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Birds of Prey # 31

Por Igor Appolinário

O Demônio da Perdição (*) — Parte V
Redenção de Pandora

Torre do Relógio — Gotham City

Acessando as câmeras de vigilância remota do SUV de Oráculo, os sistemas da Torre começam a reproduzir a última gravação. Canário Negro, Caçadora e Magenta enfrentam a Liga dos Assassinos, o grande Minotauro de ouro e Ubu, o assecla de Ra 's Al Ghul na entrada de um grande portal de pedra na ilha de Creta. (**) Em um confronto rápido e poderoso, as três Aves de rapina são derrubadas e arrastadas para dentro do portal.

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Templo de Pandora — Creta — Grécia

BOOM!!! BOOM!!! BOOM!!!

Batidas seguidas e fortes fazem todo o salão tremer. Helena, jogada no chão de uma grande antecâmara ao lado das companheiras, desperta e vê o Minotauro de ouro se lançando ferozmente contra um portal dourado. Ra's al Ghul observa a tudo ao lado de um grande Poço de Lázaro, apontando sua mão esquerda para o monstro.

O grande anel dourado na mão do ecoterrorista brilha intensamente, revelando a conexão mística que faz com que o Minotauro atenda as ordens de Ra's. Ele faz com que o monstro bata cada vez mais forte, até que o portal cede, dando passagem a todos. Com certa violência, as Aves de Rapina são recolhidas do chão por membros da Liga dos Assassinos e carregadas para dentro.

Tália al Ghul, herdeira do Cabeça do Demônio, caminha logo atrás de seu pai e sua nova consorte, carregando a caixa dourada retirada do Templo de Jerusalém. Eles param em frente a um novo portal, desta vez menor, quase do tamanho de uma porta, e muito mais entalhado, e ela abre a tampa da caixa, revelando um grande medalhão de ouro.

— Dê-me a chave para a Perdição deste mundo, minha filha — diz Ra's, solenemente.

Tália retira o medalhão da caixa e coloca-o no pescoço de Ra's. Ele se dirige para Bárbara, toma-a pela mão e caminha com ela em direção ao portal de ouro. Dinah acorda no colo de um dos assassinos, que caminham com as prisioneiras bem atrás do grupo principal, e começa a se debater. Eles caem no chão e ela consegue se livrar dele com poucos golpes. Os outros percebem a movimentação e partem para cima de Canário Negro, deixando Caçadora e Magenta de lado. Dinah dá conta do pequeno contingente de oponentes, usando golpes rápidos e silenciosos, sem usar o grito sônica para impedir chamar a atenção do outro grupo. Assim que todos estão no chão, Dinah corre ofegante para as companheiras e as liberta.

Ra's e Bárbara, seguidos a distância por Tália, Ubu e alguns membros da Liga dos Assassinos, seguem diretamente para o portal dourado, que começa a emitir um ruído e tremer. O medalhão no peito de Ra's começa a brilhar e se aquecer, emitindo um leve som, quase uma canção. Eles se aproximam do portão, que vai lentamente se abrindo em sintonia à canção do medalhão. De repente, Canário Negro surge no salão, correndo em direção a Ra's. Um pulso magnético estoura a corrente do medalhão e Dinah o pega ainda na queda, rolando pelo chão e correndo na direção oposta, de volta a sala do Poço de Lázaro.

— Pegue aquela mulher!!! — grita Ra's furioso para o Minotauro, enquanto o portal dourado se fecha às suas costas.

Canário Negro, Caçadora e Magenta chegam ao salão do Poço de Lázaro, mas encontram a porta da saída trancada e impedida por membros da Liga dos Assassinos. Logo atrás, o Minotauro de ouro surge e as deixa cercadas.

Aves de Rapina, atacar! — grita Dinah, emitindo um Grito Sônico em direção do Minotauro.

SKRRIIIIIIEEEEEE!!!!!!!

O Minotauro cambaleia, mas mantém-se de pé. Dinah e Helena partem pra cima dele, enquanto Magenta tenta liberar a entrada. Enquanto o embate se acirra, Ra's e Bárbara retornam ao salão, colocando-se ao lado do Poço de Lázaro.

