hyperfan  
 

Birds of Prey # 03

Por Igor Appolinário

O Assassino
Parte III

:: Sobre o Autor

:: Edição Anterior
:: Próxima Edição
:: Voltar a Birds of Prey
::
Outros Títulos

Torre do Relógio — Gotham City

Após procurar nos sistemas do departamento de trânsito, a hacker conhecida como Oráculo descobre que a placa do carro do assassino de prostitutas é falsa. Ela precisa avisar sua parceira, a vigilante Canário Negro, que persegue o criminoso. (*)

— Canário Negro, pode me ouvir? Aqui é Oráculo.

Estou aqui, Oráculo. Droga! Eu perdi o desgraçado!

— O que houve? Montoya ainda está com ele?

Está. O carro da polícia que também seguia o suspeito bateu em mim e eu caí na pista. Torci o meu pé de novo! (**) Depois que eu consegui levantar, o cara já tinha desaparecido. Ele percebeu a perseguição. E a placa?

— Era falsa. Volte para cá, você tem a identificação do carro e eu tenho algumas pistas que podem nos levar ao canalha. Agora precisamos ser rápidas, não sabemos se ele vai se apressar agora que acha que foi seguido...

Um lugar remoto — arredores de Gotham

John Aames estaciona seu carro em frente à pequena cabana. Ele olha para os lados assustado, mesmo tendo certeza de que despistou aqueles que o perseguiam. Então olha para a detetive Renée Montoya, desmaiada ao seu lado, sua bela pele morena, mesmo que um pouco escondida pelo excesso de maquiagem, seus lindos e sedosos cabelos negros, já sem a peruca loira ridícula. Sua boca, vermelha, ainda mais bonita com um filete de sangue escorrendo de um pequeno corte no lábio.

— É uma pena que você seja a mais bonita delas. — diz Aames carregando Montoya para dentro da cabana. Ele bate a porta do carro, deixando a pequena bolsa de Renée dentro dele.

John coloca cuidadosamente o corpo delicado de Renée sobre a cama simples do quarto-cela. Ele acaricia o rosto pálido pela maquiagem e com a ponta de seu dedo indicador contorna a mancha vermelha do soco que desferiu contra ela. A excitação de John aumenta ao sentir o leve respirar do corpo inconsciente de Montoya. Sua própria respiração se acelera, seus pensamentos devaneiam com o corpo nu daquela mulher, mas não naquela cama ou num plástico preto imundo, mas sim em sua própria cama, sobre os seus lençóis, com um sorriso de satisfação no rosto.

"Você seria toda minha..." — pensa John, inclinando o corpo, sentindo a respiração de Renée contra seu rosto. Neste instante, ela solta um leve gemido e seu corpo treme. John se assusta e com um sobressalto cai da cama, onde se sentava ao lado da vítima. Corre para fora do quarto e tranca a porta rapidamente. Ofegante, se recosta contra a porta.

John olha para o cômodo no qual se encontra agora: uma cozinha suja e desarrumada. Ele caminha até um pequeno armário próximo a pia e de uma gaveta retira muitas facas de diversos tamanhos e tipos. Ele as coloca sobre a pia e puxa uma pequena máquina para perto. Ele se senta em frente a ela e aciona o pedal, que faz girar uma roda de pedra. John aproxima o fio de uma faca a pedra, fagulhas voam pela cozinha. Um único pensamento sinistro percorre a mente de John Aames.

"Ela vai pagar. Todas vão pagar..."

Torre do Relógio

Oráculo olha fixamente para o monitor mais próximo. Seus dedos correm freneticamente pelo teclado, digitando mais rápido do que os sensores podem captar. Registros de venda se revelam pela tela do monitor.

— Segundo estes registros, apenas duas empresas de Gotham City compram os botões desta fábrica. — diz Oráculo para Canário Negro.

— E depois de verificar os funcionários, você achou alguma coisa? — pergunta Canário Negro, sentada em uma cadeira e enfaixando seu pé machucado — Acho que devia passar alguma coisa aqui...

— Deve ter alguma pomada anestésica no banheiro. Mas voltando ao nosso problema, eu relacionei os arquivos das empresas com os encontrados na polícia e na prefeitura de Gotham, e encontrei dois suspeitos: Martin Clark Keller, 40 anos, branco, divorciado, com ficha criminal por espancamento; John Phillip Aames, 35 anos, branco, solteiro, com passagens por psiquiatras públicos devido a crises emocionais violentas.

