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Birds of Prey # 05

Por Igor Appolinário

A Gata e a Jóia
Parte II

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Glow Industries – Gotham

Um vulto passa pelas câmeras de vigilância da sala de segurança da Glow Industries. Os guardas de segurança saem agitados da sala e vão até os jardins externos, atrás do intruso. Um homem vestindo um colante negro e, acrescentariam os guardas que afirmam tê-lo visto, com detalhes azuis corre pelo pequeno gramado na lateral do prédio. À distância os guardas atiram no alvo móvel, não conseguindo nada mais do que buracos no caro revestimento do prédio.

— Droga! O sr. Glow vai descontar isso do meu salário! – pragueja o chefe de segurança, correndo atrás do estranho até dentro do saguão principal do prédio.

O homem corre para dentro de uma sala, logo atrás o chefe e os outros seguranças.

— Seus idiotas! Os melhores agentes das agências de segurança de Gotham City e nem conseguem pegar um único homem!!!

— Mas senhor, eu acho que eu acertei um tiro...

— Então onde está o cadáver, Wachowski? Eu não vejo nem sangue!!!

— Mas senhor...

— Calado!

— Sim, senhor...

Os homens entram na sala, mas ela está vazia. Todos os seguranças procuram nos cantos e armários da sala. O chefe olha pela outra única saída da sala, mas ela dá em um local fechado, impossível de se sair.

— Não encontramos nada, senhor.

— Seus inúteis! Vamos para a sala de segurança ver o que nos dizem os equipamentos. Eles são mais confiáveis que vocês!

Eles saem da sala cabisbaixo, atrás do furioso chefe de segurança. Observando tudo por trás das grades do duto de ventilação, dois olhos mascarados quase que suspiram de alívio. O homem dentro do duto aciona algo no pulso de seu uniforme.

— Ai! Babs, pode me ouvir?

Sim, alto e claro. – diz a voz eletronicamente modificada – Está dentro? Você se machucou?

— Acho que um tiro de raspão, mas consegui entrar, foi até fácil. Na verdade, acho até que foi decepcionante.

Pode deixar que da próxima vez que pedir um favor eu arranjo algo bem perigoso. E obrigada, Dick...

— De nada, Babs. Você sabe que eu faço qualquer coisa por você...

Galpão 135 – Uma semana depois

Se Bárbara Gordon tivesse nascido na Idade Média com certeza ela poderia ganhar a vida como torturadora ou carrasco, pelo menos essa é a opinião da Mulher-Gato, após uma semana de exaustivos treinamentos. Ela e Canário Negro não agüentam nem mais olhar para os equipamentos e planos traçados por Oráculo.

Pois é, meninas, acho que conseguimos. – diz a voz de Oráculo pelos alto-falantes.

— Ainda bem. Lesões por esforço repetido não estão no meu contrato.

— Quieta, Gata. – diz Dinah – Oráculo, o baile é amanhã. Como estão os equipamentos?

Não se preocupem com isso. O equipamento estará exatamente onde combinamos.

— Então, oxigenada, acho que é hora de ficarmos lindas. Pelo menos eu...

— Eu te mato...

A caminho...

Uma bela limusine negra cruza as ruas de Gotham City, o motorista a guia até o centro da cidade, seguindo até o glamuroso prédio da Glow Industries. Ela corre pela rua principal, mas de repente com uma guinada, a limusine entra em um beco, onde um carro semelhante espera.

O motorista do carro estacionado sai e abre a porta. Do primeiro carro duas mulheres descem e entram no outro, onde estão duas jovens desmaiadas. Elas pegam as bolsas das mulheres e entregam um envelope para o motorista, nele impresso o rosto virtual de Oráculo.

Glow Industries

Se Nathaniel Glow não fosse incrivelmente rico com certeza as dezenas de vizinhos estariam agora na porta de seu império, reclamando do estridente barulho provocado pela festa de seu aniversário. Se...

A bela limusine pára na entrada do grande prédio de Glow, dela Dinah e Selina saem exuberantes. Canário Negro com um vestido azul frente-única e bem decotado vai à frente subindo as escadas, seguida pela Mulher-Gato, com um vestido vermelho tomara-que-caia. Na porta elas apresentam os convites roubados e entram no magnífico saguão.

— Será que eu consigo agarrar um ricaço aqui? – diz Selina observando os outros convidados – Acho que vi Bruce Wayne ali...

