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Quarteto Fantástico # 07

Por Rafael 'Lupo' Monteiro

Estrelas Mortas Brilham no Escuro Infinito

Deus está morto!

Quando Nietzche escreveu esta frase, criou uma grande polêmica entre filósofos e teólogos. O que ele nunca iria imaginar é que, no início do século XXI, Deus não só estaria realmente morto como seu corpo jazeria inerte entre os seres humanos.

Pois hoje Deus está realmente morto, e seu corpo está caído na ilha de Manhattan.

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Four Freedoms Plaza, 6 e meia da manhã.

Ben Grimm acorda e prepara o seu café. Vestido com um roupão e pantufas, com sua caneca na mão, ele vai à janela observar o amanhecer na cidade. Até que percebe seu amigo Reed Richards acordado, e vai falar com ele.

— Fala, borracha! Passou a madrugada acordado?

— Bom dia, Ben. Sim, foi uma noite cansativa de trabalho. Sue está acordada?

— Sim, acabou de levantar, e está uma fera. Se eu fosse você, passava longe da patroa hoje.

Reed levanta-se e se dirige a cozinha. Lá, encontra sua esposa e filho.

— Pai! — fala o garotinho loiro — Hoje vai estrear um novo desenho no cinema, você me leva?

— Claro, filho! Ei, o que você tem na boca?

— É um chiclete do tio Johnny que peguei escondido. — fala o menino, de boca cheia.

— Franklin, você sabe muito bem que não pode mascar chiclete de manhã! Cuspa já isso! — fala Sue Richards, em voz propositalmente alta.

— Tá bom. Tá bom... que mau humor logo de manhã... quando eu for adulto, vou mascar chiclete na hora que eu quiser. E ninguém vai mandar em mim!

— Franklin, escute sua mãe. Vá escovar os dentes, sim?

Mesmo contrariado, o garoto obedece. O que deixa a sós Sue e Reed.

— Querida, eu sei que está com raiva, mas o menino não tem nada a ver com isso.

— Ah, é, senhor bondade? Enquanto você dá uma de bonzinho com o filho, me deixa sozinha a noite toda.

— Sue... você sabe que eu tenho muito trabalho.

— E você tem o dia inteiro pra fazer isso. Não precisa passar a noite nele também.

— Você sabe que não é assim que as coisas funcionam...

— O que sei é que você sempre diz que vai mudar, mas é só passar alguns dias e a sua obsessão volta! Você se interessa mais pelas suas pesquisas do que por mim?

— Querida, você sabe que gosto de você, não precisa fazer isso.

— Então mostre, caramba! É pedir muito um carinho, um beijo? Reed, a quanto tempo estamos casados? Será que você não entende isso? Estou cansada, Reed. Cansada! — com raiva, Sue usa seu poder para emitir um campo de força e derrubar tudo o que está em cima da mesa.

Neste instante, Ben Grimm entra na cozinha.

— Olha, eu sei que não é a melhor hora, mas vocês vão ter que dar uma olhada pela janela agora.

— Ben, é algo importante? — fala Susan.

— Depende do que cê acha importante. Se cê acha que uma nave gigantesca, de um cara que come planetas no café da manhã, entrando em Manhattan e vindo na direção do nosso prédio é algo que se deva prestar atenção, então é importante, sim.

— Galactus, aqui?! — espanta-se Reed — Meu Deus, mais problemas!

Johnny Storm está acabado. Acaba de vir de mais uma festa, onde passou toda a madrugada dançando com uma cantora negra. E fazendo outras coisas que não cabe a nós mencionar.

O que ele mais gosta depois disso é poder voar durante o amanhecer, e aproveitar seu poder só por diversão.

Todavia, o dia de Johnny vai ser mais longo do que pensava. Pois ele vê um grande problema se encaminhando ao Four Freedoms Plaza. A nave de Galactus está em frente ao prédio, e o gigante acaba de sair dela. Sua aparência, contudo, não é imponente. Ele tem feições abatidas, parece estar debilitado, mais fraco. Johnny se dirige ao viajante estelar, já ensaiando um ataque.

— Você por aqui? O que é dessa vez, problemas pra arranjar comida de novo?

Surpreendentemente, Galactus presta atenção no humano que outrora seria tratado por ele como nada mais que um inseto.

— Vim em paz, humano. Procuro por Reed Richards.

— Pois aqui estou, Galactus! — o Senhor Fantástico aparece na janela, junto com os demais membros do Quarteto — Em que posso ajudá-lo?

