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Birds of Prey # 24

Por Igor Appolinário

A Pedra Macedônica
Parte II

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Torre do Relógio — Gotham City

Oráculo monitora a cidade. Dezenas de pontos se movimentam em seus mapas indicando corpos quentes saltando pelos telhados frios de Gotham. A Liga dos Assassinos, organização encabeçada pelo gênio do mal e ecoterrorista Ra's Al Ghul, invadiu a cidade há algumas horas (*) e ameaça a vida de diversos empresários, exceto Bruce Wayne.

— Ra's, você quase me enganou dessa vez. — diz Bárbara Gordon para ninguém em especial — Mas deixar de atacar Bruce revelou quem é nosso inimigo.

Cobertura de Edward Pritchatt — Centro Residencial Gotham

— Droga! — pragueja Canário Negro, ao vislumbrar sua situação (**) — Sr. Pritchatt, se o senhor fizer a gentileza de se afastar dos ninjas e vier na minha direção... — diz ela, cautelosamente, olhando para a espingarda do milionário.

— Você acha que eu sou idiota? Eu me lembro de você (***) e pra mim você não passa de mais um desses criminosos que rondam a cidade usando roupa colada!

— Olha, agora eu já me enchi de você. — diz Dinah, avançando em um pulo e tirando a arma de Pritchatt. Os guerreiros partem para cima dela e ela usa a espingarda para se defender dos golpes de espada.

Mansão Glow — Gotham

Helena Bertinelli, a Caçadora, desce sobre o telhado da imponente mansão. Ela olha para baixo e vê uma cena inesperada: todos os seguranças da área externa desmaiados sobre o gramado. Ela quebra uma das janelas do piso superior e chega ao salão principal.

— Johnson! Cuidado! — grita Nathaniel Glow, alertando o guarda-costas de confiança do ataque dos guerreiros que os cercam.

Helena salta a pequena amurada que a separa do salão e cai ao lado de Glow e Johnson, cercados pelos guerreiros da Liga dos Assassinos.

Museu William Finger

Tália caminha tranquilamente pela calçada externa do museu. Ela calça as luvas negras e observa pensativa as portas duplas de carvalho. Grossas como a própria terra, velhas como o tempo.

Das sombras de uma curva das paredes de pedra bruta, um vigia surge, olha a estranha figura toda vestida de preto e se aproxima, cautelosa, porém decididamente.

Cobertura de Edward Pritchatt

— E isso é "chutando sua bunda"! — diz Dinah, fazendo um gracejo e imitando uma posição de kung fu. Os guerreiros estão caídos no chão, alguns gemendo de dor, e ela está ofegante, porém vitoriosa — E você, Pritchatt, devia se envergonhar de apontar uma coisa dessas para uma dama. — completa ela para o dono da residência, amarrado em um canto.

Oráculo para Canário Negro, tudo bem?

— Sim, Oráculo. Um pouco suada e fedida, mas bem. Algum problema com os outros?

Robin conseguiu impedir um atentado contra o herdeiro dos Davenport e dos grã-finos do centro, já o morcegão cuidou de mais alguns pela cidade toda...

— Eficiente como o diabo, diga-se de passagem.

Sim, o problema é a Helena. Verifiquei uma movimentação anormal na mansão Glow, acho que temos problema...

Tália caminha pelos corredores vazios do museu. Seus passos ecoam pelo mármore. A sua volta peças de valor inestimável, armaduras antigas, mapas, tapeçarias e guardas desmaiados.

— Ocidentais... — diz ela, aproximando-se de uma grande placa com as inscrições "ala macedônica".

Mansão Glow

Canário Negro desce de sua moto no portão principal da propriedade. Todos os seguranças estão desacordados e ela faz seu caminho facilmente até a entrada. No saguão principal, Dinah encontra Caçadora e Glow cercados por guerreiros, alguns deles caídos no chão.

SKRIIIIIIIIIIIIEEEEEEE!!!!

Dinah usa seu grito sônico, desorientando os guerreiros e dando uma chance para Caçadora se recuperar. Glow aproveita a deixa e corre pelas escadarias, sumindo de vista.

— Realmente um cavalheiro... — murmura Dinah para si mesma.

— O que você está fazendo aqui? — diz Helena, colocando-se em posição de luta ao lado de Dinah.

— Eu vim te ajudar, não deu pra perceber?

— Eu não preciso de ajuda!

— Olha aqui, "rebelde sem causa", você está em uma equipe agora. Nós fazemos tudo juntas.

Helena olha para Dinah com raiva, mas logo se vira e dá um leve sorriso.

Ubu (****) vigia a amurada externa do navio al-Kasr. A grande estrutura metálica balança com as águas, fazendo-o enjoar. Ubu tenta tirar da mente o movimento contínuo e se recorda da real natureza da pedra macedônica, contada pela filha de seu mestre:

"O mítico objeto encontrado por Alexandre, o grande, era na verdade a própria pedra macedônica, meu caro Ubu. Ele conquistou os persas com o terror que aquela pedra poderia liberar. A pedra é um mapa para a fabulosa e perigosa caixa de Pandora, e teria sido escrita pela própria Pandora em seu momento final."