— Não viemos aqui pra você melhorar de vida. – diz Dinah, puxando Selina para o lado – Vamos!

Elas caminham até outro lado da sala, se misturando aos convidados da festa. Tentando ao máximo parecer fazer parte daquela sociedade.

Nathaniel Glow com certeza foi um belo homem quando jovem, pois atualmente é o que poderíamos chamar de um "senhor charmoso". Seu aniversário de 76 anos é uma ocasião para comemorar. Não pela longevidade alcançada, ou pela prosperidade dos negócios, mas sim pelo objetivo cumprido. A Estrela D'Alva era finalmente sua!

Glow dá o laço na gravata borboleta, termina de se vestir e se olha no grande espelho do corredor. Depois se vira para o seu segurança pessoal, parado obedientemente ao lado e pergunta:

— Então, Johnson, como estou?

— Muito bem, senhor.

— Vocês, venham cá! – grita Glow para os outros seguranças mais à frente no corredor.

Todos os seguranças se reúnem em uma fila, com Johnson na ponta. Glow caminha por eles, como um sargento em vistoria a seus soldados.

— Creio que não devo me repetir, então marquem bem minhas palavras – começa Glow – Meu bem precioso se encontra naquele escritório. Hoje eu quero ter uma noite magnífica, sem nenhuma preocupação. Se alguma coisa acontecer com a Estrela, suas insignificantes vidas estarão em minhas mãos. Johnson?

— Sim, senhor?

— Johnson, espero que o incidente da semana passada não se repita. O tal intruso aparentemente não levou nada, mas se ele tivesse se aproximado de minha jóia aquele chefe de segurança seria um homem morto!

— Ele foi devidamente punido por sua incompetência, senhor.

— Sim, eu sei. Só mais uma coisa, Johnson, a segurança do dia de hoje é de sua total responsabilidade. Não me desaponte rapaz.

— Sim, senhor... digo, não, senhor. Não desapontarei.

No grande saguão da Glow Industries, uma banda imensa toca sucessos do passado e homens, mulheres e casais dançam animadamente em um espaço devidamente preparado. Um dos seguranças se aproxima do maestro da banda e cochicha algo em seu ouvido. Contrariado, mas obediente, o homem faz um sinal para os músicos que param de tocar imediatamente.

"Empáfia!" – pensa o maestro, irritado.

Nathaniel Glow desce as escadas exuberantes de seu saguão, flash estouram e palmas eclodem em um turbilhão de sons e luzes. Após atingir o piso central, o milionário cumprimenta todos os seus convidados, ilustres ou não, conhecidos ou não. Selina não perde a oportunidade e se aproxima do ricaço, com Dinah na sua cola.

— Olá, sr. Glow. É um prazer conhecê-lo. – diz Selina, sedutoramente estendendo a mão para ele.

— Olá, é sempre um prazer conhecer uma bela dama. – Ele beija a mão estendida – Supondo que nunca nos encontramos antes...

— Creio que não. – diz Dinah, que também tem a mão beijada – Sou Diva Lawrence, e esta é minha sócia Se...

— Selma Kennedy. Sem nenhuma ligação com o presidente, é claro. – acrescenta Selina com um sorrisinho – Temos uma seguradora e quem sabe poderíamos tomar um drinque e falar de 'negócios"...

— Acho que não. – corta Dinah – Eu tenho alguns detalhes que discutir com minha sócia. Se o senhor nos permite...

— À vontade. – diz Glow, beijando as mãos das moças e saindo discretamente.

— Você ficou louca? "Tomar um drinque"? Quer estragar o plano?!?

— Calma aí, canarinho. Você precisa de um calmante e eu de um ricaço.

Ahhh! Você me enlouquece! Vamos logo fazer o que viemos pra fazer.

Elas se separam, mas convergem para o mesmo lugar: um ponto pouco vigiado próximo à cozinha improvisada em um dos lados do saguão. Elas se aproximam e disfarçam, esperando um momento para entrar na sala. Entre uma música e outra, os convidados aplaudem a banda, todos eles virados para o palco. Dinah e Selina entram em uma sala praticamente vazia, apenas uma mesa ao canto. Elas arrastam o móvel para o meio do local e sobem, entrando, com dificuldade, em um duto de ventilação.