— Estou morrendo, Reed Richards! — fala o gigante — E creio que você é o único que pode me curar. Já fez isso uma vez.

— Só de olhar para você percebe-se que há algo errado. — Richards, antes desconfiado, começa a perceber o problema do outrora adversário — Do que você está sofrendo?

— Não sei ao certo. Estou sentindo mudanças, perda de força progressiva. É como se... se...

Neste instante, algo impensável acontece. Galactus, sem forças, cai sozinho. Sua queda causa um estrondo insuportável. Prédios desabam abaixo de seu corpo. Os carros ao redor saem do chão, arremessados para longe. Manhattan sofre um violento terremoto, o chão parte em alguns lugares, com pessoas e automóveis caindo na fenda aberta. Mais prédios sofrem rachaduras, partes de sua estrutura desabam. O próprio Four Freedoms Plaza sofre rachaduras, mas sua estrutura, por ser mais forte que a de um prédio comum, faz com que o prédio se mantenha em pé. A onda de choque da queda faz com que todos os vidros da ilha se quebrem. Também causa uma cacofonia, deixando várias pessoas momentaneamente surdas.

Enquanto Manhattan se transforma no inferno, a mente moribunda de Galactus retrocede no tempo...

Em um tempo antes do nosso tempo, em lugar que já não existe mais.

Pode uma sociedade ser considerada perfeita? Para os habitantes do planeta Taa, sim. Seus habitantes consideram sua civilização perfeita, ou à beira da perfeição. Sem dúvidas, é a civilização mais avançada de toda a galáxia. Suas grandes metrópoles, limpas e ordenadas, se estendem por milhares de quilômetros, e parecem ser um legado de sua perfeição às futuras gerações. E a natureza exuberante do planeta aumenta ainda mais essa impressão. Seus vulcões imensos, seus oceanos gigantescos, com peixes que nos lembrariam os grandes monstros das lendas medievais, tudo serve para que a idéia de grandeza fique registrada na mente de todos os seus habitantes.

Para o pequeno Galan, nada disso importa. A única coisa que interessa a este menino de olhos azuis e cabelos castanhos, é observar as estrelas. Elas fazem parte de suas fantasias, das aventuras de seus heróis e seus antepassados, trazidas até ele pelas histórias de sua mãe ou pelas horas em que passa nas bibliotecas, onde sua mente singra um universo mágico, ainda inexplorado, cheio de surpresas e perigos que povoam a mente de uma criança.

Mas ele nunca viu as estrelas. É claro que já visitou o planetário muitas vezes, e utilizou o telescópio para ver o espaço. Mas nunca as viu brilhar no céu, a olho nu. Na gigantesca metrópole em que vive, luzes artificiais devoram a noite, deixando o céu sempre em tons claros, impedindo a luminosidade das estrelas de brilhar para os habitantes da cidade. O progresso científico retirou a poesia dos céus.

— Estrelas são...

— Professor, por que não vemos as estrelas fora do planetário? — pergunta Galan, o único dos alunos realmente interessado na lição. Nas salas de aula em Taa, os alunos sempre prestam atenção, pois a rígida educação das crianças no planeta faz com que estas, nos momentos "sérios", comportem-se de maneira bastante disciplinada, mas isso não significa que eles realmente se interessem por tudo o que ouvem. É claro que de vez em quando essa disciplina é quebrada, mas não sem conseqüências, como veremos a seguir.

— Galan, não as vemos devido à luminosidade das cidades. Mas se você for ao Deserto Desolado à noite, poderá vê-las brilhando nos céus.

Esta idéia fica na cabeça de Galan. O deserto é perigoso, com muitos vulcões. Mas a possibilidade de ver as estrelas a olho nu vale qualquer risco.

Na hora do almoço, seus colegas na mesa do refeitório lhe fazem um convite. O refeitório é um lugar espaçoso, totalmente branco, assim como as mesas e os pratos dos talheres, passando uma idéia de assepsia. Geralmente as crianças comem em silêncio, ou falando baixo. Mas não Gimen e Lizam, os amigos de Galan. Gimen é um menino baixo, gordinho de olhos e cabelos castanhos. Já Lizam é um rapaz alto, de cabelos roxos e olhos verdes. Ambos são os garotos que dão mais trabalho no colégio, por não se adequarem muito bem aos esquemas rígidos da disciplina escolar.

