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Birds of Prey # 28

Por Igor Appolinário

O Demônio da Perdição (*) — Parte II
Pesadelo Egípcio

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Torre do Relógio — Gotham City

— Já está tudo empacotado? — pergunta Dinah, percorrendo a sala atulhada da Torre do Relógio.

— Sim, sua alteza! — diz Helena, carregando uma caixa enorme — Enquanto você aguava suas plantinhas, eu carreguei 17 caixas. Dezessete!

— Calma, "rainha do drama"! Eu tive que fechar a loja, afinal vamos ficar algum tempo longe... eu imagino...

Dentro da sala de monitoramento, Bárbara Gordon, a Oráculo, termina uma ligação com a mais nova integrante de sua equipe. (**)

— Certo, Zinda, abasteça e aguarde, logo estaremos aí. Como está Frances?

Tranqüila... ela não me deu problemas a viagem toda. Parece uma boa garota...

— É, é sim. Espero que ela veja isso também. Tchau, até logo.

Babs desliga o telefone e começa a programar seus sistemas para transmissão à distância. De repente, uma mensagem surge na tela e interrompe as ações de seu sistema.

ASSIM COMO PROMETIDO, AÍ ESTÃO SUAS INFORMAÇÕES:
"LALUSHARG"
VOCÊ SABE ONDE USAR...


Do mesmo modo súbito como chegou, a mensagem se apaga e os sistemas de Oráculo voltam ao normal. Babs pensa por alguns segundos na informação e se joga em um canto distante da mesa, arremessando longe diversos papéis e objetos, até encontrar o que procura: o CD deixado por Tália. (***) Assim que a misteriosa palavra-código é digitada no campo disponível, diversas informações aparecem nos monitores: mapas, anotações, contatos cibernéticos etc, todas relacionadas de alguma forma à misteriosa Pedra Macedônica.

— Você acha mesmo que ela pretende deixar aquela maluca permanentemente na equipe? — questiona Helena, colocando a última caixa dentro do elevador de carga.

— Eu não sei, Helena. — diz Canário, fechando os armários de equipamentos — Eu concordo que Magenta é um risco ocupacional grande demais pra se conviver, mas Barb acredita na garota, acha que ela pode mudar... eu não sei... não sei mais no que acreditar quando se fala da Oráculo.

— É, eu sei. Por incrível que pareça, eu te entendo. Ela anda cada vez mais isolada, cada vez mais trancada naquela sala, sem descanso. Aquilo com certeza não faz bem à cabeça dela...

— Quando eu conheci a Barb, ela era uma garota alegre, agitada (****). Mas depois que aquele maníaco ferrou com a coluna dela, (*****) ela deixou muito daquilo para trás. Às vezes acho que ela só está procurando um jeito de ajeitar a vida dela... não sei...

Meninas, — diz Oráculo, por um sistema de auto-falantes — espero que estejam prontas, por que agora eu sei exatamente para onde temos que ir.

Porto do Cairo — Egito

O grande navio cargueiro al-Kasr se aproxima do porto do Cairo. Ele atraca nas docas e abre as grandes portas do compartimento de carga. Um jipe, guiado por Ubu e levando o ecoterrorista Ra's Al Ghul e sua filha Tália, sai primeiro e é logo seguido por cinco grandes caminhões. A frota atravessa a cidade e segue em direção ao deserto, arrastando consigo nada além dos olhares curiosos da população.

Tália parece preocupada e levemente intrigada à medida que percorrem o caminho arenoso. Enquanto o jipe sacoleja pelo deserto, ela imagina o que será do mundo, agora que estão perto de concluir o plano de seu pai.

Aeroporto do Cairo — Egito

O grande avião cargueiro Shadowhawk desce no aeroporto e faz o caminho para dentro de um grande galpão particular. Quando as portas do compartimento de carga se abrem, o SUV de Oráculo desce e é seguido por Canário Negro, Caçadora e logo atrás Magenta, já uniformizada, um novo uniforme em forte tom de rosa com uma faixa prateada cruzando o peito, semelhante a um trovão, indo da presilha prateada da capa magenta à cintura. Zinda desce logo atrás, carregando uma pequena caixa.

— Uau, parece que as "Aves de Rapina" vão à caça! — brinca Zinda, chegando ao lado do SUV.

— Aves de Rapina? — pergunta Helena — É meio... estranho.

— Bom, — diz Zinda — eu acho que tem tudo a ver. Agora que vocês têm a Lady Falcão Negro, o Shadowhawk, a Canário Negro... enfim, "aves".

