hyperfan  
 

Birds of Prey # 12

Por Igor Appolinário

Arethuza nunca se imaginou em uma cena de ação. Ela sempre pensou que perseguições sem motivo só acontecessem em filmes. Agora ela deseja que isso realmente só fosse coisa de filme. Os homens encapuzados a perseguem pelas ruas, as familiares ruas de Gotham, que nesse momento de pânico se mostram escuras, sujas, sem saída...

— Afastem-se! — Arethuza agita as mãos no que poderia ser apenas um ataque de nervos feminino, mas movimentos exaustivamente coreografados criam raios místicos que atingem os sinistros perseguidores com toda a força de sua magia. A mulher vira em uma esquina e, ao dar de cara com um muro, pensa em como o destino está sendo inclemente para com ela — Não vão me pegar tão facilmente!!

O beco sem saída brilha com todas as cores da feitiçaria, mas nenhum dos raios fatais atinge os homens misteriosos, que se defendem com reluzentes escudos translúcidos. Um mendigo, um gato e uma vizinha curiosa que observavam o show de fogos de artifício do beco ficam imaginando de quem seria o grito desesperado que ecoou na escuridão da noite...

O Dom — Parte I
Palavras ao Vento

:: Sobre o Autor

:: Edição Anterior
:: Próxima Edição
:: Voltar a Birds of Prey
:: Outros Títulos

Torre do Relógio — Gotham City

— ... acho que é só isso, J'onn. Mais alguma coisa?

Não, Oráculo, muito obrigado, seus préstimos foram de grande valia.

— Sempre é um prazer ajudar a Liga (*), tchau!

— Quem era? O sinistro de novo? — pergunta Dinah Lance, a Canário Negro, entrando na sala dos computadores.

— Não, era um link com a Liga. — responde Bárbara Gordon, mais conhecida como Oráculo — Dê uma olhada nisso aqui...

Babs passa algumas folhas para Dinah, que deixa o iogurte que estava comendo de lado para lê-las.

— Hum... interessante. Todos nessa lista são videntes ou mágicos? Pelo menos os nomes que eu conheço são...

— Sim, todas essas pessoas trabalhavam em Gotham "explorando o místico". Se você prestar atenção, vai perceber que a grande maioria é de mulheres. Acho que é um padrão...

— Bem, se envolve magia, você sabe quem chamar.

— É. Eu só estava esperando você chegar...

Recanto de Merlin — Nova York

"A magia é incerta."

Não pense que um feitiço mal feito vai virar o mundo de pernas para o ar. Ele simplesmente não funciona e acaba ficando por isso mesmo. Das diversas escolas da magia que se conhece, apenas uma pode realmente transformar a realidade se não for bem empregada: a Magia Semântica. As palavras podem mudar o mundo, todos sabem disso, mas o que poucos sabem é que a única pessoa que realmente tem poder suficiente para tanto se apresenta quatro vezes por semana em um barzinho de Nova York.

Ohleoc! — diz Zatanna, filha do finado mago Zatara, tocando a cartola com sua varinha mágica.

Um coelhinho branco sai do chapéu e pula sobre o colo de uma das mulheres da platéia. Logo em seguida, dezenas de coelhos começam a pular sobre as pessoas, mas com um gesto de varinha e uma palavra mágica, Zatanna os faz desaparecer. A platéia explode em palmas.

— Obrigada! Obrigada! — de repente, um bip ecoa pela sala, as pessoas ficam procurando a origem. Zatanna tira um relógio-comunicador da LJA do bolso e exibe para a platéia — Pois é, pessoal, acho que chegou a minha hora! Ratropelet Errot od Oigóler!!

Zatanna faz uma reverência e desaparece em meio a uma nuvem de fumaça. A platéia vai ao delírio e tenta chegar até o camarim da artista para parabenizá-la. Rick, o gerente, faz de tudo para que ninguém descubra o segredo do "truque". Zatanna reaparece em uma sala escura, que ela já conhece muito bem.

— Pois bem, aqui estou.

Seja bem-vinda, Z. Mas como sabia que deveria vir para cá? — cumprimenta e pergunta o rosto virtual de Oráculo que surge na frente de Zatanna.

— Eu não seria uma boa feiticeira se não soubesse onde está quem de mim necessita. — diz Zatanna, piscando para o rosto esverdeado. A sala virtual da Torre do Relógio se ilumina e cria uma poltrona para a feiticeira — Agora, Oráculo, gostaria de saber o por quê de estar aqui.

Nas últimas semanas, vêm acontecendo desaparecimentos por toda Gotham, e achamos que tem relação com feitiçaria, pois todos os desaparecidos tinham ligações místicas...

— "Achamos"?

Sim, eu e minha parceira. Você já a conhece...

— Olá, Z. — diz Canário Negro, entrando na sala e entregando alguns relatórios para Zatanna.

— Quem bom te ver de novo, Dinah. Como vai sua mãe? — Zatanna pega os relatórios e os lê — É, parece ser magia mesmo. Pra dizer a verdade, existe um grupo, execrado no mainstream da magia, que acha que pode se atingir a supremacia de poder se alimentando dos dons de outros magos. É um grupo bem underground, mas tem conseguido muita força ultimamente, possivelmente por causa dessas abduções. Eles se auto-intitulam a Cabala Negra...

