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Lobo # 11

Por Lucio Luiz

Em Brasília, 19 Horas

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Lúcio Costa e Oscar Niemeyer projetaram Brasília para ser uma cidade-modelo. Um caso raro de cidade surgida totalmente da cabeça de arquitetos. Possuidora de um equilíbrio que é orgulho dos brasilienses: a existência de ruas sem nomes e sem esquinas e de setores que concentram lojas e instituições de um mesmo tipo. Sem contar que é a capital do Brasil. Claro que tanta ordem e progresso não combinam com Lobo, que em breve terá sua chance de fazer bagunça por lá.

O protagonista da história continua perseguindo seu antagonista, o estranho ser que só ficará sem uma denominação até o final deste capítulo. Os dois chegam a Brasília e se posicionam em cima do Eixo Principal. Lobo aproveita que seu adversário pára de repente e aumenta a velocidade de sua moto espacial para alcançá-lo, talvez sem perceber que é exatamente isso que o estranho aparenta desejar.

— Agora tu vai ver, filho duma égua! Vou fazer tu gritar mesmo que não tenha voz!

Assim que se aproxima do estranho, Lobo salta de sua moto e o agarra pelo pescoço. Os dois caem na Praça dos Três Poderes, mas felizmente é uma segunda-feira e não há quase ninguém na cidade.

Uma seqüência de socos se inicia entre os dois seres, que lutam incessantemente. Tal qual lutadores da famosa luta-livre mexicana, os oponentes desferem chutes, chaves-de-braço, tesouras-voadoras e todo tipo de golpes criadores de contusões desta e de outras galáxias.

Observando de longe a confusão, um grupo de soldados do exército brasileiro checa suas armas e equipamentos de guerra que, embora velhos e ultrapassados, ainda dão certa segurança àqueles que são da pátria a guarda.

— Sargento, os rapazes querem saber se vamos mesmo lutar contra aqueles dois monstros...

— Mande todos se prepararem! Acabo de receber nossas ordens diretamente do ministro da defesa!

Fogo ainda está em São Paulo, junto de um velho amigo dos tempos da Liga da Justiça: o Senhor Destino (apesar de que na época em que a heroína estava por lá, "ele" passou a ser "ela", e depois homem de novo... que seja).

— Então, pelo que você me disse, as "mágicas" que aconteceram com o bondinho e o trem lá no Rio foram feitas por você.

— Aproximadamente isto. Eu ainda não podia aparecer fisicamente, pois precisava concluir minhas pesquisas sobre o que estava acontecendo no tecido da realidade, mas senti a necessidade de ajudar aquelas pessoas e fiz, como você diz, "mágicas" através de seus poderes.

— Não sabia que podia fazer isso.

— Isso não vem ao caso agora.

— Certo. Precisamos parar aqueles dois malucos antes que mais três daqueles troços parecidos com fantasmas surjam, não é isso?

— Exatamente.

— Mas você ainda não me explicou o que são esses fantasmas.

— Não temos tempo agora e também não possuo ainda todas as respostas. Precisamos ir até aqueles dois seres antes que façam surgir o ser supremo que governará o planeta.

— O ser supremo que o quê?

— Feche os olhos que faremos uma viagem transdimensional até o ponto em que eles estão agora.

Fogo fecha os olhos e conclui que "realmente é um saco conversar com esses heróis mágicos".

— Senhor! Senhor! — corre um assustado soldado em direção a seu comandante.

— Fale, cabo.

— Os homens já estão todos a postos. Mas ainda temos uns probleminhas...

— Que tipo de problema?

— Acabou a gasolina dos jipes...

— Mas não tínhamos abastecido todos no mês passado?

— É que o tenente e o capitão usaram alguns veículos semana passada para uma... uma... festinha, digamos assim.

— Tá. Eu soube. Mas eles só usaram cinco. E os outros três?

— Estão quebrados e não veio verba do governo para a manutenção...

— Mas ainda temos os tanques...

— Er...

— O que foi? Algum problema com os tanques?

— É que não veio verba do governo para a compra de munição...

— Só falta me dizer que a munição que tínhamos em estoque acabou?

— É que teve aquela festa no quartel semana retrasada, lembra?

— Como poderia me esquecer?

— Então... a festinha GLS...

— Não fale alto!!! Alguém pode ouvir!!!

— Desculpe... a festinha "ninguém-pergunta-ninguém-fala" precisava de fogos de artifício. Então improvisamos com a munição dos tanques...

— Droga! Pelo menos os aviões que solicitamos à Aeronáutica estão vindo para a artilharia pesada...

— Acho que não...

— Não vai me dizer que...

— Os dois últimos que ainda funcionavam caíram de velhos e não veio verba do governo para a compra de novas aeronaves...

