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Shanna # 02

Por Carolina 'Huntresscarol' Bastos

O Quarto Cavaleiro do Apocalipse Ronda...

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Shanna acordou de madrugada com uma fincada horrível no baixo ventre.

Ela sentiu uma coisa molhada entre suas pernas. Devagar, acendeu uma vela, que quase deixou cair em seguida.

Sangue! Seu colchão estava banhado de sangue!

Ela soltou um gritinho de medo, mas logo Doc e Elsa que dormiam numa cama ao lado da dela (O casal e Shanna dormiam num mesmo quarto improvisado na cabana comunitária do acampamento. Os demais homens dormiam na área comum, uma espécie de sala) foram até ela o e a acalmaram explicando-lhe que aquilo era normal nas mulheres e que acontecia com elas uma vez por mês, durando alguns dias. Chamava-se "menstruação", eles disseram.

— Mas eu não quero sangrar!

— Mas não pode evitar, Shanna. — Disse Doc — Você é mulher, é assim mesmo! E isso é maravilhoso, porque é o sinal que seu corpo dá que você poderá ter um bebê, algum dia.

— Um bebê?

Essa idéia a agradou. Ela já tinha visto algumas fotos de crianças e bebês nos livros de medicina de Doc e gostava delas, apesar de nunca ter visto uma criança pessoalmente. Elsa não gostou nada de Doc ter dito isso a ela, mas nada disse.

— Eu poderei ter um bebê, Doc?

— Bem... Talvez.

— Por que talvez?

— Porque... Você precisa de um homem para colocar o bebê dentro de você, daquela maneira que eu e Elsa já contamos a você como é.

— É aquela coisa que vocês fazem quando pensam que eu estou dormindo?

O casal ficou muito vermelho. Fazia alguns dias que tinham começado um relacionamento, passando a dormir juntos, mas só tinham intimidades, e de forma bem discreta, quando pensavam que Shanna já estava profundamente adormecida. Nunca imaginaram que ela pudesse ter visto alguma coisa.

— É... É isso.— Murmurou Elsa.— Mas Shanna, você não deve espiar essas coisas. É uma coisa muito íntima, que só diz respeito ao casal.

— Desculpe... Não foi por querer...

— Não, tudo bem. Só não faça isso de novo. Se escutar alguma coisa, vire pro outro lado, feche os olhos e volte a dormir. Tá ok? — Perguntou Doc.

Shanna silenciosamente fez que sim.

— Mas enfim, é isso. É desse jeito que o homem coloca o bebê dentro da mulher. E fim da história.

Shanna ficou pálida.

— Então eu nunca terei um bebê mesmo. Nunca poderia fazer isso com nenhum homem daqui. — Nessa hora, ninguém reparou, mas Elsa deu um discreto suspiro de alívio.

— Tudo bem. Acho que não é hora de conversarmos sobre isso. Agora com cuidado, pule a janela, vá discretamente até a cachoeira, se lave desse sangue e depois volte e durma. Não deixe ninguém ver você e, principalmente, não conte sobre isso a ninguém. Amanhã cuidamos dessa bagunça. — Doc lhe deu um beijinho na testa e a ajudou a tirar os lençóis sujos, deixando-os num cantinho.

Assim que ela saiu, os dois voltaram a conversar.

— Acho que agora o cuidado com a nossa pupila vai ter que ser redobrado...— Murmurou Doc, aninhando-se nos braços de Elsa.

— Sim e não. — Respondeu Elsa, dando-lhe um selinho.— Pelo menos, ela já disse que não deseja nenhum dos homens daqui... Graças ao bom Deus!

— E se desejasse? Que mal haveria nisso?

— Nem brinque com uma coisa dessas! Shanna é uma mulher superior e mereceria alguém à altura de sua estirpe! Como não há ninguém aqui assim...

— Detesto quando você fala assim! Shanna não é um experimento, droga, é um ser humano!

— Mas é um ser humano superior! Ela é perfeita! E só deve procriar com alguém superior como ela, para produzir uma raça...

— Ah, dá licença tá, eu vou dormir! Essa conversa de nazista me embrulha o estômago! Boa noite!

