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Birds of Prey # 13

Por Igor Appolinário

O Dom — Parte II
Fortuna Magi

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Torre do Relógio — Gotham City

Oráculo verifica seus monitores à procura de qualquer anomalia na cidade. Em sua mente, uma mesma dúvida fica rebatendo dezenas de vezes:

"Por que sinto que algo ruim vai acontecer? Onde será que elas estão agora?"

Oráculo na escuta? — pergunta a voz eletrônica de Canário Negro saindo do comunicador.

— Sim, pode falar, Dinah.

Eu e a Z vamos até um provável esconderijo da Cabala (*). É possível que fiquemos sem áudio...

— OK. Me mantenha informada. Desligando. — diz Oráculo, respirando aliviada. Contudo, logo depois, ela fica novamente apreensiva.

Cassandra Cain, a jovem "adotada" por Oráculo após fugir do pai, o assassino mercenário profissional David Cain, chega à Torre do Relógio, esconderijo de Oráculo e moradia de Bárbara Gordon e sua hóspede.

Ela tira a pequena máscara negra que usa sobre o rosto durante a ronda noturna, exigência de Oráculo, e a joga em um canto qualquer da sala. Ainda vestindo a malha negra, ela se deita no sofá. Na escuridão da noite lá fora, uma misteriosa figura se aproxima da Torre.

Subterrâneo — algum lugar de Gotham

Em um grande esconderijo no subsolo da cidade, um grupo de homens se reúne em volta de um pentagrama de proporções imensas, com linhas feitas de algo semelhante a tinta vermelha. Um murmurar incessante preenche o local à medida em que os homens recitam algum tipo de encantamento secreto, fazendo a tinta do pentagrama brilhar espantosamente.

Zatanna e Canário Negro invadem o refúgio da Cabala Negra, explodindo a parede mais próxima e fazendo todos os homens se virarem para elas. Eles se levantam e avançam contra elas, usando magia e força física para subjugar as mulheres. A pequena distância do tumulto, um homem encapuzado observa a tudo calado. Zatanna se desvencilha do grupo e parte para cima do encapuzado, que recua mais e mais diante da aproximação da maga. Zatanna segue confiante, imaginando o terror que esse "amador" deve estar sentindo, mas, quando finalmente consegue se aproximar do encapuzado, Zatanna percebe que está dentro do pentagrama.

— Como um patinho... Ekesh Madeiy Kushul!

Paredes de energia luminosa fecham o centro do pentagrama, trancando Zatanna em seu interior. Canário vê a parceira cair na armadilha e tenta se desvencilhar dos feiticeiros, mas um descuido seu dá a oportunidade para que um deles consiga prendê-la.

— Maldito, me solte!

— Não, não. — diz o homem de capuz — Você foi uma peça importante neste pequeno jogo, minha cara vigilante. Agora eu tenho em minhas mãos a mais magnífica e poderosa maga semântica da face deste e de outros mundos. — ele retira o capuz, revelando seus longos cabelos vermelhos e olhos faiscantes como duas opalas — Você serviu bem a Zephiroth, mas temo que sua serventia tenha terminado. Levem-na!

Os outros homens saem da sala arrastando Canário Negro. Ela se debate e tenta se libertar, mas algum tipo de encanto fez com que ela perdesse o controle sobre seus membros. Zephiroth e Zatanna ficam a sós na sala do pentagrama.

— Minha cara Zatanna, você faz idéia do quão bela você é?

— Vindo de você, esse foi o pior elogio que já recebi. O que vai fazer com Canário Negro?

— Meus colegas vão se divertir um pouco com ela e talvez depois transformem seu cadáver em cinzas.

Não!!

— Você não deveria se preocupar tanto com sua amiga. Afinal, logo seu poder será meu...

Cassandra cochila sobre o sofá da sala de estar da Torre do Relógio. Sonhos perturbadores percorrem seu sono intranqüilo. A imagem do foragido Cain, seu pai, a persegue por todos os lugares. Todos os seus atos se refletem nos dela. Cass acorda assustada, o suor escorre por seu rosto e a respiração está acelerada. A jovem tenta se acalmar e contempla o silêncio do apartamento. De repente, um ruído do lado de fora a sobressalta.

Cassandra vai até a porta e investiga as escadarias. Sendo Bárbara Gordon a única dona e moradora do prédio, a presença de um desconhecido é completamente inesperada. Cass olha pelo vão entre os lances de escada e vê uma mulher subindo, seu rosto causa um espasmo de surpresa na face da jovem.

Semanas antes, durante uma sessão de treinamentos. Oráculo e Cassandra observavam algumas informações sobre os mais comuns vilões de Gotham.

— ...Hera não é de todo má se vista de um ponto de vista ecológico. Ela quer preservar a flora a todo o custo. Mas é esse é o seu problema. Ela não se importa de matar inocentes para proteger as plantas...

— Quem... é... essa...? — diz Cass, apontando a foto de uma mulher de feições asiáticas, sobre seu arquivo estão algumas estrelas vermelhas.

— Humm, essa é Sandra Woosan, mais conhecida como Lady Shiva. Assassina profissional, mestre de diversas artes marciais, extremamente mortal. Por isso as estrelas... lembre-se, ninguém pode vencê-la. Nem o Batman conseguiu...

— Humm...

Os olhos de Cassandra faíscam, seus punhos se cerram, a respiração ofegante se acalma e ela se esconde nas sombras. Esperando a visitante inesperada.