— Eu gostei. — diz Dinah, sorrindo — Talvez até devêssemos mudar seu nome para "Corva da Tempestade", Helena. Combina com a sua personalidade.

— Ah, sua...!

Dentro do SUV, Oráculo termina de analisar a primeira parte das informações retiradas do CD-ROM e consegue criar um mapa a partir das pistas deixadas por Tália. Ela desce da parte traseira do carro e dá de cara com Dinah e Helena a ponto de se esmurrarem.

— Meninas! — grita ela, fazendo com que as duas se separem — Nós temos que nos manter unidas aqui, estamos lidando com um inimigo perigoso. Agora entrem, já sei para onde devemos ir. Dinah, você vem na frente comigo, preciso de uma navegadora...

Deserto do Saara — África meridional

O SUV de Oráculo se aproxima de uma grande cratera na areia do deserto. O calor gerado pelo trabalho exercido dentro desse acidente nada natural trasborda pela fenda, como uma onda invísivel, mas impactante.

Dentro da cratera, dezenas de homens locais e membros da Liga dos Assassinos realizam uma escavação, revelando no interior uma imensa pirãmide de pedra cor-de-areia. Próximo a uma grande porta lacrada, Ubu e alguns homens forçam a entrada, até que a porta é arrombada brutalmente.

— Bem, — diz Oráculo, no piloto do SUV — acho que agora é a hora das Aves de Rapina.

Canário Negro, Caçadora e Magenta descem do veículo e entram em uma pequena passarela. Chegando próximas da arcada da porta, são atacadas por dezenas de ninjas da Liga dos Assassinos.

Canário Negro se vê cercada por cinco assassinos. Ela pega fôlego e usa seu grito sônico, derrubando os dois mais próximos. Com um giro de costas, ela desvia do próximo atacante e acerta um soco bem mirado naquele logo atrás. O assassino anterior tenta um golpe de espada nas costas de Canário, mas ela é mais rápida e bloqueia o golpe com o punho nu, dando logo em seguida um soco no plexo solar do espadachim. O último assassino olha para Dinah furiosamente, ela apenas rearranja sua posição e encara o oponente. Ele parte para cima dela, e tem o ataque bloqueado por um contragolpe que o lança ao chão. Com um movimento rápido, Canário finaliza o oponente, deixando-o desmaiado.

Caçadora pula sobre seus oponentes e, aproveitando o impulso, dispara sua balestra contra o primeiro grupo, incapacitando-os. Assim que aterrissa, ela usa um golpe de pernas para derrubar o oponente mais próximo, usando-o para bloquear o caminho daqueles que correm em sua direção. Ela distribui socos e pontapés ao entrar no grupo maciço, usando suas técnicas de luta de rua para derrubar o máximo possível de assassinos. Em alguns minutos, Helena pára, ofegante, sozinha em meio a um círculo de inimigos derrotados.

Magenta flutua levemente sobre a pequena passarela de madeira que leva à entrada da pirâmide. Ela sente cada prego que mantém a estrutura unida, assim como o ferro no sangue de seus inimigos, que vêm em sua direção com rapidez. Magenta levanta os braços e dezenas de pregos se soltam da passarela, fazendo-a ruir sob os pés dos mais afoitos. O segundo grupo, logo atrás e com tempo para evitar a armadilha, salta a falha e se lança de espadas em punho contra a mulher. A incrível aura magnética de Frances cresce ainda mais, fazendo com que as espadas dos assassinos se dobrem e se libertem de seus donos, atacando-os com extrema fúria.

Dinah e Helena se aproximam de Frances, que lentamente sobrevoa a falha da passarela e vai até a entrada da pirâmide. Canário se aproxima de um dos assassinos abatidos e checa seus ferimentos, espantada.

— Ela não atingiu nenhum ponto vital. A maioria dos ferimentos é superficial...

Canário Negro e Caçadora correm atrás de Magenta e alcançam a garota antes que ela cruze o portal. Assim que as três contemplam a ornamentação do portal, uma figura imensa surge das sombras e se interpõe no caminho.

— Deste ponto vocês não passarão... — diz Ubu, cruzando os braços musculosos.

