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Mulher-Hulk # 13

Por Josa Jr.

[— Ei, Jennifer...]

— Quié?

[— Hã... eu deveria fazer um encontro seu com o Gladiador Dourado e o Besouro Azul...]

— Então faça.

[— Bom, é que estou sem idéias. E o prazo tá terminando...]

— Babaca! E a gente vai fazer o quê? Ficar sem edição por um mês? Tô vendo que agora você só se inspira com historinhas de amor...

[— Nada disso! Tenho uma história pronta, que guardei pra um problema desses.]

— Ah é? E como ela é?

[— Se passa antes da edição 1, e conta porque uma certa juíza te proibiu de advogar, na edição 5.]

— Bom... Vamos ver, né?

[— Ok.]

Os Arquivos Secretos da Mulher-Hulk Apresentam:
O Melhor Fanfiction Sobre o Nada

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"Ai, que saudades do Wyatt..."

A cada garfada em seu prato de macarrão, a Mulher-Hulk repete o mesmo pensamento. Wyatt Wingfoot, seu namorado, precisou viajar até sua tribo indígena para resolver alguns problemas que só ele seria capaz, já que ocupa o posto de líder do grupo. Jennifer se arrepende de não ter ido com ele, por achar que a viagem seria tediosa demais. Mal podia imaginar que esta noite solitária em Nova Iorque seria pior ainda. E pensar que, poucos dias antes, ela havia voltado à ativa graças a uma busca pelo Fantasma Gay e um combate com a Mulher-Hulk-Bizarro*...

— Espere um pouco! Noite solitária em Nova Iorque? Nem pensar! — Jennifer pega a agenda de Janet Van Dyne, a heroína conhecida como Vespa e dona do apartamento onde mora atualmente. A gigante esmeralda procura os telefones de alguns colegas Vingadores, mas nenhum deles pode acompanhá-la esta noite. Frustrada, ela liga seu computador e acessa a Internet. Depois de alguns minutos no site oficial de Star Wars, ela procura alguma página sobre a cidade e tenta achar algum evento diferente para a noite.

"Vamos ver... Já assisti esse filme, já vi esse show, já fui nessa festa... Droga! Será que não tem nada aqui? Hmmm... tem uma coisa... 'Show do Humor, estrelando Griffin Gogol. Dia 13, às 22 horas'. Acho que vou nesse. Mas esse nome não me é estranho... Ah, não! Só falta ser um show que já vi".

Depois de exatos cinqüenta e dois minutos para escolher uma roupa, nossa heroína parte para o teatro. Chegando lá, ela toma um dos primeiros lugares e, pouco tempo depois, o comediante aparece no palco. Griffin ainda está inseguro. Este é o show de maior público desde que chegou à cidade. Tornou-se sucesso principalmente por causa de suas piadas com heróis e o mundo do combate ao crime.

— Qual o problema com o Ajax? Pô, você não sabe se eles estão falando sobre um produto de limpeza ou sobre um membro da Liga! Certa vez, o Vic Sage noticiou que Ajax tinha limpado todos os cantos sujos da cidade. Eu fiquei confuso.

A platéia começa a rir e o comediante se sente mais à vontade para contar suas piadas e anedotas. Porém, ao perceber o ser verde que chegou ao teatro, Griffin começa a se sentir muito desconfortável. Ele consegue esconder o nervosismo, mas está completamente preocupado com a criatura, que conhece de longa data.

— Ei, criatura verde, Josa?

[— Calma, Jen. Olhe para trás.]

Um ser de aparência bestial senta-se próximo à Mulher-Hulk e, sem se preocupar com a própria imagem, assiste a apresentação. Os organizadores acharam que se tratava de alguma colega da senhorita Walters e lhe deram uma cadeira ao lado dela. O comediante começa a suar, mas ainda é capaz de elaborar um plano rápido.

— Senhoras e senhores, gostaria de apresentar-lhes uma convidada de honra! A Sensacional Mulher-Hulk!

— QUÊÊÊÊÊ?

A multidão aplaude e Jennifer não pode fazer nada além de subir ao palco. Antes de lhe entregar o microfone, o comediante troca algumas palavras com ela, em voz baixa.

