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Birds of Prey # 30

Por Igor Appolinário

Bárbara Gordon está deitada em um grande caixão de metal, completamente nua. Sua pele arrepiada pelo contato frio do continente deixa transparecer além. Transparece o medo e a ansiedade de um sonho a ser realizado. Abaixo dela, o caldo flamejante do Poço de Lázaro aguarda pacientemente.

— Eu... estou insegura quanto a isso... Ra's.

— Não se preocupe, minha bela. — diz o ecoterrorista Ra's al Ghul, parado ao lado do caixão (*) — O Poço de Lázaro é aterrorizante, mas é um amante gentil... assim como eu.

Ra's aciona uma alavanca ao seu lado, que faz com que o caixão de metal seja baixado lentamente para dentro do poço e sendo engolfado por ele.

O Demônio da Perdição (**) — Parte IV
Na Trilha do Demônio

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Torre do Relógio — Gotham City

Os computadores da torre iniciam seus sistemas como foram programados para fazer todos os dias. Revêem os protocolos de segurança como foram programados para fazer todos os dias. Checam os grandes canais de notícias para se atualizar como foram programados a fazer todos os dias. Verificam os sistemas das grandes prisões de meta-humanos como foram programados para fazer todos os dias. Porém, não como em todos os dias, os protocolos de acesso remoto estão sendo invadidos por um usuário desconhecido, alguém que não possui as senhas para acessar o conteúdo sigiloso dos discos rígidos, porém usando o login secreto de Oráculo. Uma situação para qual os computadores não foram programados para responder...

Sobrevoando o Mediterrâneo

Droga! Droga! Droga! — grita Dinah, enlouquecida, espancando a CPU dos sistemas de Oráculo a bordo do Shadowhawk — Droga, Barb, como eu mexo nessa porcaria!? Como eu vou te encontrar?

Canário Negro dá um tapa no monitor, que se desliga. Ela olha atônita para o equipamento, que começa a soltar pequenos bipes, aparentemente aleatórios. De repente, uma voz eletrônica começa a sair do sistema de som.

Oráculo, é você? — diz a voz eletrônica.

— Aqui é a Canário Negro. — diz Dinah, receosa — Quem é?

Canário? Aqui é o Robin, o que você está fazendo nos computadores da Oráculo?

— Robin, eu preciso encontrar Oráculo! Ela... foi levada por Ra's al Ghul.

Ra's al Ghul? Mas como? E por que diabos você está usando o sistema remoto?

— Estamos no Mediterrâneo seguindo Ra's e alguma coisa deu errado... não tenho tempo pra ficar me explicando, Robin. Precisamos encontrar Oráculo e Ra's o mais rápido possível! — completa Dinah, angustiada, lembrando-se da misteriosa caçada do ecoterrorista por um misterioso artefato místico.

Bom, Oráculo me deu acesso parcial aos sistemas, vou ver o que posso fazer... se tivéssemos mais informações...

— Oráculo deixou um CD-ROM com dezenas de mapas e informações sobre Ra's, algo a ver com a busca que estamos fazendo...

OK, coloque-o no computador e me deixe trabalhar...

Dinah segue as orientações do menino-prodígio e diversos mapas começam a surgir no monitor. Em seguida, um estranho sistema eletrônico se inicia, um intrincado emaranhado de satélites de GPS, traçando rotas através das coordenadas deixadas por Tália e as últimas informações conseguidas no templo em Jerusalém.

Uau, vocês realmente viajaram pra longe dessa vez. Os satélites dizem que um navio chamado al-Kasr está se dirigindo para a ilha de Creta...

Ilha de Creta — mar Egeu — Mediterrâneo

O navio al-Kasr termina de atracar no porto da Ilha de Creta e libera sua carga de jipes e de membros da Liga dos Assassinos, que seguem por uma estrada pedregosa. Um último jipe guiado por Ubu desce a rampa do navio e aguarda no porto. Ra's e Tália descem lentamente a rampa logo atrás, parando ao lado do jipe estacionado.

— Devemos ir logo, pai. — diz Tália, levemente irritada — Os inimigos do Cabeça do Demônio estão a caminho e rápido.

