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Garota-Aranha # 15

Por Eduardo Regis

Sangue do Meu Sangue

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— O que você acha? — May olha para o Pai.

— Má idéia. — Peter responde.

— Mas... — May começa a falar, mas é cortada.

— Mas nada! Preste atenção: você só tem 16 anos, tem escola e um monte de outras coisas pra resolver na sua vida.

— Mas eu já tô nos Vingadores!

— Contra a minha vontade! Não é a toa que só essa semana você teve que recusar duas chamadas deles! Você me falou isso ontem, esqueceu?

— É. Não dava mesmo, eu tava enrolada com uns assaltantes de banco e depois com uma prova final de Inglês. Não dava. — May abaixa a cabeça e suspira.

— E você acha que vai dar conta da Liga da Justiça?

— Não...— ela concorda a contragosto.

— Escute, eu passei por quase a mesma coisa que você. Deus sabe quantas vezes eu implorei por ajuda, por amigos que pudessem ouvir minhas histórias, por pessoas para me ajudar a dar cabo de gente como o Electro e o Abutre, mas eu sempre me virei sozinho e sempre foi melhor assim.

— Pai, você é você. A época era outra.

— Eu estava na escola, não consigo ver a grande diferença. Minha filha, você precisa conseguir boas notas para ir para uma boa universidade, já cansamos de discutir isso!

— Eu tenho boas notas! — May se defende.

— Mas estão caindo. Olha, eu estou vendo minha vida se repetir. Se eu tivesse levado a universidade e a pós mais a sério, agora eu estaria na Stark ou na Waynetech e não na polícia, entendeu? Graças a Deus esse emprego é o suficiente para vivermos com conforto, mas eu poderia ter reconhecimento, poderia ter feito o que eu gosto. Eu tinha um sacrifício a fazer, um voto que fiz. Você não precisa fazer nada disso!

— Ah não! Esse papo de novo, não! — May enfia uma almofada na cara.

— Ok, sem esse papo de novo. Apenas estou lhe dizendo. Não é uma boa idéia. Além disso, eu ia te pedir um favor...

Mais tarde...

A Garota-Aranha acena de cima de um prédio e rapidamente a Mulher-Maravilha pousa ao seu lado.

— E então, Aranha? Veio nos dar uma resposta?

— Aham. Infelizmente eu não posso aceitar, sinto muito. Tenho..hã...muitos afazeres com e sem máscara, se é que você me entende. Não tá dando pra levar tudo.

A Mulher-Maravilha não consegue esconder o misto de decepção e surpresa.

— Claro. Eu entendo. Bem, o convite estará sempre aberto. — Ela começa a flutuar e pisca para a Garota-Aranha — Carona dessa vez?

— Não. Vou de teia mesmo. — a Garota-Aranha dá um tchauzinho para a Mulher-Maravilha.

A amazona voa e desaparece por entre as nuvens.

"Dizer não para a Mulher-Maravilha é mais complicado do que parece. Mas a parte mais difícil ainda está por vir."

Um pouco mais tarde...

May entra no grande salão da mansão dos vingadores. Stinger, Sonho Americano, Mainframe e Thunderstrike estão reunidos.

— Infelizmente nem todos puderam vir. — diz Stinger, sem o capacete e com o semblante preocupado.

— Tudo bem, eu falo com eles depois. Bem, eu pedi essa pequena reunião para comunicar minha saída dos Vingadores.

Todos se espantam e sobe um grande murmurinho.

— Mas...Garota-Aranha, você tem certeza? — Sonho Americano se aproxima de May.

— Sim. Eu estou muito triste, mas não estou conseguindo dar conta das minhas responsabilidades. Existem coisas que precisam da minha atenção agora, coisas sérias.

— Nós lamentamos, no entanto, recusamos sua saída. — Mainframe fala.

— O quê?! — a comoção é geral. Todos ficam de queixo caído com a reação do computador vivo.

— Não há motivo para você não guardar seu cartão dos Vingadores. Evitaremos convocá-la caso a necessidade não seja extrema. Quando você tiver maior disponibilidade, as coisas voltarão a ser como sempre foram.

— Olha, o Mainframe teve uma excelente idéia! — Stinger sorri pela primeira vez na reunião.

