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Birds of Prey # 11

Por Igor Appolinário

O Jardim da Morte
Parte II

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Torre do Relógio — Gotham City

— Os meus computadores fizeram a analise dos tecidos (*) e certificaram a presença de muitos compostos vegetais. Em todas as amostras. Analisando o DNA residual dos compostos, chegou-se a um único espécime, uma rara planta carnívora da Polinésia... é aí que tudo complica...

— Bem, com certeza, pois, que eu saiba, plantas carnívoras não tem tamanho suficiente para comer gente!

— Eu sei, esse é o problema! E ainda tem a questão de como essa planta chegou aqui...

— Vocês não estão vendo o lógico na sua frente. Eu sei quem está por trás dessa coisa...

Cassandra está sentada no sofá da sala de estar da Torre, entediada. Sempre que Canário e Oráculo querem discutir problemas sobre supercriminosos, ela é retirada da sala. Dizem que ela ainda não está pronta para eles. Cass bate o pé no controle da TV e ela se liga, desenhos começam a passar na tela. A jovem vigilante assiste ao programa infantil apenas com parte de sua atenção, mas quando a transmissão é interrompida por um flash ao vivo de reportagem, ela gruda na televisão.

— ...no parque Robinson, onde inesperadamente as plantas começaram a atacar os visitantes e atletas. As autoridades afirmam que o ataque foi causado pelo ecoterrorista Hera Venenosa, que fugiu do Arkham há algumas semanas. Pelo que nossos helicópteros conseguiram captar, o labirinto, até então existente no meio do parque, se espalhou por toda a propriedade impedindo que se veja o que ocorre ao nível do chão...

Bárbara, Dinah e Helena entram na sala e vêem uma Cassandra frenética pulando em frente à televisão. Babs observa a tela e vê o parque tomado pelas plantas.

— Dinah, Helena acho que encontramos nossa suspeita... vocês vão para o parque, eu vou tentar uma visão mais clara do labirinto.

— E eu...

— Me desculpe, Cassandra, mas Hera Venenosa é um dos peixes grandes...

Parque Robinson

Dinah e Helena se aproximam do parque, uma parte ainda não cercada pela polícia, e vêem que a sebe está cobrindo totalmente as entradas. Canário se aproxima das plantas procurando por uma passagem entre os galhos. Caçadora pega algo em seu cinto, enfia entre as folhas e corre.

Booom!!!

Uma explosão joga Canário para longe da sebe, um rombo de tamanho considerável se abre entre as plantas.

— Caçadora, sua louca! Você podia ter me matado!!

— Não temos tempo pra isso. Vamos, está fechando...

Helena corre para o buraco e se joga para dentro do labirinto, o buraco se fechando lentamente. Dinah se levanta do chão, limpa as folhas e galhos chamuscados do cabelo e pula para dentro do buraco, que se fecha atrás dela. Depois de ouvir a explosão, a polícia fecha o cerco ao parque, não deixando ninguém mais se aproximar.

Torre do Relógio

— Vamos ver do que essas belezinhas são capazes...

Oráculo invade o sistema de monitoramento global do exército americano e se apropria de um dos satélites que sobrevoam Gotham City. Ela redireciona as potentes câmeras e focaliza o labirinto que é o parque Robinson. Os computadores da Torre traçam o caminho mais curto entre o ponto em que se encontram Canário Negro e Caçadora e o centro do labirinto.

— Dinah, deixe um canal aberto; eu vou guiar vocês até o centro.

OK, Oráculo, entendido.

Dinah e Helena caminham entre as plantas cautelosamente, elas não sabem o que a criminosa pode ter colocado na sebe. No centro do labirinto, Hera olha furiosa para os helicópteros que jogam feixes de luz sobre a sebe. Ela estende o braço, nele um feio machucado já cicatrizando, e toca a sebe. As plantas começam a crescer e formam uma cúpula sobre o labirinto. Na Torre, Cass fica desesperada ao ver tudo se fechar em frente às câmeras. Ela corre para a sala dos computadores, mas neste mesmo momento Oráculo perde o contato com os satélites, deixando Bárbara furiosa.

— Droga! Como eles me descobriram?! Canário Negro, aqui é Oráculo!

Diga, Oráculo.