Em sua joalheria dourada e prateada e seu vestido longo branco de seda, Bárbara observa as antigas companheiras lutarem por suas vidas sem expressar qualquer emoção, como se estivesse sob um encanto maligno. Em sua mente, imagens passadas começam a se formar relembrando os momentos ao lado delas: quando Dinah ficou a mercê de um assassino frio e louco, (***) ou quando Helena arriscou a própria vida para impedir que Hera Venenosa ferisse inocentes, (****) ou mesmo depois, quando Frances primeiro surgiu em suas vidas, como uma inimiga descontrolada. (*****) Quando estas memórias surgem entre os pensamentos calmos e delirantes propiciados pelo Poço de Lázaro, Bárbara tem uma epifania e se liberta do feitiço que a prendia.

— Meu Deus, o que eu fiz...? — murmura ela, baixinho. Babs analisa a situação e vê Ra's, completamente distraído pelo combate que tende a sua vitória, ao seu lado. Ela vê o anel que controla o Minotauro brilhando na mão dele e tem um impulso.

Ra's al Ghul observa a luta de seus asseclas contra as Aves de Rapina e aguarda ansioso o retorno do medalhão às suas mãos. Mas, de repente, um empurrão, não muito forte, mas firme e decidido, o impulsiona para o lado. Antes que seu corpo seja engolfado pela luz flamejante do Poço de Lázaro, Ra's olha para sua algoz, Bárbara Gordon, com um olhar misto de ódio e ressentimento.

Uuuurrrrrrhhh!!!!!

O Minotauro urra de dor, sentindo o rompimento da conexão mística com Ra's, deixando-o desnorteado. Canário Negro e Magenta aproveitam para atacá-lo com seus poderes, enquanto Caçadora fica a distância, lançando as bombas concussivas retiradas do arsenal de Oráculo. Aos poucos o monstro vai se destruindo, finalmente se desintegrando em uma nuvem de pó dourado.

Tália parte para cima de Babs, usando seu treinamento marcial contra a traidora da Cabeça do Demônio. Babs se defende como pode dos golpes altos, mas fica na desvantagem com golpes rasteiros devido à falta de agilidade das pernas recém-reanimadas.

— Pare, Tália! Seu Pai queria destruir o mundo!

— Nunca questione a Cabeça do Demônio!! — replica a jovem mullher, dando outro golpe na altura da cintura.

— Pense no que você está dizendo! Ele também de domina... enfeitiça... Você sabe que Ra's pensa apenas em seu próprio benefício! — grita Babs, sentindo os golpes mais duros. Ao som das últimas palavras da inimiga, Tália pára de atacar e olha para o Poço de Lázaro, de onde Ra's surge enlouquecido.

— Tália! Destrua essa traidora!!!

A jovem olha para o pai, ensandecido pelo poder do poço místico e dá as costas à luta, caminhando para fora do templo. Ra's ameaça escalar para fora do poço, mas uma das granadas de Helena atinge o principal pilar do Templo, fazendo-o tremer por inteiro. Grandes blocos se desprendem do teto e começam a cair sobre as pessoas dentro do templo. Um grande bloco cai sobre o poço, se esmigalhando em uma pilha de entulho. As Aves de Rapina correm para fora, tendo Bárbara logo atrás.

Epílogo 1 — Gotham Terrace — Gotham City

"...But the grass is always greener on the other side / The neighbor's got a new car that you wanna drive / And when time is running out you wanna stay alive…". (******)

— Hum… Eu conheço essa música! — diz Dinah, quase derrubando seu drink no vestido vermelho — Mas onde foi que eu ouvi...?

— É, eu acho que conheço — diz Helena, provando seu prato de codorna assada. Seus cabelos negros caindo levemente pelas costas fendidas do vestido azul-marinho — Essa banda fez muito sucesso aqui há algum tempo... Só não lembro o nome...

— Eu acho que era Jones... — diz Frances incerta, jogando os cabelos loiros para trás e se abanando com um pequeno leque rosa.

— Acho que era Wilsons — diz Zinda, tomando um gole de champagne — Sei lá...

— Travis — diz Bárbara Gordon, se aproximando da mesa onde as Aves de Rapina jantam. Ela usa um longo vestido de tonalidade rosa claro e se equilibra graciosamente em seus sapatos de salto alto. As mulheres na mesa ficam olhando Babs, que se senta em uma cadeira vazia junto a elas.

— Olha, meninas — começa Babs olhando as mulheres — Eu agradeço por vocês terem me tirado de Creta.... Sou muito grata mesmo. Sei que traí vocês, mas não foi intencional. Pelo menos não no sentido clássico da palavra. Eu segui Ra's por que se não o fizesse, eu estaria traindo a mim mesma, tirando de mim a chance de me recuperar como sempre quis...

