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Mulher-Maravilha # 36

Por JB Uchôa

O Fogo dos Ímpios

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Egito

As costas de Ganesha minam sangue enquanto o corpulento deus hindu afasta Hipólita com a mão direita.

— Venha homem-elefante!!! — grita Bastet com fúria — venha que eu quero beber todo o seu sangue!

Ganesha recua e se põe de joelhos diante da deusa felina, lentamente abaixa a cabeça.

— Ganesha... não! — Hipólita brande a espada no ar, retirado-a rapidamente da cintura — Ninguém aqui irá morrer, Bastet... nem que eu tenha que calar sua raiva com o metal! — A outrora rainha de Themyscira retira o véu que cobre seu corpo e empunha a espada. Bastet salta sobre Hipólita, que em um movimento rápido apara o golpe da deusa, fazendo com que ela salte para o outro lado. — Ganesha?

— Cuidado com as garras, guerreira rainha... estão envenenadas... — Com dificuldade, o deus hindu tenta levantar-se mas desaba aos pés de Hipólita. A amazona comprime a palma da mão na jugular do gigante.

— Não se preocupe Hipólita, ele está vivo. — Hipólita vira-se para a voz e ergue a espada em riste.

Nova York — Casa Themysciriana

— Vamos lá, Ártemis!!! Você consegue!! — Cassandra rola de rir no sofá enquanto fita sua antiga mentora.

— Não há graça nenhuma, Cassandra! — Ártemis continua a mexer no computador, marcando questões. Cada resposta errada é emitido um alto bipe.

— Erraaaaaaaaaado, de novo! Francamente, você está achando difícil?

— Não, eu estou errando pra ver você rir da minha cara. — Ártemis fecha o notebook. — por Pithia, chega!

— Nada disso, eu falei que ia te ajudar — Cassie abre o notebook e verifica o programa — vamos tentar novamente.

A tela do computador mostra a foto do embaixador russo com um balão de fala como nas revistas em quadrinhos dizendo "A senhorita embaixadora é muito encantadora, poderia dançar comigo?". Logo abaixo aparece:

1) Sim, será um prazer.

2) Obrigada, mas sou péssima dançarina.

3) Dançarei com você depois de derrotar as hordas do Hades e comer as tripas de Cerberus.

4) Prefiro discutir sobre o modo em que a máfia russa vem exterminando prostitutas e seu governo cala sobre isso.

— E aí, o que você responde?

— A última.

— Pois clica! — A ruiva olha para Cassandra que está de braços cruzados olhando-a firmemente. — Se você acha que é a de número quatro, clica Ártemis.

BEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEP!!

— Mil demônios! Porque esse bipe tem que ser tão alto?

— Porque senão não teria graça!

— Onde você conseguiu esse programa infernal?

— Pedi pro Tim fazer.

— Então seu amigo Tim não entende nada, eu respondi certo. — Ártemis vira-se na cadeira e olha pra Sílvia que acompanha o processo em silêncio de sua mesa — Não acertei, Sílvia?

— O que ela respondeu, Cassie?

— A quatro.

— De que questão mesmo? Perdi as contas nos bipes.

— Hummmm — diz Cassandra movendo o cursor — A questão dezoito.

— Está errada, Ártemis!

— Porque?? — Ártemis levanta-se em um sobressalto — Não é do nosso interesse auxiliar a Rússia em tratar melhor as mulheres, dando oportunidades honestas de trabalho para não serem rameiras em Moscou?

— É sim, Ártemis. É do interesse da nação amazônica defender as mulheres, a paz e a vida. — Sílvia levanta os olhos do computador — MAS o questionário que Cassandra bolou junto com o amigo dela é sobre como você deve se comportar no jantar beneficente e não na discussão de assuntos...digamos, frágeis, para nossos convidados. — Quando Sílvia termina de falar, Cassandra sorri.

— Você está adorando isso — Ártemis olha firme para a Garota-Maravilha — não está?

— Sim, senhora embaixadora! — Cassie sorri para ela — Eu sabia que um dia ia me vingar do seu treinamento. — Ártemis solta um resmungo e vira-se para o computador. — Questão dezenove!

BEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEP!!!

Mansão Wayne — Gotham City

O comunicador da Mulher-Maravilha toca incessantemente, ela remexe-se entre os lençóis, levanta a cabeça bruscamente e cerra os olhos no quarto escuro, pega o pequeno comunicador e o atende.

— Diana???

— Sim, Donna.

— Você está em Themyscira?

— Não.

— Que voz é essa, Di??

