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Shanna # 07

Por Carolina 'Huntresscarol' Bastos

As Feras Rugem

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Stegron quase não conseguia ficar em pé. Suas pernas pareciam mingau.

Finalmente estava em casa. Em seu reino.

— Finalmente, meus irmãos! — gritou ele, alto e em bom som — Seu senhor está entre vocês!

E, como que obedecendo a um comando pré-estabelecido, dali a pouco, centenas de dinossauros surgiram, calmos e alertas, como que esperando as ordens de seu chefe.

Era quase inacreditável. Aqueles animais ferozes e indomáveis pareciam gatinhos, de tão mansos que estavam com ele.

— Meus bichinhos... — começou ele — Vocês são maravilhosos! Tão perfeitos quanto eu imaginava que fossem! Meus irmãos de raça! Nós fomos os donos da Terra por 140 milhões de anos! Nossa raça sublime governou esse planeta, mas agora nosso trono foi usurpado por uma raça inferior! Uma raça que não tem o direito de ser a dona desse mundo! Essa raça são os mamíferos! Mas agora chegou a nossa vez! Vamos tomar de volta aquilo que é nosso!

Sem pestanejar, os animais foram acompanhando Stegron, que os levou até o local onde o portal fazia a comunicação entre a ilha e Nova York...

Pela primeira vez na vida, Shanna se via completamente perdida. Sem querer, tinha acendido o pavio de uma bomba.

Porém, ela não iria deixar que a bomba estourasse.

Não sem lutar.

— Esperem! E se eu trouxer seu filho de volta?

O homem-tigre, cujo nome era Yerenu, olhou-a fixamente com seus olhos de gato. Via-se a raiva neles.

— E como pensa fazer isso, mulher da selva?

— Isso é comigo. Por hora, chefe, me dá a sua palavra de honra de que não ordenará um ataque?

— Por que se preocupa com eles? — resmungou o chefe — Por acaso são seu povo?

— Não são meu povo, mas entre eles há pessoas inocentes, crianças especialmente, que não merecem morrer!

— E o meu filho por acaso merecia? — gritou Aléia, esposa de Yerenu — O que ele fez aos estranhos pra que estes o atacassem?

— Quanto a isso, não posso dizer. Mas, trarei seu filho de volta.

— Muito fez. — retrucou Darin, pedindo calma ao irmão e à cunhada — Tem um dia pra trazer meu sobrinho de volta. E traga-o vivo. Se não o trouxer no prazo ou se ele estiver morto... Aquele povo não escapará! Vão!

Mais tarde:

— Agora é que a cobra vai fumar, viu... — resmungou Max.

— Cobras não fumam, Max.

— É só uma expressão, Shanna. Quer dizer que a gente vai se danar com essa!

— Tenha fé. Vamos conseguir.

— Espero que sim. E espero que eles não tenham destripado o Wilycat, lá!

— Quem?

— Não, nada!

— Silêncio... estamos perto do acampamento... ali!

Os dois ouviram conversas.

— Ei, cara! — resmungou um homem gorducho — Cadê os dinossauros que cê falou?

— Aposto que só existem na imaginação dele!

— Ou então, aposto que cê tava era doidaço de tanta droga que meteu na cuca, né?

— Gente, calma! Eu juro pela alma da mãe que os bichos existem! — Alex já suava frio.

Não conseguia entender. Ele, sua namorada e o irmão dela tinham visto os dinos. Eles não podiam ter se enganado, não podiam!

E o menino-gato, ali? Ele era a prova de que naquela ilha existiam coisas bem estranhas. Era sua tábua de salvação.

— E esse menino-gato? Ele é produto da minha imaginação, é?

— É só por ele que a gente ainda não meteu umas balas bem no meio dessa tua fuça!

— Onde tem um, tem mais. Se não acharmos os dinossauros, ao menos isso serviria, não?

— Vamos ver, vamos ver... se não for mais uma das suas palhaçadas, pode até ser que esses seres sirvam pra alguma coisa...

Dali a pouco, a noite caiu. Max e Shanna esperaram pacientemente até o lugar ficar em total escuridão. Silenciosos como panteras espreitando a caça, eles adentraram o acampamento.

Entre roncos e resmungos, eles foram perscrutando o lugar. Acabaram achando Turosi amarrado em um tronco. Estava tão fraco pela falta de água, comida e pela perda de sangue, que mal conseguia respirar. Mas estava vivo.

— Se esse rapaz não for salvo rápido, vai morrer. — Shanna cortou rápido as cordas que o prendiam.

— Duvido que ele chegue vivo à sua vila...

— Me ajude aqui... temos que correr daqui, antes que descubram que nós o libertamos.

Mas já era tarde. Um facho de luz de lanterna, vindo de um homem que se levantara pra fazer xixi, os revelara.

O homem gritou, acordando todo o acampamento. Shanna e Max correram pra dentro da selva, levando o rapaz consigo. Furiosas, as pessoas foram seguindo-os, correndo e atirando. Uma das balas acertou de raspão num dos braços de Shanna.

— Ai!

— Te acertaram?

— Não é nada, querido, tudo bem.

