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Por
JB Uchôa
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Embaixada de Themiscyra, Nova York. Sentada com vestes gregas vermelhas, o cabelo em trança, Diana olha impacientemente para o telefone.
Deusa, que demora! Diana levanta-se abre o armário atrás de si, visualiza seu rosto no espelho, toca com a mão direita a tiara e fecha as portas novamente Será que devo ir a Gateway?
Diana? Sílvia Roberts aparece junto à porta. Sorrindo, pede licença e entra na sala da embaixadora Falei hoje com duas editoras. Querem que você escreva um livro sobre a Mulher-Maravilha.
Algum pronunciamento, Sílvia? Diana vira-se para a janela e contempla o Central Park Você disse o que eu penso?
Oh, sim, claro. Só achei divertido. O editor acha que o mundo não está pronto para uma visão tão... como foi que ele disse? Sílvia passa a mão na franja Feminista! Isso... uma visão feminista do mundo. sorri, ironicamente.
Sem dúvida, bastante divertido. Diana olha para sua secretária Me passe o e-mail. Mais divertido será ele ler a minha resposta. Por falar nisso... alguma resposta de Genebra?
Parece que o encontro foi adiado. Problemas com a Markóvia, eu acho.
Latvéria, Sílvia. Destino é o problema. Diana entrega alguns papéis e uma pasta Quero que me ligue com Clark Kent no Planeta Diário.
Só o Planeta? O Clarim ou...
É um favor pessoal que o sr. Kent me prometeu quando nos encontramos na ONU. Diana sorri.

Residência das Sandsmark. Ártemis sai do quarto e bate levemente na porta do quarto de Cassie.
Só um minuto!!! Cassandra encobre o reluzente medalhão em formato de coração em uma blusa preta e coloca na mochila. Nervosa, abre a porta Ah, é você!
Sim, garota, sou eu. Ártemis sorri Vim me despedir.
Cassie fica olhando para a ruiva, segurando tão fortemente o trinco que o quebra.
Ártemis... eu... eu....
Você está pronta, menina. Você será uma grande amazona. Um pouco intensa demais, mas se souber colocar a razão acima de seu coração, poderá ser a maior heroína de sua geração. Cassie a abraça forte. Ártemis se espanta, mas retribui o carinho.
Desculpe, Ártemis, eu fui tão grosseira com você! o cheiro adocicado de uma adônis enche seus pulmões.
Você conhece essa flor? pergunta Ártemis. Cassandra responde negativamente com a cabeça É uma adônis, criança. Conhece a lenda?
Sim. Adônis era um belo homem que morreu afogado no rio por vislumbrar sua beleza constantemente. Cassie sorri e segura a flor delicadamente.
Isso mesmo. Por isso, Persérfone criou a adônis no leio de morte dele. É uma flor escarlate de grande beleza, mas tem uma história triste.
Eu sei, Ártemis.
Nunca esqueça que nem sempre o que é belo será o melhor para você. a Garota-Maravilha engole em seco as palavras de sua treinadora. Ártemis sabe que ela sofre de paixonite aguda pelo Superboy. Cassandra a abraça novamente, lágrimas escorrem dos seus olhos Você sabe que se precisar de mim estarei aqui ou aonde você estiver.
Obrigada. Cassie levanta os braceletes à altura dos olhos e os cruza. Ártemis também faz o mesmo cumprimento que na Ilha Paraíso representa fé. Assim que Ártemis sai, a campanhia toca.
Entrega para senhorita Cassandra Sandsmark.
Sou eu. o entregador repassa um buquê de rosas vermelhas. Cassie fecha a porta, cheira as flores e vê que o cartão está assinado como Tom Welling, o garoto mais popular e bonito de Gateway High Uau! Tom me mandou flores!!! novamente a campainha toca.
Srta. Cassandra? pergunta outro entregador Flores para a senhorita. outro buquê, maior que o de Tom, é entregue para Cassandra. A jovem heroína sorri e agradece.

