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Mulher-Hulk # 01

Por Josa Jr.

Me faltam idéias para começar essa edição.

Sinceramente, não sei o que fazer, não sei o que dizer e tampouco sei o que escrever. Aqui estamos, na primeríssima edição de Mulher-Hulk e o autor não sabe que rumo dar à personagem principal. A folha (digo, tela) branca na minha frente também não ajuda muito...

Lembro de uma citação em um livro que uma amiga me deu (muito obrigado, senhorita Garcia): um certo artista russo afirmou que devemos esperar pela inspiração, mas o que realmente importa é vencer a desinclinação — aquela paralisia provocada pelo medo do papel em branco.

Pois bem, vamos lá.

Começo Tímido

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— Heh... H-hã... o-o-olá, se-senhorita W-walters...

Enquanto o garçon serve um saboroso Salmão a Printanière pela primeira vez na vida, Jennifer sente vontade de assassinar sua amiga Janet Van Dyne, mais conhecida como Vespa. Tudo graças a esta situação desagradável em um dos restaurantes mais caros de Nova Iorque. A amizade das duas heroínas surgiu quando eram colegas de Vingadores.

Como Jennifer está solteira há algum tempo, sua colega arranjou um encontro às cegas com um ex-colega de Hank Pym — famoso cientista, marido de Janet e conhecido pelas identidades de Homem-Formiga, Gigante e Jaqueta Amarela. Não me perguntem qual nome ele está usando agora, mas espero que não seja Jaqueta Amarela, algo de extremo mau-gosto — como peça de vestuário e como nome de super-herói.

O motivo da raiva da Mulher-Hulk é simples: ela não está interessada num encontro assim, com uma pessoa assim. Um dos últimos homens por quem nossa heroína se interessou foi o herói conhecido como Hércules — e não se trata de um qualquer, mas do próprio filho de Zeus. Para alguém (mal-)acostumada com deuses gregos, um analista de sistemas tímido e suado se torna um partido bem menos interessante do que seria em uma situação normal.

— Com licença, é... Dr. Niewinski, não? Eu vou ao toalete.

— Uh... claro, se-senhorita Hulk...

Duas horas depois, o dr. Niewinski pôde perceber claramente. Cabe ao pobre rapaz saborear o salmão sozinho.

Enquanto isso, Josa folheia velhas revistas, à procura de alguma idéia interessante, que ele pudesse alterar. Alterar tão bem que nenhum editor perceberia que se tratava de um plágio descarado. Uma técnica desonesta, talvez. Mas não foi Bill Gates quem disse que os gênios copiam? Ou ele copiou essa frase do Steve Jobs?

[Nota do Lopes: Josa, não abuse da sorte...]

Hã... De qualquer forma, voltemos ao universo Hyperfan. Enquanto caminha rapidamente em direção à Mansão dos Vingadores, Jennifer pensa em algumas formas de tortura que poderiam ser aplicadas à Vespa. Quando finalmente chega ao portão da mansão, abre sua bolsa, tentando achar o cartão de entrada. Desajeitada, derruba todos os outros cartões que guardava.

Entre um palavrão e outro, nossa heroína vai catando tudo, até que a chegada de um estranho chama sua atenção. Ela se prepara para levantar a cabeça, mas no meio do percurso, o rosto do estranho — que desce — se encontra com o de Jenny. Ela percebe então que o sujeito lhe é bastante familiar.

— Jen...

— Wyatt! — Ela rouba um beijo de seu ex-namorado, surpreendendo Wyatt e a si mesma.

— Hã... isso quer dizer que voltamos?

— Se você diz... — O rosto de Jennifer toma um tom verde, pouco mais escuro que o comum. Ela ruborizaria, se seu sangue não fosse esmeralda.

— Você está morando com os Vingadores? Eu passei no apartamento e...

— Ainda estou lá. Passei aqui pra enforcar a Janet, mas você acaba de me lembrar que ela é a dona do meu apartamento, então vou deixar barato.

Minutos depois, o casal finalmente chega ao apartamento. Os dois amantes se beijam antes que a porta possa ser trancada. As mãos de Wyatt começam a descer pelo corpo de Jennifer, deixando claro o que acontecerá nos próximos minutos. Mas não acontece: a Mulher-Hulk abre os olhos e se afasta do namorado.

Seus olhos percorrem todo o ambiente em alguns segundos. Wyatt, ainda constrangido, tenta descobrir o que a mulher procura. Ela segura forte o braço do namorado e murmura:

— Estão nos observando.

— Hã? Quem, Jenny?

— Os leitores.

— Os leit...? Ah, não! De novo, não!

— Quem está aí? Digo... quem está escrevendo?

— Você tem certeza que realmente tem gente lendo isso?

— Deve ter uns dois lendo, mas pense bem: para que iam me fazer voltar com você se não vai ser publicado? Que leitor se importa com Wyatt Wingfoot?