— Droga! Meu vestido ficou preso!

— Não é hora para se preocupar com isso, é só dar um puxão. Olha achei as sacolas com equipamentos.

Elas se arrastam pelos dutos em direção ao primeiro andar do prédio. Com um chute, Dinah quebra a grande do duto e elas descem, já devidamente uniformizadas como Canário Negro e Mulher-Gato.

— Oráculo, estamos dentro. – diz Canário pelo comunicador. Ela vai até o elevador e conecta um aparelho na caixa dos botões.

Só um minuto, Canário. Já consegui entrar nos sistemas do elevador, logo ele estará aí.

De repente o apito típico dos elevadores toca e as portas prateadas se abrem sem produzi nenhum ruído. Dinah pega o aparelho e entra no elevador, seguida pela Mulher-Gato. Mais uma vez, Canário conecta o pequeno mecanismo aos componentes do elevador e, novamente, Oráculo lhe garante acesso à área mais segura do prédio: o último andar, a sala de Nathaniel Glow.

Alguns seguranças estão reunidos no último andar, a mando de Johnson, para proteger o escritório de Glow. Cansados de ficar ouvindo a música da festa abaixo, eles providenciam sua própria comemoração. Todos eles conversam animadamente enquanto jogam baralho, esperando que algo extraordinário aconteça, mesmo tendo certeza que isso é quase impossível. Quase...

O apito característico do elevador toca e todos os seguranças se botam de pé prontamente, talvez esperando que Johnson, ou o próprio senhor Glow, apareça pelas portas prateadas. E realmente esperaram, alguns bons segundos, mas quando ninguém surgiu, eles rapidamente foram investigar. Deets, o mais novo no emprego, foi na frente e entrou no elevador, os outros seguranças esperaram do lado de fora, alguns passos distantes das portas.

— Mas que diabos é isso? – pergunta Deets vendo a pequena porta de serviço no teto do elevador aberta. Mas antes que os outros se aproximassem para ver, Canário Negro cai por cima dele. Os seguranças do lado de fora pegam suas armas e começam a atirar, mas as portas já estão fechadas e não conseguem atingir nada.

Selina surge pelo corredor, tira o chicote da bota e, antes que os homens tenham alguma reação, tira as armas das mãos deles. Os seguranças cercam a Mulher-Gato, que não parece nem um pouco preocupada. O elevador apita e Canário sai de dento dele, carregando Deets inconsciente.

— Finalmente apareceu para a festa! – diz a Mulher-Gato.

Canário Negro tem uma pistola na mão. Os seguranças olham para a vigilante, esperando o próximo movimento. Ela atinge um deles em cheio, com uma rápida coronhada, que cai inconsciente no chão. Selina e Dinah partem pra briga, os homens tentam atacá-las, mas elas são mais rápidas e derrubam todos eles.

— Fácil. – diz Selina, chutando um dos homens inconscientes.

— Nem tanto. – diz Dinah, apertando o punho machucado.

Canário e Mulher-Gato vão até as portas corrediças do escritório de Glow. Cada uma delas abre um lado, descortinando a sala escura. Dinah pega algo em seu uniforme e faz rolar pelo chão, até bater na mesa do outro lado. O pequeno disco de metal solta uma fumaça rala e esbranquiçada que revela todos os raios entrecruzados dos alarmes. Selina lança seu chicote no lustre da sala e passa por cima dos raios infravermelhos, caindo em cima da mesa. Ela tenta alcança o livro na estante ao lado, mas a mesa é muito distante.

— OK, já que é assim...

Mulher-Gato estica a perna e com a ponta do pé empurra um dos livros para frente. Toda a estante se move, revelando um cofre. Canário joga o dispositivo para Selina e ela acopla-o no cofre.

— Pode fazer sua mágica, O. – diz Dinah.

Bem, é só um passe aqui...

Os sistemas de segurança são desligados. Os raios desaparecem.

...e outro ali. E voílá!

O cofre se abre lentamente e de dentro dele Mulher-Gato tira um caixa de ouro. Dinah se aproxima e observa, enquanto Selina abre a caixa. Dentro dela a Estrela D'Alva.

— Ela é linda – diz Dinah, maravilhada.

— É, eu sei.

— Hã?

— Quer dizer, que tal irmos logo?

