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Birds of Prey # 21

Por Igor Appolinário

Frances Kane, a jovem meta-humana conhecida como Magenta, caminha por uma avenida movimentada da grande Metrópolis. Ela olha para o prédio próximo e um grande telão eletrônico mostra a Liga da Justiça ajudando náufragos de um desastre no mar. Um raio vermelho corre por entre as ondas e carrega pessoas de um lado para o outro, salvando-as de tubarões esfomeados. Magenta olha fixamente a tela e sua expressão vai mudando lentamente para um ódio desfigurante. Seus olhos brilham e o telão começa a se contorcer e a se soltar do prédio, caindo no meio da rua. Quando a poeira abaixa, sobram apenas pessoas feridas e assustadas, e a jovem some.

Vingança Magnética
Estágio Metrópolis

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Torre do Relógio

— Você precisa mesmo de toda essa parafernália? — pergunta Helena Bertinelli, a Caçadora, para Oráculo, que ajusta alguns aparelhos dentro de um grande SUV.

— É meu equipamento básico, vou poder ficar conectada com a Torre quando estivermos em Metrópolis.

— "Estivermos"? Eu ainda não concordei com isso!

— Você não quer pegar a Magenta?

— Sim, aquela maldita me paga!

— Parabéns, Babs. — cochicha Dinah — Você sabe como atiçar o "fogo assassino" nessa doida.

Planeta Diário — Metrópolis

— Mas Perry...

— Sem "mas", Lane. Eu já mandei o Kent pro Cazaquistão pra averiguar aquela história. Você vai pro tal grande lançamento que a LexCorp Technology vai fazer hoje à noite.

— Perry, você sabe que eu e Lex Luthor não somos os melhores amigos. Isso vai dar confusão...

— Lois, você é uma repórter profissional. Seja profissional!

Lois olha indignada para Perry, mas não diz mais nada e sai da sala. Perry bufa a joga as mãos por alto, murmurando algo como "Pelo fantasma de César!".

Torre LexCorp — Metrópolis

Lex Luthor, empresário e gênio científico, observa os números descendentes que aparecem na pequena tela de cristal do elevador. Sua guarda-costas pessoal e faz-tudo, Mercy, está parada ao seu lado, estalando os dedos vigorosamente.

— Pare com isso, me irrita. — diz Luthor, e o barulho pára imediatamente — Quando você for mais velha vai me agradecer pela flexibilidade de suas juntas.

O elevador pára. Lex e Mercy descem em um grande laboratório subterrâneo, cheio de faíscas e fumaça. Lex caminha até o fim de um grande corredor onde encontra um grupo de cientistas cercando um pequeno aparelho.

— Então, senhores, espero que tudo esteja pronto para hoje à noite.

— Senhor Luthor, não temos tanta certeza disso... — diz timidamente um deles.

— Dr. Odenberg... — sibila Lex — A LCTech é um investimento substancioso da LexCorp. Se esse projeto não estiver pronto a tempo, eu vou descontar cada centavo do prejuízo do seu salário.

— M-mas, sr. Luthor, esse é um projeto milionário!

— Eu sei, doutor. Isso significa que você vai trabalhar de graça para mim por muito, muito tempo.

Metrópolis

O SUV de Oráculo entra na cidade e pára em um beco deserto. Dinah e Helena saem do carro usando roupas civis.

— Meninas, — diz Bárbara pela porta do carro — procurem qualquer sinal de atividade da Magenta. Eu vou investigar os sistemas eletrônicos atrás das fontes de tecnologia.

— Por que eu acho que ela sempre fica com o trabalho mais fácil? — diz Helena, se afastando do SUV.

— Eu não vou nem começar a cogitar a hipótese de discutir isso com você. Vamos logo. — diz Dinah, dobrando uma esquina.

Oráculo tranca o SUV e inicia seus sistemas. Ela sabe onde procurar informação, independente de onde esteja. E em Metrópolis, onde mais se pode conseguí-la? Babs hackeia os sistemas do Planeta Diário e se conecta em seu banco de dados, baixando todo tipo de informação útil.

