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Birds of Prey # 22

Por Igor Appolinário

Flash, o velocista escarlate da Liga da Justiça, percorre as ruas de sua cidade-base, Keystone City, como um raio vermelho. Ele cruza as ruas salvaguardando o bem-estar dos moradores da cidade. Mas, ao se aproximar de um prédio em construção, a grande estrutura de metal começa a chacoalhar violentamente e grande vigas são lançadas na rua, próximas ao velocista. Flash desvia dos projéteis e se afasta do prédio, observando ao redor para verificar inocentes por perto. Mas tudo está deserto, os prédios ao redor vazios, a não ser por um leve brilho magenta em uma janela escura.

Vingança Magnética
Estágio Final

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Torre do Relógio — Gotham City

Os computadores da Torre do Relógio trabalham freneticamente. Mesmo que aparentemente estejam desligados quando Oráculo não está presente, seus poderosos processadores continuam a rodar em extrema atividade.

Com um simples contato de sua mestra, os sistemas conectam-se à rede etérea da internet e atingem os sistemas dos Laboratórios STAR em sua principal base, na cidade de Metrópolis, preparando-os para a chegada de Oráculo.

Laboratórios STAR — Metrópolis

O grande SUV de Oráculo sobe uma larga rampa em frente ao prédio principal dos Laboratórios STAR. O carro pára ao lado de uma guarita de segurança e um guarda sisudo se aproxima.

— Identificação, por favor.

Alguns segundos passam em branco enquanto o segurança olha para o vidro escuro do SUV. Mas, de repente, um rosto digital esverdeado se projeta no vidro. Como se fosse algo corriqueiro, o guarda pega um pequeno aparelho e o acopla na parte superior da janela. O aparelho lentamente percorre a imagem digital e após alguns segundos emite um sinal de aprovação:

Assinatura morfo-digital analisada. Identidade confirmada: Bem-vindo, Oráculo.

O segurança se afasta alguns passos e deixa o SUV passar pelo portão que se abre automaticamente. Dentro da grande estrutura do prédio, o SUV é recebido por uma comitiva de cientistas e soldados.

— Oráculo, é um prazer tê-lo em nosso laboratório novamente. — diz um dos cientistas, olhando para a imagem digital no vidro.

O prazer é todo meu, dr. Grandenthal, mas não estou aqui para uma visita social. Preciso de um teleporte para Keystone City, urgentemente. Estamos seguindo uma ameaça meta-humana e precisamos chegar lá imediatamente.

— Claro, tudo o que precisar. Afinal, devemos a segurança de nossos sistemas a você, meu caro...

— Eu me surpreendo a cada dia com essa sua rede de contatos. — diz Canário Negro.

— Me diz aí, quando a "Bela Adormecida" aqui vai poder acordar? — pergunta Caçadora, empurrando a cabeça de Lois para o lado, fazendo-a cair sobre o banco.

— Assim que chegarmos. Ainda bem que ela concordou em ser sedada, ou teríamos problemas em esconder minha identidade.

— Caçadora e Canário Negro, existe um pátio de trens no final da linha principal que leva a Metrópolis. Vocês podem começar a investigar por ali e depois vamos cruzar as informações com os satélites de observação. Lois, Magenta já foi uma heroína e temos alguns registros dela. O mais importante é um endereço em Blue Valley, você pode ir até lá para investigar a vida de Frances Kane. Mantenham contato e cuidado.

— Ela é meio mandona pra uma ajudante, não? — sussurra Lois para Canário Negro, que apenas vira os olhos e parte com Caçadora.

Indústrias Kord

— Você sabe que eu não gosto desse tipo de invasão, Oráculo.

Desculpe, Ted, mas preciso de uma informação urgente e decididamente você era a melhor escolha.

— Estou lisonjeado e, agora, suscetível ao seu encanto digital. Diga-me, do que você precisa?

Preciso que analise essas plantas de equipamentos e me diga o que afinal essa máquina pode fazer...

Blue Valley — Arkansas

— Olá, alguém em casa? — diz Lois Lane, já quase dentro da simples casa no subúrbio de Blue Valley — Tem algum Kane por aqui?

— Quem é você? — diz uma senhora de longos cabelos grisalhos surgindo de uma porta ao fundo da grande sala — O que quer na minha casa?

— Hã... a senhora deve ser a sra. Kane, certo? — diz Lois, e continua após uma confirmação — Eu preciso falar com a senhora sobre sua filha...

Keystone City

Em um grande pátio de trens de carga, Caçadora e Canário Negro vasculham os coletivos à procura de Magenta.

— Nada nesse aqui. — diz Caçadora, pulando de um vagão — Nós vamos ficar uma eternidade aqui, são trens demais!

— Hum... acho que não. — diz Canário Negro, entrando em um grande trem prateado — Parece que encontramos o ninho da nossa pequena La Traviatta.