— Ei, Galan, que tal fugirmos da aula de história hoje? — pergunta Gimen.

— Acho que não é certo fazer isso. — responde Galan, abaixando os olhos — O que vocês pretendem?

— É o seguinte: eu e Lizam vamos sair pra dar uma volta na cidade. Um dia bonito como esse, e vamos ficar trancados dentro da sala de aula? Nem pensar.

— Mas para que parte da cidade vocês vão?

— Pro centro. — responde Lizam.

— Ei, é lá que fica a base de lançamento das esferas de pensamento? — uma idéia forma-se na mente de Galan.

— Sim, por quê?

— Por nada. Vou com vocês.

A cidade de Zaxx é uma grande metrópole, como o são todas as cidades em Taa. Arranha-céus gigantescos, que justificam quase que literalmente seus apelidos. Grandes avenidas, pouco acolhedoras, pessoas apressadas que caminham apenas olhando para a frente, esse é o retrato que faz Galan se perguntar sempre se o preço da perfeição é o distanciamento das pessoas.

Mas nada disso passa pela cabeça do garoto nesse momento. Tudo o que ele e seus amigos querem é chegar à base de lançamentos das esferas de pensamento. As esferas são grandes bolhas, onde as pessoas viajam e até mesmo moram. Com elas, as pessoas podem conhecer tanto os perigosos desertos, como as profundezas do mar de Taa, com seus peixes estranhos e gigantescos, e ainda ver as espécies primitivas que habitam as regiões mais longínquas do planeta, como os seres alados com a pele dourada que habitam as Montanhas Perdidas. Enquanto as crianças não chegam até lá, conversam.

— Se você olhar para elas, poderá ver vários desenhos, ou constelações. — fala Galan para seus colegas, que mostram-se surpresos com a empolgação de seu interlocutor.

— Como é? As estrelas formam desenhos nos céus? — pergunta Gimen.

— Isso mesmo!

— Então eu quero ver o desenho de uma fêmea nua! — responde Lizam, causando risos em todos.

— Cale a boca, seu depravado! — provoca Gimen.

— Você que é!

— É você!

— Não, é você!

— Há! Não fui eu quem levou os mini-CDs com fotos de fêmeas nuas para o computador da escola!

— Aquilo poderia ser de qualquer um...

— Mas quem é que não conseguia parar de olhar, hein? Hein?

— Olha aqui, cale-se, senão...

— Parem com isso, vocês dois! — interrompe Galan — Eu estou aqui falando das constelações, e vocês com esse papo indecente!

— Indecente? Hahahaha! — ri Lizam, esquecendo-se imediatamente da discussão inútil com seu colega.

— Acho que alguém aqui tem vergonha de falar de fêmeas. — provoca Gimen.

— Não tenho, não! — responde Galan.

— Tem, sim! — insiste Gimen.

— Não tenho, não!

— Deixe de ser mentiroso!

— Você vai ver quem é mentiroso agora...

— Ei, calma aí! Já estamos chegando na base! — intervém Lizam, impedindo que seus colegas briguem.

A base de lançamentos é imponente. Perto do mar de Taa, é o principal ponto de entrada e saída de viajantes, tanto para outros locais de dentro do planeta como para qualquer outro ponto da galáxia.

— Bem, chegamos. Vamos lá ver as tais estrelas desenhadas!

— São constelações, Gimen. — repete Galan.

— Que seja! O que eu quero é viajar logo!

Ao chegarem na entrada, são abordados por um guarda. Ele é alto, com grandes e profundos olhos negros, a mesma cor de seu cabelo, e uma barba rala que lhe dá uma aparência de poucos amigos. Seu uniforme é todo preto, e tem como arma apenas um cassetete laser, que está desligado, pendurado em sua cintura. Usa um bota no estilo coturno, de algo próximo ao couro terrestre, um grande cinto com a insígnia da polícia de Taa, que também aparece em seu casaco, na altura do pulmão esquerdo.

— Olá, garotos. Vocês não deveriam estar estudando nesse horário? — na rígida disciplina de Taa, o lugar das crianças durante o dia é na escola, por isso é raríssimo ver alguma delas circular pela cidade durante o horário dos estudos.

— Bem, nós fomos dispensados da aula pra viajar! — responde Gimen, aparentando tranqüilidade. Infelizmente, não é assim que Galan está se sentindo.

— Claro, claro... — responde o policial — E pra onde vocês vão, posso saber?

