
uuuuueeeeeeeeeennnnnnn
O comunicador na lapela de Gabe apita. Luz azul. Sala do Fury.
A essa hora? estranha Dum-Dum. Bem, boa sorte, Gabe.
Intrigado, Jones toma o elevador até o nível onde
ficam os aposentos do diretor da SHIELD. Nicholas Fury, veterano
da II Guerra Mundial, amigo pessoal de Gabe e Dum-Dum há
décadas e a maior força por trás da SHIELD.
Ao chegar à porta do escritório de Fury, Gabe espera.
Uma voz surge no comunicador da parede:
Entre, Jones.
A sala é ampla e espaçosa. Em uma mesa, uma caixa
quase vazia de charutos cubanos divide o espaço com velhos
discos de vinil de Sarah Vaughan. Ao perceber que Gabe olha com
um leve sorriso para os álbuns da dama do jazz, a condessa
Valentina Allegro de La Fontaine explica:
Dei um DVD do Louis Armstrong para ele na semana passada. Me
fiz de idiota: ele não tem um player, insiste em
manter essa tralha na sala. diz a bela espi|ã, apontando
com o queixo para uma vitrola Technics dos anos 70.
Qualé, Val? protesta o coronel. Já chega ter
de conviver com essas babaquices high-tech da SHIELD. Deixa
meus discos em paz. Bom, senta aí, Jones. O negócio
tá ficando feio e a gente tem que fazer alguma coisa. Val,
vai dar uma passeada, vai. Fazer umas comprinhas, sei lá.
Com um olhar mortal, a condessa deixa a sala.
Ela ficou magoada. observa Gabe.
Nah, depois a gente se entende. Eu, um dry martini e
Cole Porter fazemos milagres quando estamos juntos. Mas a parada
é séria, Gabe. A missão 14 foi um fracasso
total. Código zero.
Código ze...?
Isso mesmo. Uma pena. Foi uma tragédia.
Mas o Carl não estava nessa missão? murmura
Jones.
Disse bem: estava. Todo mundo foi pro saco, Gabe. Melhor nem
falar nada pro Jasper agora. Deixa que amanhã eu me entendo
com ele.
...
É... Bom, foi uma pena mesmo. O garoto era bom. Mas eu
andei pensando numas coisas e uma amiga minha, a Amanda Waller,
colocou umas minhocas na minha cabeça. Não gostei
da idéia original dela, mas acho que cheguei a uma versão
aprimorada, que pode funcionar com a gente.
Fury, vai com calma, tá? Explica do início que
eu não tô entendendo.
Tá bom. A parada é a seguinte: essa missão
fracassou por dois motivos. Primeiro, falha absurda do nosso agente
preliminar de campo. Segundo, presença de gente com poderes
no local.
De novo isso!
É. Bom, a primeira falha é responsabilidade totalmente
nossa. Com esse monte de conflitos estourando pelo mundo, nossos
melhores espiões estão sempre ocupados. Mas já
dei um jeito: avisei pros idiotas da ONU que não temos
mais quórum nem condições de aceitar muitas
missões ao mesmo tempo. Vamos fazer um regime até
treinar novas turmas, e treinar muito bem.
Gabe escuta em silêncio.
O segundo problema é mais delicado. prossegue Fury
Tem pintado neguinho superpoderoso em tudo quanto é canto,
parece que qualquer besouro radioativo, pedaço de pau místico
ou capacete de adamantium transforma mané em vilão
agora. Mas a SHIELD não é uma fábrica de
super-agentes, não temos como fazer isso. Antes, o Capitão
até dava uma força pra gente nas operações
de campo mais perigosas, mas parece que ele ficou mais desconfiado
com o tempo.
É, o Rogers anda sumido.
Pois é. Mas eu nem culpo o cara, nosso ramo é
a maior sujeira mesmo. O que a Amanda me sugeriu era fazer algo
parecido com um treco que ela comandava anos atrás, o Esquadrão
Suicida: recrutar vilões para o serviço sujo. Não
acho uma boa idéia, não vou querer que as cabeças
de meus homens dependam de alguém como o Doutor Octopus
em uma operação.
Claro que não, isso nunca funcionaria. emenda Jones.
Justo. Por outro lado, tem uma pá de heróis por
aí. É só chamar os neguinhos, dar um treinamento
básico, atulhar de apetrecho e mandar pro pau. Acho que
pode funcionar.