— Acalme-se, pois é nobre o motivo de nossa espera. — diz Ra's, sem ao menos olhar para a herdeira, seus olhos fixos no alto da rampa — Venha, Flor d'Oeste, dê seus primeiros passos sobre o mundo que está prestes a mudar...

Da grande abertura sombreada das portas do cargueiro, uma figura surge vagarosamente. No limiar da luz solar, a figura estanca e sente a brisa salgada do Egeu em sua pele. Com um passo decidido, a mulher sai à luz do sol, revelando seu vestido branco de tecido leve e deixando os raios do astro-rei refulgirem nos enfeites dourados em seus cabelos, pulsos, tornozelos e cintura. Como uma rainha rumando de encontro a seu rei-consorte, Bárbara caminha passos firmes e elegantes até Ra's, que a toma pela mão.

Ela nos traiu! — grita Helena, enfurecida, olhando incrédula para Dinah — Como você quer "salvar" alguém que nos traiu?

— Helena, calma! — diz Frances.

— Caçadora, — diz Canário Negro, se segurando para não pular no pescoço da vigilante — temos que chega a Creta e resgatá-la. Barb foi seduzida por Ra's. É a única explicação lógica! Ela não nos traiu, não depois de tudo que passamos juntas...

— Você está ficando velha e sentimental, Canário. Ela nos traiu, em troca de alguma coisa estúpida, com certeza!

— Não vamos começar a nos ofender. — tenta apaziguar Frances — Temos que encontrar Oráculo e esclarecer isso.

Cala a boca! — gritam as duas vigilantes para Frances.

A jovem fica estática por um segundo e então seus olhos começam a soltar um forte brilho magenta. A fuselagem do Shadowhawk treme em pleno vôo, fazendo Zinda correr para a parte de trás da cabine.

— O que está acontecendo aqui, garotas?!

Magenta dispara um pulso magnético contra Canário e Caçadora, prendendo-as à parte interior da fuselagem. Ela se aproxima das duas, seus olhos reluzindo sinistramente e os cabelos flutuando descoordenadamente seguindo o fluxo magnético, encarando-as.

Vocês vão parar com isso agora, — diz sua voz calma, porém ameaçadoramente modificada pelo poder magnético — ou eu faço com que parem. À força.

A pressão sobre Dinah e Helena cede, fazendo-as cair no assoalho do avião. Frances sai do compartimento, flutuando até sua cabine, deixando as três companheiras de equipe atônitas.

— Nossa Senhora! Eu não gostaria de enfrentar essa garota em uma luta! — diz Zinda, espantada, mas com um leve sorriso no rosto — Mas quem sabe num concurso de "quem bebe mais"?

Os jipes da Liga dos Assassinos saem da estrada pedregosa e se dirigem a uma grande muralha de pedras. Minutos depois, quando o jipe de Ra's se aproxima, um dos asseclas entrega um detonador a Ubu, que olha para seu mestre. Ra's acena com a cabeça e seu assecla mais fiel faz com que a muralha imploda sobre o próprio peso. Ra's e sua corte descem dos jipes e se encaminham ao buraco aberto na muralha.

Bárbara olha para o buraco e vê o que estava escondido atrás das pedras: um magnífico portal entalhado, maior do que qualquer construção que ela já tenha visto antes. Seguindo o resto da comitiva de Ra's, ela entra pelo portal, continuando a caminhada por um grande corredor escuro.

— < Então eles foram naquela direção? > (***) — diz Zinda para um garotinho perto das docas de Creta, que confirma com a cabeça — < Obrigada! > — Zinda afaga a cabeça do garoto e se vira para as companheiras de equipe, logo atrás.

— Você fala grego? — pergunta Helena — Uau...

— Sim, e mais algumas línguas. — diz Zinda, com uma piscadela — Meu avô sempre me disse que um bom piloto tem que saber conversar com todos os controladores de vôo, não importa a nacionalidade.

— Então vamos logo, ele estava apontando para o oeste, é pra onde eles foram? — diz Canário Negro, ansiosa.

— Sim, é pra lá. — diz Zinda — Eu dirijo.