— Aí está, mas seja rápida... por favor. — diz a sra. Kane, saindo do quarto apressada.

— Nossa, parece que alguém tinha uma fixação... — diz Lois, entrando no quarto. A cena é dantesca, mas esclarecedora. Dezenas de revistas, pôsteres, brinquedos, figurinhas e outros apetrechos promocionais se encontram espalhados pelo quarto. Todos com o mesmo rosto, o mesmo símbolo heróico: o Flash. Somente isso não bastaria para chocar os sentidos jornalísticos da grande repórter Lois Lane, mas o fato de todo e qualquer pequeno adereço mencionado estar rasgado, rasurado, quebrado ou destruído, é realmente uma surpresa. Ela revira algumas gavetas e quando sua mão encosta em algo maciço e quadrangular, um sorriso se abre em seu rosto.

— Querido diário...

— OK, vamos destruir essa porcaria! — diz Caçadora, já armando sua balestra com uma flecha explosiva especial desenvolvida por Oráculo — Vamos ver o que essa belezinha pode fazer.

— Tenha cuidado, nós achamos a máquina, mas ainda não achamos a Magen... aaahhhhh!!!!!

O teto do trem é arrancado com um golpe violento e as vigilantes ficam cara-a-cara com uma Magenta furiosa.

— Saiam de perto da máquina, ou matarei as duas! — diz Magenta, com sua voz ressoando como metal.

Base operacional

Lois se aproxima de um pequeno galpão abandonado no centro de Keystone. Em seu íntimo ela se pergunta por que deixou que a desmaiassem para chegar lá. Há muitas perguntas sem resposta. Mas pelo menos para uma ela tem a resposta em mãos, literalmente.

— Cynthia, você não vai acreditar no que eu achei. — diz Lois, se dirigindo a Oráculo pelo nome falso que ela lhe apresentou — Frances Kane, vulgo Magenta, que já foi uma conhecida heroína e agora está enlouquecida por que... tomou um fora do Flash! Parece roteiro de novela mexicana. Devia ter visto o quarto da maluca.

— Bom, pelo menos esse motivo explica o porquê dela ter rouba a máquina, você não imagina o que ela faz...

WKTV — Keystone

— Linda! Linda! — grita o editor-chefe da WKTV — Tenho um furo de reportagem pra você.

— Nossa, chefe, o que é tão bombástico assim? — diz Linda Park, a bela e famosa jornalista oriental da WKTV, e ex do velocista Flash.

Bombástico! Essa é a palavra! Uma briga de metas (*) no parque de trens Halley. É a sua especialidade, babe!

Interlúdio — Washington D.C. — quartel-general da CIA

— Vamos ver isso aqui. — diz o agente Taylor, sozinho em uma sala de comando. Ele inicia uma gravação em vídeo e vemos o confronto de Canário e Caçadora contra Magenta em frente à LexCorp. (**) Taylor diagrama os rostos das duas vigilantes e os coloca em um grande esquema, mostrando várias heroínas. Na base do grande esquema, a inscrição: "Operativos de Oráculo" — Você pode ter escapado de mim em Metrópolis, Oráculo, mas eu ainda te pego.

Vagões voam pelo parque de trens, quase atingindo Canário Negro e Caçadora. Canário usa seu grito sônico para repelir o ataque, mas não consegue atingir a vilã, que se protege em uma redoma de trilhos. Em uma parte afastada do parque, Linda Park caminha sutilmente, gravando tudo com uma câmera portátil. De repente, ela tromba em outra pessoa que também caminhava sorrateiramente pelo pátio.

— Mas que diab...! — começa Linda, ao se virar e dar de cara com Lois Lane.

— Você!?

— Eu cheguei aqui primeiro e sou da cidade, tenho prioridade! — grita Linda.

— E eu estou seguindo essa maluca desde Metrópolis, então dê o fora!

— Nem ferrando...!

— Então vamos ver...

As duas se separam e tentam se aproximar mais do embate. No SUV estacionado do lado de fora do pátio, Oráculo acessa os sistemas da companhia energética da cidade.

"Fácil demais." — pensa ela, pressionando alguns comandos e desligando a energia daquele e dos quarteirões ao redor. Quando as luzes do pátio se apagam, as únicas coisas visíveis são as sombras dos vagões e a energia rósea de Magenta. De repente, um raio avermelhado cruza o campo de visão de Canário Negro, e ela advinha a chegada de um amigo.

— Flash, cuidado! Magenta está aqui atrás de você!

— Não se preocupe. — diz Caçadora — Sem energia elétrica ela não vai conseguir nada!

— Toda corrente elétrica cria um campo magnético... — começa a dizer Magenta, criando um grande campo em torno de si.

— ... e todo campo magnético cria uma corrente elétrica! — completa Oráculo do SUV, que ouve a tudo pelo comunicador das vigilantes — Dinah, cuidado! Ela vai energizar a máquina.

