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Lobo # 22

Por Lucio Luiz

Golfinhos Psicopatas

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Lobo é o Mal encarnado. Todos sabem disso; não é nenhum mistério para o Universo que o último czarniano representa tudo que pode acontecer de ruim com os seres viventes.

Apesar disso, curiosamente há uma espécie de criatura pela qual Lobo devota seu amor. Exatamente! O flagelo das galáxias possui esse sentimento, embora jamais o admita publicamente: Lobo ama seus golfinhos espaciais.

Os golfinhos espaciais são criaturas muito parecidas com seus parentes terrestres, porém, ao invés de passear pelos oceanos, eles singram o espaço se alimentando de peixinhos espaciais. Pois é, há toda uma fauna marítima espacial.

Desde a infância, Lobo gosta dos golfinhos espaciais. Dentro dos meandros de sua mente, ele enxerga seus "peixinhos" (ai de quem corrigí-lo afirmando que golfinhos são mamíferos) como seres tão puros e tão inocentes que precisam de todo seu afeto e proteção.

O Universo inteiro sabe: machuque um golfinho espacial, mesmo sem querer, e já pode preparar seu testamento. Lobo não perdoa ninguém que inflija um mínimo que seja de dor a seus únicos amigos.

Tanto amor e atenção são recompensados, já que os golfinhos também encaram Lobo como seu grande protetor e amigo. Os golfinhos sabem que estão mais seguros ao lado de Lobo do que em qualquer reserva natural que alguma ONG espacial pudesse inventar.

Mas o que aconteceria se, de repente, essas mesmas criaturas puras e doces que conquistaram os únicos milímetros de sentimentos bons de Lobo se voltassem contra seu protetor? É, você adivinhou, esse é o tema principal dessa história (se bem que pelo título já dava para imaginar algo do tipo).

Depois de dias seguidos de estresse físico e mental, até mesmo Lobo precisa relaxar um pouco. No asteróide que usa como base de operações, o Maioral resolve então brincar com seus golfinhos espaciais.

Como já se tornou tradicional entre eles, Lobo monta em um dos "peixinhos" e passeia com todos pelo vácuo do espaço sideral, para que eles se exercitem um pouquinho.

Porém, dessa vez, algo estranho acontece. O golfinho no qual lobo montou faz um giro de 180 graus derrubando o czarniano. Num primeiro momento, Lobo imagina que isso era apenas uma brincadeira e até ri, mas a cena se repete diversas vezes.

Lobo, já ficando impaciente, reclama:

— Que foi, "peixinhos"? Querem implicar com o titio Lobo, é? Se não querem brincar, é só avisar que eu vou puxar um ronco.

Após essa observação, os golfinhos espaciais voltam-se na direção de Lobo e começam a acertá-lo com suas nadadeiras.

Lobo não entende absolutamente nada. Os golfinhos sempre estiveram entre as criaturas mais doces do universo e jamais atacariam ninguém sem motivo; muito menos seu maior protetor.

Não querendo machucar seus "peixinhos", mesmo que para se defender, Lobo assobia chamando por sua moto espacial e começa a fugir dos golfinhos.

Jonas Glim trabalha com Lobo como caçador de recompensas. Ele se considera amigo do czarniano, embora saiba que Lobo não pensaria duas vezes em matá-lo se isso valesse algum dinheiro. De qualquer forma, Jonas faz questão de manter Lobo em alta estima.

Passeando com sua moto nos arredores da morada de Lobo, Jonas vê uma cena que jamais poderia imaginar: O Maioral fugindo de golfinhos espaciais! Os bichinhos mais fofinhos das galáxias colocando para correr o putardo mais sanguinolento do espaço!

— Que que tá havendo, Lobo? — grita Jonas na direção de seu colega.

— Não enche o saco! — responde educadamente Lobo.

