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Cavaleiros do Zodíaco - Samskaras # 03

Por Igor Appolinário

Prelúdio para o Capítulo IV: Samskaras
Parte III (*)

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Santuário de Atena — Grécia — Presente

O novo Grande Mestre do Santuário caminha de um lado para o outro em seus aposentos, na casa logo à frente do templo da Deusa da Sabedoria, o ponto mais alto do Santuário de Atena. Da grande janela ele pode ver o Relógio das Doze Casas, aceso apenas em casos muito especiais, como o desta noite. Esta noite o Grande Mestre usa seu manto cerimonial azul-marinho, seu capacete dourado e a máscara negra, símbolos de seu poder e de sua dedicação. Na grande sala conhecida como "Salão Dourado", ao lado da casa do Grande Mestre, que é usada para as reuniões entre os cavaleiros e o Grande Mestre, estão erguidas doze pilastras, cada qual com uma pequena estátua representado um dos signos do Zodíaco.

— O senhor convocou a União Dourada? — diz Shun, Cavaleiro de Ouro de Virgem, entrando na sala e tocando a estátua representativa de Virgo — Isso tem algo a ver com o desaparecimento do cosmo de Atena (**)?

O Grande Mestre olha pela janela e vê que o fogo da casa de Virgem acende-se no Relógio; ele baixa o olhar e contempla o "Zodíaco de Ouro", o caminho formado pelas casas dos Cavaleiros de Ouro, mas nada responde a Shun. O jovem não parece abalado com o ato e apenas senta-se em lótus a um canto e espera. Logo após, Hyoga de Aquarius, Shiryu de Libra, Jabu de Capricornus e Ikki de Leo aparecem e tocam suas respectivas estátuas, acendendo assim o fogo de suas casas no grande Relógio.

— Grande Mestre, eu trago uma carta com as desculpas de Kiki de Aries. Ele não pode vir pois está em Jamiel, consertando armaduras.

— Hum... Assim como seu mestre... — responde o Grande Mestre em um sussurro, pegando o envelope da mão de Shiryu — Logo começaremos, assim que os outros cinco chegarem...

— Shun, o Grande Mestre parece um pouco estranho, não acha? — pergunta Ikki se aproximando do irmão.

— Sim, meu irmão, algo o incomoda profundamente. E acho que sei o que é...

— Estamos aqui, Grande Mestre — diz Ian de Pisces ao entrar no salão, acompanhado de Nath de Taurus, Pollux de Gemini, Asellus de Cancer e Jabbah de Scorpius.

Agora todos os Cavaleiros de Ouro estão reunidos e o fogo de suas respectivas casas está aceso, exceto por Áries e Sagitário. O Grande Mestre do Santuário sai da divagação que o acometia e finalmente se pronuncia.

— Caros Cavaleiros de Ouro, eu convoquei a União Dourada, pois algo gravíssimo aconteceu.

— Está relacionado ao desaparecimento do cosmo de Atena? — pergunta Jabbah a um canto.

— Sim, Cavaleiro de Escorpião, o sumiço de Atena é o centro desta questão. Nos últimos tempos a Grande Atena já tinha uma preocupação devido à estranha quietude que pairava sobre o mundo. Devido a suas dúvidas, há alguns dias Atena se dirigiu a Montanha do Oráculo e foi no caminho a este local sagrado que seu cosmo simplesmente desapareceu.

— Mas como a Poderosa Atena pôde ser capturada?

— Se os temores de Sua Majestade estiverem corretos, creio que enfrentamos a ameaça de mais um deus redivivo.

— Oh, não! Então Atena está em grande perigo!

— Temo que sim, Cavaleiro de Capricórnio.

— Mas o que faremos, Grande Mestre? — pergunta Ian de Peixes.

— Pela urgência do momento, eu convoquei esta reunião para informar que todos os Cavaleiros de Ouro devem partir para a Montanha do Oráculo a fim de procurar qualquer pista sobre o paradeiro de Atena.

— Mas devemos ir todos? Quem protegerá o Santuário?

— Sem Atena aqui, o Santuário não será alvo de nenhum ataque, e, mesmo que seja, os cavaleiros da guarda foram muito bem treinados pelo Cavaleiro de Leão.

— Então creio que devemos partir agora. Atena não pode esperar!

Mansão Kiddo — Japão

— Seiya! Você acabou de sair de um estado catatônico! Não pode sai assim, correndo por aí!