— Então um desses é o nosso canalha. — diz Canário, colocando com dificuldade sua bota. Seu pé está muitas vezes maior devido ao inchaço e as faixas.

— É, e pelos registros de propriedades da prefeitura eu posso saber onde eles moram. Pronto, temos dois endereços. Você pode andar?

— Claro, não vou correr uma maratona, mas ainda posso guiar minha moto. — diz Dinah, pegando um pedaço de papel da mão de Oráculo — E você? Vai atrás do outro cara?

— Não temos escolha. Mas quem sabe você não pegou o "ovo premiado".

— Certo então vamos lá! — diz Canário mancando em direção ao elevador.

Departamento de polícia de Gotham

O tenente Harvey Bullock e o detetive Crispus Allen entram na grande sala dos detetives, adjacente à sala do comissário James Gordon. A face da derrota se mostra em seus rostos. Allen vai até o outro lado da sala, provavelmente procurando por café para acalmar seus nervos. Bullock arrasta seu corpanzil em direção à sala de Gordon.

— O comissa tá aí? — pergunta Bullock para Stacy, a secretária do comissário.

— Só um minuto, tenente. — diz Stacy, apertando um botão no interfone — O tenente Bullock quer falar com o senhor.

Pode deixar ele entrar, Stacy. — diz a voz de Gordon, eletronicamente alterada pelo interfone.

Bullock entra na sala de Gordon. O comissário repousa pensativamente sobre sua cadeira de couro. Os dedos entrelaçados pousados sobre o peito, os olhos cerrados, a respiração calma, mas ainda sim Bullock tem certeza de que ele está atento.

— Era ele?

— Não temos certeza...

— Se não fosse ele, Renée já teria entrado em contato.

— Nós perdemos a pista dele. Ele nos despistou durante a perseguição.

— Então temos que encontrá-la. — diz Gordon, levantando-se de sua cadeira e olhando decidido para Bullock — Você e o detetive Allen vão até a sala de comunicação e dêem as descrições do carro e do assassino, isso se vocês o viram. Mandem todos os carros buscarem por esse calhorda...

— Hã... comissa...

— Não diga nada, Bullock, eu não vou deixar que aquele canalha faça nada com aquela garota. Eu não vou perdê-la para um maníaco qualquer. Não ela!

— Certo, comissa!

Bullock sai correndo, o mais rápido que seu corpo conseguir ir, em direção à sala de comunicação para dar o alarme às viaturas. Allen vê o tenente correndo e parte atrás dele. Gordon sai de sua sala vestindo o sobretudo. Stacy pula de sua cadeira, mas é impedida por Gordon de seguí-lo.

— Stacy, se alguém me procurar, diga que eu fui caçar um criminoso!

— S-sim, senhor...

Esconderijo de Aames

O mundo roda em uma velocidade alucinante, pelo menos para a detetive Renée Montoya, que acaba de acordar dentro do famigerado quarto no esconderijo do assassino de prostitutas. Ela pressiona as duas mãos contra a cabeça tentando fazer a dor parar, sem sucesso.

"Será que alguém anotou a placa do caminhão que me atropelou?" — pensa Montoya, enquanto caminha até a única porta do quarto. Ela coloca a mão na maçaneta e tenta abrí-la, mas não consegue. Então, investe contra a porta, tentando arrombá-la, mas a porta é muito grossa e muito pesada, fazendo-a desistir desta idéia ao sentir uma dor lancinante no ombro.

Montoya olha ao redor, agora procurando sua bolsa. Ela vasculha o quarto todo, que por ser pequeno e de simples decoração, não dificulta o trabalho da policial. Ao constatar que está sem sua bolsa e conseqüentemente, sem sua arma, volta à porta e encosta seu ouvido nela. Do lado de fora, ela pode ouvir sons agudos e uma voz que murmura enquanto parece realizar algum tipo de serviço.

"Ele está afiando alguma coisa." — pensa Montoya. Ela começa a bater com força na porta, para quem sabe chamar a atenção do assassino. Do lado de fora, o barulho agudo pára e Renée pode ouvir passos vindo em sua direção. Ela começa a gritar e xingar John:

— Desgraçado! Seja homem e me deixe sair daqui! Seu filho da puta! Covarde!!!

