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Lobo # 23

Por Lucio Luiz

No Dia Mais Escuro...

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Durante milênios, uma força defendeu o universo de todo o mal. Os guardiões do universo, como se autodenominavam um bando de anõezinhos azuis, criaram uma polícia galáctica cuja única arma era um anel (ou coisas parecidas, para ETs sem dedos) que emanava uma energia verde que possibilitava a seu possuidor o dom de criar o que quisesse.

A Tropa dos Lanternas Verdes, como eram conhecidos esses vigilantes interplanetários, era responsável pela paz de todos os mundos conhecidos. Inicialmente, o poder incomensurável dos Lanternas apenas não atingia objetos de cor amarela (mesmo se o amarelo fosse invisível, como em auras protetoras misteriosamente elaboradas).

O maior dos Lanternas Verdes foi o terráqueo conhecido como Hal Jordan. Infelizmente, em um dado momento da história ele ficou meio estressado e matou todos os outros Lanternas Verdes, além de destruir o planeta Oa, lar dos guardiões. Não, ele não era czarniano.

Contudo, um dos guardiões conseguiu sobreviver e ofertou um novo anel, já livre da limitação amarelada, a outro terráqueo: Kyle Rayner. Com o passar do tempo, Jordan voltou e, atualmente, busca reconstruir a Tropa dos Lanternas Verdes num lugar que ele, criativamente, chamou de Nova Oa (*).

E é nesse local, que busca reconstruir a mitologia dos Lanternas Verdes, que Hal Jordan tem uma estranha sensação, como se parte da chama verde que alimenta os poderosos anéis estivesse prestes a virar meleca.

Percebendo o incômodo estampado na face do ex-assassino-em-massa-buscando-redenção-ao-fazer-o-bem, o jovem estriano Kymbst (um ser humanóide do planeta Estria, cujos habitantes possuem uma pele cinzenta coberta por linhas e sulcos vermelhos), candidato a recruta da nova Tropa, pergunta o que está acontecendo:

— O que está acontecendo?

— Sinto uma grande perturbação na chama verde. — responde Hal Jordan.

— Ai, caramba... será que mais alguém ficou maluco por causa do anel e está vindo aqui matar todo mundo?

Como?

— Desculpe... — encolhe-se Kymbst — Só estava pensando alto...

— Preciso descobrir o que está havendo. Unirei minha mente com a chama verde.

— Er... senhor Jordan... e a minha entrevista?

— Entrevista...?

— É. Eu já preenchi a papelada e passei pelas dinâmicas de grupo. Até ganhei um debate intelectual com um khúndio... se bem que isso não é nenhum mérito... mas... é que só faltava a entrevista para eu saber se ia entrar na Tropa.

— Isso pode aguardar! Leia alguns dos antigos jornaizinhos da Tropa na sala ao lado e me espere!

— Mas as revistas lá tem mais de dez anos...

Espere em silêncio!

Lobo e Jonas Glim estão dependurados sobre um penhasco gigantesco, tendo como único suporte um pequeno galho na parede do desfiladeiro. Não suportando o ódio que sente naquele momento, Lobo começa a xingar o planeta Mogo.

— &%*%%&^(^&$^%^&$$%^&#$%#&^%#$*^&%(*%(%^! (**)

— Pega leve, Lobo. — Jonas tenta tranqüilizá-lo — Temos que ficar calmos para pensar numa forma de sair desse problema.

— Problema só se for pra você. Esqueceu que eu sou imortal? É só eu me soltar daqui e esperar um pouco pra meu corpo de regenerar depois da queda.

— E vai deixar seu amigão morrer?

— "Amigão"? Desde quando eu tenho amigos?

— Pombas, Lobo! É assim que tu me considera?

— Quanto ganho por isso?

— Você... você está cobrando para me ajudar?

— Tu sabe que sou profissional. Não faço nada de graça.

— Falou, seu ^*&(&*(%^$%. Tenho aqui uns quinze créditos no bolso do casaco.

— Quinze? Ah, tá. Tu nem vale isso tudo mesmo. Vambora!

Lobo então assobia e, em instantes, sua moto SpazFrag666 (com componentes orgânicos ilegais) surge ao lado dos dois caçadores de recompensas.

