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Birds of Prey # 23

Por Igor Appolinário

A Pedra Macedônica
Parte I

Torre do Relógio — Gotham City

Os monitores da Torre do Relógio mostram dezenas de informações por minuto. Necessidade de sua atividade, Oráculo está ligada a todos os sistemas de monitoramento do mundo e, principalmente, de Gotham City. E é justamente um dos sistemas de monitoramento da cidade que mostra uma informação aparentemente inofensiva: um grande cargueiro se aproximando do porto. Sua carga, algo até então desconhecido e mortal...

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Museu William Finger — Gotham City

Uma grande comemoração acontece no salão principal do museu mais importante e imponente da cidade. Os figurões e milionários, os críticos e especialistas, todas as pessoas importantes da cidade comparecem ao mais novo empreendimento das Empresas Wayne: uma gigantesca exposição de relíquias da antigüidade grega. Bárbara Gordon e Dinah Lance conversam ao lado da vedete da exposição: a pedra macedônica.

— É realmente uma peça impressionante. — diz Dinah, olhando para a cúpula de vidro que protege a pedra — Mas para que tanta proteção?

— A peça tem uma história muito interessante. Ela... — Babs começa a dizer.

— Blá! Blá! Blá! — caçoa Helena Bertinelli, se aproximando delas — Que chatice! Eu podia estar em casa corrigindo minha provas, ou caçando alguns bandidos nas ruas.

— É, depois me perguntam se você tem uma vida social normal. — diz Dinah, ácida — Aproveita a oportunidade, garota! Procure alguém interessante... e relaxa essa cabeça-oca...

— Hum... parece que o "alguém interessante" está se aproximando agora mesmo. — diz Helena, olhando por sobre o ombro.

— Bruce, que prazer em revê-lo! — diz Babs, cumprimentando o milionário Bruce Wayne, que se junta às garotas.

— O prazer, como sempre, é todo meu, srta. Gordon. — diz Wayne, galante — Creio que não as conheço... muito prazer, Bruce Wayne. — completa o playboy, para Dinah e Helena.

— Dinah Lance e Helena Bertinelli, duas amigas. — diz Bárbara.

— É um prazer, sr. Wayne. — diz Dinah — Mas nos desculpe, já estamos de saída.

— Mas eu... — começa Helena.

— Vem! — diz Dinah, puxando Helena pelo braço — Acho que vi o herdeiro dos Davenport daquele lado ali.

Bárbara e Bruce observam as duas se afastarem. Quando se encontram sozinhos, Bruce se vira para Babs, a expressão em seu rosto completamente mudada, séria.

— Sabe, — diz Babs — eu ainda me pergunto quem é a verdadeira máscara de quem.

— Quem sabe um dia nós dois descubramos... — diz Wayne, a voz grave e soturna — Eu estou preocupado com a segurança da pedra, Oráculo.

— Não se preocupe, você sabe que eu posso colocar os melhores dispositivos eletrônicos do mundo para proteger essa raridade. — diz Babs, com um sorriso no rosto — Será um prazer.

Porto de Gotham

Um grande navio se aproxima das docas do porto de Gotham. Lentamente ele se liberta da neblina que encobre o mar e atraca sua grande carcaça metálica. Na lateral de metal esverdeado, podemos ver o nome da embarcação, grafado em letras brancas: "al-Kasr, a Fortaleza".

Na proa, uma bela jovem de cabelos castanho-escuros observa as luzes da cidade logo a frente. O vento frio da noite lhe dá um calafrio e, como que surgido do nada, ela é envolta por um grande casaco.

— Obrigada, Ubu. — diz Tália, se aconchegando na pele sintética — Finalmente chegamos.

— Sim, srta. Tália. — diz o fiel servo Ubu, seu rosto admirado com as luzes e sons — Logo, a missão do cabeça do demônio estará cumprida.

— Sim, a missão. A maldita missão de meu pai! — se irrita a jovem, jogando o casaco no chão — Você não devia ter vindo, Ubu. Nenhum de nós devia ter vindo. Esse incessante e desnecessário desejo de meu pai de purificar a Terra ainda levará a todos nós... e a quem amamos... para o túmulo!

— Srta. Tália! Não devemos nunca duvidar das aspirações do grande Ra's Al Ghul. Isso é um sacrilégio!

— Ubu... sempre fiel Ubu, assim como todos que o precederam. Não se irrite com minha explosão, eu tenho muito rancor e respeito guardado por meu pai. Mas não é hora para isso, não agora... cumpra sua missão: libere a Liga de Assassinos. (*)

Torre do Relógio

— OK, eu sou professora, entendo o valor de peças históricas, mas uma pedra é uma pedra!

— Helena, você não conhece a história da pedra, mas eu posso te inteirar do assunto... em 333 a.C., durante a grande derrocada do império persa, o conquistador grego Alexandre, o Grande, percorrendo as planícies do que hoje é a Turquia, teria encontrado um "grande tesouro" que o auxiliou, junto à sua grande cavalaria e esquemas táticos superiores para sua época, contra os persas. Ninguém sabe ao certo, mas relatos dizem que Dário III, temendo o poder do achado de Alexandre, fugiu de seu reino, deixando para trás tudo que lhe era mais precioso. Após sua corrida expansionista pela Ásia, Alexandre, temendo pela segurança de seu maior segredo, teria escondido o "tesouro" em algum lugar da Grécia...

