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Birds of Prey # 09

Por Igor Appolinário

April Fools' in Love (*)
Parte II

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Torre do Relógio — Gotham City

— Decepcionante.

— Ora, Babs, faz apenas duas semanas que ela está tratando dele (**). O que você queria ? "Cura imediata ou seu dinheiro de volta"?

— Não é isso, Dinah! Ela não teve progresso nenhum e aparentemente ele está tendo progresso na mente dela. Veja nos registros das sessões, ela o liberou do divã logo na segunda consulta!

— Dê um voto de confiança à mulher; talvez ela só esteja tentando contornar a resistência dele.

— É, pode ser. Só espero que não seja o contrário.

Sultanu's Plaza — zona sul de Gotham

"Meu Deus! Esse lugar é um labirinto!"

Harleen Quinzel analisa dezenas de plantas do asilo Arkham, habilidosamente roubadas da sala do diretor. Todas elas estão abertas sobre a mesa do escritório de Quinzel, em seu apartamento. Corredores, sistema de alarmes e até passagens secretas estão detalhadamente descritas.

"Mas não tem problema, esse mapas são mais do que o necessário para que meu plano saia perfeito."

Aeroporto de Gotham City

Desembarque do vôo 108: Nova York — Gotham, com chegada prevista para as 09:40, no portão 12-A... Desembarque no portão 12-A...

Bárbara Gordon escuta atentamente os anúncios de desembarque no Aeroporto e se dirige ao portão 12-A, esperando a chegada de um ilustre convidado, o professor Marcus Oebius.

— Marcus! Marcus! Aqui!

— Você veio! Estou surpreso que você conseguiu se desvencilhar de seus compromissos tão importantes...

— Você acha que eu deixaria você aqui, perdido em Gotham?

— Bom, você é tão cheia de mistérios... Mas aonde vamos agora?

— Vou levar você para um passeio pela cidade. Gotham tem uma arquitetura interessantíssima...

— Meu Deus, você é incansável!

— Você é que está fora de forma! — diz Dinah Lance diminuindo o passo e esperando que John Perkis, seu novo namorado, a alcance — Vamos. Podemos nos sentar sob aquela árvore.

— Dinah, você deveria correr uma maratona! Sério...

— Você é muito mole, mas ainda assim eu te ponho em forma...

Dinah e John se beijam carinhosamente, os lábios se tocando com leveza, as línguas dançando dentro das bocas. Dinah recosta a cabeça no ombro de John e ambos observam os outros atletas pelo parque.

— Sabe.. eu ainda não sei com o quê você trabalha...

— Eu... bem... eu faço... — Dinah fica perdida tentando encontrar uma resposta. Ela não pode revelar que é uma vigilante que caça os bandidos pelas ruas noturnas. O que mais ela faz que... — Eu sou florista. — responde Dinah lembrando-se de sua nova loja — Na verdade, eu estou abrindo uma loja no centro.

— Legal. Bom, nem tanto assim. Agora eu sei que não posso lhe enviar flores!

Sala de treinamento virtual — Torre do Relógio

Cassandra Cain olha fixamente para o homem do outro lado da caverna. Seus olhos podem ver cada músculo tensionado, cada veia saltada em cada membro, prevendo assim o próximo movimento do oponente.

O homem salta por sobre a cabeça da mulher, querendo ir atrás da inimiga, mas Cassandra é mais rápida e, antes mesmo que ele tivesse imaginado o golpe, ela já sabia o que fazer. Seu pulso fechado atinge o homem na região do baixo ventre e ele cai inerte no chão. Sirenes e luzes vermelhas começam a tocar e um enorme letreiro digital aparece sobre o corpo do inimigo, sinalizando sua morte. Cassandra bufa irritada e caminha até uma peculiar abertura na parede da caverna, muito semelhante a uma porta. Ela aperta um botão ao lado dela e a voz de Oráculo preenche o ambiente:

Programa de treinamento número 342 reiniciando. Por favor, tome o seu lugar na arena escolhida.

Cass volta emburrada para o meio da caverna e seu oponente virtual ressurge do outro lado, eles se cumprimentam e assumem posição de combate. Cass olha fixamente para o inimigo, cada músculo tensionado, cada veia saltada...

— Você é muito romântico...

— Só com quem merece. E você certamente merece...

— Mas você não precisava me trazer no restaurante mais caro da cidade, realmente não precisava...

— Bárbara, para você só o melhor...

Marcus e Bárbara jantam em um finíssimo restaurante, o assunto sempre pairando no nível das amenidades, como simples amigos conversando. Após o termino da refeição, eles saem do restaurante, sem destino. Babs faz menção de chamar um táxi, mas Marcus é mais rápido e faz um sinal para um cocheiro, parado do outro lado da rua. Ele ajuda Babs a subir na carruagem e os dois partem para um passeio romântico sob o luar de Gotham City

— Eu estou muito feliz. — diz Bárbara, sonhadora — Mas só falta uma coisa para essa ser a noite perfeita...

— O quê?