Estou começando a gostar dessa idéia, Nick. Pensando
bem, faz sentido. Desde o final da Guerra Fria, ficou muito mais
delicado aparecer claramente em vários países. Alguém
como o Homem-Aranha, por exemplo, não tem ligação
oficial com a SHIELD, com a ONU e nem com o governo americano.
Se ele aparecesse, digamos, na Colômbia, ninguém
ia poder culpar a gente.
Tá aprendendo, Jones. Isso que eu pensei. Não
necessariamente o Homem-Aranha, não podemos ser tão
óbvios. E nem precisamos. Como eu falei, o que não
falta é gente com poder a fim de colaborar, de uma forma
ou de outra.
E por que me chamou?
Adivinha.

Jimmy Woo sai de
seu quarto, não sem antes dar uma última olhada
para a foto sobre a mesa de cabeceira. Suwan. A bela e jovem Suwan,
amor de sua vida. Transformada em pó graças às
vilanias do Garra Amarela, há mais de uma década.
Mordendo os lábios, Woo se dirige para a cantina. No local,
Sitwell continua tentando explicar a noite passada para Dum-Dum
e, desta vez, Valentina.
Eu tô falando sério, gente! diz o pobre Jasper.
Ah, quer saber? Não tenho que ficar provando nada para
vocês. Vou jantar.
Sitwell quase esbarra em Woo, que entra na sala. Com a chegada
de Jimmy, o clima antes descontraído dá lugar a
um certo constrangimento.
Como vai, Jimmy? arrisca a condessa.
Indo. Li nos jornais que um terremoto assolou a China esta manhã.
Creio que a SHIELD deveria investigar.
Neste momento, Gabe Jones, atrás de um copo de café
expresso, entra na cantina.
Por quê, Woo? pergunta Dum-Dum. A SHIELD não
pode ficar investigando todas as calamidades naturais.
Naturais? rechaça Jimmy. Como podemos ter
certeza que um terremoto justamente na China é natural?
Já esqueceram que...
Tá, o Garra Amarela etc etc etc... diz Val. Jimmy,
o Garra está morto. Essa luta já acabou, cai na
real. Você precisa pensar em outras coisas.
Neste momento, algo estala na mente de Gabe. Da porta, ele proclama:
Woo, me encontre no auditório. Tenho um trabalho para
você.

Duas horas e meia
de conversa depois, diversos planos de ação já
haviam sido discutidos por Gabe Jones e um surpreendentemente
entusiasmado James Woo.
Entendi, entendi. Gosto dessa idéia também. E
aquele plano que falamos antes também pode funcionar. Sempre
funciona. Alguém com esse perfil, ironicamente, termina
sempre por motivar os demais. estende-se Jimmy.
Gabe cada vez mais tem a certeza de ter encontrado o homem certo.
Então é isso. O que acha da sigla CLASH? "Controle
Logístico de Agentes Super-Humanos"? Pode funcionar
e não é nada que levante suspeitas sobre a SHIELD
ou a ONU. aposta Jones.
Claro, acho que soa bem. Gostei, Gabe. Dentro de uma semana,
você terá notícias sobre isso. diz Woo,
despedindo-se.

Um setor pouco utilizado
nas partes inferiores do porta-aviões aéreo da SHIELD
foi solicitado por Woo para as instalações da futura
"organização dentro da organização".
Gabe concordou e pediu permissão para Fury, que ordenou
a construção no local de um auditório para
reuniões, diversos alojamentos pessoais, salas de treinamento,
uma sala de pesquisas e o que havia de mais moderno em comunicações.
Era quase uma pequena SHIELD, dentro da original. Depois de anos,
o porta-aviões estava esperando um bebê.
Numa manhã de quarta-feira, Woo liga para o quarto de Jones.
OK, Gabe. Pode descer. Eu e Gaffer já estamos aqui.
Venha conhecer o CLASH.
Surpreso com a rapidez e a animação de Woo, Jones
desce diversos níveis no elevador pneumático e chegou
à "barriga" do porta-aviões. Quase ri
de satisfação com o que vê: a nova sub-organização
está praticamente pronta. Um microcosmos dentro da SHIELD,
formado por Jimmy Woo, Gaffer que, como sempre, ficaria
responsável pelos badulaques eletrônicos e
um pequeno corpo de agentes de segurança. E o melhor: os
recrutas poderiam entrar pela parte inferior da aeronave. Se fosse
necessário, sequer perceberiam que estavam no porta-aviões
aéreo da SHIELD.