Torre do Relógio

— Eu disse que não precisava de ajuda. — diz Helena, colocando um saco de gelo sobre o estômago.

— Sei, e os hematomas no seu corpo são o quê? Prova de confirmação? — diz Dinah, enfaixando um tornozelo.

— Meninas, por favor... — diz Babs, olhando para elas por cima dos óculos — Depois de verificar os ataques, pude comprovar que realmente Ra's Al Ghul estava por trás dos ataques. Felizmente ninguém morreu, mas agora estou preocupada. Ele queria alguma coisa a mais.

— E você sabe o quê? — pergunta Dinah, indo até ela.

— Ainda não, mas existe um registro no hotel Gotham sobre o nome "T. Head". Obviamente é Tália, mas eu vou hackear os sistemas do hotel para mais informações.

Tália caminha entre os objetos da ala macedônica. Ela avista a pedra no fundo do salão, envolta em uma cúpula de vidro hi-tech. Ela se aproxima com cuidado e acopla um pequeno aparelho no sistema de fechadura da cúpula.

Tália olha o relógio e aguarda, esperando que o processo não demore.

— Nossa, o hotel Gotham realmente melhorou seus sistemas de segurança desde a última vez. — diz Oráculo, olhando para uma tela cheia de códigos numéricos.

Oráculo emprega todos os seus conhecimentos e programas de invasão. Ela estranha a forte e intricada programação do sistema de segurança do hotel, mas segue em frente, quebrando uma a uma as barreiras impostas. Após alguns minutos, a tela principal do sistema surge no monitor de Oráculo, mas, para sua surpresa, a tela muda rapidamente para a do sistema de segurança do museu William Finger. Em letras garrafais, uma palavra em vermelho surge na tela: "Obrigada".

— Dinah, Helena! — grita Babs, percebendo seu engano.

Tália observa a grande cúpula de vidro levantar-se lentamente e deixar exposta a antiga pedra. Ela pega o pesado objeto e deixa um outro, vezes menor, no lugar, saindo tranquilamente do recinto.

Caçadora e Canário Negro correm para dentro do museu deserto. Dinah tropeça em um guarda desmaiado, que apenas grunhe e vira para o lado. Helena chega primeiro ao pedestal da pedra macedônica e encontra apenas um pequeno objeto no lugar.

— É, parece que foram mais rápidos do que nós dessa vez... — diz Caçadora, desanimada.

— Mas o que diabos é isso...? — pergunta Dinah, olhando para o CD na mão de Helena. Na capa apenas uma palavra: "Oráculo" .

— Eu não sei... — diz Oráculo, afinal, após analisar exaustivamente o CD-ROM que Helena e Dinah trouxeram. No monitor, uma pequena tela de senha, com o campo vazio — Eu não consigo quebrar essa senha, é um programa muito avançado.

— Ou seja, até eles quiserem, não vamos saber o que tem aqui. — diz Helena.

— Infelizmente é isso mesmo, mas eu imagino o que eles tenham um plano maior para a pedra...

Navio al-Kasr — no meio do oceano Atlântico

Tália observa o pôr-do-sol, melancólica. Ela sabe que nada pode impedir os planos de seu pai agora, mas isso não vai impedí-la de tentar. Mesmo que ela tenha que recorrer a ajuda de uma ocidental...

No deck inferior, Ubu tranca as portas duplas de uma sala cheia de runas. No meio da sala, um círculo de runas cor-de-sangue contém as energias místicas da pedra macedônica.

Washington, D.C. — quartel-general da CIA

Abre logo a matraca! — grita o agente Jordan, dando mais um soco no homem amarrado. No canto da sala, amontoado e sujo de sangue, um uniforme da Liga dos Assassinos — Onde está seu chefe?!

— < O cabeça do demônio está em toda parte. > (*****) — diz o guerreiro, a boca sangrando em profusão.

— Olha aqui, "Maomé", eu não tenho tempo pra essa palhaçada. Onde está o homem chamado Ra's Al Ghul?

— < Ra's Al Ghul, o profeta do povo, libertador das massas, salvador da Terra, trará paz e harmonia para a humanidade. Seus planos mudarão o planeta... >

— Sempre o mesmo blablablá religioso! Onde está o homem? E que ligações ele tem com a pessoa conhecida como Oráculo?

— < O Oráculo, sede de informações, é a chave que desvelará seus destinos. Peça fundamental dos planos do meu senhor... >

O guerreiro diz as últimas palavras e pressiona com força o maxilar, rompendo um dente falso preenchido com cianureto, morrendo instantaneamente.

— Maldito!


:: Notas do Autor

(*) Na edição anterior. voltar ao texto

(**) Veja como Dinah foi parar aí na edição anterior. voltar ao texto

(***) Veja esse encontro em Birds of Prey # 04 e 05. voltar ao texto

(****) Ubu é o fiel assecla de Ra's Al Ghul, pertencente a uma família que o serve desde sua origem. voltar ao texto

(*****) Traduzido do árabe. voltar ao texto




 
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