Bárbara se inclina para Oebius e eles se beijam apaixonadamente. O cocheiro, mesmo estando acostumado, parece profundamente encabulado...

Torre do Relógio

— Ele é maravilhoso!!! — dizem Babs e Dinah quase em uníssono, enquanto Cass escuta toda a conversa fascinada.

— Ontem nós fomos ao restaurante mais chique da cidade...

— Ele é tão atencioso, quer saber tudo sobre mim...

— ...ele é tão romântico, nós andamos de carruagem e...

— ...ele é tão interessante, sempre tem assunto, conhece de tudo...

— ...super inteligente, é tão seguro sobre o que fala, pesquisa coisas muito importantes...

— Esperem! — diz Cassandra, confusa. As duas mulheres param de falar e só então percebem o olhar espantado da jovem e começam a rir.

Algum lugar em Gotham

"Que tipo de homem freqüenta um lugar desses?" — se pergunta Harleen Quinzel, parada diante do bar O Trevo Feliz enquanto decide se entra ou não. Ela toma sua decisão e abre a porta do lugar, sendo atingida em cheio por uma mistura de odores nada agradáveis. A cerveja azeda, a fumaça dos cigarros e charutos e o ácido-rançoso do vômito impregnado no chão formam um buquê respeitável. Escondendo o nariz com a providencial echarpe usada para esconder sua identidade, Harleen caminha até o balcão, onde o barman limpa uma grande caneca com um pano quase tão sujo quanto o chão.

— C-com l-licença, o-onde p-posso e-encontrar Wexley Wilkins??

— Ih, dona, chegou tarde. Os gambé já pegaro ele. Ele tava te devendo alguma coisa?

— Na verdade, ele era parceiro de um... amigo...

Harleen sai do bar e começa a percorrer todos os becos e travessas atrás de antigos capangas do Coringa, que talvez ainda gostariam de cooperar com o antigo "patrão"...

"Desculpa, moça, mas aquele cara é um maluco..."; "Eu não ando mais com assassinos psicóticos, me entreguei a Jesus..."; "O quê? O Coringa? Aaaaahhh!!!!!". Depois de dezenas de respostas parecidas, algumas mais efusivas que outras (Harleen sendo jogada por uma porta aberta, por exemplo), Quinzel consegue reunir um grupo pequeno, mas suficiente para que seu plano dê certo

— Bem, homens, este é o plano... — começa Harleen a falar para o grupo, alguns dos criminosos estranhamente alienados, pronta para armar sua cartada final.

Torre do Relógio — dia 1º de abril

— Bárbara!! Bárbara!!

Dinah corre para dentro da sala dos computadores com Cassandra nos braços, desacordada.

— Meu Deus! O que houve, Dinah? O que aconteceu...?

— Bem, é que...

— Buu!!! — Cassandra se levanta de repente e faz Bárbara ter um sobressalto. Ela e Dinah começam a rir, mas Oráculo parece muito nervosa.

— Ah, Babs, admita que foi engraçado. Se você tivesse visto sua cara...

— Isso não se faz, Dinah! Eu quase morri do coração! Foi a coisa mais sem graça que você já fez!

— Ah, é? E naquele 1º de Abril que você me disse que o Oliver tinha matado o Hal por acidente? Aquilo sim foi muito irresponsável...

— Sei, sei. Mas não pense que isso não vai ter volta...

Arkham — 1º de abril

Uma figura esguia percorre os corredores sombrios do asilo, evitando as câmeras de segurança e o caminho dos turnos dos guardas. Como uma sombra, ela segue seu caminho e consegue se aproximar do quadro onde estão as travas eletrônicas das celas dos criminosos mais perigosos.

"Bem, chegou a hora. Espero que isso funcione." — pensa Quinzel, olhando para o detonador disfarçado de caneta. Ela pressiona o botão e um estrondo magnífico se espalha pelas paredes antigas do asilo. Tiros vindos dos patamares inferiores informam a mulher de que a bomba previamente plantada abriu o caminho para os capangas, que agora criam um alvoroço.

"Agora é só abrir essa coisa." — Harleen abre as celas e os criminosos saem de seus casulos para a liberdade, criando o pandemônio desejado. Enquanto corre para a cela do Coringa, Harleen escuta os gritos daqueles que são pegos no caminhos dos perigosos detentos do Arkham, supervilões ou malucos comuns. Ela atravessa rapidamente um corredor quando, de repente, um porta explode com a força de um galho que se move ferozmente. Quinzel passa pela porta, sentindo a estranha sensação de estar sendo vigiada e chega a seu objetivo, encontrando o maníaco deitado em sua cama, a baba escorrendo de sua boca.

— Não se preocupe, senhor Coringa. Esse antídoto vai cortar o efeito do dopante que lhe deram.

Quinzel aplica um injeção no Coringa e eles saem juntos da cela, a mulher ajudando-o a caminhar. Durante o trajeto até a saída alguns dos capangas, que escaparam dos seguranças, se juntam a eles e todos conseguem fugir do inferno que se transformou o asilo Arkham.

— Dinah! Temos uma emergência!

