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Birds of Prey # 27

Por Igor Appolinário

Um homem muito velho observa longamente uma peça de pedra. Ele compara as marcações com as referências em grandes e antigos livros e faz algumas anotações em um caderno todo rabiscado com palavras e mapas rústicos.

Após semanas de trabalho duro ele finalmente conseguiu, terminou a transcrição daquele estranho e fascinante objeto. Só não acredita no que está lendo, afinal. Ele pensa na repercussão que tal revelação pode causar e como todos gostariam de pôr as mãos na Pedra, e sorri seu último sorriso.

Surgindo das sombras como um anjo da morte, um homem alto, careca e extremamente forte invade a pequena sala abarrotada de livros e, com um movimento seco e ligeiro, quebra o pescoço do idoso, que cai inerte sobre a mesa.

O Demônio da Perdição (*) — Parte I
A Pedra da Perdição

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Torre do Relógio — Gotham City

— Esses caras estão ficando cada vez mais espertos! — diz Bárbara Gordon, a hacker Oráculo, ao interceptar mais uma tentativa dos agentes virtuais da CIA de localizaram e invadirem seus sistemas. Nesse momento, no mínimo entediante, ela imagina o que suas parceiras devem estar fazendo.

Dinah e Helena correm furiosamente por entre prédios decrépitos e casas semidestruídas. Ao virarem em uma esquina, deparam-se com uma praça deserta e param, ofegantes. De repente, dezenas de ninjas armados com espadas surgem por todas as direções, cobrindo as duas de oponentes.

TRIIIIMMMM!!!

— Alô...? — atende Bárbara, pega de surpresa com a ligação — Já estão chegando? Bom, antes tarde do que nunca. Eu estou a caminho...

Canário Negro quebra a clavícula do ninja mais próximo e se desvencilha de mais um com um soco direto no estômago. Caçadora atinge os mais distantes com tiros certeiros de suas balestras e os mais próximos com chutes. De repente uma sirene começa a tocar e todos os adversários se desfazem em feixes de luz, assim como a cidade, deixando as duas em meio a uma grande sala vazia.

Meninas, — diz Oráculo pelo sistema de som da sala virtual — vamos dar um passeio...

Tália observa um grande galpão em polvorosa. Diversos servos da Liga dos Assassinos encaixotam e embarcam equipamentos em uma operação gigantesca. De súbito, uma mão, leve, porém marcante, pousa sobre seu ombro e ela nem precisa se virar para ver quem está ao seu lado.

— Isso é realmente necessário... papai?

Ra's Al Ghul, flagelo de diversas civilizações, considera as palavras de sua amada filha. Seus mais de 600 anos de experiência passam como um raio por sua mente e concluem os pensamentos com convicção.

— Sim, querida, é muito necessário. A natureza jamais prevalecerá se o homem continuar a infestar a face da Terra. É meu dever, e minha missão eterna, eliminar essa infecção.

— Mas quantas vezes já falhamos nessa missão interminável! Deixe a humanidade tomar conta de si mesma, pare de querer dominar esse mundo doente e louco!

— Querida, lembre-se que eu relevo suas palavras apenas por que você é sangue do meu sangue. Meus planos para a Pedra Macedônica são únicos. Nem Alexandre, o Grande, conquistador do mundo conhecido, teve tanto poder como eu estou a ponto de conseguir...

— Sinto lhe dizer isso, meu senhor, mas está louco...

Ra's apenas olha para Tália e deixa o pequeno mezanino de onde eles observam o movimento. Ela abraça os próprios braços com força, sentido o frio daquele olhar secular. (**)

Aeroporto Internacional de Gotham City

O SUV de Oráculo está estacionado na pista do aeroporto. Dentro dele, Helena, Babs e Dinah conversam.

— Então, Barb, que surpresa é essa? Você está muito misteriosa... — diz Dinah, cutucando a parceira.

— É, o que é tão importante? A gente até teve permissão de entrar na pista — completa Helena.

— Bom, meninas, eu queria manter o mistério, mas já que vocês são tão pentelhas, eu vou dizer: vamos ter novas integrantes na equipe!

— O quê?! — dizem as outras duas vigilantes, engasgando com a notícia.

Nesse momento um grande avião cargueiro, com sua fuselagem toda pintada em negro, reluzindo sob o sol na pista, pousa com graça e força, diminuindo sua velocidade enquanto alinha seu curso com o SUV, parando definitivamente a poucos metros dele. Com um estrondo, as portas do compartimento de carga se abrem e deixam à mostra um grande contêiner, que é baixado até o chão por uma máquina.

O grande cargueiro al-Kasr flutua tranqüilamente em sua baia no porto. A porta do compartimento de carga se fecha lentamente após a entrada do último integrante da Liga dos Assassinos.

Ra's entra em um pequeno jipe pilotado por Ubu e olha para sua filha que está parada ao lado do veículo, aparentemente indecisa.