Planeta Diário — Metrópolis

— Mas que droga! — grita Lois, dado um tapa no monitor de seu computador.

— Lois, não adianta partir pro método das cavernas, isso é uma máquina sensível. — diz Jimmy Olsen, fotógrafo do Planeta, entrando na redação.

— Sensível? Ele vai sentir a sensibilidade de um tijolo na tela se não funcionar! Eu estou tentando começar meu artigo sobre o lançamento na LexCorp, mas essa porcaria só trava!

— Chama o Eddie, da manutenção, que ele dá um jeito. Parece que tem outros PCs com problema hoje.

— Aquele idiota? Prefiro que minha avó esclerosada mexa no meu computador. Jimmy... você entende um pouco de computadores, não entende?

— Ah, Lois, eu tenho... tenho... fotos do parque novo... você sabe.

— Sente-se aqui, Olsen, e dê um jeito nessa máquina. Eu tenho que ir.

Lois pega sua bolsa e sai da redação. Jimmy, resignado, senta-se na cadeira dela e começa a mexer no computador travado.

Washington, D.C. — quartel-general da CIA

— A Agência de Regulamentação de Imprensa me chamou aqui por que, Taylor?

— Agente Jordan, temos monitorado todas as fontes de comunicação há muito tempo e a ARI me informou que existe um alerta silencioso de infiltração dos sistemas do Planeta Diário em Metrópolis. Eles dizem que não bate com nenhum tipo de identificação terrorista, mas, cruzando com o banco de dados que possuímos, eu posso dizer que é uma fonte conhecida.

— Quem está invadindo, Taylor?

— É Oráculo, Jordan. Mas parece uma transmissão móvel, acho que ele está na cidade.

— Mande agentes de campo pra lá agora! Quero a triangulação do sinal! Encontre Oráculo!!!

— Canário, câmbio. Aqui é Oráculo, responda.

Babs, por favor, me deixa esganar essa maluca!

— Dinah, foi você que me disse que ela "até trabalhava bem", não vai se arrepender agora.

Eu e minha boca grande... mas qual a novidade?

— A LexCorp vai lançar um novo aparelho eletrônico hoje no final da tarde, na frente da Sede da empresa.

Um alvo perfeito para Magenta. OK, eu e a psicótica de plantão estamos a caminho. Câmbio,desligo.

Torre LexCorp

Magenta flutua alguns metros acima do telhado da torre, o sol se pondo às suas costas. Ela parece meditar, mas na verdade vasculha com seu poder o topo do edifício, seguindo as linhas elétricas, as placas de metal, até encontrar o que procura.

Ahhh! — grita a meta-humana, arrancando parte do telhado com seu poder magnético. Magenta olha o rombo e vê, com um sorriso malicioso, o poço do elevador, por onde desce levemente.

No subsolo, a porta do elevador explode, cortando a sala até a parede do lado oposto. Os cientistas, instintivamente jogados no chão, olham para o rombo onde a porta estava e vêem a jovem em cores magenta e prata atravessar a sala. Magenta olha os equipamentos e máquinas, aparentemente não encontrando o que procura. Seus olhos brilham prateados furiosamente.

Lex Luthor e Mercy sobem as pequenas escadas do palco montado na praça em frente à Torre LexCorp; ele parece muito satisfeito. Um grupo de cientistas nervosos os aguarda próximos a uma máquina coberta por um pano branco.

Na platéia, Lois arranja um lugar na área reservada à imprensa, o mais próximo possível do palco, e encara Lex com certo asco. Dinah e Helena ficam no fundo da aglomeração, observando as cercanias, à procura de Magenta. Lex se posiciona em frente a um púlpito e começa a apresentação:

— Caros colegas metropolitanos! É com muito orgulho e prazer que trago a vocês um dos projetos pioneiros da LexCorp Technology, com grandes aplicações militares e civis. Conheçam o eficiente... escudo de som!

