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Lobo # 13

Por Lucio Luiz

Dançando Frevo

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Lobo voa na direção indicada por seu faro. Ele segue o cheiro de um adversário com o qual lutou algumas horas antes. Não que a luta tenha sido boa, pelo contrário: esse adversário era um fracote esverdeado, mas o maioral queria apenas descontar em alguém a raiva que estava sentindo pelo sumiço do demônio que havia perseguido durante tanto tempo. (*)

Enquanto viaja em alta velocidade, Lobo nem imagina que é apenas uma peça num intrincado jogo de magia e corrupção, que envolve também a heroína Fogo e o mago do caos e da ordem Sr. Destino.

Beatriz da Costa, alter ego de Fogo, está aproveitando seu tempo livre numa praia em Recife, sem imaginar que o mais violento caçador de recompensas de todo o universo está em seu encalço. Ela também não sabe, ainda, que Sr. Destino acaba de encontrar o templo secreto dos salamantes, a seita religiosa cujo líder, Casaveque, pretende unir as cinco partes da alma de Abá Angaipaba Oçu-Eté para dominar o mundo.

O templo secreto fica precisamente nos subterrâneos da Casa da Cultura, um antigo presídio, construído no século XIX em forma de cruz, e que hoje abriga várias lojas de artesanato. Sr. Destino não consegue ultrapassar as barreiras místicas do local e tenta contatar Fogo, na esperança de que a ausência de poderes paranormais na moça a permita invadir o templo.

Contudo, quando sua telepatia alcança a heroína e a informa do que está acontecendo, Destino também descobre que Lobo acaba de surgir cheio de rancor no coração.

Aparece, seu putardo verde!

Beatriz se assusta ao reconhecer a voz de quem está gritando no meio da praia: Lobo! Será que esse "putardo verde" seria ela? Afinal, ela lutara com Lobo em Brasília, embora aquilo nem pudesse ser chamado de luta, já que ela só ficara fugindo do alienígena e caíra no primeiro soco.

Para não arriscar a vida dos inocentes que lotam a praia, Beatriz cobre-se com seu fogo verde e grita na direção de Lobo:

Sou eu quem você está procurando?

— Ah, seu skrull abortado! É tu mesmo que eu procuro. O maioral aqui tava querendo se divertir um pouquinho e achou que o franguinho aí podia ajudar.

— Claro que posso ajudar. Aqui em Recife temos vários pontos turísticos para você se divertir. Se quiser, posso indicar...

— Cala a boca aí, ô veado. Minha diversão vai ser baixar o cacete em você!

Fogo sabe que jamais conseguiria enfrentar Lobo, portanto faz o mesmo que já havia feito antes: sai em disparada na direção contrária do último czarniano.

— Não adianta fugir, filhote de khúndio apodrecido! Nada é mais rápido que minha moto! Vou te desfragar cinco ou seis vezes só pra ter o que fazer! Hahaha!

Em poucos minutos, Lobo alcança a heroína e a chuta para longe. Fogo cai (que coincidência! — certo, vocês já sabem que não existem coincidências em um fanfic...) na frente da Casa da Cultura, assustando centenas de turistas. Quando Lobo chega, o local já está praticamente deserto; contudo, uma imponente figura permanece imóvel na sua frente: Sr. Destino.

— Pare, criatura vil! Você não sabe o mal que poderia causar se deflagrar violência contra aquele ser esverdeado!

— Pô, cala a boca aí, ô boiola! Onde tu comprou esse capacete amarelo não tinha pra homem, não?

— Insolente! — Sr. Destino lança um raio em direção a Lobo, que ri cada vez mais forte.

— Hahaha! Tu acha que pode me acertar com essa magiquinha fajuta? Eu sou imune a esses troços! Hahaha! Agora sai da minha frente, que tenho coisas mais importantes pra fazer do que ficar conversando com frouxo!

