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Quarteto Fantástico # 09

Por Rafael 'Lupo' Monteiro

Genes Humanos Fabricados
Parte II

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O general Alfred Johnson se prepara para mais um dia de trabalho. Acorda às seis da manhã, toma um banho frio, veste sua farda, penteia os poucos cabelos grisalhos que ainda lhe restam, faz a barba, toma o café da manhã, que consiste em um copo de leite com ovos e pão com uma fatia de presunto. Sai de casa às seis e meia, e dirige-se ao seu local de trabalho: uma instalação militar secreta, em uma base subterrânea no meio do deserto do Arizona. Nesta instalação, o governo americano realiza várias pesquisas secretas. Área 51? Isso é só para despistar o público.

Johnson é o comandante do lugar. É recebido com uma continência pela sentinela, e passa pelos corredores imensos do lugar, todos com paredes e tetos em tons de branco. Não há janelas, toda a iluminação do local é artificial. O general entra em sua sala. Ela é grande, também pintada em tons de branco. Um grande retrato seu está na parede, ao lado de fotos dos antigos comandantes do lugar. Há fotos também da turma de West Point, e suas medalhas por méritos militares, incluindo suas passagens pelo Vietnã e guerra do Golfo. Na sua mesa, de mármore, fotos da sua família: sua esposa falecida, vítima de câncer no pulmão (o que o fez largar o vício do fumo foi o sentimento de culpa por sua esposa ter adoecido em seu lugar), e suas duas filhas, tanto as antigas fotos delas jovens, como as mais atuais, com seus maridos e filhos. Junto a isso, alguns papéis relativos ao trabalho, e também um telefone preto, que toca neste momento.

— Senhor, estamos tento problemas no setor G-7.

— O que houve dessa vez, cabo?

— Algo deu errado no experimento skrull-gama 53, senhor!

— Estou indo imediatamente até aí.

Johnson sai apressado de sua sala em direção ao local. No trajeto, o alarme começa a tocar, alto e estridente, com luzes vermelhas piscando por toda a instalação. Logo aparecem soldados correndo, carregando seus fuzis, e o general já começa a se preparar para o pior.

Chegando ao setor G-7, o que se vê é o caos. Soldados gritando, cientistas desesperados, e um grande monstro verde atacando humanos. O laboratório está completamente destruído. Johnson se dirige ao chefe do setor, coronel Thompson, um negro forte e careca.

— Meu Deus, homem, o que está havendo aqui?

— Senhor, o experimento skrull-gama 53 saiu do controle. Acho que expusemos o espécime a mais doses de radiação do que poderia suportar, e ele saiu de sua jaula, atacando todos os soldados e cientistas do local.

— Ele sofreu algum tipo de dano?

— As balas não o atingem, mas tenho medo de que a radiação tenha lhe causado danos na massa encefálica, o que poderia comprometer todo o experimento!

— Diabos, o general Ross vai pegar no meu pé por causa disso! Já o imagino me dizendo, com ar superior, "eu te avisei para não mexer com radiação gama, Johnson''.

O experimento em questão consistia em expor a doses maciças de radiação gama um skrull capturado durante uma das intervenções desta raça em nosso planeta, com o objetivo de criar algum tipo de superser, visando o combate super-humano. Agora, o alienígena está totalmente deformado, seus músculos cresceram enormemente, parecem saltar de seu corpo, e seu cérebro de alguma forma se atrofiou, com danos cerebrais permanentes. Seu rosto está irreconhecível, seus olhos estão pela metade para fora do rosto, seus dentes estão afiados, rasgando a carne e a pele de sua boca, e seu nariz praticamente desapareceu, restando-lhe apenas os buracos das narinas. A baba escorrendo em sua face apenas deixa seu aspecto ainda mais sinistro. A criatura está incontrolável, as balas ricocheteiam em seu corpo. Ele agarra um soldado e arranca sua cabeça, esmigalhando sua caixa encefálica, os miolos do soldado escorrendo pelos dedos de sua mão direita. Com a mão esquerda, ele segura o corpo do soldado, e o arremessa para longe. O corpo atinge uma colônia de bactérias de Urano, que agora estão expostas ao ar.

Atenção, perigo de xenocontágio! Todo o setor G deve ser evacuado imediatamente!

A voz mecânica dá o alerta para toda a instalação. Seu tom frio, monocórdio, é para evitar o pânico... como se isso fosse possível. Apesar de todo o treinamento, não é todo dia que um monstro skrull ataca uma base militar. A histeria toma conta do local, o empurra-empurra e correria se espalham rapidamente.

O general Johnson se irrita com o que vê, e começa a gritar.

— Eu até admito um experimento científico dar errado, não é a primeira vez que isso acontece. Mas soldados fugindo como mulherzinhas fogem de baratas, ah, isso me dá vontade de matar todos vocês!!!!

Seu rosto fica inchado e vermelho, e o coronel Thompson tenta, em vão, acalmá-lo e retirá-lo do recinto.

