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Lobo # 25

Por Lucio Luiz

Frag Olímpico

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Às vezes são curiosas as coincidências que existem no Universo. No planeta Terra, no finalzinho do século XIX, um francês criou uma atividade multi-esportiva internacional inspirado numa atividade multi-esportiva grega de séculos antes de Cristo. Essa grande competição ganhou o nome da cidade grega que foi seu berço por séculos e séculos na antigüidade: Olimpíada.

Enquanto isso, milhares de anos-luz distante da Terra, um esportiano, habitante do planeta Espórtia, conhecido por sua população fascinada por competições saudáveis e enriquecedoras da alma, criou uma atividade multi-esportiva interplanetária inspirado numa atividade multi-esportiva coluana de milênios antes de Brainiac. Essa grande competição ganhou o nome da coluana que registrou seu acontecimento nos anais da História universal: Olimpíada.

Milhares de cientistas de diversos planetas até hoje discutem se isso seria uma simples coincidência ou apenas uma péssima tradução de Kuthericjsnfgha, o nome da tal coluana, para os idiomas terrestres. Mas nunca chegaram a nenhuma conclusão.

Hommer Bartty é um assassino em série caçado pelas polícias de mais de quinhentos planetas. Sua técnica de assassinato é tão cruel que as pessoas tremem só de ouvir seu nome. Ele possui o poder de todos de seu planeta natal, Simpp, que consiste em estourar os tímpanos e levar a morte quem o ouve falar "D’oh" e outros termos incompreensíveis com a carga total de seu pulmão.

O último planeta que ele atacou foi Walton, um pacífico mundo rural. Sem exércitos nem convênios com forças interplanetárias de ordem e segurança, seu presidente foi obrigado a contratar dois caçadores de recompensas para trazer Hommer à justiça. Vivo ou morto.

— Tem certeza que o cara tá aqui? — pergunta Jonas Glim e seu colega de trabalho, Lobo.

— Meu faro nunca erra.

— Caraca... ele tinha que vir logo pra Espórtia... e logo nessa época do ano...

— Que que tem?

— Vai dizer que tu nunca ouviu falar das Olimpíadas Espaciais?

— Não assisto novela.

— Deixa de ser babaca, Lobo. Essa é a maior competição multi-esportiva interplanetária de todo o universo. Acontece de quatro em quatro ciclos. E exatamente agora é o período do torneio.

— E daí?

— "E daí"? Pô! E daí que tem bilhões e bilhões de pessoas de todos os cantos do Universo aqui pra participar do torneio!

— Mas com meu faro vai ser mole achar o cara. Na dúvida, a gente mata todo mundo no planeta! Hahahahahahaha...

— O contrato foi claro, Lobo: temos que capturar o cara vivo ou morto, mas sem causar nenhum tipo de confusão nem matar inocentes.

— Por isso não gosto de contratos que vêm de governos "bonzinhos". Sempre têm essas cláusulas que só atrapalham nosso trabalho. Sem contar essa palhaçada de ter que dividir a grana da recompensa contigo! Eu consigo fazer essa porcaria de trabalho sozinho! Maior moleza, pô!

— Mas tu se acha mesmo, hein?

— Por quê? Tu acha que consegue resolver isso sozinho? Nem sonhando!

— Vamos então nos dividir! A gente pode usar alguns disfarces para chegarmos até o cara e quem pegá-lo primeiro, fica com toda a parte que falta do pagamento!

— Fechado, otário!

Pouco tempo depois dos dois colegas se separarem, o faro de Lobo consegue reconhecer seu alvo. O grande problema é que Hommer está vestido como atleta e acabara de entrar no Grande Estádio dos Jogos Olímpicos Espaciais.

Lobo tenta entrar atrás dele, mas é impedido pelos seguranças.

— Só atletas podem passar por aqui.

— É mesmo? Quero ver quem vai me impedir!

Contudo, no momento em que Lobo prepara-se para assassinar os dois seguranças, ele lembra da cláusula contratual de não ferir nem matar ninguém.

— Quer dizer... — tenta remediar Lobo — Eu sou atleta.

— E cadê sua identificação?

— Eu esqueci de pegar.

— Então é melhor você correr na administração ali do lado e pegar seu crachá antes que o decatlo comece.

— Declato? Saco...

