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Por
Eduardo Regis, sobre um plot de Eduardo Regis e Conrad Pichler
Pedras no Caminho
O Homem-Aranha se ajeita em um telhado enquanto observa os destroços do galpão no qual Octopus e Norman tentaram matá-lo há algumas semanas.
As paredes cheias de buracos, uma até quase que por inteira derrubada. O teto queimado, todo destruído. A fita amarela da polícia isola o local.
Entre os escombros ele avista a sombra da máquina experimental de radioatividade. Mesmo de longe ele percebe que ela está seriamente danificada. Sua esperança é abalada.
Sem desistir, o Homem-Aranha salta para próximo à máquina.
Vamos lá, você é minha última chance de fazer tudo ficar bem.
O aracnídeo liga a lanterna em seu cinto e assim que joga o foco de luz na máquina sabe que será inútil. Os disparadores de radioatividade estão estourados e boa parte da estrutura foi danificada pelas explosões e pelo fogo.
Droga!
O herói esmurra o resto de uma parede, derrubando-a. Pedaços do teto desabam.
É isso, aranha. Acabou.
O Homem-Aranha senta em meio aos escombros enquanto tenta por a cabeça em ordem.

Mary Jane coloca a última mala no táxi.
Obrigada pela ajuda, May.
Não há de quê, minha querida. a simpática senhora enxuga as lágrimas. É uma pena que você e a pequenininha tenham de ir embora.
Ninguém está odiando isso mais do que eu, May, mas você sabe que não dá pra ficar.
Cuide bem dessa criança e apareça de vez em quando.
Eu vou tentar. M.J. vira o rosto ao falar a última palavra, ela sabe que é mentira, sabe que se quiser deixar sua filha em segurança não deve voltar.
Eu só espero que ele possa me perdoar.
Ele fez grandes sacrifícios, M.J., mas não acho que ele esteja pronto para superar esse. Não espere a compreensão dele, não por agora.
Cuide bem dele, May, por favor.
Como sempre.
Ele nem mesmo veio se despedir, né? a voz de M.J. fraqueja.
A porta do táxi se fecha e o som do motor se une ao choro da pequena May enquanto mãe e filha se despedem do seu lar.
Até breve, Mary.
May fecha a porta da casa quando é surpreendida pela voz de seu sobrinho.
Então é isso. Ela foi embora com a minha filha.
Após se recompor do pequeno susto, Tia May se depara com Peter pendurado no teto, com o uniforme do Aranha, mas sem a máscara. Ele se desprende e cai em frente a ela.
A situação dela é difícil, Peter. Ela está se sentindo impotente, está aterrorizada.
Norman vai achá-la nos quintos dos infernos se ele quiser.
Meu Deus, Peter, você acha que o Sr. Osborn ainda pode querer algo com ela e com a pequenininha? Não terá sido suficiente aquela confusão toda?
Eu não ouso supor o que aquele maluco pensa, tia. Em todo o caso eu plantei um rastreador nas duas. Onde elas pararem, eu vou saber.
Peter, você realmente acha que essa é a melhor maneira?
Ela não me deixou escolha, Tia. Acorda um dia e decide que vai embora com a minha filha. Minha filha, tia. Ela não podia fazer isso.
May abraça carinhosamente o sobrinho.
Meu amor, ela está fazendo o que pode para proteger a filha de vocês. Ela não sabe mais o que fazer.
Mas eu poderia ter abandonado o Aranha, Tia. Eu poderia ter mudado. Peter enxuga os olhos.
Você não pode mudar quem você é, Peter, mas você pode se melhorar como pessoa. Você devia ter confiado mais em sua família. Devia ter contado a ela sobre o dia do hospital, assim como devia ter me contado desde cedo sobre... bem... isso. May olha para a aranha no uniforme.
Mas eu só estava tentando proteger vocês.
E ela só está tentando proteger a pequeninha. Porém, nós, ao contrário da criança, não somos indefesas, meu querido. Talvez contra esses horríveis vilões mascarados contra quem você luta, sejamos, mas não somos contra a realidade.
Se eu ficar nessa casa vazia vou enlouquecer. Peter veste a máscara.
Peter, fique em casa. Você precisa descansar. Tia May acaricia o rosto do sobrinho por sob a máscara.
Não se preocupe, Tia. Eu preciso mesmo é de, sei lá, colocar os parafusos no lugar.

Em algum ponto da cidade...
A polícia atira impotente contra o corpo de pedra do Gárgula Cinzento.
