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Por
Igor Appolinário
"A guerra! É uma coisa demasiada grave para ser confiada aos militares."
Georges Clemenceau
Pedra Fundamental Parte IV De Descobertas
LexTower Metropolis EUA
Um homem careca observa a cidade através da grande janela de seu escritório. O sol banha o prédio com um luz amarelada e mostra a cidade do futuro como um reluzente diamante.
Meu diamante...
Senhor Luthor? O pessoal do centro de pesquisa da LexCorp acaba de enviar um arquivo para o senhor. Devo enviá-lo ao seu computador?
Sim, srta. Teschmacher.
Lex Luthor, gênio empresarial e dono de metade da cidade, senta-se em sua gigantesca mesa de mogno. Ele pressiona um pequeno botão em um painel na mesa e um monitor e um teclado surgem da estrutura. Luthor vasculha os diretórios virtuais e encontra o novo arquivo. Lex se espanta ao ver as fotos contidas nele: Super-Homem, Átomo, Diana e os outros heróis enfrentando o robô daxamita. (*)
Mas o que diabos é isso? O que ele está fazendo...?
Lex pressiona outro botão do painel e a parede oposta a mesa revela um monitor gigante. Após alguns comandos no computador, Lex fita a face de um militar extremamente irritado na tela.
Senhor Luthor, eu já disse que esse é um canal privativo do exército americano, o senhor...
General Eiling, chega de reclamações. Eu tenho em mãos algumas imagens de satélite de uma batalha que ocorreu a alguns minutos no Atlântico central. O que o senhor tem a dizer a respeito?
Batalha? Do que você está falando? E quem lhe deu o direito de questionar um militar?
Seres estranhos, provavelmente alienígenas, estavam duelando uma máquina no meio do oceano. E os milhões de dólares que eu e minhas invenções representam aos EUA são minhas garantias para interrogar quem eu quiser. Me responda, general, o que vocês irão fazer com essas aberrações?
Nós vamos investigar, senhor Luthor. Nossas melhores equipes serão ativadas, seu dinheiro será bem utilizado...
A tela se desliga, deixando Luthor com um sorriso no rosto. Ele volta às fotos e fica observando uma foto que mostra Super-Homem resgatando o Lanterna Verde.
Você não perde por esperar...

Atlântico central
Usando sua visão de calor, Super-Homem fecha o rombo aberto pelo robô no submarino de Batman. Enquanto ele termina o conserto, os outros se reúnem em torno do recém-desperto Lanterna Verde.
Vocês acham que eu estou ficando maluco, né?
Imagina! diz Flash Você só acaba de dizer que uma frota alienígena gigante está vindo na direção da Terra e que ele não são amigáveis. OK, o que agora? Eles são verdes e vêm de Marte?
Eu não encontrei com nenhum deles pessoalmente, mas posso dizer que eles não são de Marte, porque eu fui atacado em Saturno.
Incrível, tovarisch! Eu sempre soube que existia vida fora da Terra. Isso só fortalece minhas crenças!
Ei, "professor aloprado"! Esses aliens não querem ser nossos amiguinhos, pelo que o Lanterna aqui disse. Por falar nisso, onde você conseguiu esse poderes, amigo verde?
Eu ganhei este anel de um alien que caiu em Las Vegas.
Sei, ele devia estar procurando um bom cassino...
Chega de brincadeiras. diz Batman, sóbrio e soturno Temos que confirmar se existe mesmo essa tal tropa extraterrestre.
Devemos buscar informações mais... precisas. diz Super-Homem, se aproximando Podemos nos separar e procurar.
Boa idéia. Vamos nos separar e nos reencontrar em Nova York assim que tivermos uma pista. Tomem.
Batman passa aos outros pequenos aparelhos. Ele mesmo pega um e coloca no ouvido.
Coloquem bem fundo. É um comunicador de duas vias, apenas falem normalmente e meu contato poderá passar as informações. Apertem uma vez para ligar e duas para desligar. Vamos!
Batman entra no submarino, deixando os outros sobre o casco. Eles se entreolham, intrigados.
Quem fez dele o chefe? diz Flash E por que Nova York?
Porque eu disse.
O submarino começa a afundar. Todos colocam o comunicador e saem de cima do casco. O submarino desaparece sob as águas e eles se separam.

Horas depois Nevada EUA
"Área 51. A base que oficialmente não existe. Único lugar que pode me mostrar o que eu preciso."
Batman entra por uma pequena janela na lateral do galpão militar. Após cruzar uma grande parcela de deserto, seu traje acumula areia em lugares nada confortáveis. Mas a missão é mais importante. Precisa saber se aquele russo falava a verdade. Batman vasculha o chão do galpão deserto e encontra uma fresta. Seguindo as marcas, ele encontra um botão, abrindo uma entrada no chão.
No subsolo secreto, Batman encontra o que procurava: dezenas de computadores, ligados aos satélites de observação espacial. Após mexer em alguns comandos no computador central, Batman acessa os satélites de segurança máxima. Vê uma imagem de Júpiter.
Isso é crime. Você sabe bem, Bruce.
E? Você veio me prender, "Clark"?
O que você acha que está fazendo, "Batman"? Eu achei o submarino um exagero, porém bem útil. Mas por que invadir essa base? Isso é território restrito.
Eu sou um cidadão americano e tenho direito de entrar onde eu quiser nesse país, mesmo sendo território militar. Além do que, o exército esconde nessa base-fantasma os controles dos melhores satélites de vigia.
Sempre foi assim. Não se importa de passar por cima de quem for preciso pra chegar onde quer.
Eu uso as armas que tenho, Kal. Não posso atravessar as paredes com um soco ou conquistar o coração das velhinhas com um sorriso.
Não vestido assim. Com certeza.
Você não...
Alarmes disparam e imagens se formam lentamente nas telas dos satélites. Naves de diversos tamanhos começam a entrar no campo de visão. Batman e Super-Homem param de discutir e observam as telas, estupefatos.
Vê o meu motivo? Átomo estava certo.
Você consegue focalizar no resto da frota?