— Bom dia. — Lobo tenta aparentar ser uma criatura educada diante dos membros da comissão organizadora.

— Τι θέλετε?

— Que porra de língua é essa?

— Είστε αθλητής?

— Olhaqui... meu nome é Lobo e eu vim participar do decatlo.

— Λύκος?

— Λύκος, não! Lobo!

— Ποιος είναι ο πλανήτης σας?

— Cacete... sou de Czárnia.

— Γζαρνια?

— É, porra! Mais ou menos isso! Tu é surdo, pô?

— Φιλήστε το γάιδάρο μου. — cumprimenta o organizador, após entregar um crachá de atleta para Lobo.

Por algum estranho erro histórico, os arquivos de Czárnia nunca foram apagados do sistema dos Jogos, apesar de sua extinção há séculos. Como Lobo é o único representando do planeta presente, ele se torna automaticamente membro do comitê olímpico czarniano, com poder inclusive de definir que ele próprio é atleta do decatlo.

— Essa então é a porra do documento?

— Ελάτε σε σεξουαλική επαφή με έναν πίθηκο

— Pra ti também.

No Grande Estádio dos Jogos Olímpicos Espaciais, Lobo observa atentamente sua "vítima". Hommer Bartty disfarçou-se como membro da equipe de atletismo de Kyrandia como reserva do atleta de decatlo. Para seu azar, o atleta principal sofreu uma indigestão após lanchar na 804.568ª franquia do principal restaurante de lanches rápidos do planeta Méquidonal, restaurante oficial do evento.

Como não pode dar bandeira, o atleta czarniano resolve matar "acidentalmente" seu alvo. Com isso, ele acompanharia o dito-cujo aos bastidores e levaria seu corpo embora sem levantar maiores suspeitas.

A prova de 100m rasos ocorre sem nenhum problema, com Lobo fazendo o possível para manter o disfarce de atleta. Na hora do salto com vara, ele percebe sua primeira oportunidade de matar Hommer.

Lobo, disfarçadamente, joga um pouco da supercola intergaláctica Colatudissaí no bastão selecionado para Hommer. Logo em seguida, arranja um jeito de fazer um buraco no colchão do salto para que, além de cair sem proteção, ainda colado ao bastão, a queda seja fatal.

Contudo, na hora do salto, Hommer diz que pretende saltar mais alto ainda e passa a vez para o competidor seguinte: Lobo. Antes de dizer que se nega a saltar naquele momento (para não ser alvo de sua própria armadilha), Lobo ouve Hommer dizer:

— Esse panaca branco aí nem deve saber saltar. Olha que patético.

Irritado pelo insulto e, principalmente, por não ter a menor idéia do que signifique "patético", Lobo pega o bastão e corre pela pista. Ao chegar no alto, o czarniano percebe que agiu igualzinho a um vilão de desenho animado infantil e cai bruscamente no colchão já vazio, quebrando o chão.

A obrigação da morte parecer um acidente ou, ao menos, não ficar descarado que houve um assassinato perpetrado por ele, faz com que Lobo se segure nas oportunidades que aparecerão no arremesso de dardo.

Contudo, após mais algumas provas de corrida, Lobo nota que mais uma chance aparece quando todos são convidados para a prova de salto em distância. Utilizando o controle remoto de sua moto, Lobo faz com que dois mísseis sejam disparados na direção da tocha olímpica que queima no Grande Estádio.

Enquanto a atenção de todos os 800.000 espectadores e atletas está direcionada exatamente para o local da explosão, Lobo joga um preparado químico na caixa de areia, transformando-a numa mortal areia movediça.

Após os bombeiros apagarem o fogo resultante da explosão e o chefe do comitê organizador do evento colocar um pouco da chama olímpica numa vela (para manter o espírito olímpico, oras), a prova é reiniciada.

Hommer Bartty corre, mas acaba pisando fora da faixa limítrofe e sequer se preocupa em completar o salto, já que ele já havia sido anulado. Dizendo em alto e bom som que "acabou fazendo igualzinho ao que o palhaço branco incompetente vai fazer", ele consegue a irritação de Lobo, que corre velozmente na pista.

Após seu salto, o czarniano percebe que agiu igualzinho a um vilão de desenho animado infantil e é engolido pela areia movediça.

