hyperfan  
 

Birds of Prey # 16

Por Igor Appolinário

Um Caso do Passado — Parte II
Armas de Guerra

:: Sobre o Autor

:: Edição Anterior
:: Próxima Edição
:: Voltar a Birds of Prey
:: Outros Títulos

Base Militar e Arsenal — Tchita — Rússia

— Dra. Krosova, que infelicidade seu estômago ter sido afetado por nossa viagem. (*) — diz o dr. Illitchkov, ajudando a doutora a descer do avião — Com certeza algumas horas de descanso ajudarão a acalmar seus nervos.

— O senhor é muito gentil, doutor. Creio que em breve tudo estará bem.

— Sinta-se à vontade, logo voltarei com um remédio para seu enjôo. — diz ele, deixando-a na porta de um alojamento.

A falsa doutora Krosova entra no quarto e rapidamente abre a pasta de couro que trouxe consigo. De dentro dela, retira um pequeno comunicador e o liga.

— Alguém na escuta?

Eu, como sempre. Está na base?

— Sim, prepare seus homens. Em poucos minutos eu terei o controle do lugar. Câmbio.

Toc-toc

— Dra. Krosova. — diz Illitchkov entrando no quarto, Ivana guarda o comunicador rapidamente — Creio que este medicamento resolverá o problema. Então poderemos ver o general.

— Muito obrigada, doutor. Creio que meu mal-estar já passou. Vamos logo ao encontro do ilustre general.

Illitchkov e Krosova deixam o aposento e se encaminham por longos corredores ao interior da base.

Krasnoyarsk — Rússia

Como assim "vamos ter que ficar aqui"?!

— Acalme-se, agente! — diz Lecroix para Dinah, que está exaltada — A tempestade é muito forte e apareceu de repente. Nosso avião poderia ter sido jogado ao solo a qualquer momento. Agradeça que tenhamos conseguido chegar até aqui.

Canário Negro, faça de tudo para chegar àquela base logo! — ordena Oráculo pelo comunicador de Dinah.

— Sim, eu vou agradecer. No momento em que deixarmos esse lugar e tivermos cumprido nossa missão! Você é o chefe dessa equipe! Faça algo!!

Lecroix e Dinah se mantêm em pé, a pouca distância um do outro. A tensão entre os dois é tão grande que o ar se enche de faíscas. Ele dá as costas para a mulher e se aproxima de um grupo de executivos, todos aparentemente nervosos. Minutos depois de uma acalorada discussão, Lecroix volta para o grupo de agentes e encara Dinah.

— Vossa majestade pode ficar despreocupada, consegui um transporte até a base.

Em Tchita, Illitchkov e a falsa Uliana Krosova chegam ao fim de um corredor e dão de cara com um pequeno contingente de soldados. Os dois são revistados e, então, são admitidos dentro da sala. Os cientistas entram em uma grande sala muito bem decorada, com muitas estantes de livros e poltronas de couro.

— Sentem-se, meus caros. — diz o general Sevchenko apontando duas poltronas próximas à mesa — Estou muito ansioso para que me mostrem os planos para os nossos "brinquedos" nucleares.

— Na verdade, — diz Ivana, pegando um abridor de cartas sobre a mesa e cortando o pescoço do dr. Illitchkov — eu diria que são os meus brinquedos nucleares.

Sevchenko se levanta e tenta alcançar uma pistola no cinto, mas Ivana é mais rápida e lança o abridor, que se crava no ombro do general. Ele cai no chão de dor e Ivana pula sobre ele, falando em seu ouvido.

— Mande seus homens abrirem os portões ou essa dor será mil vezes pior!

— Tudo bem, tudo bem... sua louca! — Sevchenko pega um walkie-talkie no cinto e grita desesperado — Abram os portões da base, abram todos os portões!

Diversos soldados começam a abrir os portões. Vários jipes camuflados entram na base e os homens dentro deles matam os soldados imediatamente. Eles recolhem os corpos e vestem os uniformes russos, tomando conta dos antigos postos. Um homem alto, com olhos e cabelos negros como a noite, caminha pelos corredores da base, matando cada soldado no caminho. Ele entra no escritório de Sevchenko e o encontra junto de Ivana.

— Isso é intolerável! — diz o homem, sacando um revólver e matando Sevchenko.

— Ora, Natsag. — diz Ivana, afastando-se do cadáver — Não seja ciumento, isso é ridículo.

Natsag guarda a arma e entrega uma grande maleta para Ivana, junto com uma sacola de roupas.

— Hora de se livrar de Uliana Krosova. E de criar um novo Império.

Base Militar — Tchita — Rússia

— Estamos nos aproximando, senhor. — grita o piloto do helicóptero para Lecroix por entre o barulho das hélices — A base não responde o pedido de pouso, mas a pista está livre.

— Desça! Agente Novak, nós vamos descer primeiro.