Dois meses depois...

A vida continuava seu rumo sem pressa, no interminável ciclo dos dias, que iam se arrastando ao longo do tempo; preguiçosos e intermináveis dias sempre iguais, sempre quentes, por vezes chuvosos e quase sempre cheios de surpresas, na maioria das vezes desagradáveis.

E tome chuva. Uma chuva constante, interminável!

Os homens resmungavam.

— Pô, essa merda de chuva não parar não, é?

— Daqui a pouco passa a arca de Noé, com a bicharada e tudo!

— É... Bicho aqui é que não falta! — Fez um outro matando um bocado de mosquitos.

Enquanto isso, Shanna e Colombo jogavam xadrez.

— Xeque mate! — Fez ela, tão naturalmente quanto se estivesse perguntando que horas são.

— Caraca, garota, já é o terceiro xeque que você me dá... E eu achava que era bom nisso.

— Colombo, você erra demais. Sempre conte com a possibilidade do oponente perceber sua intenção e principalmente, comece com os cavalos e os bispos, guarde as torres e a dama, faça o roque para proteger o rei, e evite peões dobrados!

— Você... deduziu minhas jogadas?

— Eu quase pude adivinhá-las. Só vendo para que lado você olhava no tabuleiro e conhecendo seu estilo de jogo, eu quase pude ter uma premonição de quais jogadas você ia fazer e quando!

— Putz... Estou impressionado. E prometo dar menos bandeira da próxima vez.

— Eu não disse? — Murmurou Elsa, nunca perdendo a oportunidade de elogiar aquela que considerava "a sua maior criação." — Não há cérebro que possa derrotar este que está aqui dentro!

— Bem que a Sra. podia ter feito algumas a mais, Dra. — Resmungou um homem. Os outros riram. — Só uma, fica difícil pra gente! A não ser que a gente compartilhe! Um dia um, um outro... — Os outros riram mais ainda, menos Colombo, que ficou calado e sério, e Doc, que olhou feio para o autor da "brincadeira". Depois falaria com ele.

Shanna deu um grunhidinho com raiva. Sabia muito bem o que alguns homens dali queriam com ela. Mas isso eles não teriam dela.

Nunca.

— Vou sair. — Resmungou, os olhos azuis brilhando com uma raiva incontida.

— Você vai para onde, garota? Tá a maior chuva lá fora!

— Se chover, molha! Se molhar, seca! — Foi só o que Shanna respondeu. Não iria ficar ali, agüentando piadinhas grosseiras daqueles seres que até pareciam movidos à testosterona. Só pensavam em sexo!

Pelo menos perto dela, eram assim. Ela não sabia se longe dela, eles agiam da mesma forma.

E também nem queria saber. Não gostava deles e pronto!

As gotas de chuva continuavam a cair, de forma cada vez mais forte. Mas Shanna, particularmente, não achava isso ruim. Apreciava sentir as gotas de chuva caindo-lhe na pele, o vento, os raios, a água...

Ah, a água...

Pra ela, estar na água era a melhor sensação que podia existir. Como gostava daquilo! Nadar, sentir a água percorrer todo seu corpo, mergulhar bem fundo... Não podia existir coisa melhor!

Mas voltando a chuva...

Aquela chuva estava apertando cada vez mais. "Melhor procurar um abrigo!" pensou Shanna, ao passo que procurava um buraco nas rochas, uma falésia, qualquer coisa onde pudesse se abrigar.

Depois de andar um pouco, ela chegou até uma caverninha. Não era muito grande, mas dava para abrigá-la até parar a chuva.

Só que a chuva não parou pelo dia inteiro. Só foi aumentando e aumentando cada vez mais.

No acampamento, Elsa ficava preocupada.

— Onde será que ela foi?

— Não se preocupe, Elsa.— Disse Doc, para ela.— Ela é forte e sabe se cuidar. Onde quer que esteja, está bem. Ela voltará de manhã.

A noite foi chegando. Shanna estava molhada e tremia de frio.