Lobo empurra Sr. Destino, que realmente está quase esgotado após tantas horas seguidas usando seus poderes, ora para salvar Fogo, ora para se teleportar. Sem contar que a leitura da mente do demônio e a busca pelo templo dos salamantes exigiu muito esforço e sua magia nesse momento não seria forte o bastante para derrubar um ser como Lobo.

Fogo conseguiu recuperar-se da violenta investida e despertou a tempo de fugir de um soco que certamente seria fatal. Beatriz sabe que suas chances são cada vez menores, mas ao ver Sr. Destino tentando levantar-se do chão com dificuldades, lança raios de fogo verde em direção a Lobo, mesmo sabendo que ele não sofrerá sequer um arranhão.

Beatriz está tão concentrada na investida que nem nota o gancho de Lobo indo em sua direção. Ela é alvejada na cabeça e, com a força do golpe, atinge uma das paredes da Casa de Cultura, que desaba. Nesse momento, o chão treme, gerando um buraco no chão, do qual emerge uma espécie de fantasma, exatamente igual aos que surgiram recentemente no Maracanã, no MASP, em Brasília e em uma tribo amazônica, e que em pouco tempo some.

Lobo se aproxima de seu adversário caído e se espanta ao ver Fogo inconsciente, já sem sua cobertura de fogo verde.

— Porra, eu tava lutando com essa gostosa? Lembro dela quando conheci aquele grupo de boiolas da Liga da Justiça, mas ela não virava um ser de fogo... De qualquer forma acho que tem umas coisas mais interessantes pra fazer com ela do que brigar... bwa-hahaha!

Sr. Destino está fraco, mas sabe que precisa se esforçar o máximo possível para salvar Fogo, já que ela é a única que pode impedir o terrível futuro que está se delineando para a Terra: a quinta parte do espírito de Abá Angaipaba Oçu-Eté, também conhecido como o "ser supremo que governará o planeta", acaba de emergir das profundezas e agora está se unindo às demais partes no templo secreto dos salamantes.

Com suas últimas forças, Sr. Destino lança um raio em direção a Fogo, na esperança de que tenha energia suficiente para acordar a moça antes de Lobo atacá-la novamente. A idéia é que ela consiga se desvencilhar do vilão e invadir o templo dos salamantes a tempo.

Beatriz abre seus olhos e se assusta ao ver Lobo fazendo biquinho na sua frente.

— Aaaaaaaai!

— Calma, gata. O titio Lobo aqui quer te ensinar a fazer umas coisas bem gostosas...

— Quê? Qualé, amigo! Prefiro que você me encha de porrada do que...

— Já que tu prefere...

— Er... quer dizer... é que... ah! Eu sei que você é o maior amante da galáxia! — Fogo fala igual a uma menininha, do jeito certo para enlouquecer os homens, esforçando-se para engolir a vontade de vomitar — Mas é que eu tenho que fazer um negocinho antes. Você pode me ajudar?

— Eu prefiro fazer outra coisa!

— Mas se você me ajudar, eu faço xxxxxxx e xxxxxxx com você (**).

— Beleza, gata! Que é que eu preciso fazer?

— Primeiro, você tem que prometer que não vai fazer nada de mal comigo. — Fogo continua com seu jeitinho de ninfeta saliente.

— Claro, tá prometido! Mas tu tem que fazer xxxxxxx e xxxxxxx direitinho, hein?

— Claro, gato! — está cada vez mais difícil não vomitar — Vem comigo.

Fogo leva Lobo até a entrada do templo dos salamantes, que agora está à vista de todos e se encontra exatamente no buraco aberto no chão pelo último pedaço da alma de Abá Angaipaba Oçu-Eté. Sr. Destino ainda tem tempo de orientá-la telepaticamente uma última vez antes de desmaiar, informando que as cinco partes da alma provavelmente estariam em um receptáculo místico através do qual se tornariam novamente uma só. Ela deve destruir este receptáculo antes de a fusão terminar.

Numa sala quase escura, iluminada apenas por três pequenas tochas, um homem envolto num hábito esverdeado observa imagens que se projetam na água, dentro de uma piscina Toni. Esse homem é Casaveque, que está atento ao momento em que Fogo e Lobo abrem a porta de entrada de seu templo.