John soca a porta com força, assustando Montoya, mas fazendo-a perceber que atingiu o seu objetivo. Ele fica socando a porta até cair sem forças no chão, ofegante, vermelho e ainda furioso.

— Por que você faz isso? — pergunta Montoya, com uma voz calma e conciliadora — Por que mata essas mulheres inocentes?

Inocentes!?! São todas vagabundas que ninguém liga. São a escória mais baixa da sociedade!

— Mas elas não merecem morrer apenas por isso... não é?

— Você... — a voz de John vai ficando fraca e muito fina, parecida com a de uma criança falando — Você não faz idéia do que eu passei. Do que elas me fizeram passar...

Anos atrás — Gotham

Estamos na conceituada Escola para Garotas da Srta. Glover, um bastião de educação e formação moral da cidade. Julianne Aames e seu filho pré-adolescente moram na grande propriedade da escola.

"Depois que meu querido Angus morreu, foi minha única opção, com um filho pequeno para criar." — é o que diria a sra. Aames, caso a perguntassem das circunstâncias que a levaram a aceitar o emprego de zeladora da escola. John, seu "pequeno anjo", é um garotinho franzino que freqüenta a escola pública de Gotham e que depois das aulas ajuda a mãe com os afazeres da escola. Não que ele goste desse serviço, mas seria capaz de fazer qualquer coisa por sua querida mãe.

O que John mais gosta de fazer é andar com a mãe pela escola, enquanto ela faz a vistoria dos corredores. Assim ele pode sempre olhar para as belas garotas que estudam por lá. Todas lindas e muito ricas, "ao estilo Glover", como diz sua mãe. Mas mesmo que John goste do passeio, as garotas não têm a mesma opinião. Nunca gostaram daquele "magrelinho que anda por aí como um príncipe em farrapos". Sempre que o vêm pela escola lhe fazem pirraça e derrubam vasos e outras coisas que possam sujar o chão para que ele tenha que se abaixar e limpar. E quando ele as olha, elas fazem questão de mostrar-lhe a língua ou, até, fazer um gesto obsceno.

O tempo passa e é inclemente com a sra. Aames, tirando-lhe toda a beleza que um dia conquistou Angus Aames. E as garotas da escola nunca deixam-na esquecer que sua velhice corre rápida como o vento. Mas certo dia, elas fazem algo que muda a vida da família Aames para sempre.

John limpa a lousa de uma das salas de aula quando um grupo de garotas se aproxima dele. O garoto, já acostumado com as chacotas, abaixa os olhos e caminha em direção à porta, que é fechada violentamente na sua cara. John fica sem saber o que fazer e permanece encostado a um canto da sala, ainda olhando para o chão.

— Então, principezinho, como vai a uva-passa da sua mãe? — pergunta uma das garotas, dando uma larga gargalhada.

— Diga, moleque, o que ela usa para a pele? Extrato de maracujá? — pergunta outra garota, sem perceber que John cerra os punhos e começa a ficar vermelho, bufando.

— Veja, ele está ficando nervosinho! — diz outra — Vai se esconder nas saias daquela velha caquética...

John não consegue se controlar e com a mão pesada, apesar do corpo franzino, desfere um tapa certeiro contra a última garota. O tapa deixa uma marca vermelha no rosto da garota, que sai correndo e chorando da sala. As outras meninas vão atrás, em auxílio à amiga e com medo de John.

No dia seguinte, Julianne Aames e seu filho não moram mais na escola Glover. Ambos saem quase que fugidos, após um comunicado arrasador da diretora. Julianne vai morar em um casebre na periferia da cidade e sobrevive fazendo pequenos serviços caseiros: lavando, passando, cozinhando e limpando para outros. Assim até o fim de sua vida...

— Os médicos disseram que ela morreu por causa do cigarro. — diz John, e Montoya pode perceber que ele está chorando — Mas eu sei que minha mãe morreu de desgosto, por minha culpa. Por isso essas desgraçadas têm que morrer! Essas putas vão me pagar caro por destruírem minha vida!!!

— John, não faça isso. John...! John...? — grita Montoya, mas John volta para seu banco, novamente afiando as facas.