Na embaixada de Themiscyra, Diana repassa o discurso que fará na ONU referente ao incidente do avião dias atrás. Procura ser serena e alertar para a preocupação em não levantar falsos testemunhos contra nações. Enquanto verifica o texto e faz correções, o telefone toca.
Princesa Diana? a Mulher-Maravilha reconhece a voz do outro lado da linha, estremece um pouco É Lois Lane, Planeta Diário.
Oi Lois, posso ajudar em alguma coisa? Diana sorri e salva o documento no laptop.
Não, nada. Jimmy, você vai sair comigo!!! grita do outro lado da linha Desculpe, tinha que garantir meu fotógrafo. Clark pediu para eu passar um texto para o seu e-mail e eu queria conversar contigo.
Comigo? Diana fica subitamente apreensiva. Nunca foi amiga de Lois, e realmente sempre teve uma animosidade entre elas Eu só pedi pra Clark olhar o texto, pois eu...
Não brinca! Hahahaha! Lois Lane gargalha do outro lado da linha Eu deixei a Mulher-Maravilha constrangida? Desculpe! Não é ciúme, Diana! Nem cuidado em demasia para com o meu marido. Claro que me incomoda o mundo inteiro achar que você e o Super-Homem têm um caso... mas e daí? É sobre uma informação que vi e sei que vai lhe interessar. Diana enrubesce ao telefone Soube que vão fechar o museu de Gateway City. A reforma sairia cara demais para o estado e não vai ter ajuda federal. Inclusive, existe uma organização que quer obrigar a Liga a criar fundos para cobrir estragos dos meta-humanos. Talvez um dos membros... digamos... mais abastados ou algum tesouro naufragado possa cobrir tais despesas.
Eu soube, Lois. Agradeço a preocupação. Aliás, isso é uma entrevista?
Em absoluto. responde Lois, friamente Eu diria se fosse.
Desculpe, não quis ofendê-la. Só precaução. Se a Liga ou algum membro arcasse com isso, imediatamente choveriam pedidos para restaurações e danos causados por meta-humanos. Os Vingadores, a Liga, os X-Men e o Quarteto Fantástico devem possuir algum meio de ressarcir os prejuízos. Mas e quanto aos outros grupos que existem? E os vilões? Ficaríamos presos em um processo burocrático imenso. A função do governo é garantir segurança, se existem vilões que a própria polícia não da conta e existem grupos fora-da-lei ou com sanções diplomáticas que minimizam esse conflito... por que eles devem ser "culpados"? Os bens são públicos. No caso de bens particulares... cada caso é um caso. Garanto que nenhum cidadão perdeu um bem, pelo menos posso falar pela LJA.
Eu sei. Só queria falar do grupo que tem se formado, já que descobri que existe alguém anti-metahumano no comando. Alguém com cacife, entende?
Agradeço, Lois. Mande lembranças para Kal e agradeça a revisão.
Mando sim. Vamos combinar de nos encontrarmos, talvez um "girls night"! Diana encerra a ligação em meio a sorrisos. Em Metrópolis, Lois desliga, pega a bolsa e manda segurar o elevador Vamos, Jimmy, hoje só volto com a primeira página!

Gateway City, residência de Helena Sandsmark. A jovem professora esbarra com dois entregadores de flores na porta de sua casa. Estranha, mas continua a subir os degraus do sobrado. Coloca a chave na porta e se depara com centenas de buquês espalhados pela casa!
Cassandra!!!! grita, assustada. Cassie voa para o andar de baixo Você pode me dizer que diabos está acontecendo aqui? O que você fez?
Por que eu devo ter feito algo? É tão difícil um garoto gostar de mim e mandar flores? Cassie voa novamente para seu quarto e tranca a porta Por Zeus, eu tô ferrada!!
Talvez Zeus esteja além de seus pedidos, pequenina. em uma nuvem cor-de-rosa, aparece uma voluptuosa deusa, vestindo uma saia lilás e uma blusa frente única rosa-bebê. A única coisa que pode denunciar a divindade é o penteado grego e as jóias ricamente adornadas em seu pulso, antebraço e tornozeleira Eu quero meu medalhão de volta, agora.
Afrodite...
Já vi que lembras do meu nome, pirralha.
Que roupas são essas? Cassie olha atônita para a deusa da beleza.
Aquele período em que estivemos aqui me ensinou várias coisas. Inclusive a estar mais "na onda" dos mortais. Quero ser adorada, não é? Então eles têm que me reconhecer neles. Viva Armani! Viva CK! Viva Victoria's Secret!! Afrodite passa os dedos sobre os lábios, deixando-os mais brilhosos Me devolva o medalhão, Cassandra.
Não posso, preciso dele. Cassie senta na cama Por favor.
Huuuuuuuuuuum.... talvez eu possa ajudar você. Afrodite senta ao lado da cama e escuta Cassie por horas.

Nova York, embaixada de Themiscyra. Ao terminar de revisar o texto, Diana pega o celular e o fita durante alguns instantes. Abre o flip e procura o nome de Helena.
Diana? Sílvia aparece na porta Você vai dormir aqui ou na sua irmã?
Aqui, Sílvia. Por favor, amanhã me cobre de perguntar se teremos novos moradores Diana sorri e clica no send.
OK! Sílvia bate continência Vou mandar preparar o quarto.
O telefone chama e desliga. Diana o fita novamente e fecha o flip. Instantaneamente, a foto de Helena aparece no visor seguido do toque polifônico de "Let it Be".
Diana? Está tudo bem? Helena parece apreensiva no outro lado da linha.
Está sim, e você?
Bem... posso ajudar em algo?
Sim, Helena. Soube que o governo não vai custear a restauração do museu. Muitas alas serão fechadas e talvez ele não tenha a grandiosidade que sempre teve.
É verdade, Diana. Algumas alas vão continuar, mas a parte que eu mais gostava foi destroçada pela Cisne de Prata. Confesso que perdi o encanto pelo trabalho. Helena retira alguns buquês do sofá e se deita Mas vamos esperar o outro dia, não é mesmo?
Então... sempre tive vontade de abrir uma mostra na embaixada. Existe um salão que eu queria destinar a exposições. Não consigo imaginar outra pessoa em que pudesse confiar. Helena emudece Helena??
Diana... eu ...
Não precisa me responder agora. Saiba também que tomei a liberdade de encaminhar seu currículo através do professor Ray Palmer para a Universidade de Nova York e ele foi muito elogiado.
Diana... eu ....
Inclusive, Julia Kapatelis lhe recomendou ao reitor. Diana suspira Helena, quero você e Cassie comigo.
Certo, Diana. Me dê alguns dias. Helena desliga o celular e suspira Deus...
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I'm leaving today
I want to be a part of it
New York, New York
These vegabond shoes
Are longing to stray
Right through the very heart of it
New York, New York
I wanna wake up in the city
That doesn't sleep
And find I'm king of the hill
Top of the heap
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