— Esses dois não conseguirão me deter! — pensa consigo mesmo — Enviarei meus emissários da dor para destruí-los enquanto concluo a magia para unir a alma de Abá Angaipaba Oçu-Eté.

Com sua faca dourada, Casaveque talha imagens abstratas em um pedaço de madeira e as joga na piscina. Nesse mesmo instante, com a certeza de que os invasores serão detidos, o aprendiz de magia arcana coloca um CD de Chico Buarque em seu aparelho de som e inicia o ritual que trará Abá Angaipaba Oçu-Eté de volta à vida.

Lobo estranha o som que, aos poucos, fica mais forte. É uma melodia veloz, muito rápida, que faz com que ele se sinta estranho. Ele leva alguns minutos para se acostumar com o som e manter-se consciente, e pergunta para Fogo:

— Ei, boazuda, que barulho é esse?

— Parece... deixe ver... é frevo!

— E que porra é essa? É alguma forma de tortura?

— Não. É um gênero musical, muito bom por sinal. Tem uns passos complicados, acho que mais de cem.

— E quem dança usa uns guarda-chuvas coloridos?

— Mais ou menos isso. Como você sabe?

— Olha pra frente que tu vê, ô lerda.

À frente dos dois invasores, cem monstros com vestidos coloridos e sombrinhas de frevo se agitam, dançando como loucos. Fogo só entende o que acontece quando eles se aproximam e, com seus gestos rápidos, acompanhando a misteriosa música ao fundo, eles começam a socá-los, chutá-los e atingí-los com suas sombrinhas pontiagudas.

Lobo é alvejado por todos os lados, mas em pouco tempo já começa a brigar com os monstros. Consegue pegar algumas sombrinhas e as coloca em todos os orifícios possíveis e imagináveis dos monstros, derrubando-os em seguida. Com seu gancho, o maioral também consegue cortar cabeças de alguns adversários, mas o volume de inimigos é muito grande e seus movimentos são muito rápidos e misteriosos.

Fogo tenta escapar daquele "frevo-ninja", tentando não ser atingida pelas sombrinhas, já que é bem mais vulnerável do que Lobo. Mesmo em sua forma flamejante, Beatriz tem alguma dificuldade em fugir daquele local. Sua sorte é que todos os monstros se distraem no momento em que Lobo pega dois deles e os gira violentamente sobre sua cabeça. Os monstros gostam da idéia e começam a dançar girando as sombrinhas da mesma forma.

Casaveque está prestes a terminar de cantar "Construção" pela quinta vez seguida. Essa é a canção mágica responsável pela reconstrução da alma de Abá Angaipaba Oçu-Eté. No momento em que ele recita "Comeu feijão com arroz como se fosse ótimo", Fogo surge e lança suas chamas verdes no receptáculo que une a alma do ser supremo que governará o planeta.

Para seu azar, sua força não é suficiente para sequer rachar o receptáculo. A magia de Casaveque já está forte o suficiente para impedir uma destruição tão simples. Fogo então se desespera no momento em que o mago se vira em sua direção e a amaldiçoa.

— Sua meretriz! Tu não tens idéia do que fazes! Preciso concluir o ritual!

— Por que vocês, mágicos, gostam de usar tanto "tu" como segunda pessoa? Ninguém mais usa isso hoje... a não ser o Thor, talvez...

— Agora tu sofrerás pela minha ira!

— Ops...

Fogo é atingida por um forte raio amarelo saído da faca dourada ostentada por Casaveque. Beatriz ainda está viva, mas respira com dificuldade. Ela cai na piscina, escapando de ser atingida por um segundo raio, que provavelmente seria fatal.

Nesse momento, Lobo chega e resolve acertar o cara que pretende matar a "boazuda". O caçador de recompensas está cansado, após ter mordido dezenas de monstros dançadores de frevo. Ele já não agüenta mais ouvir a música e está no limite da tolerância. Lobo salta sobre Casaveque e começa a socá-lo. Com sua faca dourada, o mago fere Lobo, que dá um grito, mas rapidamente se recupera e volta a socar.