Eeeiii! Eu fui criado antes de você!

— E eu fui criada antes do Gambit. Grande coisa, bonitão.

— Hmpft. Touché.

De volta à realidade que nós pretensiosamente chamamos de "Mundo Real", o escritor devora uma pequena pizza e escolhe ao acaso uma revista. Ele ignora completamente as outras histórias da edição e pula direto para o Homem-Animal, de Grant Morrison. Já lhe disseram que a Mulher-Hulk seria a versão feminina do Homem-Animal, então alguma coisa dali poderia ser aproveitada. Ao passar os olhos na edição, um pensamento surge em sua cabeça doentia. Encontrou a resposta afinal:

"Fantasma Gay! Fantasma Gay! Fantasma Gay! Fantasma Gay! Fantasma Gay! Fantasma Gay! Fantasma Gay! Fantasma Gay! Fantasma Gay! Fantasma Gay! Fantasma Gay!"

Rapidamente, ele retorna ao computador e continua a escrever sua primeira edição. Jennifer e Wyatt continuam na sala esperando impacientemente uma resposta para suas questões. Na verdade, apesar dos problemas de privacidade, a Mulher-Hulk está satisfeita por finalmente voltar à ativa. Mas isso não apaga o fato deste degenerado autor deixá-la em uma situação constrangedora.

— Que saco... Nem sinal do escritor.

— Calma, Jenny... logo ele aparece.

[— Ok, pronto. Sou o Josa, eu escrevo essas porcarias.]

— Ei! Eu te conheço! Você já me escreveu! Você não é aquele que é apaixonado pela...

[— Não, Jenny, você não me conhece! Essa é a primeira edição!]

— Mas eu te conheço, você é o que gostava da... tá, deixa quieto. Dá pra você se materializar na nossa sala?

E então ele aparece.

— Pronto... oi, Wyatt.

— Oi, Josa...

— Será que você pode terminar a edição agora? Eu e o Wyatt, bem...

— Não, não dá. Ainda falta terminar de situar os leitores. Por exemplo, o telefone deveria tocar agora.

— Ah, calaboca seu...

Antes que Jennifer possa completar a frase, o aparelho realmente toca. Mesmo contrariada, a heroína atende. A ligação vem de Los Angeles, cidade natal de Jennifer e casa de seu pai.

— Ooooiii, pai! E aí? Como vai a Ise?

A "Ise" é Louise Mason, ou a Fantasma Loira, heroína aposentada da década de 40, que atualmente namora Morris Walters, pai de Jenny. Diante de tantas explicações, Wyatt começa a se sentir impaciente.

— Josa, essa edição tá uma droga. Só tem explicação, explicação, explicação e ação que é bom...

— É o primeiro número. Preciso fazer essas coisas para situar os leitores, afinal quem sabe quem é Wyatt Wingfoot?

— Grrrr...

— Além disso, eu realmente estou sem idéias pra edição, daí o título da história.

— Achei que se referia àquele traço da sua personalidade que se manifesta quando você...

— Ei, Josa, já falei com meu pai! Agora sai fora! Vai embora! Chispa! Some! Get out!

— Peraí, Jenny. Tô conversando com o Wyatt.

— Tá nada, Jen!

— Saco... eu apareci porque tenho que deixar a deixa (argh, isso ficou péssimo) para a próxima edição.

— Faz isso na próxima edição, droga!

— Não, Jenny. Você tá a fim de ser cancelada na # 1? Porque... se depender de tudo que aconteceu nessa história até agora... ninguém vai ler a próxima.

— ... é verdade. Então fala, xarope.

Ele finalmente explica seus planos. A idéia é simples: Como Josa não estava mais tendo idéias de que personagem usar em sua série da Mulher-Hulk (provavelmente porque ainda tem que pensar em seres ridículos para Justiça Jovem, além de reformular vilões para Lanterna Verde e Super-Homem), só restou uma solução — ir até o Limbo e procurar algum personagem sumido há tempos...

— Hã... em um parágrafo você fez propaganda de todos os seus títulos.

— Eu sei, Jen. Sou bom nisso.

— Tá, mas esse Limbo é aquele da Illyana? Você vai ressuscitar a Illyana? Achei que ressurreições fossem proibidas por aqui.

[Nota do Lopes: Elas são proibidas, alfacenta!]

— Hmmm... então porque em Lanterna Verde, você fez o Hal...

— Pssst. Fica quieto, Wyatt, ninguém tinha percebido. Não, Jen... se trata do Limbo das HQs, para onde vão personagens e conceitos esquecidos pelos criadores, como por exemplo, a nova origem do Homem-Aranha que o Byrne fez. Esse limbo aparece em DC2000 #35, na história do Homem-Animal. Quero que você vá lá e resgate um personagem interessantíssimo.