Jonas saca sua pistola e aponta na direção dos golfinhos espaciais, na intenção de auxiliar seu colega, mas Lobo instintivamente dá meia-volta e acerta Jonas com o lança-morteiros de sua moto.

Flutuando pelo vácuo, Jonas não entende o que houve. Entende menos ainda quando Lobo salta sobre ele e acerta um soco em seu beiço, falando (*):

— Se tu acertar um dos meus "peixinhos" tu morre!

Porra, Lobo! Os bichos tavam te atacando! — Jonas começa a esboçar um sorriso — Por falar nisso... o Maioral, fugindo de golfinhos fofinhos... pô, tô te estranhando! — começa a gargalhar.

— Cala a boca! — Lobo acerta um novo soco no beiço já inchado de Jonas — Meus "peixinhos" devem estar possuídos. Eu não tava fugindo, só ia me esconder pra seguir os golfinhos e ver quem tá fazendo essa sacanagem com eles.

— Então é melhor ficar atento... — Jonas aponta na direção oposta a Lobo — Os golfinhos estão indo embora. Olha lá.

Lobo vê seus "peixinhos" indo em alta velocidade numa direção desconhecida e salta sobre sua moto para acompanhá-los à distância. Jonas resolve seguir seu colega, já que não tem nada para fazer mesmo.

Depois de alguns minutos perseguindo os golfinhos espaciais, Lobo e Jonas os vêem se dirigindo a um planeta gigantesco, todo coberto por uma forte cor verde e com uma espécie de cinturão circundando seu equador com um estranho símbolo no meio.

— Caraca! — observa Jonas — Aquilo ali não é o símbolo dos Lanternas Verdes? — aponta para o desenho impresso no gigantesco cinturão que envolve o planeta.

— É. Aqui é onde meus "peixinhos" vêm se alimentar (**). Esse planeta aí fazia parte daqueles Lanternas Verdes.

— Mas eles não acabaram?

— Pois é. Eu achei que depois que aqueles babacas de verde sumiram, meus "peixinhos" iriam param de vir nesse buraco. Mas que se f&#@! vamos descer lá e ver o que tá acontecendo com os golfinhos.

Mogo é um planeta ímpar. Quando a antiga tropa dos Lanternas Verdes ainda existia, esse "planeta vivo" detinha o poder do anel, simbolizado pelo cinturão que o circunda. Embora não fosse um ser vivo na concepção que conhecemos, Mogo cuidava da segurança de todos seu setor.

Após o fim da tropa dos Lanternas Verdes (***), todos os anéis dos poucos sobreviventes perderam definitivamente sua energia. Contudo, ninguém soube o que aconteceram com Mogo. Imaginaram que ele havia simplesmente voltado à sua natureza original, mas há algo a mais escondido nas profundezas do planeta.

Lobo e Jonas pousam em Mogo à procura de respostas, mas só vêem desolação. Da última vez que Lobo estivera nesse mundo, ele era repleto de uma rica e bela vegetação, mas agora só se vê árvores mortas e uma vegetação rasteira muito próxima de se tornar um deserto de areias verdes.

Assim que saltam de suas motos, Lobo e Jonas são atacados por galhos de uma das poucas árvores ainda intactas no planeta. Nem a força de Lobo é suficiente para quebrar os galhos retorcidos que o envolvem.

Jonas rapidamente saca de sua arma e começa a atirar para todos os lados. Com a potência máxima ligada, a pistola de Jonas consegue atingir alguns dos galhos que prendiam Lobo, que se solta e reclama com seu colega afirmando que poderia as salvar sozinho.

Aproveitando a rápida distração, os dois caçadores de recompensas correm para uma área desértica, onde supõem que não poderão sofrer as investidas de Mogo.

Lobo então começa a gritar:

Aí, seu planeta babaca! Eu sei que tu pode mandar um carinha aqui pra conversar com a gente! Me explica logo o que tá acontecendo com meus "peixinhos" ou a gente te detona!

