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Liga da Justiça # 49

Por Robson Costa

Batalha pelo Cubo Cósmico — Parte IX
Xadrez

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— O que você disse? — pergunta um assombrado Homem-Borracha.

— Batman está morto — repete o Arqueiro Verde, em um tom de pesar.

— M-mas, mas ... Não pode! Ele é o Batman! O Morcegão! Ele é cheio de planos e estratégias! Ele ...

— Batman está morto — repete novamente Oliver Queen, colocando as mãos nos ombros do seu colega.

Homem-Borracha olha para os olhos de Queen, em busca de algum consolo, como se o Arqueiro fosse dizer: "É brincadeira! Ele está atrás da quarta coluna", mas não é isso que acontece. O olhar triste de Oliver Queen apenas confirma a notícia. O entusiasmo e a alegria abandonam o corpo de Eel O'Brian. Desolado, o herói senta na beirada do teto do edifício, onde se encontravam.

— E agora? Como é que nós dois podemos contra um cubo cósmico?

A pergunta do Homem-Borracha desperta Oliver Queen do seu torpor e ele sacode o colega.

— Que história é essa, ô da borracha?! Nós somos a Liga da Justiça! De manhã, a gente acerta um chute no traseiro do Darkseid, de tarde, acabamos com uma guerra e, de noite, não tem tsunami que nos detenha.

Eel O'Brian sorri. Arqueiro conseguiu o seu intento.

— Nós temos que continuar com os planos do Batman.

— É isso aí — concorda o Homem-Borracha, mas o tom de tristeza é evidente na sua voz.

Enquanto o Homem-Borracha parte para conseguir os materiais para a próxima parte do plano, Oliver Queen relembra a estratégia montada pelo Homem-Morcego.

"Com o Pensador Louco, o confronto será em outro nível. Apesar do poder do cubo cósmico, a ferramenta mais poderosa dele é o seu cérebro. O Pensador é capaz de analisar uma situação dos mais diferentes pontos de vista. É um verdadeiro computador vivo. Por isso, não acho que ele seja levado pelos poderes do cubo cósmico. Ele precisa estar no controle de tudo."

— Não sei não, Morcegão — fala Oliver Queen. — Não acho que umas flechas especiais, um cara que se estica e um cinto de utilidades façam frente ao cubo cósmico. Você já viu e leu o que se pode fazer com ele.

— O ponto fraco do cubo é quem o empunha.

— Mas quem está com ele na mão, é um computador vivo, como você mesmo falou.

— Queen, será uma grande partida de xadrez que nós jogaremos. O que você precisa se lembrar é que, às vezes, temos que sacrificar uma peça maior, para chegar no nosso objetivo."

— Uma peça maior! Até mesmo depois de morto, você é presunçoso — reclama Oliver Queen, mas ninguém o ouve.

Batman já estava com tudo planejado no momento em que eles chegaram àquela Terra. A cortina de fumaça os protegeu na saída, de forma que ninguém os viu sair do portal. Depois O'Brian usou do seu passado de ladrão e conseguiu algumas roupas para que pudessem se misturar. Enquanto Oliver Queen e Bruce Wayne montavam a sua central de espionagem, o Homem-Borracha se infiltrava no prédio da ONU, para espalhar as micro-câmeras e microfones. Tudo transcorrera bem. Oliver lembra-se de um detalhe que Batman disse:

"Acho que o Eléktron não nos abandonou totalmente, depois que saímos do limbo."

E ele apontava que nenhum dos apetrechos utilizados na chegada deles naquela Terra poderia tê-los ocultado totalmente de alguém com um cubo cósmico. Mas será que o Eléktron continuaria a ajuda-los a partir daquele momento, pensava o Arqueiro Verde. Neste momento, um imenso holograma do Pensador Louco toma conta de todo o céu da cidade de Nova York.

"Será que ele nos descobriu?" — Oliver Queen perguntou para si mesmo.

— Atenção! Atenção! Todos os habitantes da Terra! — começou a falar o holograma — Esta noite, o último dos meus adversários tentou um ataque suicida contra o seu líder. E a única coisa que conseguiu foi a sua morte — neste momento, o holograma exibia o capuz chamuscado do Batman.

Mesmo do alto do prédio onde se encontrava, Queen escutou as vozes das pessoas, se desapontando, se lamentando, vendo as suas esperanças de livrar-se de um ditador abandonando os seus corpos.

— E isto, — continuou o Pensador Louco — será motivo de celebração. Hoje, às duas horas da tarde, no Central Park, o seu líder em pessoa estará presente para comemorarmos mais esta vitória. Estejam todos presentes. Para quem não mora em Nova York, o evento será transmitido para todo o mundo.