— O cara verde é um demônio.

— O QUÊ? UM DEMON...

— Psssssst. Fique de olho. Você é heroína, não é?

— Sou mas... hmpft.

— Distraia a platéia, eu tento cuidar disso.

— Putz. Oi, gente, tudo bem? Er... Qual o problema com o Jaqueta Amarela?

No dia seguinte, Jennifer vai ao tribunal para resolver um caso simples sobre um restaurante que serve carne de gato sem que os clientes saibam. A noite anterior foi estranha — depois de contar algumas piadas, Jen pensou em devolver o microfone para Griffin, mas ele havia sumido. O pior de tudo foi que, ao olhar para a platéia, o suposto demônio também havia desaparecido.

A Mulher-Hulk ainda tentou localizá-los nas proximidades, mas foi incapaz. Mesmo temendo o pior, ela voltou para casa, pois teria de acordar cedo para trabalhar. Já no tribunal, uma desagradável surpresa: a juíza Nicole Simpson foi escolhida para julgar o caso.

Nicole foi a primeira pessoa a se pronunciar contra meta-humanos trabalhando em tribunais. A juíza sempre foi contundente em declarar que se sentia cada vez mais vulnerável ao exercer sua profissão com superseres rondando a Corte Americana. Por causa destas afirmações e da noite anterior , Jennifer começa a discursar temendo qualquer interrupção no julgamento.

— Meus amigos, algum de vocês já imaginou como seus bichanos podem estar ameaçados? Já pensaram nos tristes miados de um animal prestes a ser sacrif...

— Socorro, Mulher-Hulk!!

— Essa não...

Um pretenso herói de uniforme amarelo com detalhes de várias cores invade a corte. Sua capa azul está rasgada, dando a impressão de que ele acabou de sair de um combate. O homem se aproxima da advogada verde e grita:

— O DEMÔNIO, MULHER-HULK! ELES ESTÃO VINDO!

— Droga... é você, Griffin?

— Sim, mas minha identidade de Capitão Ultra é secreta. Fala baixo.

— Capitão Ultra? E que diabos de uniforme colorido é esse?

— Gostou? Eu mesmo desenhei. Eu adoro cores!

— Argh, esquece! Onde está o tal demônio?

— Hã... Ele está vindo aí.

— Pode deixar que eu cuido disso.

— O problema é que ele veio com... eles!

Antes que Mulher-Hulk possa processar as informações, ela entende quem são "eles". Um exército de monstros verdes invade o tribunal, assustando a todos. Em meio ao caos, Jennifer só imagina no que a juíza Simpson deve estar pensando — até que dez monstros se jogam contra o Capitão Ultra.

— Droga! — A vingadora entra no combate e afasta cada um dos monstros que estavam em cima do Capitão. Colocando o herói em seus ombros, ela salta para longe do Tribunal. O Central Park parece ter área livre o suficiente para um possível combate. Ao perceber que despistou momentaneamente os inimigos, Jen volta sua fúria para o comediante. — Agora, dá pra me explicar o que está acontecendo, seu Ultra-Babaca?

— Er... Eles estão atrás de mim porque eu matei um deles, acho.

— Putz, você? Explica melhor...

— Bom, um dia eu estava fazendo uma apresentação e apareceu um demônio desses. Ele se chamava Ekl'r e dizia ser um demônio do mau humor. Aí, nós lutamos até que eu contei uma piada, ele ficou morrendo de rir e então... simplesmente, explodiu! Achei que estava livre disso, até que aquele cara apareceu no show de ontem. Pensei que era o Ekl'r, mas este se chamava Sep'ol. Enquanto você falava no microfone, eu o chamei para mais uma briga. Quando pensei que tinha vencido na porrada, hoje cedo, surgiram mais 50 deles, jurando vingança pelo Ekl'r.

— Caramba... porque só eu me meto nessas? Ah, para os leitores mais novos: essa história que o Ultra citou saiu em Hulk 114, ok? Só podia ser coisa do Lobdell... Bom, Ultra, pelo que entendi, eles somem se a gente contar uma piada não é?