Os seguranças continuam caídos no chão do corredor, muito machucados e definitivamente inconscientes. Um dos rádios começa a chiar e uma voz tenta chamar os desmaiados.

zzzz... estão aí? ...zzz... ond.... estãozzz??? zzzzdrogazzzz!!!! ...refoços... zzzzreforçoszzzz...

Mulher-Gato e Canário Negro voltam ao elevador, mas ele não se encontra lá. Canário coloca um mecanismo na porta, que a força para os lados. Dinah pega o chicote, agarra Selina e descem pelos cabos do elevador. No primeiro andar, elas voltam pelos dutos de ventilação até o saguão.

— Tira o pé daí!

— Pára de puxar minha perna!

Elas caem na mesa e colocam os vestidos, o de Selina um pouco rasgado na barra. Elas voltam ao salão e se misturam aos convidados novamente.

— Deixa pelo menos eu me despedir do Bruce.

— Tá bom, mas rápido, daqui a pouco esse lugar vai ficar uma loucura.

Ela se afasta. Dinah vai até a entrada e fica esperando. Alguns minutos depois, Selina surge com um grande sorriso no rosto.

— Pelo jeito, Bruce foi bem receptivo com você.

— Bem, nós já tivemos nossa história.

Elas saem do saguão e descem as grandes escadas de mármore, lá embaixo a limusine de Oráculo as espera. Dinah e Selina entram e quando a limusine deixa a propriedade, elas ficam aliviadas.

— Bem que eu gostaria de ver a cara do Glow, quando ele descobrir.

— Eu não. Mas, Selina, me diz uma coisa: foi você que roubou a jóia de Pritchatt, não foi?

— Bom, digamos que uma gata tem que comprar sua sardinha...

— Sei...

Do alto da escada do saguão, Glow observa os casais dançando a nova melodia tocada pela banda. Johnson está logo atrás dele, sério e compenetrado.

"O que terá acontecido com aqueles idiotas lá em cima?"

Um dos seguranças, com um evidente olho roxo, se aproxima de Johnson, tremendo.

— Senhor, tenho que lhe falar...

— Diga logo, Deets, tenho que ficar alerta, não posso me distrair.

— Bem, senhor, é que o escritório do sr. Glow foi invadido...

O quê?!? – grita Johnson tão alto que a banda pára de tocar.

— O que houve, Johnson? – pergunta Glow irritado.

— O seu escritório foi invadido, senhor...

O quê!?! – grita Glow, agarrando Deets pelo colarinho – Como vocês...? Como isso pode...? O que aconteceu!?

— Duas mulheres, quebraram a segurança e depois teve um luta... não me lembro bem, senhor. Minha cabeça dói...

— Você tem sorte de ainda ter cabeça, rapaz. Johnson!!

— Sim, senhor?

— Tirem todos daqui, a festa acabou!!! E reviste cada um deles, homens e mulheres!

— Sim, senhor!

Glow sobe as escadas, furioso. Johnson e os outros seguranças começam a levar as pessoas para fora do saguão e revistando cada uma na saída. Para a indignação de todos.

Epílogo 1 — Torre do Relógio

— Então como ficou a troca da jóia? Você fez algum acordo com ele?

— Claro. – diz Bárbara tomando uma xícara de chá – Eu devolvi a pedra, contanto que ele a declarasse em seu imposto de renda. Ele sabe que eu estarei de olho. E você? Deu a pasta pra Mulher-Gato?

— Sim, mas eu gostaria de saber o que tinha dentro...

Babs ri, imaginando a surpresa da Mulher-Gato. Dinah fica perplexa com a reação da amiga.

Epílogo 2 – Em algum lugar de Gotham

Selina Kyle entra em seu apartamento carregando uma pasta. Seus diversos gatos vêm saudá-la. Ela pega algumas latas de atum no armário e dá para eles, que rapidamente devoram os peixes.

— Interesseiros. – diz ela e abraça a pasta – Como a mamãe aqui.

Selina senta na cama e abre a pasta. Dentro dela apenas um pequeno bilhete.

— Mas onde está o meu dinheiro? – ela lê o bilhete – Ah!

Selina ri e pega a bolsa que usou no dia da festa, dela ela tira muitos colares, anéis e brincos. Todos incrustados com jóias e muito ouro.

Ladrão que rouba ladrão...
Sei que você aproveitou a festa.
Ass.: Oráculo



 
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