As quatro companheiras sobem a bordo do SUV de Oráculo e percorrem o caminho rochoso. Após vários minutos, seguindo os rastros dos diversos jipes, elas chegam até a grande muralha e ao portal entalhado. Zinda deixa as companheiras e aguarda em um morro próximo.

— Então, agora somos nós contra o maior ecoterrorista do mundo? — pergunta Frances, o traje terminando de se ajustar ao seu corpo.

— E uma filha doida de pedra, um guarda-costas que parece saído de uma fantasia sadomasoquista e um exército de ninjas assassinos. — completa Helena, ajustando sua máscara — Fácil.

— Sim, vamos salvar Barb... — diz Dinah, resoluta.

As três Aves de Rapina atravessar o portal e se encontram em um longo corredor iluminado por archotes incandescentes. Assim que se afastam da entrada, uma leva de assassinos da Liga as cerca. Ubu se aproxima, acompanhado pelo minotauro de ouro, que bufa irascível para as mulheres.

Os guerreiros atacam e as mulheres usam seus dons para se defenderem. Canário Negro afasta a primeira leva usando seu grito sônico, enquanto Caçadora usa sua balestra para pegar aqueles logo atrás. Magenta se eleva sobre a batalha e usa as espadas dos guerreiros caídos para atacar os do fundo.

Em poucos minutos, elas derrotam a maioria dos oponentes. Os poucos resistentes se mantêm à distância, apenas impedindo o avanço das mulheres. Ubu se irrita e se lança sobre elas, sendo seguido pelo minotauro, que até então aguardava cautelosamente.

— Vocês morrerão, infiéis!

Ubu pega Dinah pelo pescoço, erguendo-a do chão. Canário tenta gritar, mas sua traquéia fica comprimida, impedindo-a de lançar seu grito sônico. O minotauro ataca Caçadora, enquanto Magenta tenta impedí-lo, cravando diversas espadas nas costas do monstro, e se esquivando dos guerreiros ainda de pé.

Ubu vence a resistência de Dinah, que se debate ferozmente em seu agarro. Ela vai aos poucos ficando sem ar e acaba desmaiando. O minotauro derruba Helena no solo e pressiona a cabeça dela contra o piso, até que a vigilante também perca os sentidos. Magenta é soterrada por um ataque conjunto dos remanescentes da Liga dos Assassinos. Com um pulso magnético, ela os lança longe, mas é logo atacada novamente por Ubu e o minotauro, que num golpe rápido e certeiro, a prensam contra o peso de seus corpos. Triunfante, o gigante protetor do Cabeça do Demônio observa suas presas inconscientes.

— O mestre ficará muito feliz...

Interior do templo — Creta

Ra's al Ghul encara avidamente o grande poço flamejante aos seus pés. Ao longe, atrás dele, Bárbara e Tália vislumbram sua imagem enegrecida contra a luz do poço.

— Ele me chamou. — diz Ra's — Este Poço de Lázaro me conduziu até este local e me deu os vislumbres necessários para encontrar a Pedra Macedônica e os caminhos até aqui: o templo de Pandora! Os antigos guardiões deste templo usaram o poço por séculos antes de sucumbirem à loucura inerente à espécie humana, evitando o definhamento físico para guardar o poderoso segredo de Alexandre, o Grande. A formidável Caixa de Pandora, que me dará poder sobre o mundo!

Ra's olha ensandecido para suas acompanhantes, o brilho do poço recortando sua silhueta de forma assustadora. Nesse momento, Ubu caminha para dentro da câmara, carregando as Aves de Rapina desacordadas.

— Meus presentes de casamento para você, minha rainha. — diz Ra's, olhando enquanto Ubu joga as mulheres aos pés de Bárbara. A jovem ruiva olha para suas amigas com os olhos vazios, sem emoção, e retorna o olhar a Ra's, que sorri.

— Então vamos, minha rainha, vamos tomar o mundo!


Conclui na próxima edição!


:: Notas do Autor

(*) Veja o encontro de Ra's al Ghul e Bárbara na edição anterior. voltar ao texto

(**) Leia ouvindo: "The Devil Has Risen" — Unearth. voltar ao texto

(***) Traduzido do grego moderno. voltar ao texto




 
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