O holograma desapareceu. O Homem-Borracha surge logo depois, com o material que tinha ido buscar.

— Você viu, Arqueiro? E agora?

— Agora, Borracha, é a nossa vez de jogar.

Terra de ontem

Donna desperta ao escutar as portas da sua cela sendo abertas. As amazonas empurram para dentro Flash e Eric Lensherr. Por detrás das amazonas, um estranho homem albino surge e dita as suas ordens.

— Cuidado com o rapaz! Ele é muito importante para mim e para o seu rei.

— As suas ordens serão seguidas, senhor Essex. Não se preocupe — fala a carcereira.

— Além do mais, aplique no vilão de vermelho este preparado de meia em meia hora — Nathaniel Essex entrega uma seringa e algumas ampolas para a carcereira. Ele se aproxima das grades e fala:

— Meu rapaz, você é uma mercadoria muito valiosa para ser morto nas mãos daquele açougueiro do Menghele. Ainda bem que eles te salvaram para ser examinado por mim.

Essex sai gargalhando da prisão. A amazona pede a proteção dos deuses gregos, tranca a cela e retorna a sua posição. Donna aproveita para socorrer Wally West.

— Wally, o que foi que aconteceu?

O Flash não responde, apenas treme, possivelmente um efeito da medicação de Essex. Aos poucos, ele vai vencendo o tremor e agarra forte as mãos da sua amiga.

— D-Donna! A caverna! V-vários m-mutantes mortos — Flash aponta para Erik. — M-Magneto.

Donna olha para o jovem mutante. Ela estava acostumada em ver o Mestre do Magnetismo em poses cheias de soberba e arrogância. Lembrou-se que alguns meses antes ele havia tomado o poder de Genosha e se intitulou imperador. (*) A ONU solicitou à Liga que não se envolvesse. O Super-Homem aceitou, mas avisou à organização que Genosha seria vigiada para que não ocorressem conflitos internacionais. A Guerra Atlântida X Poseidônis ainda era recente para todos. (**)

Mas, agora, Donna via apenas um jovem de dezesseis anos fraco, encolhido, temendo por sua vida. Erik começou uma oração em alemão e lágrimas brotaram dos seus olhos. Donna se aproximou dele, passou as mãos no seu cabelo. O mutante olhou brevemente para ela e depois escondeu o rosto, continuando a sua oração.

— Para quem você está rezando? — pergunta Donna — Eu sempre oro para os meus deuses, a qualquer momento. Alegre ou triste. Antes de entrar em mais uma luta.

— Para o meu anjo, mas faz muito tempo que ele não aparece para mim.

— Seu anjo?

— Sim. Ele apareceu no meu ombro. Tinha no máximo um palmo de altura. Ele me consolou e falou que em breve eu seria salvo. Que um grupo de valentes heróis surgiriam e que me libertariam. Quando o seu amigo de vermelho apareceu, junto com o Joel Ciclone, achei que a promessa dele havia se cumprido. Mas agora, acho que era apenas alucinação causada pela fome e as torturas que sofri.

Donna reconheceu logo quem era o anjo: Ray Palmer. Isso explicaria como ela, Tempest e Flash conseguiam ficar livres da influência da Lança do Destino. De alguma forma, ele os havia protegido. Como também a Magneto. Um plano surgiu em sua mente.

— Erik, — começou Donna — eu vou te revelar um segredo. Eu e meus amigos não somos desta Terra e desta época.

— Não? De onde vocês são?

— Nós viemos do futuro. Parece muito fantástico para você. Mas deixa eu continuar. Arnim Zola veio para o passado e alterou a nossa época. Se não o detivermos, tudo ficará assim para sempre. E isto inclui o seu futuro também.

— Eu? Meu futuro, como assim?

— Na minha Terra, no meu tempo, você se chama Magneto e é o herói de todos os mutantes. Você é o imperador de uma ilha, onde todos são mutantes.

— O que você está fazendo, Donna? — pergunta Wally

— Eu? Um imperador?

— Sim!

— Mas o que eu posso fazer?

— Erik, escute-me bem! O Magneto do meu tempo é o senhor do magnetismo. Este poder é só seu. Menghele, Zola e mesmo este homem estranho que o trouxe para cá, nenhum deles pode tirar este poder de você.

— Mas o que eu faço?

— Concentre-se! Sinta o poder lhe envolvendo! Tudo o que é metal será controlado pelo seu poder.

Erik fechou os olhos e começou a concentrar, buscando dentro de si o poder mencionado pela Mulher-Maravilha. Neste instante, a carcereira retornou:

— Chega de conversas aqui!