A dificuldade para sair da areia movediça é tanta que Lobo só consegue voltar à competição a tempo de participar da última prova: os 1.500 metros. É agora ou nunca! Lobo respira fundo e resolve matar Hommer de exaustão. Ele pega o restante da supercola intergaláctica Colatudissaí e a joga em sua mão.

Ele pretende apertar a mão de seu adversário, fingindo desejar sorte a ele, porém Hommer o cumprimenta antes, dando um tapa em suas costas e, com isso, espalhando a supercola em todos os participantes. Lobo percebe que agiu igualzinho a um vilão de desenho animado infantil quando vê que todos ficam grudados de uma forma muito estranha.

Lobo fica irritadíssimo e começa a correr velozmente atrás de Hommer. Contudo, o vilão também é extremamente rápido. Ambos quebram o recorde interplanetário dos 1.500 metros, mas todos os outros competidores, ainda grudados a Lobo, morrem de exaustão.

A hora do pódio é o momento máximo para um atleta. Para os competidores do decatlo, ainda há um diferencial: eles são premiados como os atletas mais completos, pois tiveram excelentes resultados em dez diferentes modalidades do atletismo.

Dessa vez, porém, há uma grande diferença desse pódio para todos os outros. Ao invés dos três melhores atletas, só serão premiados dois. E isso por um motivo simples: só sobraram exatamente dois, já que todos os outros estão hospitalizados.

Lobo observa irritado seu oponente no ponto mais alto do pódio. A sensação de ter sido passado para trás durante toda a competição não sai de sua cabeça. Será que Hommer Bartty é mais esperto do que ele imaginara?

De qualquer forma, ainda há uma última chance. Logo depois da premiação, os atletas são encaminhados para uma sala isolada onde fazem o exame antidoping. Esse é o momento ideal para matar Hommer sem que ninguém perceba e levá-lo para o planeta Walton a fim de receber sua recompensa.

Contudo, enquanto Lobo ainda está distraído imaginando sessenta formas diferentes de fazer seu alvo sofrer antes da morte, ele ouve um gemido de dor e vê Hommer caído. O assassino acaba de morrer após receber a medalha de ouro e escorregar, ficando enforcado após prender o cordão da medalha na base do pódio.

Após o relativo fracasso de sua missão, Lobo volta ao planeta Walton pretendendo ganhar a recompensa de qualquer jeito. Afinal, de qualquer forma, o assassino acabou morrendo e era essa sua missão.

Diante do governador do planeta, Lobo exige o pagamento do restante do combinado e se espanta após receber uma resposta negativa.

— O quê? — reage Lobo — Vocês tão se recusando a pagar o maioral? Tão perdendo a noção do perigo?

— Er... — o governador tenta acalmá-lo — O senhor... bem... não cumpriu a missão a contento...

— O cacete que não cumpri! O cara tá morto, não tá?

— Sim... mas... o senhor não foi responsável por sua morte.

— E daí? O cara morreu, né? Como ninguém matou o cara, eu posso receber a porra da recompensa. Afinal, depois da zona toda eu trouxe o corpo dele.

— Porém... er... não foi acidente. O tenebroso vilão foi assassino pelo outro caçador de recompensas, que fez jus ao montante financeiro.

— O outro caçad... Jonas! Cadê aquele filho da...

— Estou aqui, Lobo! — cumprimenta Jonas.

— Que história é essa, seu refugo de cavalo?

— A gente não combinou de se separar e quem pegasse o cara primeiro ganhava a grana?

— E daí? Ele morreu num acidente!

— Acidente o caramba. Eu me disfarcei de membro da comissão de medalhas e fiz o cara morrer enforcado na própria medalha, parecendo acidente. Viu como é bom ser esperto, Lobo? Hahahaha... ei! O que tu tá fazendo comigo, colega?

— Colega é aquela que te pariu! Vou te mostrar agora uma coisinha que eu aprendi nesses jogos!

— Mas por que tu tá me carregando até a sacada...? Ei. Lobo. Pára de sacanagem... o troço aqui tem uns cinqüenta andares de altura...

— Então, "coleguinha"... aprende agora como se faz um belo arremesso de peso! Hahahahahahahahahahaha...!!!


Na próxima edição: Lendas de Czárnia! Como seria uma excursão escolar se um dos alunos fosse... Lobo???



 
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