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Birds of Prey # 15

Por Igor Appolinário

Um Caso do Passado — Parte I
Prelúdios de Guerra

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Torre do Relógio — Gotham City

— Ai... nada melhor que uma sessãozinha de filmes para a animar uma noite chuvosa! — diz Dinah, pulando no sofá da sala.

— Hm-hmm. — concorda Cassandra, trazendo uma grande balde de pipocas.

— É, estamos mesmo precisando de um tempinho pra nós mesmas, o ano foi cheio... — diz Bárbara, entrando na sala com uma sacola de filmes.

— Nem me diga. Assassinos malucos, ladras, mercenários, a espetacular fuga em massa do Arkham...

— Assassinas vingativas... — acrescenta Cass.

— Pois é! Todo o tipo de maluco que acaba vindo pra Gotham!

— Bem, vamos começar? — diz Babs, se aproximando do aparelho de DVD.

TZZZZZZZZ!!!!!!!!!!

As luzes da sala desligam. Dinah pula do sofá e olha pela janela.

— Bem, não é um ataque. Toda a rua está às escuras, até onde eu posso ver...

— Droga, a tempestade deve ter afetado as linhas de transmissão da WaynePower! Logo quando os geradores da Torre estão na revisão! Vai demorar horas para consertarem os estragos...

— Hunf...!

Babs olha para o sofá e na penumbra vê Cass muito frustrada. Ela se vira para Dinah, em busca de idéias, mas a amiga dá de ombros. Bárbara aproxima sua cadeira do sofá e coloca a mão sobre o ombro da jovem.

— Bem, não vai dar pra assistir os filmes, mas que tal uma história?

— Boa idéia! Vamos contar pra ela como eu quebrei a cara do Homem-Absorvente naquela vez em...

— Calma Dinah, ela já sabe todos esses casos sobre supervilões, nós estudamos juntas. Acho que seria interessante contar um dos nossos casos contra vilões mais "reais"...

— Você quer dizer... aquele caso? Bem, é muito interessante, mas...

— Contem logo! — diz Cassandra, impaciente.

— OK, OK. Bem, foi há alguns anos e muitos fatos foram apurados apenas em perícias. Mas uma coisa é certa, começou bem longe daqui...

Alguns anos atrás — Rússia

...última chamada para o vôo 149 da Red Star Airlines seguindo para Bucareste. Embarque no portão 3...

— Droga, como está demorando! — uma jovem pragueja sentada no pequeno bar do aeroporto. Ela é bonita e está bem vestida. À sua frente está um copo de soda e as passagens para o vôo que já está muito atrasado — Se esse vôo for cancelado eu vou processar a empresa! Vou sim!

— É uma droga ficar esperando um vôo, não?

A jovem se vira e dá de cara com um homem sentado logo ao seu lado. Ele tem os olhos e os cabelos muito negros, como uma noite sem estrelas. Ela fica desconcertada com a beleza dele e inconscientemente ajeita o cabelo.

— Detesto aeroportos. — diz ela, com um sorriso honesto e constrangido.

— Eu também. E parece que nossos vôos vão demorar muito...

A porta do motel ao lado do aeroporto abre com tanta violência que suas dobradiças quase cedem. Os dois desconhecidos se jogam na cama com fúria e paixão. Seus corpos se enroscam e se fundem no calor autopropagado. Mãos percorrem as curvas. Mãos, muitas mãos. Respirar fica cada vez mais difícil, o prazer dá lugar ao desespero. Mas não há nada que ela possa fazer, a morte vem rápida, com um suspiro gelado.

O homem se veste rápido e pega a bolsa jogada sobre a cadeira. Dentro dela diversos documentos, poucos com foto felizmente. Ele pega as passagens sobre o criado-mudo e sai do quarto. Ele caminha alguns metros e entra no quarto seguinte, onde uma mulher de longos cabelos negros se maquia em frente ao espelho.

— Aqui estão os documentos, Ivana. O vôo para Irkutsk vai sair daqui à uma hora.

— Muito bom, deixe-os aí que logo cuidarei das fotos. Vá preparar seus homens e vão para a base, eu preciso terminar de me transformar em Uliana Krosova. — diz a mulher, cobrindo três marcas vermelhas e alinhadas que se sobrepõem ao seu olho direto.

Torre do Relógio

Canário Negro, aqui é Oráculo. Na escuta?

— Olá, Oráculo, bom falar com você também, aceita biscoito?

O quê?

— Biscoito? Sabe? Bolacha, camada de massa-sabor-camada de massa. Capisce?

Eu sei o que é um biscoito, Canário Negro. E não, muito obrigado. Preciso de você para um trabalho no exterior.

— No exterior? Não sei não, tenho alguns encontros programados. E não posso esquecer de passar na casa da minha avó...