Os cientistas retiram o pano de cima da máquina e revelam algo parecido com um canhão hi-tech. Eles ligam o aparelho, que emite um zumbido rouco e nada mais. As pessoas da platéia parecem confusas e os jornalistas começam a disparar perguntas. Lex ignora as reações e faz um sinal para Mercy, que tira uma pistola de dentro do blazer e mira para os cientistas. Por um segundo, todos ficam calados e Mercy dispara três vezes. O silêncio se aprofunda e as pessoas se espantam: as três balas estão paradas no ar, a menos de um metro dos cientistas e da máquina. Lex sorri.

— Alguma pergunta, senho...

BAMMM!!!!

O chão se rompe e Magenta surge do subsolo. Imediatamente, Dinah e Helena tiram as roupas civis e correm para o meio da multidão. Mercy atira em Magenta, mas as balas simplesmente ricocheteiam e a guarda-costas é jogada para longe. Lex pula para o meio da multidão e se esconde atrás de uma mesa virada, logo ao lado de Lois Lane, que não corre como os outros.

— Creio que esse deve ser mais um dia comum para uma repórter de um grande jornal metropolitano. — diz Luthor.

— Pois é, mas imagino que seja um dia atípico para um executivo e gênio do crime. — responde Lois.

— Discordo da parte "gênio do crime", mas sim, é bem diferente do que eu estou acostumado na guerra empresarial.

SKRIIIIIIEEEEEEEEE!!!

— Pois parece que você tem um anjo da guarda, ou melhor, um canário da guarda. — ironiza Lex.

— Seu humor simplista me emociona...

Canário Negro usa seu grito sônico tentando impedir que Magenta pegue o aparelho. Caçadora corre entre a população, guiando-as para um local seguro. Magenta ergue a máquina do chão e, ao mesmo tempo, com um movimento de mão, lança diversas cadeiras contra Canário, prendendo-a no chão. Ela ergue vôo com a máquina e pára um dos trens que cruzam a cidade, entrando e partindo.

— Maldita... — diz Caçadora, terminando de armar sua balestra.

— Caçadora! — grita Dinah, em sua prisão de metal — Pode me dar uma mãozinha...?

Lois e Lex saem do abrigo da mesa e observam a confusão. Eles parecem querer dizer algo um ao outro, mas apenas se viram e partem. Dinah, finalmente livre, e Helena também saem da cena do crime.

Planeta Diário

Lois entra na redação apressada e encontra Jimmy ainda mexendo em seu PC. Ela derruba o fotógrafo da cadeira e se senta.

— Então? Arrumou?

— Bom, agora dá para usar, mas tem uma coisa muito estranha. Parece que tem alguém usando nossos servidores clandestinamente. Eu segui o sinal com o sistema de proteção de arquivos e parece que vem daqui de Metrópolis mesmo, em uma rua a três quadras de distância.

— Quem ia querer roubar arquivos do Planeta?

— Talvez o Estrela (*), ou alguém que não queira que nossas matérias saiam..?

— Luthor! — grita Lois, saindo furiosa da seção e deixando um Jimmy confuso para trás.

Beco

Lois encontra o SUV de Oráculo parado no beco e abre a porta, encontrando algo inesperado. Bárbara, em sua cadeira de rodas, cercada de monitores e equipamentos eletrônicos.

— Lois Lane... — sussurra Oráculo, espantada.

— Quem é você? Está trabalhando pro Luthor?!

Oráculo nada diz e tenta alcançar um pequeno botão de pânico instalado no SUV, para ocasiões como esta. Mas, no exato momento que seu dedo toca o acionador, Canário Negro e Caçadora surgem no beco.

— Eu trabalho com elas! Sou ajudante delas! — dispara Oráculo, piscando loucamente para as duas vigilantes.

— É, isso mesmo. — diz Canário, vacilante — E quem é você?

— Lois Lane. E vocês vão me dizer exatamente o que está acontecendo aqui.

Babs, Dinah e Helena se entreolham confusas, enquanto Lois as encara com uma expressão decidida no rosto. No monitor mais próximo, o trem magnetizado por Magenta se dirige para o meio-oeste americano.


Continua...


:: Notas do Autor

(*) O jornal Estrela Diária é o grande concorrente do "Planeta Diário" em Metrópolis. voltar ao texto




 
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