Montoya olha ao redor pensando em um modo de escapar, mas vê que há apenas uma pequena janela acima da cama, e que está completamente fechada por grades.

"Ele pensou em tudo. Será?"

Brubaker Lane — zona leste de Gotham

Em um conjunto de prédios distribuídos em ambos os lados da rua, Canário Negro tenta localizar o endereço indicado por Oráculo. Ela estaciona a sua moto em frente a um prédio caindo aos pedaços. As folhas da árvore em frente à escada cobrem o chão, os vidros da porta principal estão amarelados e riscados. Canário sobe os degraus e pelas indicações no interfone, descobre o apartamento que procura: M.C. Keller — 4 C.

Ela arromba a porta de baixo e sobe as escadas até o andar certo. Encontra o apartamento e encosta o ouvido na porta, tentando descobrir algum movimento lá dentro.

Martin Keller está sentado em sua poltrona e assiste à televisão. Nela está passando um programa humorístico decadente, o preferido de Keller.

Vamos para a próxima pergunta! — diz o apresentador, ao mesmo tempo em que arruma a peruca caída — Por que a galinha atravessou a estrada?

Para se juntar ao outros mamíferos! — grita a Loira Peituda, certa de sua resposta.

Para se vingar do machismo imposto pelo galo, que provavelmente disse que aquilo era coisa apenas para machos! — discursa a Feminista Baranga, que não limita sua resposta àquilo — Devemos perceber que...

A preocupação com o fato de a galinha ter cruzado a estrada é um sintoma de sua insegurança sexual! — diz o Psiquiatra Freudiano, com um pequeno bloco de anotações nas mãos.

Keller ri a borbotões ao ouvir as repostas esdrúxulas dos convidados. Sua barriga volumosa se contorce em ondas, fazendo o botão de sua calça jeans apertada estourar com um estampido. De repente, sua porta abre com um estrondo, caindo no chão após um chute potente de Canário Negro.

— O que cê tá fazendo, sua doida!? — grita Keller, se jogando contra Canário.

Canário apenas se esquiva, deixando Keller se espatifar no chão. Ele se levanta e a agarra, mas Dinah segura seu braço e o joga pela sala, fazendo-o cair sobre a TV. Ela pula sobre ele, pega sua perna e a torce, imobilizando-o. Canário amarra suas pernas e braços e começa a vasculhar a casa. Ela entra em um quarto e fica chocada: uma mulher está encolhida em um canto. Seu corpo está cheio de hematomas e ela chora copiosamente.

— Calma, aquele canalha nunca mais vai bater em você. — diz Canário, se aproximando da mulher.

— Não! Eu sei que ele vai me bater de novo, de novo, de novo...

— Não, não depois de hoje. Mas eu preciso de uma informação sua. Ele estava com a senhora esta noite? Digo... a noite toda?

— Estava. Esta noite e todas as outras. Ele não perde esse programa idiota. Às vezes ele pára de me bater só pra assistir essa porcaria, mas sempre volta depois do programa.

Canário tira a mulher do quarto. Ela se assusta com o corpo do marido todo amarrado, mas Canário pode ver um sorriso de satisfação em seu rosto.

— Eu vou te levar para uma delegacia, pra você fazer um queixa desse porco. Mas antes...

Canário cochicha algo no ouvido da mulher e sai do apartamento. A mulher se aproxima do marido e dá um chute no estômago dele. Ele geme de dor e ela sai correndo da casa, rindo. Ela e Canário vão de moto até a delegacia mais próxima.

Rua Dixon — zona leste de Gotham

Bárbara pára seu SUV (***) ao lado do segundo endereço e pega um notebook que estava no banco de passageiro. Ela aperta alguns botões no painel do carro e do teto sai um equipamento parecido com uma pequena antena parabólica.

— Vamos ver o que vocês escondem aí dentro. — diz Oráculo, digitando alguns comandos no computador e fazendo a antena se virar em direção ao prédio suspeito.

Na tela de seu notebook, aparece uma imagem escura do prédio, como o negativo de uma foto. Bárbara aumenta o grau de incidência e o infravermelho penetra as paredes do prédio, mostrando as pessoas em seu interior. Oráculo sobrepõe um planta do prédio à imagem e consegue identificar o endereço do suspeito.