— S-sim! D-Desde que eles achem e-engraçada.

— Porque está tremendo?

— Aí vêm eles!

A multidão de demônios cai sobre Jennifer, que tenta afastá-los. Alguns são derrotados, mas a superioridade numérica logo deixa a Mulher-Hulk em grande desvantagem. Um súbita e conveniente ventania afasta a maioria dos monstros. O vento foi produzido pelo Ultra-Sopro do Capitão e assim, os dois ganham mais um tempo para conversar.

— Esses caras são muito mau humorados! Eu nem sei porque eles vêm para nossa dimensão!

— Devem ser piores que o Batm... EI!

— O que foi?

— Uma idéia... Você tem algum Ultra-Chama-a-Atenção?

— Não sei, talvez um poderoso Ultra-Grito...

— Faça-os prestar atenção em mim.

— EI, DEMÔNIOS! ATENÇÃO PARA ESSA MULHER VERDE AQUI!

Os demônios param por um momento e olham para os dois heróis. O Capitão Ultra, mesmo sem entender o que Jennifer planeja, esconde-se atrás dela. Seja lá o que for que a Mulher-Hulk pretende, provavelmente não vai dar certo. Se ele, um comediante profissional, não conseguiu fazer esses monstros mal-humorados rirem, como uma advogada verde conseguiria?

— *Ahem*... Hehehe... Escutem só... Tinha dois caras num hospício. Uma noite, eles decidiram que não queriam viver mais lá e resolveram escapar para nunca mais voltar. Aí, foram até a cobertura do asilo e viram, ao lado, o telhado de um outro prédio apontando para a Lua... apontando pra liberdade. Então, um dos sujeitos saltou sem problemas pro outro telhado, mas seu amigo se acovardou. É, ele tinha medo de cair. Aí, o primeiro cara teve uma idéia. Ele disse: "Ei! Estou com minha lanterna aqui. Vou acendê-la sobre o vão dos prédios, e você atravessa pelo facho de luz!" Mas o outro sacudiu a cabeça e disse: "E se você apagar a luz quando eu estiver no meio do caminho?" Hehehehe...

O silêncio é completo, o pesadelo de todo comediante. Capitão Ultra tenta encontrar algum sorriso na platéia. Jennifer se mantém confiante, sorrindo de sua piada e aguardando o primeiro sinal. De repente, um sonzinho abafado é ouvido no fundo.

— Heh... — O som gradativamente vai crescendo e recebendo o apoio de outras risadas.

— Heheeeehehe...

— HEHeheeheeheheheeheeheheeheheeheeheeheehe!

— HAAHAAHAAHAAHAHAAHAHAHAHHAAHAHAHAHAAHAHAAHAHAHAHAHAHAHAHA!

Em alguns segundos, toda a multidão está rindo. Um a um, os demônios vão desaparecendo, deixando apenas uma estranha substância verde em seus lugares. Dois minutos depois, não resta mais nenhum monstro no parque.

— Ei, mas como...? Você nem é comediante.

— Uma piada bem escolhida.

— Ela nem parece ser tão engraçada...

— Como não? Foi a única piada de que o Batman riu até hoje**! E ninguém vence o Batman. Inclusive no mau humor.

— Evidentemente...

FIM

— Caramba, Josa. Que história inútil.

[— Ela não foi chamada de "Fanfiction sobre o Nada" à toa, Jennifer...]

:: Notas do Autor

* Ver Mulher-Hulk # 01 a 03

** O Batman riu da piada em "A Piada Mortal", dos gênios Alan Moore e Brian Bolland. Se você não leu, faça-o agora!

O Capitão Ultra é um dos personagens mais ridículos do Universo Marvel e, por isso, merecia se encontrar com a Mulher-Hulk. Resumidamente, Griffin era um cara que consertou a pia de um alienígena (!) que, sem ter como pagar (!!), ofereceu-lhe uma sessão de hipnose (!!!) para o herói se livrar do tabagismo. Inesperadamente, o alien também lhe conferiu super-poderes (ok, chega!). Para mais informações sobre
este personagem tão especial, recomendo o site http://www.sigma.net/4freedoms/captultra/.



 
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