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Mulher-Hulk # 11

Por Tatá Sodré & Josa Jr.

"Alguns homens vêem as coisas como elas são e perguntam porquê. Outros sonham com coisas que nunca existiram e perguntam por que não." (George Bernard Shaw)

Oprah & Josh

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Sofá de veludo. Sala de TV. Apartamento da Mulher-Hulk. Nova York

— Rápido, Wyatt!

— Ah, Jen... Eu não sei o que você vê nisso... Você está há duas semanas contando os segundos para esse maldito programa...

— Não é apenas um "maldito programa"! É o episódio final da segunda temporada de Oprah & Josh, o melhor seriado de TV desde que I Love Lucy acabou!

— Hmmm... Acho que o Josa tá vendo TV a cabo demais...

— E essa série é ainda mais legal que as outras porque o Josh sabe que está num seriado! É uma sacada genial!

— Ah, entendo porque você gosta tanto desse troço...

Na tela da televisão, começam a aparecer os créditos do seriado, acompanhados por uma trilha sonora característica. Jennifer sorri e bate palmas como uma criança cada vez que um personagem é apresentado.

— Jason Alexander como "Josh"! Muito bom! Teri Hatcher como "Oprah"! Dizem que ela...

— Dizem que esse seriado é mais piegas que Ursinhos Carinhosos...

— Não é não! Os críticos dizem isso só porque o perdedor do Josh tenta achar uma lição em tudo que acontece de errado com ele.

— É... Só por isso...

— Olha, Wyatt, eu queria que você assistisse comigo, mas se for reclamar o programa todo, é melhor acompanhar a Cecília lá no Happy Harry's.

— Argh! Prefiro ficar aqui com você que ouvir os lamentos dela!

— Então, deixa eu te explicar: os caras da Internet disseram que, no final da temporada, Oprah e Josh finalmente vão ficar juntos. Tomara que seja verdade, disseram isso na temporada passada, aí não aconteceu e eu tive que me contentar com os péssimos fanfics de autores amadores...

— Você precisa ocupar melhor seu tempo, tá parecendo o Josh... digo, Josa. Ei! Você reparou que...

— Calaboca! Começou!

[Josh passou o dia inteiro visitando camelôs em Manhattan, à procura de um relógio. Não um relógio qualquer, era um modelo especial — o mesmo modelo do relógio que Oprah usava. Dias atrás, a moça havia perdido seu relógio em um parque de diversões. Quando finalmente o encontrou no chão, um senhor obeso pisou em cima, transformando o complexo mecanismo do tempo em um monte de pecinhas espalhadas na terra.

Sabendo do que ocorreu através da própria Oprah, Josh pôs-se a procurar um modelo idêntico ao destruído pelo gordo. Oprah sempre comentou que o relógio era importante, não por causa de seu preço, mas porque era um presente que sua mãe havia comprado para ela, em um vendedor ambulante. Finalmente, Josh encontrou um modelo igual ao antigo e, no final do dia, foi presentear sua amada em seu emprego, a revista feminina Blush.]

[— Josh... eu...]

— É agora, Wyatt! Ai, tilindúúúúú!

— Acho que nunca vi você agir tão ridiculamente desde... desde... argh, esquece! Você sempre está numa situação ridícula!

[— ...não posso aceitar. Eu não mereço, e não é justo com você.]

[— Como assim não é justo?? O que diabos tem a ver justiça com isso??]

[— Eu não mereço e acho que... hã? Não! Pode parar! Você não vai se ajoelhar aqui no meio da redação!]

— HAHAHAAHAHAHAHAAHAHAH... ele sempre se ajoelha pra convencê-la a aceitar alguma coisa! BWA-HAHAHAHAAHAHA!

— Acho que ele é meio pretensioso por querer a Teri...

— Outro lance legal! Ele sabe que é pretensão! Todo mundo diz que é pretensão, menos ela!

[— Josh, você não vai chorar, né?]

[— Eu não... choro... chuif.]

