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Birds of Prey # 10

Por Igor Appolinário

Uma mão esverdeada toca a testa da mulher loira deitada em uma cama de folhas. Ela geme e se vira sobre a folhagem, suas roupas rasgadas cobrindo frouxamente o corpo. O buraco no estômago, do tamanho de uma bala, está coberto por um emplastro vegetal.

— Você ficará bem, doutora. Foi necessária a administração de um dos meus ungüentos mais fortes, mas creio que o efeito colateral não será muito... evidente...

— Onde... estou... — diz a jovem, desorientada — Quem... oh! Você! Hera Venenosa...

— Não se preocupe, dra. Quinzel, eu não lhe farei mal. Na verdade, acabo de salvar-lhe a vida.

— Hum... eu... bem... obrigada. O que eu...

— Não há dívidas a pagar, você me libertou e eu já lhe prestei minha retribuição. Estamos quites. Acho que você já pode partir, eu não gosto de companhia animal e acredito que você gostaria de ir atrás de quem lhe fez isso...

— Ah, sim, ele vai me pagar por isso. — Harleen se levanta de súbito e Hera estende a mão, apontando a muralha de sebe ao lado que se abre majestosamente, dando passagem para a saída de Arlequina. (*)

O Jardim da Morte
Parte I

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Torre do Relógio — Gotham City

— Nada ainda e já faz semanas! Como eles podem desaparecer assim? (*)

— Eles têm muitos capangas fiéis, tão malucos quanto eles ou tão amedrontados, que sempre os ajudam a se esconder. Você já deveria estar acostumada com isso, Dinah.

— Eu não vou ficar calma até os malucos voltarem pras suas celas acolchoadas. E você parece bem calma mesmo sabendo que o Coringa também fugiu.

— Eu sei que o Batman vai pegá-lo, e ele vai apanhar muito, mas estou mais interessada em saber o paradeiro da dra. Quinzel. Ela não vai durar 15 minutos ao lado dele.

— Nem ela nem os outros habitantes de Gotham com Hera Venenosa, Duas-Caras, Sr. Frio e os outros criminosos à solta.

A porta se abre e a jovem Cassandra entra no aposento. Ela joga a mochila que carregava no ombro em um canto e atira um jornal meio amassado sobre a mesa de Oráculo. Babs e Dinah lêem a manchete da capa:

Mulher desaparece no Parque!
Dona-de-casa é a quinta pessoa a sumir nas imediações do parque Robinson
Mais informações na pág. 03

Escola elementar Robert Schreck — Gotham

— Errado, errado, errado... meu Deus, essa menina tem que ter acertado alguma coisa!

Helena Bertinelli olha desolada para a prova a sua frente. Ela fica imaginando se deve encaminhar a dona do teste para uma sala especial, mas depois de olhar para sua própria mesa, e ver um mar de notas vermelhas, ela decide que o problema não é a menina...

"Eu tenho sido um pouco dura com eles... eles não têm culpa..." — Helena olha pela janela e vê o céu escurecendo, a lua começa a aparecer. Helena se recorda da primeira vez que esteve na lua, a Liga da Justiça foi um sonho em sua vida, mas também com a LJA ela viveu seu pior pesadelo. Ser estraçalhada por uma fera extradimensional (**) nunca foi algo que ela imaginou fazer.

"Mas agora já estou curada..." — pensa ela com as mãos sobre o estômago. Quem sabe já não é a hora de voltar?

— Dinah, está me ouvindo?

Sim, Oráculo, alto e claro.

— Eu descobri alguns registros de um cadáver de indigente encontrado nas proximidades do parque...

Ele já foi enterrado?

— Não, acho que demos sorte, ele está no necrotério da cidade...

Necrotério municipal

— Não, nós nunca invadimos lojas de brinquedos e floriculturas. São sempre cartéis do crime, laboratórios clandestinos, necrotérios...

— Hunf! Vamos... logo...

— Tá bom. Tá bom.

Canário Negro e Cassandra estão no telhado do necrotério municipal, Canário tenta abrir a porta da escada que vai até o último andar. Ela mexe no trinco e Cassandra, impaciente, tenta ajudá-la, mas acaba por atrapalhar a vigilante veterana.

— Quer parar com isso!

— Com... licença...

Cassandra afasta Canário na porta e, com um golpe certeiro na fechadura, a abre.