— O que houve, Babs?

— Ocorreu uma fuga em massa no Arkham! Todos os criminosos perigosos escaparam da cela e aparentemente um grupo armado libertou os pacientes de menor periculosidade...

— Ah! Pára com isso, Bárbara! Você ainda está nervosa com aquela brincadeira? Eu não vou cair nessa!

— Você acha que é uma brincadeira?!?! Veja por si mesma!

Oráculo ativa um dos seus monitores e mostra para Canário Negro um vídeo de segurança do asilo. Criminosos e seguranças em um embate terrível, pela vida e pela liberdade. Dinah olha as imagens boquiaberta e não consegue acreditar no inferno que está vendo.

— A polícia foi chamada para conter a rebelião, mas já se sabe que os "grandões" já fugiram, inclusive ele...

— Oh! Babs, eu não sabia, me desculpe... eu estou indo agora mesmo para lá!

— Ótimo, Canário. Leve Cassandra com você, ela pode ser de grande ajuda nessa confusão...

Um dos capangas dirige loucamente pelas ruas de Gotham o furgão de fuga onde estão Harleen Quinzel e Coringa. De repente um fumaça escura começa a preencher o carro e o motor pifa sem aviso prévio. Harleen, Coringa e os capangas saem do carro e se vêem próximos ao parque Robinson. Ao longe o som de sirenes vai se tornando mais e mais claro...

Eles correm para dentro do parque deserto segundos antes de dezenas de carros de polícia passarem pela avenida. Eles continuam correndo dentro do parque e só param quando dão de cara com a parede de plantas do labirinto. Eles se sentam em um banco, mas Harleen leva o Coringa para longe deles e se recosta na sebe.

— Senhor Coringa, tudo bem com o senhor? Acho que os efeitos do calmante já passaram...

— Sempre correta, doutora Quinzel. Muito obrigado por ter me salvado daquele manicômio.

— "Doutora Quinzel"? O que aconteceu com "Arlequina"?

— Creio, doutora, que você já serviu a seu propósito. Perdão por isso...

BAM!

O Coringa dispara uma pistola, retirada sorrateiramente de um dos capangas, diretamente contra o estômago da doutora Quinzel, que olha espantada para seu algoz, com um misto de surpresa e raiva nos olhos. Seu corpo cai sobre a grama, ofegante. O criminoso deixa a arma cair ao lado e vai embora, se reunindo aos capangas.

— Olá, pessoal! O chefinho está de volta! Vamos embora, tenho um lugarzinho ótimo onde podemos ficar! Há! Há! Há!

Eles partem em direção à saída sul do parque. Quando o som de suas vozes desaparece na distância e o silêncio impera novamente sobre o ambiente, um leve ruído de passos começa a ser ouvido, como alguém pisando sobre a grama. Uma mão delicada, esverdeada como a clorofila, toca a testa da mulher caída no chão. Harleen geme e a mão se retira, mas então cipós começam a se enrolar em seu abdômen, erguendo-a do chão...

Arkham

Os policiais de Gotham tentam impedir que os pacientes do asilo saiam dos terrenos do local, mas devido a esse entrave eles não conseguem reunir contingente suficiente para entrar no prédio e terminar a rebelião interna. Enquanto eles impedem o afastamento daqueles que tentam fugir, Canário Negro e Cassandra estão do lado de dentro, combatendo os internos.

— Ah! Não vai, não! — grita Canário lançando uma cadeira contra um dos pacientes, que tentava correr para a saída — Você fica aqui até acabar o tratamento de choque!

— Volta. — diz Cassandra, lançando uma corda em outro paciente e o pendurando no teto.

Assim, elas vão derrubando um a um os pacientes, impedindo-os de fugir e, sempre que possível, prendendo-os novamente em suas celas. O conflito segue madrugada adentro, quando finalmente a polícia, com a ajuda secreta das vigilantes, consegue conter todos os pretensos fugitivos.

— Agora vamos embora, Cass. A única coisa que eu quero ver agora é a minha cama!

Parque Robinson

Uma das grandes paredes feitas de sebe que formam o labirinto no centro do parque se abre e uma mulher completamente esfarrapada sai do meio das plantas. Ela anda cambaleante, mas decidida, para fora do local e percorre as ruas de Gotham, com um objetivo claro em mente. Ela segue até o Sultanu's Plaza, prédio de apartamentos de classe média da cidade, e sobe suas escadarias sem dar atenção aos olhares espantados dos outros moradores.

— Ei, chefe! Tem certeza de que ninguém vem atrás da gente aqui?

— Não se preocupe, eu acertei tudo com a antiga moradora! Hahahaha!

Toc-Toc

— Quem bate?

— Sou eu...

Bum!

A porta voa pela sala, parando de encontro à parede. A silhueta de Arlequina recortada contra a luz do corredor.

— ..."pudinzinho"!


:: Notas do Autor

(*) Leia ouvindo: "Crazy In Love" — Beyoncé Knowles voltar ao texto

(**) Na edição anterior. voltar ao texto




 
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