Precisava fazer uma fogueira e fez, batendo duas pedras de sílex. Como levara um pouco de comida do acampamento, não sentiu fome.

Começou a devanear. Devanear sobre sua vida. Que significado ou sentido ela teria? Por quê ela, Shanna, teria sido feita? No que consistiria realmente sua existência?

Com esses pensamentos, acabou dormindo. Acordou com a luz do sol em seu rosto.

Feliz com o fim da chuva e com o magnífico sol da manhã, que prometia um dia bem quente, Shanna despiu-se e pulou no riacho, onde nadou até cansar.

Já banhada, agora na beira do rio, ela desembaraçou e enrolou os longos cabelos molhados com uma escovinha que Elsa lhe dera. Usava a limpíssima água do riacho como espelho natural.

Ficou encantada com o resultado. Sua farta cabeleira dourada, que crescendo, começava a formar ligeiros cachos nas pontas, ficou lindamente sedosa e macia.

Até então, Shanna nunca prestara muita atenção aos próprios cabelos, fora quando os lavava. Quase sempre usava-os soltos. Elsa muitas vezes lhe dissera que era o que ela tinha de mais bonito, lembrou-se ela, sempre os escovando para frente e observando-os.

E sem nem pensar no porque de estar fazendo assim, repartiu o cabelo em três partes iguais, juntando-as, por fim, numa trança perfeita que prendeu com um pedaço de fibra.

Shanna gostou da novidade. Afinal, ela sempre usara os cabelos soltos e passar a usá-los presos, poderia ser bom. Daria-lhe mais liberdade de movimentos.

Enquanto isso no acampamento...

A cabeça de Elsa estava a mil.

Tanto se preocupara com Shanna, que descuidara-se de si própria e agora...

Não, não, Deus... Ela não! Não ali! Não naquele lugar amaldiçoado!

Mas com certeza não era outra coisa. Aquela sonolência, a fome descontrolada, os enjôos e principalmente, suas regras que não vinham há dois meses...

A principio, Elsa imaginou que não ficara menstruada porque não estava se alimentando direito (era meio metida à vegetariana), mas quando vieram os enjôos e a sonolência junto... Ela não teve dúvidas.

Estava grávida.

Chegou a bater na própria barriga. Não queria um filho! Imagine se ela poderia ter uma criança ali, sem um mínimo de assistência médica... E depois, como faria para educá-lo?

Não... Ter um filho ali estava fora de questão. Ela conhecia alguns chás. Poderia tomá-los e...

Não. Absurdo. Ele não aceitaria essa decisão. Seu filho, fosse como fosse, era um futuro ariano, e se livrar dele, matá-lo mesmo antes de nascer, era uma sabotagem contra a raça.

Mas como ela faria? O que poderia realmente fazer?

Havia o pai do bebê. Será que ele gostaria da notícia? Evidente que sim.

É... Talvez, lá no fundinho, olhando objetivamente, ter um bebê não fosse lá uma coisa tão horrível assim... Poderia até ser bom, especialmente porque o pai do bebê ficaria muito feliz ao saber da novidade.

Foi ruminando esses pensamentos que ela escutou gritos. Gritos horrendos e nefastos...

Voltemos alguns momentos antes...

Doc andava (com auxilio de sua muleta, é claro) pelos arredores do acampamento.

Precisava fazer assim, para não ficar com escaras no traseiro de tanto ficar sentado. E também, particularmente, ele apreciava andar por ali e ver como pelo menos ali a natureza ainda reinava soberana, tão bela e totalmente intocada pelo homem.

Nessa hora ele escutou um pio.

A princípio Doc achou que fosse um pio de pássaro, mas dali a pouco notou que os animais tinham ficado estranhamente quietos.

Seu instinto lançou o alarme, bem dentro de sua cabeça: "Saia depressa!" Mas a curiosidade foi maior que ele.

E esse foi seu erro.

Porque foi nessa hora que a coisa atacou.

Ele, inicialmente, nem chegou a ver o que o atacava. Só percebeu o que era quando escutou um guincho forte e agudo, seguido de uma cuspida de uma coisa quente e ácida que acertou-lhe em cheio no peito.