Dinah! Tenho sérias informações de que uma ação terrorista está sendo planejada para acontecer na Rússia, mais especificamente na base militar na cidade de Tchita, onde grande parte do arsenal nuclear da antiga União Soviética está guardado.

— OK, eu estava brincando. Sei que quando você berra minha identidade secreta assim é por que o negócio é sério. Eu topo...

Prédio central da CIA — Washington, D.C.

Phillip Lecroix (*) já passou por muita coisa na vida. A discriminação foi a menor delas, já que, nascido em Nova Orleans, não era incomum ser filho de pai de descendência francesa e mãe africana. Sua cor era seu orgulho, como ele sempre dizia. Mas uma coisa que ele nunca vai conseguir entender: por que homens odeiam homens? É como se a humanidade tivesse a necessidade de odiar algo, sem distinção.

"Eu estou é estressado." — pensa Lecroix, cruzando os corredores do prédio central da CIA. A missão que recebera seria mais uma dor de cabeça. Informações de todo o mundo indicam que a Mongólia pode ser um alvo de ataque nuclear terrorista e por isso ele foi indicado para entrar em contato e cooperar com os militares russos da base que guarda o maior arsenal do país e mais próximo ao alvo.

"Eu vou ter que esfriar minha cabeça se não quiser acabar brigando com esses russos cabeças-duras."

Aeroporto internacional de Irkutsk — Rússia

Ivana percorre os corredores do aeroporto poucos minutos depois de seu vôo pousar. Ela olha repetidas vezes para uma foto e procura alguém na multidão. Um homem de longas barbas brancas está parado próximo à saída dos portões de desembarque, um soldado ao seu lado segura uma pequena placa de papelão onde se lê: "Krosova". Ivana guarda a foto e se aproxima dos dois homens.

— Doutor Illitchkov?

— Doutora Krosova, eu presumo... muito prazer em conhecê-la, finalmente. Se me permite a ousadia, é uma jovem muito bonita.

— Obrigada, doutor. O senhor também é muito distinto. — diz Ivana, com um sorriso no rosto. O doutor Illitchkov retribui o sorriso e aponta o caminho. Os dois saem do aeroporto acompanhados pelo soldado. Eles entram em uma pista de decolagem deserta, a não ser por um único avião parado, todo camuflado e cercado por soldados.

— Vamos, doutora. Essa é a única maneira de chegarmos a Tchita ainda hoje.

— Sim, doutor, eu estou ansiosa para isso. — diz a falsa Uliana, subindo a escada de metal do avião.

Aeroporto — Washington, D.C.

Agora, preste bastante atenção, Canário Negro. Você foi registrada como Cecille Novak no banco de dados da CIA. Excelente funcionária, técnica em computação e sistemas remotos e quase perfeita nos testes de ação em campo.

— Quase perfeita? — indaga Canário, caminhando pelo aeroporto, usando um blazer preto e carregando uma pasta — Eu acho que conseguiria mais do que isso.

Por favor, Canário. Eu estava tentando parecer autêntica e não puxar seu saco!

— Muito obrigada, eu sei que posso confiar em você pra levantar minha moral. O que eu faço agora?

Localize o chefe da equipe, o agente Phillip Lecroix...

— Hmmm... alto, negro e muito sedutor? — pergunta Canário, olhando para Lecroix do outro lado do saguão — Acho que encontrei.

Apresente-se a ele e se integre à equipe. Tente ficar fora do caminho até conseguir acessar a base russa.

— OK, mas uma coisa que a Canário Negro não sabe fazer é passar despercebida...

Dinah coloca a mão na orelha e discretamente tira o comunicador, jogando-o dentro da pasta. Ela ajeita o cabelo e caminha em direção ao pequeno grupo de agentes liderados por Lecroix. O próprio fica de costas para ela enquanto ela se aproxima. Suavemente, Dinah toca o ombro de Lecroix, que se vira imediatamente e olha embasbacado para a mulher.

— Eu posso ajudá-la?

— Na verdade, agente Lecroix, eu estou aqui para ajudá-lo.

— E você seria...?

— Novak, agente Cecille Novak. — diz Canário, mostrando a insígnia do FBI preparada por Oráculo — Então, quando nosso vôo parte?

Lecroix e Dinah ficam se encarando, as respirações ofegantes, como se ansiosos por um movimento ousado. Mas, de repente, um ruído de microfonia invade o ambiente e o anúncio do vôo preenche o salão.

Chamando todos os passageiros do vôo 567 da Wayne Airlines seguindo para Vladivostok, com escalas em Moscou, Krasnoyarsk...

— Parece que ele chegou...


Continua...


:: Notas do Autor

(*) Phillip Lecroix fez sua primeira aparição no universo Hyperfan na minissérie Birds of Prey: When the Birds Pray. voltar ao texto




 
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