[— Tá bom! Eu aceito, vai!]

[No mesmo instante, o calvo arquiteto começa a sorrir e abre os braços, esperando um abraço de Oprah. A moça faz uma cara feia e esmurra o pobre apaixonado, que cai no chão — ajoelhado.]

— BWAHAHAHAHAHAAHAHHAHAHAHAH!

— Acho que vou no boteco ver a Cecília...

— Deixa de ser reclamão, Wyatt! Tá parecendo o Josa, digo, o Jo... Ei! Você reparou que....

— Há quinze minutos atrás.

— Porque você não me falou nada?

— Porque você estava questionando a autenticidade dos seios da Teri Hatcher...

— Bom, então quer dizer que estamos em...

— ...mais uma edição dedicada à misteriosa paixão do Josa.

— Put#¨%*)ariu! Meu título virou balcão de correio elegante!

[Josh ainda tentou sorrir enquanto caminhava pelas ruas do Soho, em direção à sua lanchonete favorita, mas o rosto ainda doía um pouco. Enquanto procurava um bom lugar para se sentar, lembrou das palavras de seu amigo John: "Todos saberão que você deu o relógio. O território estará demarcado." Não foi essa a intenção do presente, claro, mas a idéia lhe pareceu até interessante por um momento.]

[— Úrsula, uma salada grande, por favor.]

[— Ei, Josh! Senta aqui comigo!]

[Era Myra, sua segunda melhor amiga (evidentemente, Oprah era a primeira). Estava sentada no mesmo sofá de sempre. Ela conhecia bem Oprah e sempre serviu como conselheira de Josh. Para ele, era reconfortante conversar com a garota de vez em quando. Às vezes, também era uma tortura.]

[— Novidades? Quer dizer, daquele assunto?]

[— Eu não tenho notícias muito boas...]

[— Ah, não, Myra! Que bosta! Que merda! Eu não quero nem ouvir!]

[— Ok.]

[— Quero sim! Esquece.]

[— Bom, o Art Vandelay falou para mim que está gostando da Oprah...]

[— Caramba, Myra! Caramba, Myra! É assim: desiste um, chega outro! Que vida é essa?]

[— Desiste um?]

[— O Bob Sacamano me disse que desistiu...]

[— Não sei porque você se preocupa tanto com esses caras, você se conhecem há muito mais tempo...]

[— É simples. Pretendentes significam concorrentes. Concorrentes geram dúvida. Dúvidas geram mais demora. É simples!]

[— Mesmo assim, o máximo que pode acontecer é ela namorar com outro cara, só isso.]

[— AAAAARGGGHHHHH!!]

— HAHAHAAHAHAHA... essa Myra é muito engraçada!

— É?

— E a cara do Josh quando descobre mais um pretendente é muito engraçada. Esse Jason Alexander é muito bom!

— E esses pretendentes?

— Aparecem em quase todos os episódios. O melhor episódio foi aquele em que a Oprah dá um fora em trezes caras.

— São feios como o Josh?

— Alguns sim, outros não. E até o Mel Gibson participou desse!

— Afinal, qual o problema da Oprah?

— Ela passou por três divórcios e ficou traumatizada com relacionamentos. Agora fica quieto.

— Putz... Hã, tô vendo que essa edição não vai ter nenhuma ação. Ah, ouvi dizer que o Mago do Tempo acabou de destruir o braço esquerdo da Estátua da Liberdade.

— Azar dela. E o Mago do Tempo me falou uma vez que é apaixonado pela Oprah. Duvido que ele esteja perdendo esse episódio.

— Isso está ficando cada vez pior... Que tipo de idiota fica correndo atrás da mesma mulher por mais de um ano?

— O problema é que ele sabe que têm de ficar junto com ela!

— Porque? Revelação divina?

— O nome do seriado é "Oprah & Josh"... e o Josh sabe disso.

[— Viu, Myra? São situações como essas que me fazem ter certeza de que estou num seriado.]

[— Lá vem você de novo com esse papo ridículo.]