— Que seria...

— O Fantasma Gay!

— Quê? Mordred? Você que tá escrevendo essa história?

[Nota do Mordred: Eeei!]

Depois de finalmente explicar tudo para Jennifer e aos leitores, Josa se despede e leva nossa heroína ao portão do Limbo. Logo que entra neste estranho mundo, a Mulher-Hulk estranha o fato deste lugar ser tão deserto. Afinal, o tanto de coisas que os escritores desconsideram deveria deixá-lo entupido de gente.

A vingadora continua a percorrer o ambiente bizarro, repleto de versões antiquadas do Batmóvel e outros carros de heróis. Passando em frente à Casinha de Cachorro da Solidão, ela finalmente encontra alguém — um animal falante.

— Mulher-Hulk? Há quanto tempo! Não acredito que veio parar aqui, até o Byrne já escreveu suas histórias!

— Hã... Quem é você?

— Você não deve ser lembrar de mim. Sou Ch'p, o Esquilo Lanterna Verde. Prazer.

— Putz, que trash... Mas, hein? Você sabe onde está todo mundo?

— Ah, eles devem estar na Sala de Justiça ouvindo o mestre.

— Mestre? Que mestre?

— O Mestre que nos guiará para fora do Limbo, então invadiremos as HQs e retomaremos nosso lugar de direito: as revistas mensais!

— Essa não... Você pode me levar ao "mestre"?

— Claro que sim! A reunião deve começar agora! Vamos lá.

"Mais tarde, na Sala de Justiça..."

— Ch'p? Você ouviu isso?

— Silêncio! A sessão vai começar.

Jennifer se espanta com a quantidade de idéias e personagens que são jogados no Limbo todos os anos pelos escritores. Sujeitos como a Batmulher, Ace (o Batcão), Jimmy Olsen Bizarro, Jim Shooter, Danny Ketch, Supermulher, Ravage 2099... todos estão reunidos na sala, aguardando a chegada do misterioso líder. Finalmente, o homem aparece. Um som semelhante a um gongo oriental anuncia a sua chegada.

Jen percebe que o ruído que anuncia o tal mestre lhe é familiar. Um vilão contra quem ela lutou antes, e que realmente deve ter ido parar no Limbo após aquele confronto: Doutor Bong! Quando o líder finalmente aparece, a multidão festeja sua chegada. Indignada, a Mulher-Hulk murmura:

— Ridículo, Josa! Não acredito que você retornou com esse pateta do Bong! Eu já cansei dessas suas histórias! Agora todo mundo vai saber que você gosta realmente daNa Próxima Edição: A busca pelo Fantasma Gay prossegue! Jennifer contra Dr.Bong! E o retorno de dois personagens que você nunca imaginou rever no Hyperfan! (A não ser que o Jeph Loeb venha fazer merda no nosso site...)

:: Notas do Autor

Para quem é novato na Mulher-Hulk, já aviso: Sim! As histórias são ridículas mesmo, eu falo com ela quando estou fora da realidade deles com letras de cor azul e quando estou na realidade deles, como um personagem qualquer. Não faz sentido nenhum, porque nunca sai dessa realidade, mas vocês entenderam :P

Para quem já lia as aventuras e deve estar estranhando um novo #1, não se preocupe: as histórias que você leu serão consideradas na cronologia em breve. Eu só reescrevi as edições 1 a 3, porque as originais eu considerei muito fracas. Quando eu terminar a # 3, as histórias dos números 4 a 10 serão acrescentadas e eu continuarei da # 11. Assim, se você gostou das sagas Advogados do Diabo, Matrixyzptlk, e da fatídica edição # 10, elas estarão de volta logo, logo.

Por último: Começo Tímido? Realmente, eu estava sem idéias, mas acho que começamos bem, não? De qualquer forma, as coisas ficarão divertidas mesmo na próxima edição, com uma invasão de todas aquelas porcarias que nós, autores sensatos (!), ignoramos na nossa cronologia.

Mas já podemos pegar algumas observações nesta edição:

1 - O artista russo é Tchaikovsky. Mais uma vez, obrigado pelo livro, Laís.

2 - Dr. Niewinksi é o nosso querido editor DC, Otávio. Lopes é o Editor-Chefe Careca e Anão (ou ECA). Mordred é o webmaster do site.

3 - Não deixe de ler Homem-Animal, em DC2000 # 35. É ótima!

4 - A Casinha de Cachorro da Solidão realmente existiu, e Krypto, o Supercão morava lá (Sim, também acho extremamente ridículo). As outras referências do Limbo desafio vocês a pegarem!

5 - Se você está lendo isso e acha que você é a pessoa de quem o Josa gosta, pode ter certeza de que é você mesmo. Não, Mordred, não é você. :P

Até o próximo mês! ;)



 
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