— Vocês vão ter que seguir sozinhas, eu fui cortada pelos militares, vai demorar até eu conseguir outra conexão segura.

Tudo bem, ainda temos as coordenadas que você passou, acho que não vamos nos perder...

— ...não vamos nos perder...

— Se eu fosse você não teria tanta esperança... olhe!

Caçadora aponta para a parede de sebe que está à direita de Canário Negro, ou pelo menos onde ela estava até poucos momentos atrás. As paredes do labirinto começam a se mover lentamente, como icebergs a mercê das marés, criando novos caminhos e bloqueando aqueles já conhecidos.

— Droga! Ela sabe que estamos aqui!

— Acho melhor nos separarmos, assim vamos cobrir mais terreno.

— Não acho uma boa idéia. Hera tem muitos truques na manga.

— Não é uma opção. É uma constatação.

Caçadora sai correndo por um dos corredores. Canário tenta seguí-la, mas uma parede de sebe fecha o caminho. Helena corre por alguns metros dentro do labirinto e então para de súbito, alguém se encontra escondido nas sombras das plantas. Ela se aproxima cautelosamente da figura e vai divisando o que parece ser uma mulher, usando panos rasgados como vestimenta e com a pele... a pele verde como as plantas à volta. Pensando se tratar de Hera Venenosa, Caçadora prepara sua balestra e, com um tiro certeiro, atinge o braço da criatura.

Grrrr!!!!! — a monstruosa criatura vegetal se levanta, revelando ter mais de dois metros de altura, e parte para cima de Helena. A vigilante apara alguns golpes, de braços fortes como raízes que penetram em pedra, mas percebe que não terá qualquer chance em um combate direto. Ela se afasta da fera furiosa e começa a atirar na criatura, flecha após flecha, mas sem surtir efeito algum, além de deixá-la ainda mais furiosa.

Dinah segue o caminho oposto do labirinto e encontra algo muito curioso. Depois de uma curva, um jardim cobre toda a extensão de terreno que ela pode observar. Canário caminha entre as estranhas e gigantescas plantas, nada mais perigoso do que flores com cores psicodélicas. Ela se aproxima de um botão azulado, muito parecido com um botão de rosa, e o toca de leve. As pétalas se abrem e uma estrutura muito parecida com uma língua se estica, lançando espinhos contra a vigilante. Canário desvia dos espinhos, tropeça em um cipó e cai sentada sobre uma planta pegajosa.

— Droga! Essa coisa grudou no meu uniforme! — Dinah fica presa na planta, um ruído de tecidos se estirando chama sua atenção e ela olha para cima, a tempo de ver a parte superior do vegetal se fechando sobre ela.

Helena desvia dos golpes da Ferak e escapa dos espinhos lançados pela criatura, mas nada do que ela faça parece impedir o monstro. Caçadora é jogada contra uma parede mais sólida de plantas e tem uma idéia. Ela prepara a balestra e desvia da criatura, deixando-a de costas para a parede sólida, então mira a alguns centímetros para direta de onde está a Ferak e solta a flecha que tem uma corda no cabo. Assim que a primeira acerta a parede atrás do monstro, Helena atira mais algumas flechas atadas à mesma corda, prendendo assim a Ferak entre as plantas.

— Você foi difícil, mas não é páreo. — Caçadora volta aos corredores e chega a um grande salão, em um canto Hera Venenosa está sentada em um trono de cipós — Achei você...

Dinah consegue rasgar seu uniforme segundos antes da planta carnívora fechar-se sobre ela. Diversas plantas azuis começam a se abrir e suas línguas espinhosas se desenrolam, atirando contra Canário Negro. A vigilante desvia dos espinhos e corre para trás da planta carnívora, que é alvejada pelas plantas azuis e cai morta. Dinah corre de volta pelos corredores, seguindo para o centro.

Caçadora entra sorrateiramente no covil de Hera Venenosa, a vilã descansando sobre seu trono vegetal. Helena prepara uma flecha e mira na cabeça de Hera. O projétil se lança pelo ar, mas antes que consiga completar a trajetória é desviado por um cipó pendente da cúpula. Caçadora fica espantada com a reação inesperada e nem percebe os cipós cercando-a, não conseguindo escapar de seu "abraço" poderoso. Hera levanta de seu trono e caminha até a vigilante. Seus lábios esverdeados cada vez mais próximos da boca de Helena...