Fogo sai da piscina e sente momentaneamente uma incrível força, sem saber que isso é resultado do poder que emana da água. Beatriz aproveita esse momento de grande energia e lança uma nova chama verde no receptáculo que guarda a alma de Abá Angaipaba Oçu-Eté. Dessa vez, consegue destruí-lo.

As cinco partes do fantasma saem do receptáculo e avançam contra o líder da seita salamante. Num rápido instante, tanto a alma quanto Casaveque desaparecem sem deixar vestígios. Fogo respira aliviada, sentindo que seu poder já volta ao normal.

Do lado de fora do templo salamante, Sr. Destino agradece Fogo pela ajuda e afirma que cuidará para que tudo volte ao normal.

— Casaveque provavelmente foi morto pela ira da alma de Abá Angaipaba Oçu-Eté, cujas partes devem ter voltado a seus locais originais, já que o feitiço não havia sido concluído. Confirmarei esses dados e lhe informo se houver algum problema remanescente.

— Falou.

Após Sr. Destino ir embora, Fogo lembra-se da conversa que havia tido com Lobo antes da invasão ao templo. Logicamente, ele também não esqueceu.

— E aí, gostosa? Tá na hora da gente fazer xxxxxxx e xxxxxxx, como tu me prometeu.

— Er... sobre isso...

— Qualé, sua vaca? Tu vai negar agora?

— Não... é que... você... precisa saber uma coisa importante!

— O que é? Fala logo, que a paciência do maioral não é muito grande!

— É que você precisa saber que eu tenho algumas exigências antes de fazer xxxxxxx e xxxxxxx. Eu só faço depois do segundo encontro e quero promessa de casamento. Minha família é muito religiosa, então você precisa se converter. Também vou querer que você arrume um emprego decente para cuidar de nossos filhos.

— Filhos?

— Claro! E não esqueça também de sempre me trazer flores, não fazer xixi na tampa da privada, acordar cedo e escovar os dentes, comprar absorvente para mim no supermercado quando eu precisar, me encher de presentes, me deixar escolher suas roupas, não reclamar quando eu colocar calcinha para secar no chuveiro...

— Cala a boca! Tu quer morrer, é?

— Não esqueça que você prometeu que não ia fazer nenhum mal comigo! Ou faz tudo que eu mandar ou nada de xxxxxxx e xxxxxxx! E anda logo! Eu quero que você troque essa moto velha por um carro importado zero quilômetro, quero um apartamento grande na Vieira Souto, quero que você pare de beber e fumar e que arrume uns amigos menos encrenqueiros. Você também precisa...

Antes que Fogo possa continuar com suas falsas exigências, Lobo sobe em sua SpazFrag666 e a coloca em velocidade máxima para fugir do planeta e dessa mulher louca. Beatriz sorri aliviada e volta para a praia, assobiando um frevo.

Horas depois, em algum ponto do espaço (não importa exatamente onde), Lobo adentra um bar espacial. Em seu linguajar prolixo e articulado, o maioral solicita gentilmente que o barman "dê logo uma porra duma cerva". Lobo está fatigado após toda a confusão pela qual acabou de passar no planeta Terra.

Nesse momento de calma e tranqüilidade, Lobo sorve calmamente alguns goles de sua bebida baseada em cevada. De repente, surge um estranho ser de cabelos amarelados e pele azulada, com estranhas protuberâncias na barriga e um corpo atarracado. Antes que esse estranho pudesse fazer qualquer coisa, Lobo joga uma granada em sua direção e ele explode instantaneamente.

— Não tô mais com saco hoje pra aturar mané que fica puxando briga. Será que esse povo não aprende? Ninguém provoca o maioral!


Na próxima edição: Todas as conseqüências de uma dor de barriga!


:: Notas do Autor

(*) Esse é um resumo dos fatos ocorridos nas edições anteriores. Se você não tiver idéia do que significam, é melhor voltar um ou dois capítulos e ler tudo de novo...

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