Do solo, surge um ser de aparência humanóide, mas formado por raízes de plantas. É uma espécie de emissário do planeta Mogo, uma forma semi-consciente que faz parte da estrutura desse mundo, mas que é capaz de interagir com eventuais visitantes.

— Por favor... Nos ajude... — diz, com dificuldades, o "emissário".

Que mané ajuda, o quê! — argumenta Lobo — Eu quero meus "peixinhos"de volta! Foi esse planeta de m&%#@ que ferrou com a cabeça deles?

— Mogo está louco... após a perda do poder dos Lanternas Verdes... Mogo ficou esquizofrênico... O pouco de consciência que resta... está em mim...

— E eu com isso?

— Por favor... Essa loucura está consumindo todo... o planeta... e afetando até os golfinhos que se alimentam... dos asteróides...

— Então é por isso que os "peixinhos" tão violentos? Então é só acabar com essa droga de planeta que eles voltam ao normal! Vamos, Jonas, me ajuda a tacar umas bombas aqui para explodir esse planeteco.

Não!... Mogo não pode... ser destruído... a explosão espalharia sua loucura... por todo o universo... em breve eu também serei atingido... tragam o último Lanterna Verde para cá... ajudar com seu poder... ou Mogo se consumirá e implodirá sozinho... e a loucura afetará... o... universo...

Lobo e Jonas olham um para a cara do outro e ponderam:

— Esse monte de raiz tá querendo que a gente vá à Terra buscar o Lanterna Verde de lá. — recapitula Jonas.

— Pois é. Ele quer que a gente faça isso para salvar o universo de ficar maluco que nem esse planeta — avalia Lobo.

— Então está nas nossas mãos a bem-aventurança de todos os seres viventes?

— Isso aí. Se a gente não for buscar esse Lanterna Verde, o planeta explode e todos ficam malucos.

— Pô, Lobo. O que a gente faz?

— Você eu não sei, mas eu tô é cagando e andando pra isso. Vamos explodir logo esse planeta e acabar com essa palhaçada. Se o universo ficar pirado, o que é que a gente tem com isso?

Falou!

Lobo e Jonas voltam para suas motos espaciais com a finalidade de lançar uma quantidade incomensurável de bombas no núcleo do planeta até que ele exploda de vez. Mogo, porém, não está interessado em deixar ninguém sair do planeta e faz com que os golfinhos espaciais encontrem os dois caçadores de recompensas e os ataquem.

Lobo começa a correr e avisa a Jonas que se ele tocar em seus "peixinhos", é um homem morto. Jonas então começa a correr também, até que os dois caem num precipício de quilômetros de altura.

No interior de Mogo, a energia que alimenta sua loucura começa a se agitar de forma cada vez mais violenta. Falta pouco tempo para que o planeta imploda.

Segurando um galho podre que brotou na parede no precipício, Lobo e Jonas se seguram frente à queda monumental.

A anos-luz de distância um poderoso ser sente que há algo de errado ocorrendo com a energia da chama verde.


No próximo capítulo:

— Um novo amanhecer esmeralda?
— Um novo pulsar para a chama verde?
— Uma batalha pela sanidade do Universo?
— Ou apenas Lobo dando porrada em todo mundo, pra variar?


:: Notas do autor

(*) Por favor, não me pergunte como eles falam no vácuo, apenas leia a história sem se preocupar com esses detalhezinhos bobos. Tenho certeza que você também não gostava de física na escola. voltar ao texto

(**) Para quem não conhece, esse planeta é Mogo, o "planeta Lanterna Verde", que possui uma relação de simbiose com os golfinhos espaciais, que comem os meteoros amarelos que o atingem. Maiores informações em Liga da Justiça # 40, da editora Abril. voltar ao texto

(***) Durante a saga Crepúsculo Esmeralda, publicada pela editora Abril. Mas eles estão voltando no Hyperfan. Confira as histórias já publicadas de Lanterna Verde. voltar ao texto



 
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