— Ninguém escapa de meus domínios... — diz Hera, beijando a vigilante. O corpo de Helena caindo inerte sobre o solo florido.

Canário Negro chega ao salão florido, o covil de Hera Venenosa, e vê a criminosa de costas para ela, caminhando para seu trono enquanto os cipós depositam o corpo de Helena no chão. Dinah pega um bumerangue com uma corda atada e lança contra Hera, prendendo-a. Depois corre até a Caçadora e pega algo em seu próprio cinto.

"Tome, Dinah. Você sabe que Hera é muito perigosa e traiçoeira, suas plantas e seu próprio corpo são muito venenosos." — recorda-se Dinah do momento em que, minutos antes de partirem para a missão, Oráculo lhe deu um frasco com antídoto para o veneno de Hera Venenosa.

Canário despeja o conteúdo na boca de Helena, a palidez da pele da vigilante começa a dar lugar a uma cor mais saudável.

Um cipó mais sólido e afiado corta as cordas que prendem Hera Venenosa. A criminosa se coloca de pé e manda cipós pontiagudos na direção das vigilantes. Canário corta os cipós envolvendo a Caçadora, Helena acorda e vê as plantas vindo pelas costas de Dinah. Ela pega uma flecha de balestra no cinto e crava na mais próxima.

Aaaaahhhhhh!!!!!!!!!

Hera solta um grito estridente e os cipós recuam se contorcendo. Canário ajuda a Caçadora a se levantar e vê Hera encolhida em um canto, a perna sangrando. Os cipós, que tinham ficado estáticos, voltam a atacar as vigilantes. Debaixo de um ataque violento de chicotadas, Dinah tem uma idéia e pega alguma coisa no cinto da Caçadora. Ela deixa Helena encostada na sebe e corre até o centro do lugar, jogando pequenas cápsulas nas paredes de plantas. Em seguida, uma seqüência de explosões começa a destruir o lugar. Hera começa a gritar desesperadamente, como se sofresse uma dor terrível. Depois de alguns minutos a criminosa cai desmaiada no solo e os cipós ficam inertes. Em vez de se recuperar lentamente como antes, a sebe começa a retroceder ao seu tamanho e formato originais, se limitando ao antigo labirinto.

Canário se aproxima de Hera e vê que o corpo da ecoterrorista está tomado por pequenas, mas diversas, feridas. Ela amarra a mulher com uma de suas cordas, arrasta-a até a entrada do labirinto e deixa um bilhete para a polícia. Dinah volta e pega Helena e as duas deixam o parque pelo sistema de esgoto.

— Lembre-me de nunca mais deixar que outra mulher me beije... — diz a Caçadora, ainda entorpecida pelo veneno.

Torre do Relógio

Sujas, uniformes rasgados, com galhos e folhas nos cabelos, e extremamente doloridas, Dinah e Helena chegam a Torre do Relógio. Assim que entram pela porta, Cassandra se joga sobre elas, felicíssima.

— Sai pra lá, garota! Eu já tive mulheres demais me agarrando hoje.

— Bom, pelo menos já sabemos que esse não é o motivo de você ser tão rabugenta...

— Dinah. — diz Babs, entrando na sala — Agora não.

— Desculpe, Barb. Não pude resistir.

— Meus parabéns, vocês foram muito inteligentes e resolveram bem o problema.

— E como você sabe o que nós fizemos lá dentro?

— Ora, o comunicador de Dinah estava ligado o tempo todo. Eu pude ouvir os gritos de Hera e tirei minhas conclusões.

Babs e Helena se encaram. Dinah, percebendo a situação, trata de sair da sala, arrastando Cass consigo.

— Você foi muito corajosa, Helena. Eu estou... orgulhosa...

— Não é o mesmo que receber um "parabéns" dele, mas já é alguma coisa...

— Muito obrigada por nos ajudar. — diz Bárbara, estendendo a mão.

— Claro... eu... fico feliz em ajudar... sempre que precisarem... — Helena aperta a mão estendida.


:: Notas do Autor

(*) Na edição anterior. voltar ao texto




 
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