— Você não entende, Seika! Saori está em grande perigo e eu devo protegê-la com a minha vida!

— Eu sei que ela é a Deusa Atena, mas não há motivo para um homem se dedicar tanto assim a uma pessoa!

— Seika, você só me conheceu quando eu não podia mais falar, mas quero que você entenda agora a minha razão de viver: eu sou um Cavaleiro do Zodíaco e meu dever sagrado é defender Atena, ela é a emissária da Paz neste mundo. Se algo acontecer a Saori antes que ela termine sua missão na Terra, o mundo cairá em desgraça...

— Oh, Seiya! Eu não fazia idéia...

— Tudo bem, minha irmã, acho que agora você compreende.

Seiya pega sua mochila e sai correndo da mansão. Seika fica observando do alto da escadaria, Tatsumi se coloca ao seu lado.

— Senhorita Seika, Seiya sempre será o mais fiel dos cavaleiros de Saori, nada mudará isso.

— Eu sei, eu sei... Vá, meu irmãozinho, defenda a paz no mundo... E a mulher que você ama...

Em Algum Lugar na Grécia

— Onde estamos?

— Este, honrada Atena, é o castelo temporário de minha Senhora. Em breve você a encontrará.

— Me diga, irmã, por que você segue as ordens dela?

— Como eu já lhe disse, minha lealdade é inabalável. Mesmo que entre eu e você corra o mesmo sangue divino, ela... É minha mãe...

— Eu compreendo. Agora pode me deixa aqui, esperarei pacientemente até ser chamada.

— Se assim deseja... Só para registro, você não pode fugir deste templo...

— Eu não pretendia.

A jovem encapuzada deixa o aposento, ficando assim Atena sozinha em uma grande sala decorada ao estilo grego clássico. Ela caminha entre os móveis, mexendo vez por outra em um objeto de decoração. De uma grande janela Atena tem a vista de belas montanhas e pradarias, como se a civilização houvesse regredido e a natureza vicejasse mais uma vez, para ser contemplada. Saori apóia o báculo em uma parede e pega um pequeno vaso que está em cima de uma pequena coluna, algo nele chama sua atenção.

Talvez a vivaz cor-de-terra da cerâmica, ou os desenhos feitos com tinta escura, quase preta, retratando a batalha entre dois deuses. Sim, era isso que chama sua atenção, a gravura retra Pallas Atena enfrentando um deus de linhas difusas, quase que apagadas.

Saori vira o vaso e então tem uma grande surpresa, pois o nome daquele deus difuso está ali gravado, em letras gregas claras...

— Ares! — exclama Atena, o vaso escorregando de suas mãos e se partindo em pequenos fragmentos.

— Não se preocupe, eu cuidarei disso — diz uma voz suave às costas de Atena. A deusa se vira e encara uma jovem de longos cabelos aloirados, trajando uma bela túnica grega e trazendo uma bandeja nas mãos — Eu trouxe algo para beber, sirva-se... Eu já não posso mais... Deixe que eu pego os cacos do vaso.

Atena pega uma das taças e fica observando a moça recolher os pedaços do vaso. A Deusa da Sabedoria repara nos traços da mulher e vê que ela é muito semelhante à outra que a trouxe até este local. Apresentavam alguns traços diferentes, como a cor dos cabelos e a altura, mas, fora isso, seriam quase gêmeas.

"Hum... irmãs..."

Base — Montanha do Oráculo — Grécia

— Estão todos aqui? — pergunta Shun de Virgem aos outros Cavaleiros de Ouro.

— Sim, creio que sim.

— Ora, ora, qual será a razão de tão inesperada reunião...? — diz uma voz familiar às costas dos Cavaleiros.

— Kiki! — grita Shiryu ao ver o Cavaleiro de Áries recostado em uma parede de pedra — O que você está fazendo aqui? Não estava em Jamiel?

— Meus deveres para com as armaduras estavam terminados. Então decidi saber o que motivara uma "União Dourada".

— Pois chegou em boa hora, Cavaleiro de Áries — começa a dizer Jabbah de Escorpião — Atena desapareceu neste local e é nosso dever descobrir seu paradeiro.

— Então vocês podem contar com minha ajuda, irmãos.

— Devemos subir a montanha e consultar o Oráculo para saber o paradeiro de Atena, mas também temos que procurar pistas no caminho que parte da base...