— Pode... passar...

— Humm... eu poderia ter feito isso...

Dois homens se aproximam furtivamente de um carro. A rua vazia cria a oportunidade perfeita e eles começam a mexer no automóvel. Um deles força a porta do veículo, mas uma flecha certeira atinge sua mão. Ele cai no chão de dor enquanto o outro olha em volta, procurando a origem do disparo.

A Caçadora se satisfaz com a pontaria que continua perfeita. Outra seta parte da balestra da vigilante e atinge a parede oposta, uma corda se tensiona e Helena desce por ela até os homens. O assaltante-vigia parte para cima dela, pulando sobre o parceiro jogado no chão, tentando, sem jeito ou habilidade, atingir a cabeça da vigilante.

— Vocês nunca aprendem...

Caçadora pega o braço do assaltante e, usando a própria força dele, o joga para o alto, atinge-o no estômago e o faz aterrissar vários metros adiante, desacordado. Ela se aproxima do outro, que choraminga no chão, e agarra o cabo da flecha. O homem olha para ela, um silencioso pedido de misericórdia brilha em seus olhos, mas Helena ignora e torce a flecha, fazendo o homem desmaiar de dor. Ela amarra os bandidos, um todo roxo e o outro sangrando abundantemente, e os deixa para a polícia.

— Acho que é por aqui...

Dinah abre a porta final da escadaria e se encontra em um amplo corredor. As paredes lisas pintadas de verde dão a dica de que realmente se encontram no local correto. A intervalos, portas de aço cortam a continuidade da parede, todas elas muito parecidas e sem qualquer identificação.

— Oráculo... onde...?

OK, garotas, agora vocês estão em um labirinto de corredores. Sigam as minhas instruções e vocês vão chegar direto na sala do refrigerador...

— Tudo bem, pode mandar. Não tem ninguém nos corredores.

Canário Negro e Cassandra seguem as instruções de Oráculo, passando por diversos corredores, aberturas e muitas portas de aço. Parece para elas que não saíram do lugar, pois cada parte do prédio é muito semelhante à outra, mas a sensação cessa quando Bárbara anuncia que depois da próxima curva elas estarão de frente para o alvo.

— Bem, agora é só virarmos aqui e... droga! Um segurança!

Eu não imaginei que ele estivesse nesse andar logo agora...

— O que vamos fazer? Eu poderia... ei!

Cass se esgueira pelo corredor, seus passos inaudíveis. Ela se aproxima do segurança sorrateiramente e lhe aplica um golpe certeiro, fazendo-o cair nocauteado. Depois ela arrasta o corpo inconsciente para dentro de um armário de vassouras, para não despertar suspeitas. Dinah a puxa para um canto quando um homem usando um jaleco branco sai de dentro da sala que elas procuravam.

— Bom, vamos. — diz Canário, entrando na sala do refrigerador — Agora precisamos encontrar o corpo, mas isso é fácil...

— Fácil... — resmunga Cass, ao ver o grande refrigerador com dezenas de gavetas.

Parque Robinson

Jack Dawson nunca teve uma vida feliz. Mesmo quando era criança, os prazeres simples da vida lhe eram negados pela madrasta carrasca e pelo pai beberrão. Quando veio a maioridade, e a subseqüente rebeldia, Jack deixou a vida infeliz para trás, ou pelo menos assim imaginou. Mesmo morando nas ruas ele almejava iniciar seu próprio negócio, mas o tempo e a falta de recursos acabaram por minar seus sonhos. E hoje ele procura um abrigo quente entre as moitas e sebes no parque Robinson, longe dos outros desabrigados que também procuram um canto por lá.

— Acho que aqui está bom. — diz ele, se recostando contra a sebe, ficando próximo a um pequeno buraco. Do orifício em meio às plantas começam a sair estranhos ruídos, atiçando a curiosidade de Jack. Ele alarga o orifício e passa para o outro lado da sebe — O que será isso...?

O silêncio impera no parque, mas, de repente, do labirinto vem um grito de horror, sufocado em meio a sua desesperada tentativa de pedir ajuda. Próximo ao buraco, o som de ossos quebrando e carne sendo rasgada deixaria qualquer um enlouquecido. Uma bota velha cai para fora da sebe e uma mão esverdeada surge pelo buraco, uma mão delicada que com um gesto leve e rápido faz a sebe se restaurar por completo.