"Ninguém em casa." — Oráculo desliga o infravermelho e pesquisa na internet alguma propriedade ligada do nome John Aames. Depois de alguns minutos de buscas frustradas, encontra uma propriedade registrada em nome de "Angus Aames" e decide investigar a casa que fica fora da Ilha de Gotham.

Esconderijo de Aames

John continua a afiar suas facas com um fervor quase religioso. No quarto atrás dele impera o silêncio. Renée olha pela pequena abertura embaixo da porta e consegue ver os pés de John, sentado em frente a alguma máquina rústica. Do cômodo, tudo que ela consegue ver são os pés e as partes baixas dos móveis. Ela toma uma decisão e anda com passos firmes até o meio do quarto.

"Essa eu nem precisei drogar para que ficasse quietinha..." — pensa John, ao terminar seu serviço e dispor todas as facas sobre a mesa do cozinha, prontas para o seu ritual profano. John empurra a máquina de afiar para um canto e abre um grande armário, de onde tira um grande pedaço de plástico preto e o joga sobre uma cadeira. Ele volta para perto das facas e quando vai pegar uma delas ouve um grito desesperado vindo de dentro do quarto.

— O que diabos é isso? — diz John, percebendo que aquele não é um grito comum, como os das outras vítimas — O que será?

John olha pela pequena abertura embaixo da porta e vê Montoya atirada no chão, gritando e se contorcendo como se sentisse uma dor imensa. John abre a porta depressa e agarra a mulher pelos ombros, chacoalhando-a com toda sua força, tentando fazê-la voltar ao normal. Ela pára de se contorcer e John ainda a segura bem próxima. Renée abre os olhos e dá uma forte cabeçada em John, fazendo-o cair no chão do quarto. Ela corre para a cozinha e começa a procurar sua bolsa alucinadamente.

Oráculo chega ao endereço, as luzes desligadas para não chamar a atenção, e no lugar de encontrar uma casa, vê uma cabana caindo aos pedaços. Com o telhado todo esburacado e as paredes carcomidas pelo mofo. Ela vê um carro parado próximo à porta. Dentro da cabana, enxerga apenas uma luz no cômodo da frente e ouve um barulho agudo irritante.

Oráculo, o meu suspeito não é o cara. Era só um espancador de mulheres, sujeitinho nojento.

— Entendi, Dinah. Talvez seja o meu, encontrei uma cabana no meio do nada. E estou vendo um carro. Me dá a descrição do carro que você viu.

Era antigo, provavelmente modelo 76, uma horrível cor bege, parecia ter um amassado no pára-choque. A placa combina?

— Não consigo ver direito. — diz Oráculo, pegando uma lanterna no porta-luvas e apontando para o carro — A placa é a mesma, mas parece que está caindo. Posso ver outra por baixo.

Então é o mesmo canal...

Aaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhh!

O que foi isso?

— Parece um grito de mulher. Eu vou entrar.

Eu já estou indo para aí!

— Não, chame a polícia. Eu vou pegar o cara.

Oráculo desce do carro com a ajuda de um pequeno elevador acoplado no mesmo. O terreno é um pouco acidentado, mas ela chega até a porta com relativa rapidez. Tenta a maçaneta, mas a porta está trancada. Oráculo então mexe em alguns bolsos na lateral de sua cadeira de rodas.

"Preciso encontrar minha arma!" — pensa Renée, revirando toda a cozinha. John começa a se levantar no quarto e, sem muitas opções, a policial pega uma faca na mesa. Ela corre até a porta, mas ela está trancada. John entra no cômodo e olha para a detetive com a faca. Seus olhos ficam injetados de fúria. Ele parte para cima dela, tentando agarrar seu pescoço, mas ela é rápida e faz um corte profundo com a faca no braço do assassino.

— Parado aí, seu maníaco desgraçado! Eu sou da polícia!

BOOM

A porta da cozinha se escancara em meio a uma pequena explosão e muita fumaça. Montoya olha para a porta, tentando ver alguma coisa. John percebe a distração da policial e parte para cima dela, dando-lhe um soco e fazendo-a cair no assoalho da cozinha, a faca caída perto da mão inerte. A fumaça começa a se dissipar e John tenta tomar a faca, mas ao se abaixar, pequenos projéteis espetam seu corpo, todos ligados a fios finos. Sem que John veja, uma mão em meio à fumaça aperta um botão e uma descarga elétrica põe o assassino a nocaute, caído próximo a Montoya. A fumaça se dispersa, Oráculo se aproxima de Aames e o algema.