— Eu ainda estou dormindo, Donna! — Diana desliga o comunicador e deita-se sobre o tórax de Bruce Wayne. Caminhando de forma quase espectral a deusa do amor paira ao lado da cama dos dois amantes.

— Hummmmmm, acho lindo vocês dois juntos! — Afrodite abaixa-se e dilata as narinas levemente — que cheiro estranho é esse?

Casa Themyciriana

— Ela desligou!

— Como assim? Diana nunca desliga o comunicador da Liga! — Helena Sandsmark levanta os óculos para o alto da cabeça — Você tem certeza que ligou pra Diana?

— Tenho Helena, esse aparelho não é como celular, eu liguei pra Diana. Ela agiu tão... estranho!

— E onde ela está?

— Ela disse que não estava na Ilha Paraíso.

— Esse comunicador não tem GPS?

— Tem, mas...

— Mas???

— Acho que não devo usar.

Helena Sandsmark coloca os óculos de volta ao rosto e senta-se em sua cadeira. Olha para a tela do computador e vê o convite oficial da mostra.

— E então, peço pra gráfica rodar ou peço pra retirarem a informação de que a rainha estará presente?

Antes que Donna possa responder ouve uma explosão no lado de fora. As duas mulheres correm para a janela.

— Réia!! A explosão veio do Central Park — Donna retira a espada de cima da mesa, coloca o escudo nas costas e coloca a capa. — Preciso ir, Helena!

— Isso é um trabalho para a Mulher-Maravilha! — Helena e Donna sorriem, a bela morena alça vôo pela janela e logo vê Cassie segui-la.

Olimpo

— Está debruçada há muito tempo sobre a tina dourada, irmã. — Ártemis toca com a ponta dos dedos os ombros de Atena, que suspira.

— Não havia notado que estava há tempos imersa em meus pensamentos, Ártemis. Preciso descansar e ponderar.

— O tempo... cara irmã... — diz Ares, sarcástico — passa rápido para quem planeja.

— O que você quer dizer com isso, Ares?

— Não se faça de tola, Atena. Você enviou aquela cadela da Hipólita em uma busca inútil por apoio.

— Apoio a quê, irmão?

— Ao trono do Olimpo!! — Ares retira o elmo e o joga ao chão — Você é a única que se equipara a mim em poder e...

— E ganância? — O silêncio para na ampla sala do Olimpo — Atena se equipara a você em poder e em que mais?

— Amado pai, sua benção — Atena faz um meneio com a cabeça enquanto Ares permanece com a cabeça erguida.

— Você não me respondeu, Ares.

— Poderoso Zeus, estou indagando à Atena sobre os planos que ela tem para Hipólita.

— Que planos são esses?

— Atena enviou a amazona em busca de apoio de outras deusas femininas. — Ares gesticula e anda pelo salão, Atena e Ártemis continuam imóveis — Ela tenciona tomar o poder do Olimpo, pai! Tomar o trono para si!

Zeus senta-se em uma suntuosa poltrona adornada com chifres dourados e com o dedo mindinho contorna o bigode e encara Atena. Antes que a poderosa voz de Zeus possa indagá-la a deusa da sabedoria levanta-se.

— Peço licença pai, não tenho que ouvir esses impropérios. — As duas deusas saem do salão, deixando um furioso Ares acompanhado de Zeus. — Dormi, Ares, teu mal é sono.

— Você pode enviar todas as amazonas, mas eu vou acabar com a rameira da Hipólita!

— Ares?

— Sim pai?

— Fale-me o que você tem observado...

Nova York

Donna e Cassandra voam em direção à fumaça, elas observam a entrada de um banco em chamas, existe um cerco policial e as pessoas correm para o outro lado da rua. Pousando suavemente, Donna Troy questiona o que está havendo.

— Um cara assaltou o banco, mas foi rendido na saída... então o Tony atirou nele e ele... ele...

— Ele tinha uma bomba?

— Eu não sei Mulher-Maravilha, ele simplesmente explodiu! — responde o policial aflito, enquanto fita os restos do companheiro espalhado pelo chão

— Cassie? Está vedo aquela fumaça no teto do banco?

— Hum rum...

— Estranha, não? Já era pra ela ter se dissipado do momento que houve a explosão. — Donna Troy retira o laço da cintura e o gira no ar, fazendo com que envolva a fumaça.

— Donna, é só fumaça, como... — a fumaça ganha consistência e começa a revelar uma forma humana.

— Nitro! — Donna enlaça firme o vilão — Ele possui o poder de explodir, Cassie, transformando-se em estado gasoso e depois se reintegrando. O laço apenas acelerou essa união.

— Será que o seu laço pode me impedir de explodir de novo?


Continua...




 
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