— Venha, Tália. Não há nada que você possa fazer para me impedir agora. Lembre-se que você deve fidelidade ao Cabeça do Demônio...

— Sim, meu senhor. — diz Tália, entrando no jipe cabisbaixa, mas com um leve brilho no olhar.

Washington, DC — Quartel-general da CIA

O agente Taylor observa uma longa lista de fluxo de dados em alguns monitores dentro da sala de monitoração do prédio central da CIA.

— Deus, como isso é chato! — murmura ele para si mesmo, clicando para mais uma tela de informações infinitas. De repente, um bip, quase inaudível, chama a atenção de Taylor, que quase cai da cadeira — O que foi isso...?

Ele vasculha as telas de informações e encontra, entre diversos rastros, uma linha de conexão entre diversas informações corrompidas na internet. Ele sabe que as conexões foram feitas pelo hacker Oráculo, que ele vem caçando há meses, mas dessa vez ele tem a vantagem nesse jogo após conseguir uma brecha nos sistemas dele. (***)

Dinah e Helena descem do SUV de Oráculo, sendo logo seguidas por Bárbara. Elas se aproximam do estranho contêiner que brilha sob o sol na pista do aeroporto. Dinah se aproxima mais e dá uma leve batida, ouvindo um som grave e oco.

— Mas isso é...

— Plástico? — diz uma mulher loira se aproximando. Ela usa um uniforme de aviadora todo preto, modelado bem justo ao seu corpo, com a insígnia de uma cabeça estilizada de falcão sobre um fundo amarelo no peito — Sim, é plástico, e você vai entender logo o porquê.

— Zinda, há quanto tempo! — diz Babs, se aproximando da mulher — Que belo avião esse!

— Pois é! Mas ainda tenho aquelas heranças de família da II Guerra.

— Heranças... ei! Eu conheço esse símbolo! — diz Dinah surpresa — É o emblema dos Falcões Negros! (****)

— Sim, Canário, Zinda é a neta de Janos Prohaska, o Falcão Negro. Ela á uma das novas integrantes das quais lhes falei.

— Zinda Prohaska Blake, ao seu dispor. Podem me chamar de Lady Falcão Negro, e é realmente um prazer conhecê-las. Espero que tenham gostado do Shadowhawk. — termina ela, fazendo menção ao grande avião.

— Uau! — diz Helena, olhando para o avião negro — É realmente incrível... mas peraí, Oráculo, você disse integrantes. Quem é sua nova aquisição?

— Essa é a supresinha. — diz Babs, olhando para o contêiner — Podem abrir...

Dinah e Helena se aproximam das portas do contêiner plástico e se preparam para abrí-lo.

— Ei, — sussurra Caçadora para Canário Negro — só espero que não seja a Giganta dentro dessa coisa...

As duas abrem o contêiner e, assim que a luz do sol penetra a escuridão dentro dele, revela uma jovem loira, acorrentada às paredes por longos elos de plástico duro. Dinah e Helena ficam chocadas, ainda mais quando se viram e vêem um sorriso no rosto de Oráculo.

— Você ficou maluca?! — exaspera-se Dinah, olhando a companheira — É a Magenta!

— Essa doida quase matou a gente! (*****) — diz Helena, também surpresa — Agora você quer que a gente trabalhe juntas? Tipo "perseguir e destruir"?

— Meninas, — diz Babs, com calma, mas com convicção — Frances tinha um problema, isso nós sabemos. Mas eu venho trabalhando com ela para que se livre de suas obsessões e possa usar todo o seu potencial para o bem.

— Eu prometo... — diz Frances Kane, a Magenta, de dentro de sua prisão de plástico — que tudo o que eu quero é ajudar...

Zinda aciona um pequeno mecanismo que destrava as correntes de Frances, deixando-a livre para sair do contêiner. A garota caminha para fora e, quando o sol a atinge, emana uma leve aura cor-de-rosa.

— Mas, Barb... — começa a dizer Dinah, mas é interrompida por um pequeno alarme que começa a tocar — que diabos é isso?

— São os meus computadores. Nosso inimigo mais perigoso está se movendo... temos que ir atrás de Ra's Al Ghul.


Na próxima edição: Oráculo e as Birds of Prey em uma perseguição alucinante ao maior ecoterrorista do mundo: Ra's Al Ghul!


:: Notas do Autor

(*) Leia ouvindo "Some Devil" — Dave Matthews Band. voltar ao texto

(**) Essa história se passa depois dos acontecimentos mostrados em Capitão América # 11. voltar ao texto

(***) Na edição anterior, durante o ataque do hacker misterioso. voltar ao texto

(****) Os Falcões Negros eram uma equipe de ases aviadores que lutou contra o Eixo na II Guerra Mundial. Era um grupo formado por pilotos de várias nacionalidades e liderado pelo piloto polonês Janos Prohaska, o Falcão Negro. voltar ao texto

(*****) No arco "Vingança Magnética", em Birds of Prey # 20 a # 22. voltar ao texto




 
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