— Para o Deserto Desolado.

— Três crianças sozinhas, indo para o Deserto Desolado no horário dos estudos. A quem vocês pensam que estão enganando?

— Droga, vamos correr! — desesperado e sentindo-se culpado por estar fazendo algo errado, Galan entra em desespero e sai correndo pela rua, sendo imitado pelos dois colegas.

— Atenção, três crianças aparentemente saídas sem permissão estão correndo da entrada da base de lançamentos. — o guarda avisa aos seus colegas pelo comunicador, e logo quatro homens correm no encalço de Galan e seus amigos.

Lizam e Gimen conhecem bem o centro, e conseguem fugir. Galan, contudo, se perde nas emaranhadas ruas do lugar e acaba sendo capturado. Os guardas se comunicam com a mãe do garoto, que logo vai à base para buscá-lo. Furiosa, ao chegar em casa discute firmemente com seu filho. A mãe de Galan é uma mulher muito rígida, com princípios morais bem definidos, e preza acima de tudo a disciplina. Ou seja, uma típica habitante de Taa.

— Galan, por que você fez isto? — diz ela — Foge dos estudos, anda com maus elementos?

— Mãe, eles são meus amigos! — responde Galan.

— Amigos? Então por que eles sumiram e deixaram você sozinho?

— Não sei... talvez eles sejam mais espertos do que eu, pois não devem ter que aturar uma mãe como a minha.

— Silêncio, menino! Não sou um de seus colegas pra que você se refira a mim dessa forma.

— Mas é a verdade! — fala Galan, com tom de indignação — Só porque você é adulta, acha que sabe tudo sobre mim! Eu fui lá porque quero ver as estrelas!

— Você poderia muito bem ter ido ao planetário, eu mesmo o levaria. Só precisaria me pedir.

— Não é a mesma coisa! Você não entende mesmo!

— Pode ser, mas isso não dá a você o direito de fugir da escola e tentar enganar a polícia! — fala a mãe, duramente — O que vão pensar de mim? Que sou uma péssima mãe! Logo eu, que dou tudo o que você me pede!

— Não precisa ficar me jogando isso na cara, não é mais sua obrigação!

— Além de tudo é mal-agradecido! Vá já para o seu quarto, está de castigo! Se seu pai estivesse vivo, iria morrer agora, de desgosto!

— Está bem, sua bruxa! — responde Galan.

— Como disse?

— Bruxa! Quando eu for mais velho, vou embora de casa e você nunca mais vai mandar em mim!

— Escute bem, seu moleque. Vou ensinar a você um pouco de respeito aos mais velhos! Vai ficar confinado em casa pelo tempo que eu desejar, e está proibido de ir para o deserto ver as estrelas. Se eu souber que um dia você foi pra lá sem me avisar, é bom ir se preparando para as conseqüências.

— Como se você pudesse descobrir...

— Silêncio! Sua punição começa agora.

Uma semana depois, os dois fazem as pazes. Mas Galan nunca mais tenta ir ao deserto, por medo de magoar sua mãe, ou simplesmente de fazer algo errado. Vai ao planetário muitas vezes. De vez em quando, olha para o céu à noite, e sempre suspira, decepcionado.

Taa está à beira da destruição. Como os antigos profetas, hoje esquecidos, já haviam anunciado há muitos milênios atrás, haveria um dia em que os céus cairiam, e neste dia a vida em Taa acabaria.

Os cientistas descobrem o problema sem querer. Mais precisamente, os astrônomos começam a perceber que as estrelas mais distantes estão se apagando. A comunidade científica intrigada-se, mas após muita discussão e observação, chegam a uma estranha conclusão: as moléculas de todo o Universo parecem estar simplesmente mudando, devido à presença de uma radiação desconhecida. A catástrofe está, portanto, oficialmente anunciada.

Nem tanto, na verdade. Com medo de assustar a população, os cientistas e autoridades decidem confirmar definitivamente sua teoria de que o Universo simplesmente deixará de existir. Para tal, escolhem um astronauta para viajar por todo o cosmo. Alguém que ame sua profissão, que seja suficientemente disciplinado para cumprir a missão, que sem sombra de dúvidas aja corretamente, e mantenha tudo em sigilo. Esse alguém é Galan.