— É! Aceita! — Thunderstrike faz sinal positivo com o dedão.

— Por favor, Aranha. Nós ficaremos muito felizes se aceitar. — Sonho Americano a abraça;

— Está certo! — May sorri e abraça a amiga.

Casa dos Parkers.

Mary Jane está no sofá lendo uma revista de moda quando May entra em casa. Elas se entreolham e May corre para abraçar a Mãe.

— Não acredito! Mãe, que demais! — as lágrimas rolam do rosto de May.

— Ah, seu pai te contou! Não é maravilhoso? — MJ se emociona.

— Maravilhoso? É o máximo!

— E aí? Já escolheram tudo? — May fica ansiosa.

— Claro! Se for menino será Edward, adoro esse nome, e se for menina será Anna, igual a minha tia. Queremos fazer dessa coisa de homenagear tias tipo uma tradição, pelo visto. — MJ dá uma risada.

— Adorei mãe! Aposto que vocês vão me dar o irmãozinho mais lindo de todos os tempos!!

— Ai, May, tomara que seja menino! Sempre quis um casalzinho! — Mary Jane agarra a filha e faz cafuné em sua cabeça.

— Edward Parker, nada mal. Eu também gostaria de ter um irmãozinho menininho. Deve ser tão divertido. Ai, finalmente vou deixar de ser filha única. Ser filho único é muito chato.

— Nem é tanto assim. Você reclama de tudo. — M. J. faz cara de desaprovação, brincando.

— Mãe, todo mundo diz que filho único é...— May não consegue terminar a frase, pois seu sentido de aranha a pega de surpresa. Seus olhos saltam e, instintivamente, ela vira a cara na direção do perigo.— Perigo! Lá fora.

— May! — MJ segura a mão da filha, por um instante ela pensa em pedir pra filha ficar, mas logo solta May, que começa a vestir o uniforme da Garota-Aranha ali mesmo.

A Garota-Aranha salta na rua ainda em tempo de ver uma estranha criatura voando e carregando alguém.

"Nossa, parece um morcego! E está carregando alguém, que pelo jeito q se debate, não está nem um pouco afim da voltinha."

May tece um fio de teia com o lançador esquerdo e outro com o lançador direito. Ela prende os fios em paredes de casas opostas e utiliza o sistema como um grande estilingue, pegando impulso e se jogando em direção à estranha criatura. Enquanto vai deslizando pelo ar, e se aproximando, ela consegue perceber que se trata de um homem vestindo um uniforme com planadores embaixo dos braços, como asas de morcego. A esguia figura consegue, estranhamente, carregar o relutante passageiro apenas com uma das mãos, demonstrando uma força sobre-humana. O rapaz que está sendo raptado tenta, com socos, se soltar, mas é inútil. A Garota-Aranha cai nas costas do seqüestrador voador, fazendo com que ele perca altitude. O homem vira o rosto para ver o que o está atrapalhando e seus esquisitos olhos esbugalhados denotam espanto ao ver a Garota-Aranha. Agora, mais de perto, May percebe que a figura é extremamente pálida e tem a barba por fazer, que se mistura aos seus cabelos desgrenhados.

— Você! Só pode ser brincadeira! Depois de anos enfrentando o original, agora Morbius é obrigado a enfrentar a cópia. — o vampiro vivo dá uma pirueta e joga sua vítima para perto de seu corpo, agarrando-o. Numa manobra ousada ele vira o corpo de maneira a deixar a Garota-Aranha na linha de encontro com uma casa. A Garota-Aranha salta e cai no telhado desta casa. Morbius se complica na manobra e bate com o corpo em uma antena. Ele se segura para não cair e sobe também no telhado.

— Morbius! Ei, eu te conheço! O vampiro! — a Garota-Aranha fala enquanto fica na ponta dos pés para tentar ver o resultado do pouso forçado do vampiro.

— Então você já sabe o que minha natureza mórbida me obriga a fazer! Eu preciso de sangue para aplacar minha fome! Seja o sangue deste infeliz que raptei, ou o seu. — Morbius joga o corpo do rapaz, que está desmaiado devido ao choque, para o lado e se levanta apontando para a Garota-Aranha. O rapaz fica apoiado na chaminé, evitando que role até cair.