O que achou, Gabe? pergunta Gaffer.
Impressionante, seu velho matreiro. Finalmente vai voltar
a brincar com suas tralhas, hein?
Ah, sim. Como meus "discípulos" não
precisam mais de minha ajuda nas operações da SHIELD,
decidi que seria bom me dedicar integralmente à esta nova
idéia. Eu e Woo sempre nos entendemos muito bem, desde
os tempos em que criava jatos portáteis e Magnums especiais
para que ele enfrentasse o Garra... Amarela.
O "amarela" saiu exatamente com esta cor. Tentando ajeitar
a situação, Gaffer emenda:
Bem, é isso. Creio que vamos nos divertir muito
aqui.
Sentem-se. convida Woo. Vamos estrear logo
este auditório de reuniões. Alguma sugestão
para o nome dele?
Que tal Auditório Steve Rogers? sugere Gaffer.
Que seja. concorda Jimmy. Bem, pesquisei
diversas opções para nossa primeira missão,
seja ela qual for. Quero estar preparado para quando tivermos
de agir. A SHIELD tem sido um tanto, err, amadora nos últimos
tempos. Isso não acontecerá no CLASH, se depender
de mim.
OK, Woo. Vamos lá. Me surpreenda.
Pode ter certeza, Gabe. Bem, começando a lista de
chamada.
Jones e Gaffer olham com atenção. Quem iria entrar
naquela sala?
Como combinamos, Jones, o CLASH terá um número
fixo de seis agentes de campo superpoderosos, além de mim.
Estes seis não serão fixos. Um agente pode sair
quando bem entender ou quando precisarmos de um outro com poderes
mais adequados para a missão em questão. Portanto,
tudo é temporário e ágil, como eu prefiro.
Dessa forma, nos ajustamos às necessidades.
Chega de enrolar, Woo.
Bem. O primeiro agente foi o mais fácil de ser convencido:
ele pediu apenas dinheiro. Não vou dizer seu nome verdadeiro.
Ele é um atleta muito bem treinado, experiente em operações
complicadas e tem a falta de caráter que podemos precisar
nas operações. Entre, Paladino.
Oi, galera. diz o mercenário, sentando-se
ao lado de Gaffer e Gabe na platéia do auditório.
Woo prossegue.
O segundo agente já atuou conosco antes, está
acostumado com os aparelhos típicos da SHIELD. Em troca
de sua ajuda, pediu que fizéssemos algumas doações
para instituições de caridade e orfanatos do Harlem.
Sam Wilson, o Falcão.
Fala, Gaffer, Gabe... cumprimenta Sam. Sobre seu
ombro, Asa Vermelha guincha.
"Que parte do 'superpoderosos' Woo não entendeu?",
pensa Gabe.
Nosso terceiro homem é um dos melhores detetives
do mundo e concordou em nos ajudar porque, segundo ele mesmo,
"estava entediado". Ralph Dibny, o Homem-Elástico.
Uma cabeça surge a meio metro de Gabe: Tudo bem,
cara? Prazer, Ralph. Esta aqui uma mão entra na
sala acolhendo uma mulher de cabelos pretos curtos é
a minha esposa, Susan. Sue, para os íntimos. Quer dizer:
eu!
Gabe protesta: Peraí, Woo! O que eu falei sobre
amigos e parentes na base do CLASH? Você esqueceu?
Não, Jones, mas a sra. Dibny é de extrema
confiança. Ela esteve nas bases da Liga da Justiça
quando Ralph pertencia ao grupo. Chegou até mesmo a ser
chefe de comunicações do setor Europa daquele supergrupo.
E ela é meu Credicard: não saio de casa sem
ela! brinca Ralph.
Tá, tá. Mas isso não pode acontecer
de novo, Woo. Atenção. resmunga Jones, começando
a questionar a própria escolha.
Woo dá prosseguimento à apresentação
do estranho time.
Nosso próximo agente vai ser de grande valia, tanto
pelo poder, quanto pelo intelecto. Infelizmente, sua ajuda terá
de ser ainda mais breve que a dos demais. Henry McCoy, o Fera.
E aí, galera? diz o mutante azul e peludo,
que entra saltando pela sala. Tranqüilo, Ralph? Como
vai, bela sra. Dibny? Hank beija a mão direita de
Sue E aí, Sam? Vamos agir juntos novamente, hein?