— Uau, bela lenda. — diz Dinah.

— É, e eu achando que o maior segredo dele era a paixonite pelo general bonitão. Mas, afinal, onde a pedra entra na história?

— Dizem que esta "pedra macedônica" foi escrita à mão pelo próprio Alexandre III e tem alguma ligação desconhecida com o tal tesouro. Uma raridade inestimável.

— É, realmente vale a pena guardar bem a pedra. Isso se o tal tesouro ainda existir.

— Mas, Babs, alguém sabe o que seria o tal tesouro? — pergunta Dinah.

— Bem, avaliando que é, ou era, algo capaz de amedrontar o líder de um dos maiores impérios asiáticos, existem duas teorias: os céticos afirmam que o tal "tesouro de Alexandre" seria o espólio de alguma guerra passada, que poderia abastecer os exércitos do rei macedônio com armas e ouro por muito tempo, ameaçando a hegemonia persa. Já os mais, digamos, exaltados, afirmam categoricamente que o tesouro era nada mais, nada menos que a caixa de Pandora. (**)

Na zona de carga do porto, Ubu termina de retirar as correntes de um grande contêiner de aço. Ele se dirige para a porta e, tirando os grandes cadeados, abre a caixa.

Dentro, assassinos das mais diversas raças e tamanhos meditam tranquilamente, sendo perturbados apenas pela luz do porto. Ubu faz um sinal para eles e todos saem calmamente do contêiner, se misturando às sombras da noite.

Washington, D.C. — quartel-general da CIA

— O que são essas informações aqui, Taylor? — pergunta o agente Jordan, olhando para os monitores por cima do ombro do parceiro — Essas, da Marinha.

— Parece que um grande cargueiro árabe está aportando em Gotham City, mas o plano de viagem não indica a carga.

— Mande uma equipe para lá. Oráculo pode muito bem estar envolvido com ações de terroristas fundamentalistas...

— Mas, Jordan, não há nenhuma ligação entre...

— Faça o que eu digo, Taylor. Eu tenho uma intuição de que eles estão ligados, de alguma maneira...

O., na escuta?

— Sim, B. Pode falar. — diz Bárbara Gordon, a afamada hacker Oráculo, informante do mundo dos heróis. Ela pressente que a chamada tem a ver com a comunicação que acabou de ouvir.

O., você deve ter pego a transmissão dos rádios de polícia sobre um suposto atentado aos mais célebres milionários da cidade. Como estamos?

— Eu já dividi sua equipe entre os alvos mais poderosos. Canário e Caçadora vão proteger dois conhecidos. Você fica com o resto...

Muito bem, O. Câmbio e desligo...

— Eficiência britânica. — brinca Oráculo consigo si mesma — Alfred, na escuta?

Sim, srta. Gordon, sua voz é sempre um sopro de juventude para este corpo cansado.

— Sempre galante, Alfie. Bruce tem aprendido alguns truques com você, tenho certeza. Mas infelizmente essa não é uma ligação social. Espero que sua carabina esteja bem limpa e carregada, Alfie. Tem alguém atrás dos ricaços de Gotham...

— Srta. Tália, a Liga foi enviada.

— Obrigada, Ubu. — diz Tália, colocando suas longas luvas emborrachadas, combinando com o traje todo preto e discreto. Nas costas, uma pequena mochila, quase imperceptível — Agora chegou a minha vez de dar um lance nesse intricado xadrez...

— O., você realmente tem algum tipo de senso de humor. Distorcido e ácido, mas ainda assim humor...

Ora, Canário, você disse ter gostado dele...

— Eu gostei da decoração do apartamento dele! — sussurra Canário Negro em seu comunicador, ao aterrisar na sacada de um grande apartamento de cobertura — Não precisava me mandar atrás do Edward Pritchatt! (***)

WEE WEE WEE

BLAM!


— Droga! — diz Canário. Um alarme de segurança dispara e um tiro quase a acerta, pegando na parede logo ao lado de sua orelha direita. Ela instintivamente recua para as sombras.

— Parada aí!

Dinah prende a respiração ao ver o pequeno homem em seu roupão cor-de-salmão segurando uma grande espingarda. Ela não quer fazer nenhum movimento brusco, nem ao menos rir do conjunto. Como surgidos do nada, seis homens vestidos em negro aparecem na sacada e desembainham grandes espadas afiadas.

— Droga ao quadrado!


Continua...


:: Notas do Autor

(*) Grande organização de artistas marciais comandada por Ra's Al Ghul, já teve, ou ainda mantém, em suas frentes grandes artistas marciais, tais como Lady Shiva e David Cain. voltar ao texto

(**) Reza o mito grego que à Pandora, a primeira mulher criada pelos deuses, teria sido confiada uma caixa, a qual jamais deveria abrir. Enganada e fomentada pela curiosidade, Pandora abriu a caixa e libertou sobre o mundo os males que atormentam até hoje a humanidade, restando no recipiente apenas a esperança, maior das qualidades humanas. voltar ao texto

(***) Não conhece Edward Pritchatt? Confira Birds of Prey # 03. voltar ao texto




 
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