— Senhor Jordan... — Kymbst chega silenciosamente por trás de Hal Jordan, que está em posição de lótus e flutuando. Os estrianos são conhecidos por sua incrível incapacidade de ter paciência. Eles são o que na Terra chamaríamos de "hiperativos".

— Uóóóóóóóóóóóóónnnnn...

— Senhor Jordan... o que o senhor está fazendo?

— Uóóóóóóóóóóóóónnnnn...

Senhor Jordan!

— Ahn? — num sobressalto, Hal Jordan abre os alhos assustado e, num lapso de concentração, cai no chão — Kymbst! Eu não tinha mandado você esperar?

— Sabe o que é, senhor Jordan? Eu não estava agüentando não ter o que fazer e vim ver se o senhor estava precisando de ajuda.

— Ao menos consegui descobrir o que está havendo. Há uma forte concentração de energia esmeralda no antigo planeta Mogo.

— Eu sei quem é! Eu sei quem é! É um planeta que era Lanterna Verde, não é? Eu li sobre ele na edição especial "Seres Inanimados Conscientes" do jornalzinho da Tropa.

— Algo o está perturbando. Provavelmente a criação de Nova Oa surtiu algum efeito no resquício de poder esmeralda que havia no planeta. Não haverá nenhum risco maior se eu puder agir a tempo...

— Posso ajudar? Eu já sou quase um Lanterna Verde...

Silêncio! Infelizmente, a nova Tropa dos Lanternas Verdes ainda está em seu início. Não tenho ninguém aqui para enviar a Mogo em tempo hábil e não posso abandonar Nova Oa pois preciso me concentrar nas alterações da chama verde.

— Eu posso ir? Posso? Posso?

— Kymbst, prometi a mim mesmo que jamais perderia a paciência outra vez e nem deixaria meu estado de espírito se alterar. Por favor, faça silêncio.

— Mas eu posso ajudar. Sei tudo sobre o anel. Estudei o manual e posso usar sem problemas. Vou ser um grande Lanterna! Posso ir?

— Ai, ai... se bem que não é um assunto tão complicado... certo, Kymbst. Isso servirá como um teste para você. Você receberá um anel e deverá ir ao planeta Mogo. Chegando lá, a única coisa que você precisa fazer é se concentrar e "sugar" a energia esmeralda latente do planeta para seu anel e voltar aqui. Só isso. Entendeu?

— Claro! Minha mãe vai ficar orgulhosa de mim! Obrigado, senhor Jordan! Obrigado! Onde eu pego meu uniforme?

— O uniforme é feito com o poder do anel... você não disse que havia lido o manual?

— Er... eu... só estava brincando. Isso, eu estava brincando! Tchau!

— Kymbst!

— Sim, senhor?

— Você estava esquecendo do anel. — Hal Jordan estende a arma mais poderosa do universo para Kymbst.

— Ah, sim. Obrigado, senhor. Tchau! Lá vou eu!

Hal Jordan espera um minuto e conclui para si mesmo em pensamento:

"Ufa, estou livre. Esse estriano consegue ser mais insuportável que o Guy. Essa é uma missão ridiculamente simples. Mogo sempre foi um planeta tranqüilo e esse resquício de energia esmeralda deve ser somente uma pequena perturbação fácil de ser resolvida. Até mesmo Kymbst pode fazer isso e terei a chance de observá-lo e avaliá-lo. Além disso, o anel o achou digno, caso contrário ele não conseguiria usá-lo... se bem que G'nort também tinha um anel... ah, mas não importa. Como Mogo não é habitado, não há nenhum risco de ele se envolver com problemas."

Em suas motos especiais, Lobo e Jonas chegam à altura da ionosfera de Mogo e começam a lançar todas as bombas de seu arsenal no planeta. Atingido pelo ataque, Mogo começa a sofrer tremores em seu equador.

A loucura que tomou conta de Mogo começa a aparecer com mais força. Energias residuais da época em que esse era o Planeta Lanterna Verde, começam a ser expelidas por enormes frestas em sua crosta, geradas pelos abalos sísmicos.