— Não importa! Temos nossos valorosos soldados preparados para lutar até a última gota de sangue pela pátria!

— Mais ou menos...

— Não vá me dizer que os rapazes fugiram?

— Não... eles não fogem porque não querem ser presos...

— E então?

— O problema é que a maioria só tem 18 ou 19 anos e eles só estão aqui porque o serviço militar é obrigatório. Eles não fazem a menor idéia de como lutar com seres tão poderosos...

— Não importa! Se fossem mais velhos não saberiam do mesmo jeito. Preparem as armas e vamos!

— Algumas armas estão enferrujadas...

— Dane-se! Vamos agora!

Os soldados avançam sob os olhares atentos de seu sargento, que permanece a uma distância segura. Tiros das armas que ainda funcionam vão em direção aos gladiadores, mas os dois sentem apenas cócegas. Lobo se vira na direção dos soldados e dá um grito, mostrando seus dentes. Os jovens que defendem nosso país ficam apavorados e saem correndo.

Fogo e Senhor Destino aparecem no meio da Praça dos Três Poderes depois da viagem transdimensional a tempo de ver Lobo dando mais um soco no estranho e, ao mesmo tempo, o chão tremer, gerando um buraco no meio da Praça, do qual emerge uma espécie de fantasma — exatamente igual aos que surgiram no Maracanã e do MASP — que em pouco tempo some.

Quando o estranho ser prepara-se para voar, Senhor Destino o envolve rapidamente em uma cápsula de energia cósmica e, contra a vontade do prisioneiro, o toca, estabelecendo um elo mental.

— Ei, cabeçudo! — grita Lobo, na direção do Senhor Destino — O panaca aí é meu! Larga esse jumento ou eu vou aí te dar porrada!

— Palhaço branquelo! — grita Fogo para Lobo — Está chateado porque ele pegou teu macho, é?

— O quê? Quem é o morto que tá falando? — responde Lobo, também aos gritos — Vou deixar aquele chifrudo pra depois porque agora eu vou é te detonar!

Lobo corre na direção de Fogo, que não é louca para tentar um confronto direto, já que não pode contar com o Senhor Destino para ampliar magicamente seus poderes. Só resta a ela correr pelas ruas de Brasília a fim de dar a seu amigo transcendental tempo suficiente para descobrir os segredos daquele estranho ser.

— Quem é você? — pergunta mentalmente o Senhor Destino.

— Como... como você está falando comigo? — responde o estranho.

— Quebrei seus bloqueios mentais e consegui estabelecer este contato.

— Seu...

— Guarde seus impropérios para você mesmo! Pelo que pude perceber numa análise superficial, você é um demônio, uma besta do inferno. Estou correto?

— Não interessa!

— Quem o enviou para trazer Lobo à Terra?

— Não interessa!

— Fale! — nesse momento, Senhor Destino lança misticamente ondas de choque nos nervos da besta do inferno.

— Aaaaaai!!! Pare com isso!!!

— Só quando você responder minhas perguntas!

— Não vou falar! Ele me prometeu poder infinito no Inferno! Eu posso agüentar qualquer dor!

— Quem o invocou?

— Não vou falar!!! — nesse momento, o demônio recebe outro choque — Aaaaaaaaaaaaaaaaai!!!!!

— Devo então penetrar em sua mente para arrancar o que você esconde!

Senhor Destino se concentra e começa a ver imagens enevoadas de um homem envolto num hábito esverdeado e com uma faca dourada.

"Minhas suspeitas têm fundamento!" — pensa, no mesmo momento em que visualiza o local onde este homem está.

Lobo finalmente alcança Fogo e esmurra a heroína. Beatriz dá um grito e cai na mesma hora pelo impacto violento, o que distrai Senhor Destino por tempo suficiente para que o estranho ser... digo, a besta do inferno, consiga se desvencilhar de seus encantamentos.

Não querendo perder tempo e concluir logo sua missão, o demônio golpeia Lobo, chamando novamente sua atenção. O Maioral deixa Fogo caída no chão e monta em sua moto SpazFrag666 para recomeçar a perseguição a seu inimigo.


No próximo capítulo:

— Uma análise da cultura indígena! (Bom, na verdade o próximo capítulo mostra uma tribo amazônica totalmente inventada e que nada tem a ver com o Xingu e nem mesmo com a Funai...)

— Uma solução para o fim do terror! (Bom, na verdade vai ser explicada toda a história do vilão misterioso cuja mente o Senhor Destino leu, mas não haverá nenhuma solução na acepção correta do termo...)

— Uma batalha histórica entre o bem e o mal! (Bom, na verdade não é bem assim, já que Lobo nunca encarnou o "bem" e, além disso, batalha é algo que está ocorrendo desde o primeiro capítulo...)



 
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