— Peguei você. — diz Oráculo, colocando as algemas.

Montoya começa acordar e vê tudo um pouco embaçado. Oráculo percebe o movimento da detetive e sai rápido da casa, voltando ao seu SUV e indo embora, poucos minutos antes de a polícia chegar à cabana. Os policiais entram na cabana e vêem Montoya sentada em uma cadeira, com alguns hematomas no rosto e o assassino de prostitutas caído aos seus pés.

— Parabéns, detetive. Pegou o cara mais procurado da cidade! — diz um dos policiais, colocando um cobertor sobre os ombros de Montoya.

— Pois é, peguei... — diz Montoya, um pouco aérea, tentando imaginar quem era a pequena figura embaçada que viu saindo da cabana.

Epílogo 1 — Departamento de polícia de Gotham

Preso o assassino de prostitutas!
Criminoso detido pela policial Renée Montoya


Bullock termina de ler a manchete no jornal e dá um abraço apertado na colega.

— Isso aí, garota! Pegou o pirado!

— Pára de apertar ela, Bullock. Assim não vai sobrar nada para os repórteres... — diz Allen, ao lado dos dois.

Bullock solta Montoya, e Allen dá um aperto de mão na parceira, seguido de um tímido "parabéns". O comissário Gordon sai de sua sala e vai em direção à detetive. Ele lhe dá um abraço e a acompanha até o lado de fora da delegacia. Lá, muitos repórteres se aglomeram tentando tirar uma foto da detetive heroína. Gordon e Montoya sobem em um pequeno púlpito montado nas escadarias da delegacia e começam a responder às perguntas. Mas apenas um pensamento passa pela mente da policial nesse momento:

"Quem explodiu aquela porta e algemou o assassino?"

Epílogo 2 — Torre do Relógio

— Pois é, Barb, o lado ruim do vigilantismo é que você dificilmente fica com as glórias e o reconhecimento. — diz Dinah, segurando o jornal.

— De qualquer forma, não fazemos isso pelo reconhecimento. — diz Bárbara, rindo e arrancando o jornal das mãos de Dinah.

— Bom, pelo menos os créditos ficaram para a Montoya. Ela mereceu.

Bárbara olha alguma coisa no jornal e fica muda. Dinah se aproxima e vê a nota.

Assassino de prostitutas é novo interno no Asilo Arkham


— Mais um, né...

— Pois é. Mais um que vai ficar trancafiado sem um tratamento decente. Jeremiah Arkham não sabe dirigir aquele sanatório.

— Não fica assim. Ele vai ficar bem longe do Corin... nossa! Que vento gelado! — diz Dinah.

— Deve ser a jane... mas eu não deixei a janela aberta!

— O que...?

Bárbara fica estática, Dinah, na cozinha, também fica imóvel, segurando uma xícara nas mãos. Enfim, Bárbara fala:

— ...pode entrar. Eu sei que é você.

Das sombras da janela, Batman surge. Ele caminha até Oráculo e coloca uma mão sobre seu ombro.

— Bom trabalho... vocês duas. — completa ele, olhando para Canário Negro, que deixa a xícara cair no chão — Espero que não tenham se ferido...

Canário se abaixa para recolher os cacos. Oráculo sente o peso da mão sair de seu ombro e se vira, mas encontra apenas a janela, fechada, as cortinas parcialmente abertas.

— Nossa! — diz Dinah — Isso foi... intenso.

— Ele é sempre assim. Ainda descubro como ele faz isso...

— Bom, pelo menos nós conseguimos o melhor elogio dele!

As duas riem juntas e se abraçam. Conseguiram livrar Gotham City de mais um criminoso.


:: Notas do Autor

(*) Na edição anterior. voltar ao texto

(**) Canário torceu o pé pela primeira vez em Birds of Prey # 01. voltar ao texto

(***) SUV significa "Sport Utility Vehicle". O de Oráculo é especialmente adaptado para deficientes físicos. voltar ao texto



 
[ topo ]
 
Todos os nomes, conceitos e personagens são © e ® de seus proprietários. Todo o resto é propriedade hyperfan.