Erik abre os olhos e um brilho surge no lugar das suas pupilas. Antes que pudesse fazer qualquer movimento, a porta da cela é arrancada do lugar e acerta a amazona que desmaia com o impacto. Wally West olha assombrado a transformação que Erik acabou de passar. As algemas que prendiam Donna e Flash saem flutuando dos braços e pernas dos heróis. Donna corre na direção de Tempest e ela mesma o livra dos grilhões. Garth lhe sorri e depois cai enfraquecido nos braços da amiga. O mesmo acontece com Erik, mas Wally o ampara.

— Você está bem? — pergunta Flash

— Sim, estou bem. Só ainda fraco. Mas o poder ...

— E agora, Donna, o que faremos?

— Precisamos de Garth com toda a sua força e poderes. E também do Erik.

— Você tem idéia do que pode ter despertado aqui?

— Wally, o nosso Universo corre o risco de se destruir por causa da interferência do Triunvirato, como o Eléktron nos contou. Infelizmente, terei que carregar comigo o erro que posso ter cometido agora, mas não via outra situação.

Donna pega Tempest e sai voando. Ao ficar bem acima da prisão, ela divisa onde fica o mar e lança o amigo na direção. Após verificar o sucesso do seu lançamento, retorna para prisão. Do alto, ela vê que outras amazonas estão chegando à prisão, talvez avisadas por uma outra companheira ou pelo barulho causado por Magneto ao arrombar a cela. De volta, ela encontra Wally de pé, amparado por Erik.

— Como você está?

— O meu metabolismo deve estar anulando o efeito da medicamentação do Essex. Já devia estar na hora de tomar outra dose.

— E você, Erik?

— Estou fraco, mas pronto para lutar pelo meu futuro.

Donna sorri. Pega uma espada e um escudo de uma das guardas. Wally se surpreende novamente: Donna parecia-se com a deusa Atenas, vestindo uma armadura de combate, empunhando a espada e o escudo.

— Por Atenas! Por Hera! — grita Donna Troy e lança-se para a luta.

Terra de hoje

As pessoas ocupam todo o Central Park. Não havia nenhuma vaga, nenhum espaço que não tivesse ocupado. A cidade havia parado, bem como o resto do mundo que acompanhava tudo pela televisão. Na hora marcada, o Pensador Louco surgiu. Ele veio voando, trazido por uma espécie de coche. No meio do parque, o coche se transformou em um palanque voador. As pessoas o saudaram, não com felicidade ou respeito, mas sim, tomadas pelo medo de seguirem o destino do Batman.

Pensador Louco encaminhou-se para o local, onde aparece um microfone. Ele levantou a mão e o público se silenciou.

— Muitos de vocês não aceitam o meu governo, mesmo com todos os benefícios que eu lhes trouxe. Não há guerra! Não há crimes! Não há doenças! Não há fome! E a única coisa que lhes exijo é obediência. Lembrem-se a que a liberdade e o livre arbítrio levaram a humanidade. Comigo, vivemos em uma época de ouro. Mas continuo a ser desrespeitado por muitos de vocês que alimentam fantasias de heróis que os libertariam do ditador. Pois bem! Hoje eu lhes trago o que acontece com quem me desafia.

Ao sinal do vilão, a capa e o capuz de Batman surgem voando sobre todos até ficar ao lado do Pensador Louco.

— Isto foi o que restou do seu herói: um trapo chamuscado e rasgado. Agora servirá como troféu da minha vitória e lembrança para todos do meu poder. Resignem-se! Não há poder que rivalize com o meu.

De repente, um assobio corta o ar e um batrangue finca no púlpito construído pelo Pensador Louco. As pessoas reagem das mais diferentes formas: alegria, medo, tensão, esperança. O vilão olha enraivecido a arma do seu inimigo preso no púlpito. O cubo cósmico surge e dispara um raio que transforma o batrangue em pó. No céu, um símbolo de um morcego se forma. Um raio do cubo cósmico o desfaz.

O Pensador Louco sai voando pelo parque, disparando raios na direção do público que foge aterrorizado.

— Onde você está, Batman? — grita o vilão — Já estou cansado das suas brincadeiras de esconde-esconde! Você deve ter dado muitas risadas da humilhação que me fez passar diante dos meus súditos. Mas isso acaba agora! — e uma nova rajada incendeia as árvores do parque.

Algo atinge o Pensador Louco. Apesar de protegido pelo seu campo de força, a surpresa causada pelo ataque leva o vilão ao chão. Ao levantar os olhos, diante dele, está a figura do Cavaleiro das Trevas.

— Xeque, Pensador Louco!


Na próxima edição: Os momentos finais para as equipes da Liga da Justiça.


:: Notas do Autor

(*) Em X-Men # 15 a # 18 — Saga Imperius X. voltar ao texto

(**) Em Liga da Justiça # 27 a # 33. voltar ao texto




 
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