Era um dilofossauro. E Doc, que já tinha assistido "Jurassic Park" sabia muito bem o que um dinossauro daqueles era capaz de fazer.

Ele tentou correr. Mas se esqueceu de já não tinha uma das pernas e o resultado não podia ser outro: foi direto para o chão.

O bicho não queria outra coisa. Rápido como uma bala, ele abriu suas coloridas abas de pele e lançou outra cuspida, desta vez na nuca do homem, que estava de costas.

O veneno continha ácido sulfúrico e fez Doc gritar de dor e horror. E foi isso que Elsa ouviu. E não foi só ela. Todos os outros do acampamento foram correndo acudir, junto com ela.

Elsa gritou e caiu desmaiada. A cena que viram foi aterradora. O ácido do veneno fizera um buraco que chegava até as costas de Doc e o bicho tranqüilamente comia-lhe a carne, com ele vivo. O rosto do pobre homem era a própria mascara do desespero.

— Me... Me matem...— Implorou, já quase não podendo falar. O dilofossauro pulou para o lado, rosnando, com a boca cheia de sangue.

Um dos homens atirou no dilofossauro, que fugiu para dentro da selva, ferido. Colombo, com o único olho marejado de lágrimas, atirou em Doc, pondo fim ao sofrimento dele.

Elsa foi carregada pra dentro por ele, ao passo que os outros homens carregavam o corpo mutilado de Doc, a fim de dar-lhe um enterro decente.

— E agora, o que a gente vai fazer sem um médico por aqui? — Perguntou um dos homens, pálido e tremendo.

— Vamos simplesmente acabar como o nosso amigo aqui e todos os outros antes dele: como jantar pra esses monstros dessa selva maldita! — Gritou Doc, mandando um cotoco para o mato. — Maldita a hora que eu aceitei vir para esse lugar! Por que não dui pro inferno? Lá pelo menos o capeta é um só!

Dizendo isso ajoelhou-se e chorou como nunca. E o mesmo fizeram os outros. Não lhes restava fazer mais mesmo...

Após chorarem até cansar, os homens foram ver Elsa. Assustaram-se ao ver que as pernas dela estavam banhadas de sangue.

— Olha, quanto sangue!

— Será que ela tá menstruada?

— Isso não me parecendo menstruação...— Murmurou Murph, que tinha uma pequena experiência como enfermeiro de acampamento.— É sangue demais pra ser só isso.

— Acha que é o quê, então?

— Tá mais parecendo... Um aborto. Espontâneo, é claro.

— Aborto? Ela nem estava grávida! Ou estava?

— Talvez ela nem soubesse que estivesse. Mas vamos ver. Tirem essa calça dela.

Foi só tirarem a calça de Elsa que uma coisinha minúscula, parecendo um pequenino bonequinho, espirrou de dentro dela para fora. Era o que restava do filho que ela estivera esperando.

— É... É um aborto mesmo. — Disse Murph.

— E o quê que a gente faz?

— Não há o que fazer. Não temos instrumentos, não temos aparelhos, e o único médico que tínhamos o maldito dilofossauro comeu! Agora, é só esperar.

— Pelo menos podíamos limpar esse sangue. O cheiro pode atrair insetos e bichos.

— Claro. Me tragam um balde de água limpa e uns panos limpos. Vamos dar uma limpada nisso...

Enquanto isso, sem desconfiar de nada, Shanna voltava ao acampamento.

Estranhou o silêncio. Normalmente, os homens dali eram bastante ruidosos e faladores e gostavam de conversar.

Alguma coisa não estava certa. Não estava mesmo.

Estranhou também que Doc e Elsa não tivessem vindo até ela. Onde estariam?

Um dos homens percebeu sua presença. Os outros foram correndo até ela.

— Olha quem tá aqui!

— Finalmente apareceu a margarida!

— Bem se diz que quem é vivo, sempre aparece!

— O quê aconteceu? — Perguntou Shanna.

— Venha, venha ver o que aconteceu!

Shanna foi levada até Elsa, que já está acordada e já sabia pelos homens de tudo o que acontecera.