— Sim, senhor. — diz Canário, um pouco emburrada, mas ansiosa. Como a base fica sem responder um pedido de pouso?

Com muita dificuldade, o helicóptero desce no meio da pista de pouso molhada pela tempestade agora extinta. Lecroix e Dinah descem do veículo. Barulhos de gatilhos atiçam os sentidos de Canário Negro, que agarra Lecroix e se joga para o lado. Muitas de metralhadoras disparam ao mesmo tempo e atingem o helicóptero.

— Meu Deus!!! — grita o piloto, levantando vôo. Um tiro certeiro perfura a proteção e o atinge, matando-o instantaneamente. O helicóptero começa a jogar para os lados e, quando o cadáver do piloto se inclina sobre o manche, mergulha em direção ao concreto, explodindo em um bola de fogo.

— Não!!!

— Vamos sair da linha de tiro, agente! — grita Canário, puxando Lecroix para trás de um caixote de aço.

Lecroix se recobra do choque e saca sua arma. Canário pensa em desarmá-lo, mas uma explosão secundária do helicóptero a faz mudar de idéia. Eles saem de trás do caixote e se dividem. Lecroix segue direto para o pelotão de soldados mais próximo e com tiros certeiros derruba a todos. Dinah corre para o lado oposto e com seus golpes precisos vai abrindo caminho para uma entrada lateral da base.

"Esses soldados são muito bem treinados. Quem será o líder deles?" — pensa a vigilante, enquanto derruba um dos soldados com um chute no estômago.

Canário Negro corre para dentro da base e encontra um corredor vazio. Ela caminha cuidadosamente pelo lugar, seguindo em direção à porta no lado oposto. Passos ecoam pelas paredes e Dinah fica atenta, esperando em um vão.

— Hah! — grita Canário, atacando a origem dos sons

— Ei! Calma aí, agente Novak! Que negócio é esse de me atacar com caratê? Onde está sua arma?

Vamos acabar com esse teatrinho... — diz Oráculo, apenas para Canário Negro.

— Você sempre aparece nas horas mais divertidas. — sussurra Canário Negro para o microfone do comunicador. Ela começa a rasgar as roupas que usa — Agente Lecroix, vamos acabar com os disfarces. Eu sou Canário Negro e estou aqui pelo mesmo motivo que você: impedir que esse terrorista misterioso se apodere do arsenal desta base. Fique comigo e não vai se machucar.

— Você é um daqueles vigilantes mascarados...!

— Por acaso eu estou de máscara? — diz Canário, dando as costas para Lecroix e entrando na sala no fim do corredor.

Na sala de vigilância da base, dezenas de monitores estão ligados, captando imagens de todo o lugar. Canário e Lecroix afastam os cadáveres dos vigias e examinam as telas. Phillip, entre um monitor e outro, dá olhadelas desconfiadas para Dinah.

— Olha! Por isso poucos soldados estavam de guarda lá fora! — diz Dinah, apontando um dos monitores.

Lecroix se aproxima da tela e vê dezenas de homens carregando caixas e grandes mísseis para dentro de caminhões camuflados. Um homem alto, vestido como soldado, comanda os soldados e carregadores.

— Vamos! Eles não podem sair daqui com as armas!

Arsenal

Natsag comanda os soldados no transporte do armamento. Dois grandes caminhões estão quase abarrotados de caixas. Os homens trabalham rápido, com o máximo de pressa possível.

— Estamos prontos para partir — diz Natsag em um comunicador.

Então, vamos. Estou indo até aí... — responde a voz feminina do outro lado.

Neste momento, Canário Negro e Lecroix invadem o Arsenal e correm para perto dos caminhões.

— Parado! — grita Lecroix, sacando a pistola e atirando em direção a Natsag. O homem pula para longe, se agarrando na traseira do primeiro caminhão que começa a sair — Aaarrgghh!!!

Whipp!!!

Um barulho agudo e rasgante percorre o ar e um impacto faz Phillip largar a arma. Ele segura a mão com força para diminuir a dor e vê três marcas bem distintas sobre a pele.

— Essa é a marca de Garra Vermelha.

Lecroix e Dinah olham para trás e vêem Ivana, usando um uniforme colante vermelho-sangue. Na mão direita, um estranho chicote com três tiras de couro saindo da empunhadura e, na ponta dos três, pequenas peças de metal afiado. Canário pensa em se aproximar da mulher, mas na mão esquerda Garra traz uma granada. Ela aciona o artefato e corre para um jipe estacionado na saída do galpão. Dinah e Phillip correm para longe da bomba, que explode em um estrondo magnânimo, fazendo toda a estrutura do Arsenal ruir, fechando as únicas saídas possíveis.

— E agora...? — pergunta Canário saindo de uma nuvem de poeira.


Continua...


:: Notas do Autor

(*) Na edição anterior. voltar ao texto




 
[ topo ]
 
Todos os nomes, conceitos e personagens são © e ® de seus proprietários. Todo o resto é propriedade hyperfan.