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Birds of Prey # 18

Por Igor Appolinário

Um Caso do Passado — Parte IV
Pax Armada

Torre do Relógio — Gotham City

— Então foi ela que destruiu aquela cidade! (*) — diz Cassandra, espantada — Me lembro do meu... dele lendo o jornal.

— Pois é, Garra é uma mulher muito perigosa. — diz Babs, séria — Ela não tem limites...

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Bayandzurh

Phillip Lecroix observa o cadáver de seu adversário. O filete de sangue que sai da boca mancha o comunicador que repousa sobre a mão esquerda.

— Ele conseguiu disparar o maldito míssil...

Lecroix corre para dentro do galpão, pulando por sobre os terroristas mortos e ignorando aqueles que correm na direção contrária. Ele chega até perto das bombas remanescentes e pega a grande maleta com os cartões eletrônicos. Depois, pega o jipe e parte para a direção oposta a que veio, seguindo para a capital.

O sol bate contra as areias do deserto. Sua luminosidade se espalha, como se refletida em um espelho. O calor se dispersa no ar, fazendo os pulmões arderem e a boca ficar seca. Dinah caminha pela estrada aplainada em meio a esse inferno na Terra, seu corpo em confronto contra o calor.

Os cortes causados na luta contra Garra Vermelha ardem e se enchem de areia. Os ventos atingem a vigilante sem dó, uivando em seus ouvidos como fantasmas raivosos. Lentamente, um ronco sincronizado e constante vai crescendo às costas de Dinah. Ela continua sua caminhada inexorável, ignorando mais uma ilusão de sua mente ressequida pelo calor.

O ronco continua crescendo e se aproximando, acompanhado de um som rouco, como um grito masculino.

— Canário Negro! Canário! — grita Lecroix, se aproximando com o jipe.

Ulan Bator — Capital da Mongólia

O jipe empoeirado de Lecroix e Canário Negro pára em frente ao palácio do governo da Mongólia. Alguns poucos soldados, desorientados e aparentemente sem comando, mal tentam impedir a passagem dos dois.

— Isso está muito estranho... — sussurra Lecroix, desconfiado.

Canário Negro sobe decidida as escadarias. O vislumbre da revanche enchendo todos os seus pensamentos. Ao final do corredor principal, uma secretária assustada não oferece qualquer resistência a sua passagem. Na sala, um choque tira os dois da realidade da cena.

— Entrem, entrem. — diz Garra Vermelha, sentada na cadeira do presidente. O corpo dele e do primeiro-ministro jazem ensangüentados sobre a mesa — Já não podem fazer mais nada por esses dois, ou para me impedir...

Dinah dá um passo para frente, seus olhos queimando de fúria.

— Se eu fosse você, não faria nada imprudente.

— E por quê? Eu conheço seus truques agora, poderia quebrá-la em um segundo.

— Bem, isso pode ser verdade, mas também seria um grande empecilho para as relações entre os nossos países. Eu governo a Mongólia agora...

Garra estende o documento assinado para Canário Negro. A vigilante lê o papel, enojada. Oráculo fica intrigada com o silêncio no comunicador.

O que o documento diz, Canário?

— Ele... diz que ela é a nova "imperatriz" da Mongólia, com sua ascensão ao novo trono mongol garantida pelas assinaturas dos chefes do governo e do Estado... ela é "dona" deste país agora, Oráculo... meu Deus!

— Por que você fez isso? — grita Lecroix — Você destruiu uma cidade inteira por isso?! Você é louca!

— Louca? Não, eu sou uma visionária! Eu descendo diretamente de Gengis Khan, o maior líder que esse país já teve! Sob meu comando, a Mongólia voltará a ser grande, como no tempo de meu antepassado. Minhas terras se estenderão do oriente próximo ao leste distante e todos em meu caminho sucumbirão... um a um.

— Você não vai conseguir isso! Não vai destruir a soberania de todos esses países, não sem que antes os Estados Unidos da América defendam essas nações!!

— Pois bem. Vamos evitar que um "acidente diplomático" ocorra aqui então. Saiam, deixem este país imediatamente. Não quero ter que destruí-los para ver meus objetivos cumpridos.

Espaço Aéreo Russo

Um grande avião militar, coberto de insígnias mongóis, cruza o ar russo em meio a uma grande tempestade elétrica. Dentro do imenso compartimento de carga, Lecroix e Dinah dividem um pequeno cobertor de viagem, evitando congelar no frio metal.

— Eu falhei... — diz Canário, desconsolada.

— Não diga isso...

— Como não? Ivana conseguiu o que queria! Ela agora comanda um país inteiro! Um país com armas nucleares!

— Bem... — diz Lecroix, puxando uma sacola para si e abrindo-a — Quanto a isso não precisamos nos preocupar... por enquanto.

— Ah, os cartões de acionamento! Você é maravilhoso! Mas... ela ainda tem o material, pode aprender muito com as bombas...

Dinah admira os cartões magnéticos. Ela apoia a cabeça no ombro de Lecroix e suspira, fechando os olhos

Torre do Relógio — Presente

— Então foi assim... — termina Babs.

— Uau!! Vocês realmente se metem em cada intriga, mas...

Com um forte zumbido, a luz retorna ao prédio (**) e a televisão começa a funcionar. Cass, Dinah e Babs olham para a tela, que mostra o noticiário, e para os DVDs sobre a mesa. Elas voltam a conversar, desinteressadas nos filmes.

— Babs, por que esse caso em especial? — pergunta Cassandra, curiosa — Parece que faz tanto tempo...

...e agora, notícias do mundo. Na Mongólia, hoje foi comemorado o aniversário da posse da atual governante do, agora, trono mongol, Ivana Pagamaldin. Mais conhecida por seu povo como Garra Vermelha, ela...

Instantaneamente, as três mulheres voltam-se para o televisor, a tempo de ver uma grande parada militar, liderada por membros da milícia vermelha, com Garra Vermelha no comando, no centro das homenagens, cercada por dezenas de bombas nucleares.

— Por que essa história em particular, Cass? — diz Oráculo, sombria — Por que parece que ela ainda não teve fim...


:: Notas do Autor

(*) Na edição anterior. voltar ao texto

(**) Você leu o primeiro capítulo, certo? voltar ao texto




 
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