— Meu não, tô fora. Tô menstruada, não posso doar sangue! — a Garota-Aranha mira seus lançadores de teia na direção do vampiro.

— Menina, você não deveria ter me interrompido — Morbius salta, mas é atingido por dois fios de teia que o lançam para trás e prendem seus pés.

— Essa foi fácil! — a Garota-Aranha celebra prematuramente a vitória, pois Morbius livra-se da teia com extrema facilidade.

— Você não conhece Morbius! — a sinistra figura exibe seus caninos protuberantes e voa em direção à Garota-Aranha, agarrando-a pelo pescoço e jogando-a contra as telhas. A força do vampiro é impressionante.

— Agora eu beberei seu sangue como prêmio! Sangue, ah o doce néctar da vida. A energia da alma, quente e vermelha. Nada é mais fundamental e mais querido do que o sangue! — o vampiro arranca a máscara de May e a fita nos olhos.

"Não! A Máscara não! Não! Não! Ele me viu!" May se preocupa com sua identidade, mas logo sua preocupação passa a ser outra. O horror de fitar os olhos do predador toma conta de seu corpo.

Michael Morbius fecha os olhos e se prepara para cravar seus caninos no pescoço da Garota-Aranha quando é atingido por uma joelhada e é jogado para o alto. May se aproveita para agarrar a máscara, que estava caída ao lado, e dar um salto para trás. Assim que ela fica de pé, rapidamente recoloca a máscara.

— Isso ainda não acabou, Morbius! — a Garota-Aranha fala — Eu nunca vou te deixar sair daqui com esse rapaz.

— Essa cidade é muito grande, Garota-Aranha. Fique com esse jovem, há vários outros por aí, em lugares que você não poderá estar. O sangue corre vivo por toda essa cidade e todo o sangue será meu! — Morbius alça vôo e desaparece na noite. May ainda tenta acertá-lo com os lançadores, mas erra. Ela pensa em seguir o vampiro vivo, mas decide que é mais importante ajudar o homem ferido.

A Garota-Aranha corre para examinar a vítima de Morbius. Um belo rapaz de cabelos negros e bem curtinhos, que está desmaiado. May sorri por debaixo da máscara.

"É. É uma boa idéia."

Ela ajeita o rapaz no ombro e salta com ele para sua casa. A Garota-Aranha coloca o rapaz em frente a porta e bate. Mary Jane abre e toma um susto.

— Garota-Aranha?!

— Desculpe, mas esse rapaz precisa de um médico. Acha que consegue chamar uma ambulância para ele? — a Garota— Aranha pergunta.

— Claro. Claro. — MJ se enrola.

— Ótimo! Hora de ir, sabe como é...pegar mais vilões, essas coisas.— ela salta pelas casas, deixando o rapaz na porta.

Mary Jane fica alguns instantes parada sem entender direito o que aconteceu. Algumas pessoas que passavam na rua se oferecem para ajudar a colocar o rapaz em algum lugar confortável e assim que o acomodam no sofá, May desce as escadas do quarto e faz cara de espantada ao ver toda a confusão. Todos ficam à espera da ambulância, mas antes que a ajuda chegue o rapaz desperta e a primeira coisa que vê é May o encarando. Ele se assusta.

— Oh, desculpe. -May tenta acudi-lo.

— Não. Tudo bem...é que...tinha um cara estranho..e ele tava voando..e...Deus, parecia um vampiro. Eu devo ter batido com a cabeça, não é?

— Nem. Tinha mesmo um cara esquisito, mas a Garota-Aranha te salvou e pediu pra gente chamar uma ambulância. Ela estava lutando com o cara aqui perto. A ajuda já está vindo, qual o seu nome? Eu sou May Parker.

— Bruce. Bruce Bluestone. Valeu pela ajuda — o rapaz se ajeita no sofá.

— Quer que chame alguém da sua família?— May pergunta solícita.

— Ah, não...eu tô estudando na Empire State e, bem, sou de Metropolis. Não tenho ninguém por aqui, mas tá tudo bem.

— Não que isso. Eu vou com você. Isto é, se você não se importar. — May abaixa os olhos, um pouco envergonhada pela sua ousadia.

— Não! Claro, vai ser um favorzão...e eu vou adorar! — Bruce sorri.