— Nós sabemos Barb — diz Dinah, a mais abalada pela traição da colega — Mas por que não compartilhou isso com a gente... comigo...? Antes de tudo, antes mesmo de sermos parceiras, somos amigas!

— Eu sou uma líder, Dinah. Não queria que uma fraqueza minha interferisse no grupo. Você são mulheres fortes e decididas. Será que seguiriam alguém fraco...? Alguém que se lamentasse a todo instante que não pode mais ter 100% do que era antes? Acho que 'herdei' isso da minha 'Batfamília'...

Babs olha para as companheiras e fica surpresa. Dinah, Zinda e Frances choram copiosamente, enquanto Helena toma um gole de vinho, fazendo sinal afirmativo com a cabeça. Todas elas aceitando as desculpas emocionadas de Oráculo. Após alguns minutos, todas elas se abraçam e comemoram a recuperação física de Bárbara.

— Um brinde a uma nova vida — diz Frances, tilintando sua taça de champagne com a das amigas.

Epílogo 2 — Em algum deserto do Oriente Médio

Tália al Ghul, filha e serva do Cabeça do Demônio, caminha lentamente pelas areias do deserto. Ela caminha em linha reta, observando sem medo o Sol escaldante que brilha intensamente no zênite do céu. Seu corpo está cheio de marcas e arranhões provocados pela areia, mas ela continua firme.

Um jipe se aproxima pela duna mais distante e acompanha Tália em sua lenta caminhada. Um dos integrantes da Liga dos Assassinos fala com ela.

— Srta. Tália, volte conosco para o refúgio nas montanhas, é o desejo do Cabeça do Demônio.

— O Cabeça do Demônio não está mais entre nós — responde ela, sem emoção — E eu devo encontrar meu caminho neste mundo.

O jipe pára e Tália continua sua caminhada em direção ao horizonte arenoso, sem destino ou orientação.

Epílogo 3 — Washington, DC — EUA

— Agente Jordan!! Agente Jordan!!

O Agente Taylor corre por um corredor de cores pastéis carregando um envelope pardo, perseguindo o Agente Jordan, que pára no meio do caminho.

— Espero que este escândalo todo tenha algum fundamento, Agente Taylor.

— Você não vai acreditar nisso, Oliver!

— Taylor!

— Ok, ok, agente Jordan. Mas você não vai acreditar, encontramos Oráculo.

O quê? Onde? Como? — diz Oliver Jordan atordoado, agarrando o outro pelo colarinho.

— Ahh! Hã... Gotham City. Sabemos tudo, nome, endereço, seguro social, cor da calcinha...

— Calcinha? Oráculo é uma mulher!? Bem Agente, parece que você realmente serviu a seus propósitos. Todos os dados estão nesse envelope?

— Sim, aparentemente as defesas eletrônicas dela foram derrubadas por uma fonte externa e conseguimos tudo, Jordan. Mas, por que?

— Por que eu realmente não agüento mais você — diz Jordan, tirando uma pistola do paletó e atirando em Taylor — Agora, Oráculo, vai ser a sua vez.

Epílogo 4 — Templo de Pandora — Grécia

Uma grande pilha de escombros se acumula sobre o que antes era um Poço de Lázaro. O salão semidestruído está silencioso e escuro. De repente, um facho de luz sai de entre as pedras. Algumas rolam para os lados e a mão de Ra's al Ghul sai, intacta, de sua prisão de escombros.


O fim... por enquanto!


:: Notas do Autor

Gostaria de agradecer a todas as pessoas que acompanharam Birds of Prey nesses mais de 2 anos e meio e dizer que espero que vocês tenham gostado tanto de ler estas estórias como eu gostei de escrevê-las. Foi difícil para um homem escrever sobre a vida de uma equipe de mulheres, mas tentei ao máximo explorar todas as características dessas personagens tão marcantes para o Universo Hyperfan, mesmo tendo consciência de que não consegui colocar todo o romance e sensibilidade que as mulheres permitem, porém valeu a experiência. Obrigado por tudo e aguardem novidades... ;-)
— Igor Appolinário

(*) Leia ouvindo: "Woman Is a Devil" — The Doors. voltar ao texto

(**) Na edição anterior. voltar ao texto

(***) No arco "O Assassino", em Birds of Prey # 01 a # 03. voltar ao texto

(****) No arco "O Jardim da Morte", em Birds of Prey # 10 a # 11. voltar ao texto

(*****) No arco "Vingança Magnética", em Birds of Prey # 20 a # 22. voltar ao texto

(******) Trecho da música "Side", da banda Travis. voltar ao texto




 
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