[— Você não acredita?]

[— Não... apesar de ouvir as risadas às vezes.]

— BWAHAAHAHAHAAHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHAHAHA! O cara que escreveu essa fala é um gênio!

— E o cara que escreveu essa sua última frase é um mané...

— Deixa o Josa em paz, ele só quer demonstrar que gosta da...

— Às nossas custas! Os leitores vão ficar um mês sem ação por causa de uma carta de amor...

— É, vendo por esse lado... Mas a história está interessante.

— Bom, tão um pouco...

[— Eu dei o relógio.]

[— E aí? Ela adorou, né? Bem que eu te disse pra fazer isso.]

[— Ela me esmurrou. Não tá vendo o hematoma não?]

[— Achei que fosse herpes.]

[De repente, Oprah entra na lanchonete. Com os olhos, ela percorre todo o ambiente até encontrar dois amigos conversando no mesmo sofá de sempre. Com as mãos, ela gesticula para que o balconista lhe sirva um café e senta-se do lado esquerdo de Myra. Na outra extremidade do sofá, Josh tenta agir de forma natural. Em vão, evidentemente. Há algo que o incomoda. Algo sempre o incomoda.]

[— Porque não sentou do meu lado?]

[— Porque o assento vazio não era do seu lado.]

[— Você me desgosta né, Oprah?]

[— Claro que não.]

[— Você está me evitando?]

[— É que eu não quero dar esperança, criar expectativas...]

[— Eu não sou infantil a esse ponto! Não sou!

[— É infantil, sim!]

[— Não sou, não sou, não sou e não sou!]

[— Hihihihi...]

[— E você, pára de rir, Myra!]

[— Você é grosseiro mesmo, Josh! Agora vai ficar de mau humor o mês todo, como aquela vez que eu não quis ver filme com você porque ia no Bar Mitzva do meu sobrinho!]

[— ...]

[— É hora de mais uma daquelas pausas constrangedoras.]

[— Calaboca, Myra. Hã... Josh, eu fui mostrar o relógio para um amigo meu e ele quebrou. Sem querer, acho.]

[— Que amigo?]

[— O Wilson, ele...]

[— Maldito Wilson! Maldito! Ele tá apaixonado por você e quebrou porque era minha demarcação de terri... hã, o Wilson é aquele casado?]

[— É, Josh...]

[— Mas o que você dizia sobre demarcação, Joshinho?]

Há dez minutos, Cecília Reyes voltou ao apartamento de Jennifer. A ex-médica acenou para a Mulher-Hulk e Wyatt, mas nenhum dos dois a escutou ou a viu. Por mais que Wingfoot evitasse admitir, a história havia se tornado por demais interessante, mesmo que situações como aquelas jamais aconteçam com pessoas normais, como todos sabemos. Dois minutos atrás, um confronto entre o Super-Homem e seu nêmesis Bizarro pôde ser visto pela janela do apartamento. Evidentemente, o casal não deu a mínima atenção.

— Depois do comercial é o último bloco!

— Duvido que ele fique com ela.

— Ah, não... Por quê, Wyatt?

— Isso estraga o seriado, todo mundo sabe. Acabou com A Gata e o Rato. Porque você acha que o Mulder e a Scully enrolaram por oito anos de Arquivo X?

— Ah, não...

[Josh se levantou do sofá e tentou não encará-la. Mas, mesmo de costas, sentia o olhar inquisidor de Oprah atravessando e percorrendo sua mente. Aquela mulher sempre sabia o que se passava na cabeça dele. Sempre sabia! Por isso ele a admirava tanto, mas também por isso a temia, e aquilo o enervava.]

[— Você não deu o relógio por isso, não é?]

[— Claro que não. Você me conhece.]

[— Pra falar a verdade, não tenho certeza disso. Quando pergunto se você está com raiva, você diz "não", mesmo estando. Quando pergunto se você tá triste... você está com raiva agora?]

[— Não.]

[— Tá sim.]