Poseidônis sob o Atlântico central
Orin caminha pelos salões reais de seu palácio. Ao seu lado, envolto pela aura verde, está o Lanterna Verde. Eles conversam.
Orin, você deve nos ajudar!
Devo? Devo!?! Você vem a meu reino e quer me obrigar a salvar o mundo da superfície? Você só pode estar brincando, como diria seu povo. E me chame de "majestade" quando estiver aqui embaixo.
Sim, "majestade". Mas saiba que o "mundo da superfície" será apenas a primeira etapa dos alienígenas. Os mares serão dominados, uma hora ou outra. Pense nisso. Lanterna Verde sai do salão, deixando Orin perplexo.

Londres
...essa teoria é muito interessante. Mas é muito arriscado pra um simples teste.
Ora, tovarisch, pense bem. Eu lhe disse o que eu encontrei em Tunguska, essa outra máquina vem da mesma tecnologia.
Mas esse aparelho que você usa contraria todas as leis da Física em uma tacada só!
Pois bem, só pode indicar uma tecnologia muito avançada. Capaz de singrar o espaço.
Humm, vendo essas peças, é inegável.
Tovarisch, o que acha de nossa amiga helena?
Como você sabe que esse é o nome dela?
Hahahaha! Meu caro, "helena" é um adjetivo, significa que ela é grega. Não é perceptível?
Ah, claro, se você diz...
Palmovitch caminha até o outro lado da sala (um pequeno laboratório mantido pelo governo britânico) se aproximando de Diana, que olha intrigada os vários objetos, tecnológicos ou não, do lugar. Aquele é um mundo estranho, muito diferente de onde ela veio, muito diferente do que ela conhecia até então.
< Você pode me entender? > (**)
< Você fala o dialeto do povo do continente! Posso entender parte do que diz... > (***)
< Intrigante. Você parece falar algo muito próximo do grego primitivo... >.
O que vocês estão falando? diz Flash, confuso.
Parece que eu consegui me comunicar com ela, me caro. Ela fala um grego muito antigo, mas ainda sim compreensível. diz Palmovitch a Flash. O cientista então se vira novamente para a moça e pergunta < De onde você vem? Onde está sua casa? >
< Casa? > diz ela, vacilante < Venho do lugar chamado Gateway, mas minha casa fica realmente em Themyscira, uma linda ilha a norte do reino do homem loiro. >
< Você fala o idioma anglo-saxão? Isso é muito... >.
Intrigante? diz ela com um sorriso É... muito... intrigante. Uma... amiga me ensina.
Uau! Ela fala inglês! Você é bom mesmo, cara! Qual seu nome, gata?
Diana, uma... homenagem.
Creio que sua terra, Themyscira, deve ser um paraíso. Vocês adoram os antigos deuses?
Antigos? < Toda minha vida é dedicada a Hera, protetora das uniões, e a Ártemis, a donzela caçadora! Elas protegem a mim e a meu povo!! >
Ela ficou um pouco exaltada, não acha? diz Flash, reagindo à elevação de voz de Diana.
Acalme-se minha jovem. Mas nessas terras, os antigos deuses gregos são considerados apenas lendas ilustrativas da personalidade humana. Mitos. O mais aceito nos dias de hoje é o monoteísmo. Apenas um Deus a quem crer.
Mas isso é... impossível! Uma única... entidade que controla todos os poderes da natureza? Um único protetor... mãe e pai? Vocês realmente são diferentes...
Você ainda não viu nada, garota. diz Flash.

Espaço
Ix-9, a nave de comando daxamita, passa displiscentemente por Marte, o planeta vermelho. Caso houvesse alguém na superfície arenosa do planeta e este alguém olhasse para o céu, veria o firmamento pontilhado de naves prateadas. Rumando em direção ao sol.
Ix-9 abre um de seus diversos compartimentos. Lentamente, uma nave menor, de forma mais afilada e angulosa, começa a sair pela abertura. Como se atirada de uma pistola, a nave é lançada no espaço, em direção ao nosso planeta azul.
Como um foguete, a nave entra em nossa atmosfera, queimando com um meteoro. A uma grande altitude, ela começa a disparar pequenos projéteis contra o solo, que atingem diversas partes do mundo.
Na África, os projéteis atingem duas cidades, antigas e secretas. Um reino com seu metal de propriedades únicas, e uma cidade governada por animais, seres de incrível inteligência. Na Europa, um tirano observa pela sacada de seu castelo o imenso escudo energético que cerca seu reino. Em Nova York, em três lugares distintos, grupos de superseres tentam se livrar da armadilha dos projéteis.
A naveta continua sua queda desabalada, aproximando-se mais e mais da cidade de Nova York. Como uma bola de fogo, a nave daxamita atinge o prédio na ONU, transformando-o em escombros retorcidos pelo fogo e pelo impacto.
:: Notas do Autor
(*) Na edição anterior. 
(**) Traduzido do grego moderno. 
(***) Traduzido do grego arcaico. 
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