— Agora você resolve aparecer, não é? — Resmungou ela, com o olhar brilhando de ódio.

— O quê aconteceu?

— Doc está morto! Foi isso o que aconteceu!

Doc... Morto? Como? Seus pensamentos entraram em parafuso. Uma fortíssima dor de cabeça atacou-a de súbito e Shanna foi até a janela, onde vomitou tudo o que tinha comido até então.

— Sua atitude foi imperdoável! Se você não tivesse fugido como uma criança boba, Doc não teria morrido... E nem o meu filhinho...

— Seu... filhinho?

— Sim! Eu estava esperando um bebê, Shanna, mas você pôs tudo a perder! Agora por sua culpa, perdi duas pessoas, o pai do meu filho e ele mesmo!

— Doutora, calma lá! — Colombo, como sempre, tentava acalmar os ânimos.— Não foi culpa dela que isso tivesse acontecido!

— Elsa... Eu... Me desculpe...

— Se ao menos ela não tivesse sido tão infantil e caprichosa e tivesse ficado aqui... isso não teria acontecido!!

É claro que Elsa não estava sendo racional. Mas também, na situação altamente emocional que estava vivendo, quem seria?

Com o coração pesando uma tonelada e os olhos cheios dágua, Shanna saiu correndo até a beira do lago. Enlouquecida de dor, deu um chute numa árvore pondo-a abaixo. Sentia-se como se estivesse queimando numa fogueira, tamanho seu desespero. Mas até isso lhe seria preferível; doeria menos.

Agora ela sabia o que a verdadeira dor. Não era a dor, aquela física, aquela que o corpo sente. Essa se pode suportar. A verdadeira dor é a do coração, a que não acaba, a que fica ali, invisível, como um espectro sinistro lhe atormentando a existência...

Doc... Seu querido Doc... Morto... Morto por um Dilofossauro... Tudo porque ela fora uma criança boba e mimada que não agüentava simples brincadeiras de homens...

E Elsa ainda estivera com um bebê na barriga... Que agora também estava morto, perdido para sempre... Assim como Doc... Tudo por culpa dela...

Shanna chorou como nunca antes chorara. Chorou tanto por arrependimento de sua suposta "culpa", quanto pela perda do homem a quem quisera como um pai.

Doc... Nunca mais veria seu sorriso ou escutaria seus sermões quando ela fazia alguma coisa indevida ou mesmo apenas conversaria com ele...

Deus... Se apenas pudesse voltar atrás... Algumas horas apenas e tudo teria sido diferente...

Mas também, como ela poderia ter adivinhado que uma coisa dessas poderia acontecer? Doc era um homem prudente, nunca se arriscando a toa, e dilofossauros não eram tão comuns assim por ali. Shanna, pelo menos, nunca vira nenhum de perto, só de longe, de uma distância bem prudente. Nunca era demais ter cautela com carnívoros.

Andando e andando sem rumo certo, perdida em seus pensamentos, Shanna escutou um barulho que nunca antes ouvira.

O barulho das ondas, o barulho do mar.

Chegara até a praia. Nunca estivera ali antes.

Shanna tocou a estranha superfície arenosa e macia. Era gostosa de tocar. Sentada ali, na areia, ficou olhando as ondas baterem, os coqueiros balouçarem, até que num ímpeto, tirou a roupa e foi até o mar.

Provou a água. E imediatamente cuspiu-a. Salgada! Não servia para beber.

Mas servia para nadar.

E foi assim que Shanna descobriu o maior, o mais saudável e mais salgadinho brinquedo do mundo.

A garota nadou até cansar. Depois, com as mãos nuas, pegou um peixe enorme que tranqüilamente nadou perto dela, dando bobeira.

Depois de comer o peixe assado, Shanna viu que já estava anoitecendo. Hora de voltar.

E era melhor fazer isso, antes que outra coisa pior acontecesse.

Mas ela não poderia negar que ter aqueles momentos de solidão, fazendo só o que lhe dava na telha, quando queria e da forma que queria, sem ter ninguém por perto para dizer-lhe o que fazer, era muito bom.

Bom demais.




 
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