O campo magnético de Magenta começa a estalar com a eletricidade estática, fazendo que todos os metais em que toque fiquem eletrificados. A vilã direciona seu campo para a máquina e a aciona.

Flash corre para máquina, tentando desmantelá-la, mas ela é acionada e ele é atingido por uma onda invisível que paralisa seu corpo, deixando o velocista escarlate imóvel.

Dinah, a máquina é um disruptor vibracional! Ela deixa velocistas inertes, Flash está à mercê de Magenta!

Magenta se ergue em fúria e explode sua gaiola de trilhos, partindo para cima de Flash. Canário Negro aproveita a distração da vilã e a ataca com seus gritos supersônicos. Magenta é pega de surpresa e fica desnorteada. Caçadora aproveita o momento e lança uma boleadeira na vilã, fazendo-a cair no chão, inconsciente. Em mais um movimento rápido, Helena dispara sua balestra em um ponto estratégico do disruptor e destrói a máquina, libertando Flash. Lois e Linda se aproximam dos heróis.

— Ótimo trabalho, meninas. — diz Lois, se aproximando de Canário e Caçadora, que cercam Magenta — Digno de primeira página, eu diria.

— É melhor nos manter longe das capas, sra. Lane. — diz Canário — Você sabe como isso atrapalha nosso trabalho.

— Olá, Linda... — diz Flash, se aproximando da jornalista — Bom revê-la.

— Estou feliz que esteja bem, Wally. Mas preciso ir, tenho trabalho a fazer. — diz Linda, dando as costas ao velocista e partindo.

— Ouch! Essa doeu! — diz Caçadora.

— Deixa ele em paz. — diz Canário. Ela então pressiona um dos brincos e diz — O que faremos com ela, Oráculo?

Deixe que o Flash a leve, eu já falei com ele. Tenho algumas idéias em mente.

Flash pega Magenta e parte da cena. Lois e as vigilantes também partem, deixando para trás o pátio de trens devassado.

Epílogo 1

Heroínas salvam o dia" — por Lois Lane

Oráculo lê estupefata a matéria escrita por Lois na versão digital do Planeta Diário. Detalhadamente descrita, a ação de Canário Negro e Caçadora está agora estampada em todo o planeta. Mas o que mais a surpreende é a habilidade jornalística da repórter em contar toda a história sem mencionar nada sobre quem são as referidas heroínas.

"Ela é perita no que faz." — pensa Oráculo, sorridente — "Vou me lembrar disso no futuro."

Epílogo 2

Canário Negro pousa em um telhado com um galante arquejo, sendo seguida por Caçadora, que rola ao final do salto, parando ao lado de Dinah.

— Pensou no que eu te disse? — pergunta Dinah, sentando no beiral do prédio.

— Hum... pensei sim. Devo dizer que é uma proposta tentadora, mas... — começa Helena.

— Mas! Mas! Como você é cabeça-dura, garota! Essa é uma oportunidade de ouro! Oráculo pode elevar sua moral com o morcegão, se é isso que você quer! Além do mais...

Calada! Você fala demais ! Seu codinome deveria ser Matraca Negra! Eu ia dizer que aceito o convite, mas que quero agir do meu jeito, sem tagarelice da parte de vocês.

— É... bom, o que eu posso dizer? Bem-vinda à equipe!

Epílogo 3

Um aparelho de TV distante passa as notícias da noite. Ela não consegue ouvir o que dizem os apresentadores, mas pode sentir as ondas, trazendo o som e as imagens até ela. Os grandes abafadores magnéticos a mantêm paralisada, incapaz, mas não completamente subjugada. É uma questão de vontade que a mantém lá. Sua interlocutora misteriosa, uma visitante inesperada e desconhecida, lhe disse que logo ela estaria fora dali, era uma questão de se comportar e seguir o que fosse mandado. Ela aceitaria as regras, pois aquela voz dócil e simpática também lhe disse que sofrer por um amor perdido seria tolice, ela poderia provar que era maior do que isso. E provaria.

O som da TV muda drasticamente e o apresentador se mostra empolgado, quase eufórico. Nada na notícia faz sentido, apenas um nome, repetido insistentemente: Flash, Flash, Flash. Inesperadamente, para ela mesma, o nome não a enfurece. Sua reeducação já está começando. Como se mostrasse a sua professora que já começava a entender a matéria, ela olha de soslaio para o cartão esverdeado sobre a mesa, sorrindo.

Na sala ao lado, o segurança assiste ao jornal entusiasmado, vendo seu herói favorito correr pelas ruas da cidade. Mas, de repente, um pequeno curto elétrico desliga o aparelho, deixando-o muito frustrado.


:: Notas do Autor

(*) "Metas" é o apelido usado por pessoas normais, geralmente militares, para os meta-humanos. voltar ao texto

(**) Na edição anterior. voltar ao texto




 
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