Ele topou nos ajudar em troca de uma certa, digamos, pressão
da SHIELD no que concerne aos mutantes. Vamos fazer o possível,
Hank. explica Woo.
"Saco, finalmente alguém com poder decente",
raciocina Gabe. "Mas Jimmy não deveria sair prometendo
coisas. Não estou gostando."
Nossa penúltima convidada pode não ser conhecida
de todos, mas prima pela maestria nas artes marciais. Ela topou
nos ajudar em troca de informações sobre uma determinada
pessoa: entre, Katana.
Olá. diz a heroína de 1,55m, levando
em suas costas uma afiada espada samurai.
"Pronto,
era o que faltava", imagina Gabe. "Uma obscura heroína
com complexo de O Tigre e o Dragão. Típico
do Woo".
O reforço para o CLASH fica completo com o sexto
e último agente, que se ofereceu para nos ajudar quando
soube que eu estava procurando seres poderosos: dono de um anel
energético amarelo, Guy Gardner.
Imediatamente, Ralph, Sue, Paladino, Gabe e até mesmo Katana
levam as mãos à testa ou arregalaram os olhos, incrédulos.
"Woo definitivamente está louco", pensa Jones,
alarmado.
Vocês acharam que esse grupelho não ia ter
ninguém de respeito? Até parece que nosso amigo
Woo ia deixar de chamar um herói de primeira grandeza pra
colocar esse negócio para funcionar! É só
deixar o comando na minha mão e não tem problema,
já liderei a Liga da Justiça em seus tempos áureos.
A Liga de verdade, não essa porcaria de agora! tagarela
Gardner.
Deixa de ser mentiroso, Guy. Você nunca foi líder
da Liga! corrige Ralph.
Ah, é, chiclete? E desde quando você sabe
tudo sobre a Liga? Pois posso liderar muito bem esse grupelho:
um mutante peludo, uma nanica karateca, um prego sem poderes que
age por dinheiro e o galinha ali, que já está acostumado
a receber ordens. Não é não, Falcão?
Cale-se, Gardner! ordena Gabe, levantando-se pela
primeira vez da cadeira. Você está na SHIELD
e não em um grupinho de super-heróis! Portanto,
se eu fosse você, me comportaria. Nós realmente
podemos colocar você em sérios problemas.
E existe tanta chance de se tornar líder deste grupo quanto
de eu varrer o porta-aviões! Gardner cria uma vassoura
amarela atrás do furioso Gabe Jones Portanto, obedeça
ao Woo. Ele é o chefe, aqui e nas operações!
Quanto a você, Woo, espero realmente espero
que saiba o que está fazendo.
Quando prepara-se para sair da sala, Gabe é surpreendido
pela imagem de Fury no telão.
Gabe, você está aí? Woo, Gaffer, como
está o... pela Mãe Menininha!! Isso aí é
o CLASH?? Com todo o respeito ao Sam e ao Fera, mas esse bando
é capaz de enfrentar a HIDRA, por exemplo? assustou-se
Nick.
Asseguro, coronel, que minhas escolhas seguem um padrão.
Confie em mim. pede Woo.
Espero que sim, Jimmy.
Eles são capazes de enfrentar a HIDRA e o que mais
aparecer.
Jura, Woo? É bom que seja verdade. continua
Fury. Daqui a cinco dias, seu CLASH precisa entrar no Iraque
sem ser visto, descobrir uma base secreta no meio do deserto e
enfrentar a HIDRA inteira, além de desarmar uma arma que
nem sabemos o que é. Está realmente pronto?
Sim, coronel. Estamos. concorda Woo, após
um breve segundo de hesitação.
Gabe não acredita naquela situação. Falcão,
Fera e Paladino se olham, desconfiados. Depois que Fury desliga
e a imagem do telão se transforma em um imenso quadro negro,
o silêncio toma conta da sala. Gabe olha para o chão,
acreditando ter feito tudo errado. Woo está pensativo,
assustado com a rapidez com que a primeira missão surgiu.
Os membros do suposto CLASH permanecem mudos, perguntando a si
mesmo de que, afinal, haviam aceitado participar. O silêncio
é subitamente quebrado por Gardner, que berra:
Ei! Alguém aí disse Iraque?

No
mês que vem: a primeira missão do CLASH tem início.
Será o grupo capaz de derrotar a temida HIDRA? E quem está
matando assassinos pelas ruas de Bagdá? A ação
está apenas começando.
:: Notas do Autor
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