— Tá sangrando muito!

— Tudo bem, eu agüento! Vamos! Temos de chegar à vila!

Logo eles chegaram a um rio. Shanna teve uma idéia.

— Vamos pelo rio. Não poderão nos seguir por ele.

Mas surgiu um problema. O cheiro do sangue atraiu um hyaenodon, um carnívoro semelhante a uma hiena gigante. Media 1 metro e 40 centímetros de altura, 3 metros de comprimento e pesava quase 500 quilos.

Ao pressentir a presença do mostro, Shanna e Max tentaram ficar bem quietos, esperando não serem vistos. Mas não adiantou. A criatura já os tinha percebido.

Deixando Turosi e Kiara em segurança, escondidos dentro de alguns arbustos, Shanna e Max preparam-se para a luta.

O hyaenodon avançou pra cima de Max, tentando mordê-lo. Ele pulou pra um lado e subiu pra cima de uma árvore, tão rápido quanto um gato. Furioso, o monstro bateu com a cabeçorra na árvore, tentando derrubá-lo de lá. Só conseguiu ficar tonto.

Enquanto isso, Shanna pegou um forte cipó e laçou o mostro pelo pescoço. Este se pôs a pular feito boi de rodeio, mas Shanna não arrefeceu. Sua força enorme se equiparava a do hyaenodon, que estava extremamente furioso e confuso.

Nunca, desde quando não passava de um simples filhote no ninho da mãe, jamais se deparara com algo que não pudesse vencer. Era um macho enorme, extremamente feroz, forte e robusto. Tinha sido o maior de sua ninhada e suas inúmeras cicatrizes oriundas de antigas batalhas por território e fêmeas mostravam bem quantos combates já vencera e quantos inimigos já derrotara.

O hyaenodon avançou pra cima de sua competidora, mas nada conseguiu. Shanna era tão veloz quanto ele, ainda mais que ele já estava tonto pela perda de ar. Ela largara o laço, mas tornou a pegá-lo, incitando a criatura a tentar pegá-la. Furioso, o mostro arremeteu pra cima dela, mas não viu um enorme buraco logo atrás dela. E era com isso que Shanna contava.

Com um salto olímpico, ela pulou por cima do lombo do hyaenodon, segurando firme o laço de cipó. Com isso, ao cair buraco adentro, o mostro morreu enforcado.

Rapidamente, ela voltou pra perto dos seus. E não foi sem tempo, pois já se podia ouvir ao longe os gritos e tiros dos caçadores...

Esta era a última coisa com que o Quarteto Fantástico esperava.

Os quatro, mais os filhos de Reed e Sue, pensavam que teriam somente uma tarde tranqüila no parque, andando nos brinquedos, vendo Frank e Valerie se esbaldarem com sorvete, pipoca, refrigerante e mais mil outras porcarias que todo mundo adora, dando autógrafos aos inúmeros fãs, essas coisas.

Mas não foi nada disso.

Porque, como que do nada, surgiu dos céus um pterodátilo! Mas como?

— Caramba! — resmungou o Coisa — Ninguém me disse que o Parque dos Dinossauros iria abrir uma filial aqui!

E, pra piorar, o mostro alado agarrou uma menininha, subindo com ela uns 30 metros de uma tacada só.

— Mããããããe...!

— Hellen! Socorro! Alguém ajude! Pelo amor de Deus!

— Será que ter um dia tranqüilo por aqui é pedir demais? — resmungou Susan Storm, ao passo que os filhos se escondiam atrás dela.

— Enfim um pouco de ação. — retrucou seu jovem irmão, Johnny — Já tava até achando chato... em chamas!

O Tocha Humana voou feito um cometa de fogo pelos céus. Felizmente, a criatura não era mais rápida e ele pôde chegar perto.

— E aí, bicudo? Não ta pensando em fazer dela seu jantar, né?

O pterodátilo avançou pra cima dele.

— Opa... sabe, eu acho que pterodátilo assado ia cair bem na janta hoje!

Johnny jogou um facho de fogo no mostro alado, que com um altíssimo pio agudo de dor, largou sua pequena presa de uma altura imensa.

Mais que depressa, a fim de evitar uma tragédia, Susan criou um almofadão invisível que amparou a queda da menininha. Chorando, a mãe a agarrou.

— Ah! Deus abençoe vocês, Quarteto Fantástico! — as outras pessoas do parque os aplaudiram e lhes desejaram felicidades.

— Caramba! — resmungou o Coisa, examinando o mostro que Johnny abatera. Milhares de flashs de máquinas e vídeos de câmeras e celulares registravam a situação — Eu posso não ser crânio igual a você, Borracha, mas até eu sei que isso daí era pra estar extinto!

— Exatamente, Ben. Agora, só precisamos descobrir de onde ele veio.

— E torcer pra não ter mais dessas coisas voando por aí! — retrucou Johnny.

— Será que cê não aprendeu ainda que uma desgraça nunca vem sozinha, cabeça de fósforo?

— E eu acho que o acompanhante dessa daí já está vindo ali! — Susan apontou pra um...

Tiranossauro?




 
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