Interior da pirâmide

Ra's Al Ghul e sua filha caminham pelos corredores ornados da pirâmide. De tempos em tempos, Tália consulta um mapa e pega um caminho alternativo no labirinto. Caminhando sempre alguns passos a frente do pai, ela observa os corredores com seus óculos infravermelhos, prestando atenção a cada detalhe. Em um determinado ponto, ela pára e se agacha junto ao chão arenoso, examinando as pedras do calçamento. Com uma leve pressão e um passo para trás, Tália evita uma grande grade armada que cai sobre o caminho logo à frente, repleta de lanças pontiagudas. Ela desarma a grade e a coloca de lado, seguindo pelo corredor.

Após alguns minutos, os dois chegam a uma grande câmara, a paredes repletas de decorações em ouro. Logo à frente, no final da câmara, um grande portal dourado, entalhado com um desenho complexo e difuso. Ra's olha para Tália, que tira da mochila em suas costas a Pedra Macedônica, entregando-a ao pai.

— Que agora, para o bem do reino dos fortes que se erguerá a partir deste gesto, inicie-se a transformação — diz Ra's, colocando a Pedra em uma fenda no portal, como um encaixe de fechadura.

Magenta é jogada longe por um golpe de Ubu, que segura Caçadora pelo pescoço na outra mão. Canário Negro pára ofegante ao lado de Frances, suas mãos quase em carne viva após golpear incessantemente o assecla de Ra's Al Ghul.

— Mulheres tolas! Ninguém pode se opor ao mestre!

Ubu lança Helena junto às colegas e ri das mulheres abatidas. Helena se levanta rapidamente e dispara sua balestra contra o homenzarão, mas ele recebe os disparos sem nem ao menos demonstrar dor. Isso deixa Caçadora ainda mais furiosa, fazendo-a atacar novamente Ubu com seu estilo de luta feroz. Dinah e Frances também partem para cima dele, criando uma algazarra em cima do assecla do Demônio, deixando-o confuso. Ubu tenta recuar para mais perto do portal, tentando limitar a área de ataque das mulheres e Frances aproveita esse momento, usando seus poderes para enfraquecer a parte da plataforma onde eles lutam. Canário percebe o plano de Magenta e usa seu grito sônico contra o gigante, fazendo Ubu pisar com força na parte danificada, buscando equilíbrio. As três parceiras observam Ubu cair pelo buraco formado, aterrissando inconsciente na areia muitos metros abaixo. As vigilantes passam pelo portal e Canário Negro aciona um pequeno dispositivo, que ilumina grande parte do corredor.

— Você está recebendo a imagem, Oráculo? — pergunta Dinah, via comunicador.

O... tzzz... sinal está... péssimo Canário. Alguma interferência... tzzz... externa... o tzzz... som está terrível... mas a imagem está... tzzz... clara. Prossigam... tzzz.

— Bom, isso explica o silêncio até agora — diz Frances, iluminando seu caminho com seu próprio campo magnético.

— Vamos prosseguir. — diz Dinah, seguindo o caminho em uma quase corrida.

As Aves de Rapina chegam ao grande salão dourado no final do corredor labiríntico, mas o encontram vazio. Na parede oposta à entrada, o grande portal está aberto, revelando uma gigantesca estátua de ouro de um minotauro, extremamente realista. Assim que elas atingem a metade da sala, o lugar começa a tremer e a estátua de minotauro começa a se mexer, soltando um urro gutural.

— Putz! — exclama Helena, tampando os ouvidos — Agora nós estamos literalmente ferradas!

O minotauro corre para cima delas, fazendo o grupo se separar. Canário Negro usa seu grito sônico contra o monstro, mas ele continua seu trote embalado, obrigando-a a pular para o lado para evitar ser esmagada. Magenta levita no meio da sala e tenta usar seu poder para impedir o monstro, mas nem seu esforço consegue afetar a estrutura dourada do oponente. Usando sua aura para vasculhar, ela encontra alguns objetos soltos que podem ser movidos e os lança contra a criatura, apenas deixando-a ainda mais furiosa. Caçadora observa o inimigo à distância e prepara seu ataque. Ela corre por um pilar derrubado, conseguindo ficar acima do oponente e pega algo no cinto, apertando um botão e liberando sobre o minotauro. Um estrondo sacode o salão e uma onda de impacto joga as Aves de Rapina contra as paredes, enchendo o lugar com fumaça.

Quando a fumaça se dissipa, o minotauro aparece sobre uma pequena cratera, seu corpo levemente rachado. Ele se levanta e corre para fora do salão dourado. As três vigilantes correm atrás dele, tentando impedí-lo de fugir.

— O que diabos foi aquilo? — pergunta Canário Negro à Caçadora, espantada.