[— Não, só estou frustrado por tudo dar errado! Nada que eu faço pra você sai certo. Nada!]

[— Josh, me desculpa se às vezes...]

[— Não, esquece! Acabou tudo! Eu desisto! Não existe merda de seriado! Nada de Oprah & Josh! Fique com seus pretendentes idiotas, seus divórcios e tudo mais! Tchau!]

[Furioso, Josh deixou a lanchonete xingando e maldizendo o mundo, deixando para trás uma Oprah sem qualquer reação, e Myra. E, como sempre, Myra reservara um comentário na ponta da língua.]

[— O que eu fiz com ele, Myra? O que eu fiz?]

[— Bem, aí está um final de temporada que ninguém esperava...]

— BWAHAHAHAHAHAAHHAAHAHAAHH! Essa Myra é muito engraçada! HAHAHAHAH... O que foi? Por que não está rindo, Jen?

A Mulher-Hulk não tira os olhos da televisão, enquanto os créditos finais do programa aparecem na tela. Pasma, ela volta seu rosto assustado para Wyatt.

— Essa eu não esperava. Quer dizer, na temporada passada, a Oprah se casou com o Bobby. Foi uma surpresa e tanto, mas o Josh desistir...

— E quando começa a nova temporada?

— Daqui a uns meses. Mas como pode? Acabou mesmo? Josa?

— Eu não tinha pensado nisso. Se ele é o...

— Sei lá, sempre tem a piada final depois dos créditos.

[Algum tempo depois, no mesmo sofá de sempre...]

[— Lembra aquela história, aquela que eu escrevi na temporada passada?]

[— Ano passado! Odeio quando você vem com esses papos de temporada.]


[— Bom, eu escrevi outra. Quer ler?]

[— É triste? Eu vou chorar de novo.]

[— Não, é engraçada, acho.]

[Ela pegou a folha manuscrita e passou alguns minutos, tentando entender cada situação da história, lembrando das circunstâncias e momentos ali escritos. Ria como criança, precisou se sentar para poder continuar a leitura. Por fim, intrigada, comentou.]

[— Você... desistiu...?]

[— Você já olhou lá pra cima?]


[— O quê, o teto?]

[— Digo, pra cima da folha. Vê o nome dos autores?]


[— Você não desiste, né?]

[— Acho que... Em vez de falar "temporada passada" aí em cima, eu devesse falar "aquela que eu escrevi na edição passada". Acho que você entende o que quero dizer.]

[— Eu... entendo. Não estamos mais no seriado.]

[— E eu não desisto. Às vezes, é dolorosa, é complicada, mas essa história... Esse seriado também é muito divertido, e engraçado... Acho que por isso é uma comédia.]


[— Hmmmmm... E essa foi a lição que você aprendeu hoje?]

[Parou por alguns segundos e pensou em toda a história desse dia.]

[— Não... eu aprendi que nem sempre precisa ter uma lição ou algo pra ser passado, mas se for uma história tão divertida quanto a nossa, vale a pena esperar pra ver o final.]

— ...e eu aprendi que o Josa vai cancelar meu título se continuar escrevendo coisas assim.

— Hã... E eu aprendi que seriados e metalinguagem podem ser extremamente divertidos.

[— Então, de qualquer forma, você aprendeu algo, Josa.]

[— Merda!]

[— Que foi?]

[— Piegas de novo! Argh!]

[Todos os personagens riem. Ela apenas olha pra câmera e pisca o olho.]

[FIM]

Na próxima edição: O Casamento da Mulher-Hulk — versão 2001: interligação com A Volta dos Deuses!

:: Notas do Autor

Desculpem por fazer isso de novo com vocês, leitores ;))) Na próxima edição prometo não mandar recadinhos em forma de fanfics da Mulher-Hulk. Espero que tenham gostado da edição como eu gostei muito de escrevê-la. Quero agradecer a minha participação especialíssima nesse número: a minha querida
Oprah da vida real — sim, é a mesma da edição anterior.



 
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