Imbecis. Suas balas son inúteis!
O vilão caminha até um dos oficiais e agarra seu pescoço. O policial sente seu sangue congelar a medida que uma dor excruciante toma conta de seu corpo condenado. Como se fosse acometido por mil ataques de câimbra, ele grita. O horror está estampado em seus olhos enquanto ele é transformado em pedra.
Merde. o Gárgula esbraveja quando vê mais e mais carros de polícia chegando. Non se pode nem fazer um serrvicinho em paz nesta cidade.
Furioso, o bandido resolve avançar em carga contra as viaturas. O avanço do Gárgula, no entanto, é impedido por um pequeno fio de teia que se gruda às suas costas.
O quê?! o bandido é surpreendido.
Se deu mal, babaca cinzento. Cruzou o caminho do cara errado essa noite. com um forte puxão, o Homem-Aranha joga o Gárgula Cinzento contra um carro estacionado. A força é tanta que o vilão destrói o carro, e fica preso nas ferragens, rolando com o automóvel para o meio da pista.
Os policiais se jogam atrás das viaturas e procuram abrigo. Sua experiência nessas lutas é bastante vasta.
O vilão quebra as ferragens e se liberta, enquanto o Aranha se pendura em um prédio próximo.
Seu idiota irritante. Vou transformar você em atrraçon turrística! o vilão atira uma das rodas do carro contra o aracnídeo, que lança um fio de teia na roda e, girando-a, a rebate em direção ao Gárgula. O contra-ataque acerta o bandido em cheio.
E o Demolidor me disse que seguir as viaturas estava fora de moda. Olha aí, encontrei o meu saco de pancada da noite!
Você non sabe do que sou capaz! o Gárgula grita enquanto corre em direção ao prédio. Com um salto rápido ele se adere à parede do prédio, tal qual o próprio aracnídeo.
A surpresa é tanta que o Gárgula quase consegue agarrar o pé do Homem-Aranha, que escapa com uma série de acrobacias.
Non há escapatôrria, Homem-Arranha! A cidade toda é uma arrma! o vilão arranca um bloco de concreto e o atira no aracnídeo, acertando em cheio o peito do herói. O Homem-Aranha cai atordoado.
O Gárgula Cinzento arranca outro pedaço e mira cuidadosamente na cabeça do Aranha, mas os reflexos sobre-humanos do herói o salvam no último instante.
Você pode até ser capaz de subir pelas paredes, cinzento, mas ainda tem que comer muito croissant pra me peitar. o Aranha puxa o ar com dificuldade, teme que possa ter quebrado uma costela.
O Gárgula salta para próximo do aracnídeo, investindo uma série de socos imprecisos.
Estou ouvindo um chiado engrraçado vindo de você, Arranha. Serrá que acertei muito forrte?
Não, esse sou eu tentando imitar seu sotaque irritante! o Homem-Aranha se desvia constantemente das investidas do vilão. A costela, de fato, incomoda. Dói muito fazer movimentos com o braço esquerdo.
Vou abrrir seu peito e trransformar seu corraçón em pedrra! o Gárgula Cinzento tenta acertar um chute, mas o herói desvia e o desequilibra com um rápido contra-ataque, levando-o ao chão.
Chegou atrasado, Napoleão. o Aranha reveste seu punho direito com teia.
O Gárgula se levanta, ainda abalado e surpreso com a rápida investida do aracnídeo. Mal ele fica de pé, porém, e sofre diversas investidas do Homem-Aranha.
Reagindo rapidamente, o Gárgula usa as mãos para bloquear um dos socos do Aranha, transformando a bola de teia em pedra.
Obrigado, seu burro. Era isso mesmo o que eu queria. Sem se conter, o aracnídeo acerta a bola de pedra em cheio na cara do Gárgula. O resultado não pode ser outro, o vilão é lançado para o outro lado da rua inconsciente enquanto a bola de pedra se desfaz em pequenos pedaços.
O Aranha salta para cima do Gárgula esperando ele se levantar.
Vamos, levanta! Levanta que tem mais! Levanta!
Mas o vilão parece não reagir aos pedidos do aracnídeo e continua desmaiado.
Argh! É isso mesmo! Continua no chão, seu monte de lixo! Nem pra isso você serve! Nem pra servir de saco de pancada!
Um grito vindo do cerco policial desperta o Homem-Aranha de seu ataque.
Homem-Aranha, você está preso! Não resista!
O Aranha salta e desaparece por entre o emaranhado de prédios.
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