May sorri de volta. Ao longe, Mary Jane repara no sorriso da filha e entende perfeitamente todo o acontecido.

Algumas semanas depois...

— É por isso que eu não confio em médicos! — fala May enquanto olha a televisão, logo após desligar o telefone e encerrar uma conversa de horas com Bruce Bluestone.

— O quê?— pergunta Peter que acaba de chegar na sala da t.v.—

— Médicos! Olha só. Tão passando uns episódios antigos da décima nona temporada de E.R. e o Dr. Carter, depois de todos esses anos, erra uma punção venosa! — explica May fazendo como se estivesse injetando algo em si própria.

— May, por favor! Isso é só um seriado de tv antigo. — Peter passa fazendo carinho na cabeça da filha.

— É, mas sei lá. Vai que eu preciso fazer uma cirurgia e esquecem uma tesoura dentro de mim?— retruca May fazendo cara de nojo e passando a mão pelo corpo, como se procurasse realmente uma tesoura perdida em algum lugar — É bom escolher bem o médico que vai fazer o parto da mamãe.

— Isso não vai acontecer com você ! — fala MJ também chegando na sala. — Nossa, que imaginação!

— Coisas da idade, MJ! Quando eu era da idade da May também tinha medo de médicos! — confessa Peter piscando para a filha.

— Peter!! Você ainda dá corda?— M.J. coloca as mãos na cintura fazendo pose de desaprovação.

— Pai! Você lutou contra o Hulk?! — May se vira para o pai com cara de curiosa.

— Claro! Algumas vezes, mas, se você quer um conselho, não é uma boa idéia! Não mesmo! — Peter vai para a cozinha.

— Pai, você já lutou com a Liga da Justiça? — May vai atrás de Peter.

— Já. Essa sim foi uma boa idéia. — Peter pisca para a filha.

— Não acredito! Você ainda se gaba do beijo que a Mulher-Maravilha te deu? — MJ joga um pano de prato na cara de Peter.

— Eu nem tinha tocado no assunto.— Peter tira o pano da cara e senta-se à mesa.

— May, minha querida, você já arrumou seu quarto?— MJ dá um beijo na testa da filha.

— Já! Ah, Mãe! Será que dava pra você me conseguir um dinheiro?— pergunta a filha fazendo cara de anjo e carinho nos cabelos de MJ.

— Para?— Peter pergunta.

— Ahn...é que vai ter um show amanhã! São 15 dólares pra entrar e o Bruce vai e...— May começa a se explicar.

— Tá bem! — e é interrompida por Peter — Pode pegar na minha carteira uns 30.

— Valeu, pai! — May pula de alegria.

— Mãe, quando vamos saber se é menino ou menina?

— Ainda falta, May. Bem, acho que eu vou dormir um pouco, tô com um sono. Boa noite, meus amores. — Mary Jane começa a subir para o quarto.

Peter se aproxima rapidamente da filha e fala bem baixinho:

— Obrigado, meu anjo.

— Que isso, pai. — May fica vermelha.

— É muito importante para sua mãe ter uma gravidez tranqüila. Ela está muito feliz que você esteja se dedicando mais ao colégio e que tenha concordado em sair para as rondas só dia sim, dia não.

— Falando nisso. — Peter beija a filha na testa — costurei sua máscara, pode ir tranqüila — Peter tira a máscara da Garota-Aranha do bolso e a entrega para a filha.

— Oba! Valeu pai! Acho que hoje eu consigo pegar aquele vampiro safado.

— Filha, depois você me conta. É melhor eu subir pra fazer companhia pra sua mãe.

— Ih. É melhor mesmo. Beijos Pai, até mais. — May examina a máscara enquanto sobe em busca do resto do uniforme.


:: Notas do Autor

Bem pessoal, essa edição da Garota-Aranha representa o fim de um ciclo. Aqui acaba minha participação nessa série. Gostaria que soubessem que me diverti muito escrevendo esse título. No entanto, vocês não se livram de mim assim tão fácil. A Garota-Aranha foi minha primeira série aqui no Hyperfan e me transformou num viciado nesse exercício maravilhoso que é escrever Fanfics. Não consigo mais parar! Bem, encontro vocês em outras séries!

Um abraço do amigo,
Eduardo Regis




 
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