Telhados de Gotham

A Caçadora se balança entre os prédios da cidade. Sentir o vento nos cabelos e a adrenalina de se encontrar vários metros acima do chão faz seus nervos estrilarem de emoção. Ela se apóia em um parapeito, ao lado de uma gárgula sorridente, e observa a cidade noturna toda iluminada.

— Ah! Como eu senti falta dis... o quê? — Helena olha para o prédio mais próximo e vê que a porta da escada está escancarada, a fechadura reluzindo no chão — Alguém está assaltando o necrotério?

A Caçadora desce até o prédio arrombado e desce as escadarias. Ela percorre cautelosamente o labirinto de corredores até que encontra uma porta entreaberta, o segurança caído em um armário de vassouras. Helena escuta vozes na sala mais próxima e se encosta à porta para ouvir melhor.

— Continue procurando, deve estar em uma dessas de baixo...

Pamela Isley, a ecoterrorista mais conhecida como Hera Venenosa, se aproxima de um grande tanque de um reservatório de água. Consigo ela traz um vidro com um líquido verde, o qual ela despeja na água cristalina do tanque. Em um painel de controle ela pressiona um botão e se afasta.

Em outra parte do parque, as pessoas caminham e correm calmamente, praticando seus exercícios diários. De repente, os irrigadores, que deveriam ser ligados apenas depois do fechamento do parque, começam a funcionar, molhando plantas e pessoas.

— Droga! Acabei de fazer permanente...

Subitamente, as plantas atingidas pela mistura química de Hera Venenosa começam a crescer acima das expectativas e incrivelmente rápido, e começam a chicotear e prender as pessoas que se encontram mais próximas. Todos começam a correr para fora do parque, desesperados pelo ataque vegetal inesperado. Quando tudo fica vazio, as plantas se acalmam e samambaias extraordinariamente fortes fecham os portões do parque Robinson.

— Meu, finalmente...

— Essa é a última da fila. — diz Canário, puxando, com a ajuda de Cassandra, outra gaveta — Ei, acho que é isso!

Elas puxam a gaveta para fora e vêem um grande saco preto no local onde deveria estar o corpo. Canário está a ponto de abrir o zíper do saco, mas Caçadora entra na sala, a balestra em punho:

— Parem vocês duas!

— Droga, Caçadora, o que você está fazendo aqui?!

— Calada! Não é só por que você é da turminha dele que eu vou deixar que invada um prédio público. Ainda mais um necrotério! O que vocês querem aqui?

— Isso não é da sua conta, Helena. Essa é uma missão para a Oráculo...

— Ah, ela! Tenho certeza de que ela está nos ouvindo agora, pois então dê adeus, vocês duas vão para a cadeia... o quê?!?!

Aproveitando a distração da Caçadora, Cassandra se aproxima da vigilante e a desarma, fazendo a balestra cair alguns metros mais ao lado de Helena.

— Vá... embora...

— Eu não recebo ordens suas, de ninguém. Vou ficar aqui até que me digam o que estão fazendo!

Dinah, acho que ela pode ser útil... — diz Oráculo, pelo comunicador.

— Essa sociopata?! Você tem certeza...? OK... você pode ficar, Oráculo acha que você pode ajudar.

— Você não diz se eu fico ou não. Depois de ver o que vocês tanto procuram, eu decido se fico.

Cassandra abre o grande saco preto sobre a gaveta, um cheiro pestilento preenche a sala, atacando as narinas das mulheres. Dinah quase vomita e Helena fica tonta com o odor moribundo. Cass se limita a pegar uma câmera fotográfica, e começa a registrar o cadáver.

— Mas isso são apenas ossos e restos de pele...

— Músculos dilacerados e alguns tecidos de órgãos...

Canário Negro pega um pequeno pote de vidro e retira algumas amostras dos tecidos do cadáver, guardando-os para que Oráculo possa analisá-los. Quando todo o trabalho está terminado, as três mulheres se dirigem para a Torre.


Continua...


:: Notas do Autor

(*) Veja a fuga dos pacientes do Asilo Arkham na edição anterior. voltar ao texto

(**) Relembre o triste destino de Helena nas garras dos N'Garai em LJA # 02. voltar ao texto




 
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