Galan, agora um adulto já bastante experiente, tornou-se um astronauta. Sua mãe faleceu alguns anos atrás, fato que o deixou muito triste. Não se casou, nem teve filhos. Em compensação, pode viajar pelas estrelas, e vê-las de perto, realizando seu sonho de criança de uma forma que nunca pensou que conseguiria. E sempre que pode, vai fazer uma visita aos desertos de Taa.

A mando dos cientistas, ele viaja pelos confins mais distantes do Universo, e tudo que pode ver é morte e destruição. Confirma a teoria da destruição, e constata que o único lugar que ainda possui vida é seu planeta natal. Ao retornar de sua jornada, chegando próximo à Taa, olha uma última vez para o espaço sideral. Apesar de tudo, a luz das estrelas ainda chega lá, já que sua esfera de pensamento é bem mais rápida que a velocidade da luz. Galan dá um longo suspiro, e tudo em que pensa é que está vendo estrelas mortas brilhando no escuro infinito.

Galan surpreendentemente sobrevive à destruição de seu Universo. Ele se une a uma misteriosa entidade, o senso de seu antigo Universo, e torna-se o ser conhecido como Galactus, o devorador de mundos. O mesmo que, milhares de anos depois, está caído nas ruas de Manhattan, há mais de quatro horas, envolto no que se assemelha a uma crisálida.

A ilha está mergulhada no caos. Enquanto os principais heróis da cidade, como os Vingadores, os Titãs, o Homem-Aranha e os próprios membros do Quarteto Fantástico, junto com policiais e bombeiros, tentam salvar vidas e evitar o pânico, Reed Richards, escoltado por Nick Fury e a SHIELD, e portando dezenas de aparelhos especiais, estuda de perto o estranho casulo.

— Richards, você é o crânio aqui. — fala Fury — Já descobriu que diabos um ser considerado um deus está fazendo caído na rua?

— Bebeu demais, talvez. — responde Reed, com ironia.

— Desde quando você virou piadista? — Fury retira o charuto da boca e faz uma careta.

— Bem, se você se calar e me deixar trabalhar, não vai precisar ouvir meu péssimo repertório.

Neste instante, o casulo começa a se romper. Lentamente, Galactus se levanta, mas seu olhar parece frio e distante. A apreensão toma conta de todos ao redor, mas o gigante não parece oferecer perigo. Reed Richards estica seu corpo, até ficar cara-a-cara com o devorador.

— Galactus, pode me explicar o que aconteceu aqui?

— Eu renasci, Reed Richards. — responde o gigante — Não estava morrendo, e sim sofrendo modificações em meu corpo. A entidade com a qual me uni ao transformar-se no que sou sofreu uma mutação, e tornou a entidade Galactus em um novo ser.

— Não compreendo o que está falando. — fala o Senhor Fantástico.

— Sua compreensão não é necessária, mortal.

— Mortal? Quando você passou a falar assim? — surpreende-se Richards — E já salvei sua vida, você sabe que também pode morrer.

— Isso foi em outro tempo, quando um outro Galactus habitava este corpo. Agora devo partir, não tenho mais nada a fazer neste planeta.

— Como assim? — Reed abre os braços — Olhe em sua volta, foi você que causou toda a destruição, não pode simplesmente ir embora agora.

— Sim, eu posso. — responde Galactus — Assuntos de seres inferiores nunca disseram respeito a mim. Partirei, e não pretendo que alguém me siga. Espero ter sido claro.

Galactus entra em sua nave, e deixa a Terra. Os heróis, de comum acordo, deixam-no partir sem represálias. Eles não sabem o que pode acontecer se o devorador de mundos decidir por uma retaliação. Reed Richards ainda duvida do que o gigante cósmico falou.

"Teria ele realmente se tornado um imortal?" — questiona-se Reed.

Mas esse é um assunto para outro dia. Agora, a cidade de Nova York precisa da ajuda do Senhor Fantástico e de sua equipe.

Galactus volta a singrar às estrelas, mas agora não pensa mais no brilho de estrelas que já não possuem mais vida. Ele apenas viaja, rumando ao seu destino: trazer horror e admiração a todos os incontáveis povos existentes no universo.


:: Notas do Autor

Esse conto foi baseado na origem de Galactus, elaborada pelos mestres Stan Lee e Jack Kirby, e publicada no Brasil em Homem-Aranha #32, da Editora Abril, em fevereiro de 1986.

E você pode acompanhar a queda de Galactus em Manhattan e suas catastróficas conseqüências pela visão de um homem comum lendo Imagine Miles por Délio Freire.



 
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