Bem, acho então que já temos por onde começar...

Keystone City — costa oeste — EUA

Keystone sempre foi uma cidade impulsionada pelo poder da indústria, seus maiores produtos de exportação são industrializados, passando de carros até geladeiras, atingindo mesmo a industria eletrônica e de microcomponentes. Uma cidade de grande potencial.

Na grande empresa Key-Electrics, um novo componente eletrônico vinha sendo testado. Feito sob encomenda para um grande empresário, ele deveria alterar as configurações de um mecanismo pré-existente intensificando seu campo de ação. Os engenheiros da "K-Elecs", como era carinhosamente chamada pelos funcionários, estavam radiantes com os testes preliminares e, com toda certeza, ficariam exultantes com os testes finais se o componente não tivesse sido roubado.

Ninguém tem certeza de como aconteceu, mas os seguranças de plantão naquela noite disseram ter visto uma sombra voar em direção ao prédio e arrancar a janela de aço reforçado do seu lugar, fazendo-a cair doze metros até o chão, bem em cima deles. Quando eles foram acordados pelos paramédicos, tudo já tinha acontecido e o componente havia sumido.

Clube K — Gotham City

Canário Negro e Zatanna chegam à entrada do Clube K, o mais barra-pesada da cidade. O prédio decrépito, aparentemente esquecido pelas equipes de demolição da prefeitura, está na esquina de uma rua deserta. Ninguém com o mínimo bom-senso se aproxima do lugar, talvez devido ao estado lastimável da construção, talvez pelos dois homens vestindo ternos que guardam sua única entrada.

— O que vocês querem aqui? — grunhe um deles para as mulheres — Só entra quem tem convite!

— Isso não é problema. — diz Zatanna, tirando um cartão em branco do bolso e mostrando aos seguranças — Majev o euq ue oreuq euq majev!

Os dois seguranças olham fixamente o cartão e parecem confusos. Em suas mentes, as letras do convite dançam agitadamente procurando um lugar para se acomodar. Quando tudo pára de rodar e um convincente papel de carta colorido se apresenta para eles, os dois homens de terno deixam as mulheres passarem.

— Você precisa parar de beber, Ralph.

Eu?

Dinah e Zatanna caminham por um longo corredor escuro até chegarem a uma porta de ferro trancada. A maga dá três batidas e uma série de ruídos metálicos são ouvidos do outro lado. Uma jovem com o rosto completamente branco e os cabelos negros caídos sobre a face surge e dá passagem para as duas. Elas descem uma escadaria e, ao passarem por um arco ao final dela, se deparam com um grande salão... ou pelo menos se deduz tal.

O lugar é escuro e seus limites reais se perdem nas sombras, fazendo com que pareça muito maior do que realmente é. Pessoas usando roupas pretas, sobretudos, casacos e capas, circulam pelo lugar e lançam olhares sombrios e ameaçadores a qualquer "intruso" que se aproxime. Dinah e Zatanna vão até o bar, onde um barman nada receptivo serve as bebidas.

— O que querem aqui?

— Informações. — diz Dinah — E você parece o tipo de cara que sabe de muita coisa...

— Esse charme barato não vai funcionar comigo...

— Então que tal testar o meu charme? — diz Zatanna, se aproximando do barman. Ela sussurra algumas palavras ao ouvido dele e sua expressão muda completamente, aparentando estar apavorado.

— Por ali! Aquela porta de cobre!!

— O que você disse a ele? — pergunta Dinah, curiosa com a reação do homem.

— Bem, digamos que é algo de que meu pai nunca ficaria orgulhoso...

As mulheres chegam ao final de um corredor e encontram uma porta avermelhada feita de cobre e entram. Em uma pequena sala circular, melhor iluminada que o salão anterior, um pequeno grupo de pessoas está reunido e se surpreende com a inesperada chegada das duas estranhas. Assim que vêem o uniforme de Canário Negro, eles já imaginam o motivo delas estarem ali e começam a atacar.

Raios multicoloridos cruzam a sala em direção a Dinah e Zatanna, mas a maga cria um escudo translúcido que as protege. Zatanna avança com a barreira, pressionando os magos contra a parede. Quando percebem a força da oponente, os mais espertos começam a fugir, mas Canário é rápida e consegue derrubar um deles.

Sadroc! — cordas grossas surgem ao comando de Zatanna e prendem o homem — Para quem você trabalha?

— Eu não vou abrir minha boca, bruxa!

— Sim, eu sou uma bruxa e você viu minha magia. Você sabe o que eu posso fazer, não sabe? — pergunta, ameaçadora, estendendo uma mão iluminada por magia bem em frente ao rosto do homem.

— S-sei... fique longe de mim!

— Me diga pra quem você trabalha e onde ele está e eu deixo você viver...

— Eu sou da Cabala Negra! Eu... eu, meu Deus das trevas... estou traindo o mestre... trabalho para o mestre Zephiroth!

— Muito bem, agora, onde ele está? — pergunta Canário Negro.


:: Notas do Autor

(*) Veja as incursões de Oráculo com a Liga da Justiça no título LJA! voltar ao texto




 
[ topo ]
 
Todos os nomes, conceitos e personagens são © e ® de seus proprietários. Todo o resto é propriedade hyperfan.