— Sei lá! Eu peguei no arsenal da Oráculo na Torre. A caixa estava em russo e a única coisa que eu consegui entender foi "concussão" e "dispersão".

— Bom, aparentemente funcionou. — termina Magenta.

O minotauro sai da pirâmide e encara o sol que se põe no horizonte. Ele vê os grandes caminhões de Ra's Al Ghul, estacionados não muito longe do SUV de Oráculo, e corre em direção a eles, urrando. Canário Negro, Caçadora e Magenta saem pelo portal e vêem o monstro, mas, para a surpresa delas, ele desacelera ao se aproximar do maior caminhão, entrando calmamente.

Os grandes caminhões de Ra's Al Ghul partem da região da pirâmide, deixando para trás um pacote sobre a areia. Um vulto se aproxima e o recolhe do chão, retirando a sujeira do grande carimbo em letras vermelhas: top secret.

— Oh, meu Deus! Cada pedaço do meu corpo está dolorido! — diz Dinah, se jogando em uma poltrona acolchoada dentro do Shadowhawk.

— Eu vou precisar de um banho quente... — diz Helena, tirando a máscara e esfregando os ombros doloridos — De uma semana!

— Meu corpo todo está pinicando — diz Frances. Ela pára de flutuar e seu uniforme se desfaz em uma nuvem de fragmentos metálicos, que são conduzidos magneticamente até um pequeno anel em seu dedo anular — Parece que o campo magnético da Terra está repelindo todo meu corpo...

— Bom, meninas, — diz Oráculo, se juntado a elas — vocês fizeram um ótimo trabalho.

— Não sei como. — diz Helena, arrancando as botas — Deixamos aquele doido e o tourão dourado fugirem...

— Sim, isso é uma infelicidade, mas graças à coragem de vocês em entrar na câmara, foi possível gravar os entalhes na parede... um superprograma de reconhecimento fez uma varredura nas imagens e eu consegui traduzir uma espécie de mapa. Já sabemos agora o próximo passo dessa caçada...

Washington, DC — EUA

— O que foi dessa vez, Taylor? — pergunta o agente Jordan, entrando na sala visivelmente irritado.

— Informes da Interpol, Jordan. Um grande avião de carga pousou no Cairo há algumas horas, e agora ele está partindo.

— E o que tem de mais nisso, Taylor?

— Esse mesmo avião esteve em Gotham na tarde passada. (******) E, segundo informações do controle de vôo, o contratante não foi identificado, assim como a carga e passageiros.

— E você imagina que seja Oráculo?

— Sim, eu tenho acesso ao fluxo de dados dele, apenas não consigo acesso aos seus sistemas principais. Entre as muitas informações relacionadas, eu encontrei diversas referencias ao Egito e à pirâmide encontrada no meio do deserto.

— Ótimo, Taylor! Continue por esse rastro e logo teremos Oráculo em nossas mãos.

O envelope deixado nas areias do Egito é aberto por uma mão feminina. De dentro dele algumas fotos e documentos caem, todos sobre o mesmo assunto: o Poço de Lázaro. Em meio aos papéis, um delicado pergaminho se sobressai. Levemente trêmulas, as mãos femininas abrem o pergaminho e encontram uma caligrafia bonita e fluida, formando um texto curto, porém marcante:

Essas palavras são para você e apenas você...
Você, que faz parte dessa chamada "era de heróis", é única entre muitas.
Seus talentos são excelentes e podem ser usados pelo bem maior, alvo da minha cruzada.
E você, dentre todos, sabe que eu posso fornecer muitos deleites àqueles que são fiéis a mim...
Regalos à alma, curiosidades à mente, poderes ao corpo...
Pense bem na minha proposta. Em pouquíssimo tempo, o mundo mudará e os fracos e impuros serão varridos da face do planeta.
— Ra's Al Ghul



Na próxima edição: Quem será a traidora da equipe? O que Ra's Al Ghul pretende encontrar ao seguir as sinistras direções da Pedra Macedônica?


:: Notas do Autor

(*) Leia ouvindo: "Devil In Disguise" — Elvis Presley. voltar ao texto

(**) Na edição anterior. voltar ao texto

(***) Em Birds of Prey # 24. voltar ao texto

(****) Em Batgirl: Ano Um, minissérie da DC. voltar ao texto

(*****) O responsável foi o Coringa, na graphic novel A Piada Mortal, da DC. voltar ao texto

(******) Também na edição anterior. voltar ao texto




 
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