— Vamos dividir o grupo — sugere Pollux de Gêmeos — Metade de nós segue o caminho normal até o topo e o resto segue direto.

— Espere um pouco — diz Nath de Touro — Por que todos nós fomos convocados se este trabalho poderia ter sido relegado a apenas dois cavaleiros? É um dispêndio desnecessário de poder...

— Eu entendo sua dúvida, Cavaleiro de Touro, mas o Grande Mestre pressentiu cosmos muito poderosos emergindo desta montanha e possivelmente dois de nós não teriam dado conta de tanto poder — diz Ikki de Leão.

Os Cavaleiros de Ouro se entreolham, suas magníficas armaduras douradas reluzindo ao Sol matinal.

— Então vamos acabar com essa lengalenga e subir — diz Kiki — Shun, Ikki, Hyoga e Shiryu vem comigo, o resto faz a sua parte. Adeus!

Os outros Cavaleiros tocam a armadura de Áries e, de repente, somem em um leve brilho telecinético. Depois de passado o momento de admiração pelas capacidades mentais do colega, o resto dos Cavaleiros de Ouro começa a subi até o topo.

Topo — Montanha do Oráculo — Grécia

— Muito bem, aqui estamos nós.

— Nossa, Kiki, seus poderes mentais estão aumentando cada vez mais. Você ainda vai passar a grandeza de seu mestre — diz Hyoga de Aquário, admirado.

— Sim, mas ainda devo tudo o que eu sei a meu mestre Mu — diz Kiki, em um leve tom de tristeza.

— Ali está nosso alvo — diz Shun apontando para o fundo do grande salão — Vamos...

Os Cavaleiros de Ouro se teleportaram para o grande salão existente no topo da Montanha do Oráculo. O salão nada mais é do que um grande corredor cercado por colunas gregas, mas todas as proporções aumentadas do lugar fazem qualquer um que o adentre se sentir em comunhão com algo muito maior. No fim do corredor uma grande pedra esculpida na forma de um rosto feminino serve de Oráculo a gerações de Grandes Mestres do Santuário. Os Cavaleiros correm até ela.

— Esperem, tem alguma coisa no fim do corredor! — grita Ikki, tarde demais.

Kabooom!!!

— Vamos logo — grita Jabu de Capricórnio, correndo na frente dos outros Cavaleiros — Temos que ser rápidos, mas prestem atenção no caminho.

Os Cavaleiros de Ouro correm pela trilha estreita, comprimida entre o paredão de rocha da montanha e um grande precipício, em direção ao topo da Montanha do Oráculo.

— Por Atena, vamos ter que agüentar esse cara até o topo?

— Pelo jeito sim, já que ele se auto-intitula o servo mais fiel da Deusa...

— Vamos logo para o topo — diz Asselus de Câncer — Eu não sinto energia nenhuma vindo desse caminho.

— Não sei — diz Ian de Peixes — Eu sinto algo estranho... maligno...

Cuidado!!!

Todos os Cavaleiros se voltam para a direção de onde veio o grito e vêem uma enorme bola de energia seguindo na direção do Cavaleiro de Peixes. Usando toda a velocidade de seu sétimo sentido (***), Pollux de Gêmeos se lança contra o ataque e dá um golpe, rebatendo a energia para longe. Mas, precisando de espaço para a manobra, Pollux teve que se aproximar do penhasco e se desequilibra. Seu corpo cai em direção ao espaço vazio e as brumas que cercam a base da montanha.

Pollux, não!!! — gritam os Cavaleiros de Ouro, impotentes diante da queda do amigo.


Continua...


:: Notas do Autor

(*) Conto inspirado no mangá "Cavaleiros do Zodíaco" de Masami Kurumada, o qual apresenta algumas diferenças em relação ao anime. Por exemplo: Ele é dividido em 3 capítulos (Santuário, Poseidon e Hades), sendo o episodio "Asgard" exclusivo do anime. Mais diferenças serão percebidas durante o conto... voltar ao texto

(**) Na edição anterior. voltar ao texto

(***) Os Cavaleiros do Zodíaco, devido a seu magnífico cosmo, tem sentidos muito além aqueles dos mortais comuns: o 6º (a capacidade de detectar perigo e inimigos), o 7º (atingir a velocidade da luz) e o 8º (Arayashiki — a capacidade de adentrar o mundo dos mortos sem morrer) são aqueles já detectados, mas podem existir mais... voltar ao texto




 
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