Jonas fica assustado e tenta argumentar com seu companheiro:

— Lobo, estou achando que aquela história do planeta explodir é mais séria que a gente pensava...

— E eu com isso? — contra-argumenta, ainda lançando bombas na superfície de Mogo.

— É que... bom... estava pensando melhor e acho que deve ter outro jeito de recuperar seus golfinhos...

— Esse planeta de bosta roubou meu "peixinhos" e agora tá tendo o que merece! Se tu não quiser me ajudar, não ajuda, mas fica fora do caminho porque eu detono qualquer um que tentar salvar esse monte de lixo espacial!

Ignorando a existência dos dois caçadores de recompensas, Kymbst, agora capacitado pelo poder do anel dos Lanternas Verdes, chega ao planeta Mogo. Num primeiro momento, se assusta com os diversos terremotos cada vez mais intensos, mas tenta se concentrar em sua missão.

— Agora eu só tenho que "sugar" essa energia verde que está sendo cuspida do planeta para o senhor Jordan se orgulhar de mim e me chamar para ser um Lanterna Verde oficial. Vamos lá, anel, pode começar. Anel... anelzinho... pelas barbas de Oniradnam, esse anel não funciona? Deixe-me ver... recarreguei antes de sair de Nova Oa, consegui conjurar um uniforme legal, vim voando sem dificuldade pelo cosmo, pousei sem problemas... Por que essa droga não funciona??? Vou olhar no manual... ué? Podia jurar que tinha colocado no meu bolso... caramba! Calma, Kymbst... calma, Kymbst... tudo é questão de força de vontade. É só eu me concentrar e fingir que sou um aspirador de pó, sei lá. Ei... está funcionando! Isso! Vou pensar com um pouco mais de força! Até sinto a energia chegando cada vez mais rápido... ai, isso está rápido demais... AAAAAAAH!

Com um grito, Kymbst sente a enorme velocidade da energia latente do planeta Mogo sendo sugada para seu anel. A força das ondas de energia é tão grande que o estriano começa a girar incontrolavelmente, espalhando sua própria energia esmeralda ao mesmo tempo em que "suga" a de Mogo.

Num rodopio descontrolado, Kymbst acaba, sem querer, atingindo um grupo de golfinhos espaciais que assistiam a tudo curiosos. Os animais caem no chão, desfalecidos, ao mesmo tempo em que o Lanterna Verde em experiência dá um último giro no ar e cai com os glúteos no chão.

O excesso de energia de Mogo é completamente "sugado" e o planeta volta à normalidade. Kymbst regozija-se de sua tarefa cumprida, apesar de estar com pena dos pobre bichinhos que inadvertidamente machucou, além de ele próprio estar todo dolorido.

Para o grande azar de Kymbst, naquele exato instante Lobo esgotara todo o arsenal de sua moto e voltara à superfície do planeta a tempo de ver o que ocorreu.

Levanta, seu filho da %^&*(@! — grita Lobo, babando de tanto ódio.

— O senhor deve estar me confundindo, moço. O nome da minha mãe é dona Oiranilopa. — responde educadamente Kymbst.

Você machucou meus "peixinhos"!

— Desculpe, senhor, mas golfinhos espaciais são mamíferos. E eles vão se recuperar logo log... ugh!

Lobo segura com força o pescoço de Kymbst e conclui:

Tu já era, palhaço verde!

Assim que o arremessa para longe, Lobo percebe que do dedo de seu combalido adversário cai um anel estranho. Observando mais de perto, o czarniano nota que aquele é um legítimo anel dos Lanternas Verdes. Num momento de inspiração, ele pega o anel e o coloca no dedo.

— Taí! — diz Lobo a si mesmo, observando a arma mais poderosa do universo — Acho que agora vou me divertir legal!


No próximo capítulo:

— Um novo crepúsculo esmeralda?
— Um novo mestre para a chama verde?
— Uma batalha pela arma mais poderosa do Universo?
— Ou apenas Lobo dando porrada em todo mundo, pra variar?


:: Notas do autor

(*) Acho que já falei no último capítulo para conferir o título do Lanterna Verde do Hyperfan, não foi? voltar ao texto

(**) Os termos proferidos não condizem com as normas culturais do Hyperfan. voltar ao texto




 
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