Dinah sempre teve este pesadelo. Desde o dia que perdeu seus poderes sônicos, ela se vê nesta situação. Amarrada, indefesa e à mercê de homens misteriosos com instrumentos pontiagudos. Os grilhões que a prendem à parede são antigos e enferrujados, mas, mesmo com o mais forte de seus puxões, eles teimam em não ceder.

— Você não vai sair daqui tão cedo, queridinha. Ainda não... — diz um dos homens. Cada um dos feiticeiros pega um instrumento e se aproxima de Canário Negro.

— Aaaaaaahhhhhhh!!!!!!!!!!!!!!

Zatanna escuta um terrível grito vindo da sala ao lado e se desespera. A barreira se mostra resistente e ela não consegue se libertar do feitiço.

Seredop sod Sodnum Seroirefni, merbeuq a arierrab! — diz Zatanna, lançando raios contra a parede luminosa — Droga! Não funcionou! Sotnev ad Aigam, mapmor o ocrec!

— Não adianta, bruxa! — diz Zephiroth, retirando a luva da mão esquerda — Esse encanto é ligado à minha vontade. Enquanto você for minha única preocupação, nada atravessa a parede — Ele toca a barreira. Zatanna sente seu corpo esquentar e toda a magia de suas células ser arrancada violentamente.

Aaaaaaaahhhhhh!!!!!!!!!!

Canário Negro está parada no centro da sala, ofegante. O pulso quebrado vaza sangue, mas seu rosto apenas registra a fúria contra seus torturadores. Dinah dá um grito gutural e parte para cima de seus oponentes, que tentam se proteger e revidar usando feitiços mortíferos.

Shiva termina a subida da escada e encara a porta escancarada. Seus sentidos ficam alertas e quando uma mão misteriosa se aproxima por trás, a assassina a agarra e joga para dentro do cômodo vazio.

Cassandra voa pela sala e aterrissa em cima do sofá. Shiva entra na casa e Cass se põe em pé, encarando-a.

— Quem é você, criança?

— E-eu d-defenso esse... l-lar!

— Hunf! Não sabe nem ao menos falar direito... mas vejamos do que é capaz.

— ....aaaaaahhhhhhh!!!!!!

— Isso, sofra! Dê-me todo o seu poder!!! — grita Zephiroth, eufórico, enquanto toda a energia cabalística de Zatanna penetra em seu corpo através da barreira.

BLAM!

Um barulho vindo do lado oposto do salão distrai o mestre da Cabala Negra. Ele olha ao redor, mas somente quando encara a porta da sala conjugada é que vê a causadora do distúrbio: Canário Negro, toda rasgada e ensangüentada, caminhando em sua direção.

— Tola! Nada pode salvar sua amiga agora! Seredop do Egitse mevel atse adiv arobme...!

Siartsecna, metrebil ues eugnas! — Zatanna aproveita a distração de Zephiroth e rompe o encanto de barreira que a prendia, impedindo também que o feitiço do inimigo atinja Dinah — Venha! Agora somos só nós dois!

— Um duelo místico? Que maravilha!

Zatanna e Zephiroth se encaram por longos segundos. Seus lábios murmuram palavras de ordem mágica e energias astrais se reúnem em torno de seus seres. Luzes verdes, laranjas, octarinas cruzam os espaço intermediário entre os oponentes se chocando, dando origem e aniquilando coisas que nunca deveriam ter deixado suas dimensões inferiores. Um reles mover de pés, um breve piscar de olhos, libera mais energia do que uma bomba atômica.

Salob ed Ogof!

Setned ed Andes! — pináculos de gelo barram grandes bolas de fogo lançadas por Zephiroth — Es-mehlapse! — os afiados dentes de gelo percorrem o caminho até o antagonista de Zatanna e o pegam de surpresa, atingindo principalmente os braços e o maxilar.

— Ogue ocê fes... — balbucia Zephiroth, ensopado de sangue.

— Regra número um em combate semântico: impeça seu oponente de falar... novato.

— Bamos nos ber vovamente, vruxa! Etropelet! — Zephiroth encara Zatanna, seus olhos brilham de raiva enquanto ele desaparece em uma nuvem de fumaça.

— Espero que sim... — Zatanna agora pode voltar sua atenção à amiga — Canário!

Dinah cai no chão, seu sangue se espalha pelo piso e sua respiração fica fraca, quase um suspiro. Zatanna pega a amiga no colo e desaparece em uma nuvem de fumaça. Ela sabe exatamente para onde deve ir.

Sala dos computadores — Torre do Relógio

— Oráculo para Canário Negro! Responda, Canário! Dinah!! Droga! Onde você está...?

Alerta! Sinal de teleporte invasor... local de materialização: sala virtual.

— Dinah?! — grita Oráculo pelo comunicador que vai até a sala de treino virtual — É você?

Não, Oráculo, aqui é Zatanna. Eu estou com Canário Negro, mas ela não está nada bem...

— Oh, não!

Bárbara Gordon vira sua cadeira de rodas tão rapidamente que quase tomba. Ela se dirige à sala virtual e abre bruscamente a pesada porta de metal, vendo dentro dela a feiticeira Zatanna ajoelhada no chão ao lado da inerte Canário Negro.

— O que aconteceu com ela?

— Bárbara?

— Sim, sou eu, mas isso não interessa! O que aconteceu?

— Os feiticeiros da Cabala Negra torturaram a coitada, mas ela conseguiu se livrar antes de algo pior...

— Torturaram? Oh, Dinah, de novo não...

— Temos que fazer algo logo, antes que ela morra...


:: Notas do Autor

(*) Na edição anterior. voltar ao texto




 
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