— Thompson, não precisa me pajear, eu sei muito bem cuidar de mim sozinho.

— Sim, senhor! Mas não precisamos ficar expostos ao perigo desnecessariamente.

— Ficar exposto ao perigo? Não me ofenda, filho! Você sabe o que é estar sozinho na floresta cercado de malditos vietcongues por todos os lados, atirando em tudo o que aparece na frente deles? Isso é ficar exposto ao perigo! Se alguém aqui pensasse um pouco, já teria feito o que irei fazer agora!

O general entra no arsenal de armas do setor G, e pega um protótipo, muito parecido com uma bazuca, de cor branca. Ele se dirige ao local onde está o skrull deformado.

— General, onde o senhor está indo?

— Acabar com a festinha dessa lagartixa gigante!

Frente a frente com o skrull, Johnson, ao lado de Thompson, prepara-se para atirar. O ser dá um pulo e encara os dois militares. Ele agarra Thompson, que tenta lutar contra o monstro. Chorando, vendo o general preparado para atirar, ele fala:

— General, por favor, eu tenho esposa e filhos!

— Eu garanto que eles receberão uma gorda pensão, filho! — Johnson atira, e tanto o skrull como o coronel Thompson vão diminuindo de tamanho até sumirem completamente — Espero que você seja esperto o bastante para sair dessa, Thompson. Esta arma, na verdade, os transportou para um universo subatômico, e espero que nenhum advogado considere que isso, tecnicamente, não é morte, e prive sua família de ganhar a pensão.

A seguir, o general Johnson reúne seus homens e aos poucos reorganiza sua base militar. Quando tudo parece finalmente estar voltando à tranqüilidade, um alarme soa novamente por toda a base. Irritado, Johnson se comunica com o oficial de serviço:

— Wayne, o que diabos foi dessa vez?

— Senhor, os radares indicam uma invasão da instalação por cinco membros com poderes meta-humanos, um deles aparentemente contendo DNA mutante.

— Mutantes? O que será que eles querem aqui? Prepare as armas, tenente. Nós vamos...

Neste instante, a parede da sala do general Johnson é arrebentada. Surpreso, ele vê um gigantesco ser laranja fumando um charuto dirigir-se a ele:

— É aqui que o governo esconde crianças seqüestradas? Por que eu tô muito a fim de detonar a cara dos cachorros que estão fazendo isso!

Este é Ben Grimm, o Coisa, fazendo algo impensável para ele até pouco tempo atrás: invadir propriedade do exército americano. E junto dele, estão os demais membros do Quarteto Fantástico, e também a mutante Mística.

Four Freedoms Plaza, na mesma manhã.

Depois de receber um e-mail falando sobre quatro crianças desaparecidas, cujos genes foram manipulados secretamente para concedê-las poderes equivalentes aos membros do Quarteto Fantástico, Reed Richards investigou e acabou descobrindo que três delas estavam numa base militar secreta, e uma quarta, Elisha Adlard, estava perdida em Nova York. Ao tentar resgatá-la, os membros do Quarteto Fantástico enfrentaram a mutante Mística, que também estava atrás da criança, e acabou sendo capturada. (*) Neste momento, ela está sendo interrogada pelos membros do Quarteto, com exceção de Ben Grimm, que está levando Elisha Adlard de volta para a casa dos pais.

— O que você queria com Elisha, Mística? — pergunta, em tom firme, Reed Richards.

— O mesmo que vocês, livrá-la das garras do governo.

— Não temos nada contra o governo, apenas queremos devolver essas crianças aos seus pais. Duvido que você tenha esse interesse com elas.

— Ora, Richards, desse jeito você me ofende.

— Olha, aqui, sua terroristazinha, é melhor tirar esse sorrisinho besta da cara, ouviu? — Johnny é o primeiro a perder a paciência.

— Calma, Johnny, deixe tudo com Reed. — fala Sue, tentando acalmar o irmão.

— Obrigado, querida! Mística, o tempo está correndo. Acho melhor você começar a falar o que queria com ela.

— OK, também estou sem paciência mesmo. O que eu escrevi naquele e-mail é a pura verdade, Richards.

— O que já pude comprovar parcialmente. Fale-me algo novo, por favor.

— Bem, quando fiz parte do X-Factor (**), acabei tendo conhecimento deste programa, e esperei as crianças manifestarem poderes para acabar com a festinha dos milicos.

— Só isso? Por que será que tenho a sensação de que você está escondendo algo de nós?

— Sempre desconfiado, hein, Richards? Tem mais uma coisa sim. — Mística prepara uma armadilha para enganar seus inquisidores.

— Então fale!

— Sina (***) já havia me falado que o nosso governo iria tentar fabricar seus próprios mutantes, e isso seria perigoso, pois haveria a possibilidade desses mutantes apoiarem a instalação de um regime fascista em nosso país.

— Não se fabrica mutantes, eles são resultados de alterações genéticas em gametas humanos, motivados normalmente por algum fator externo, como exposição a radiação, por exemplo. Todos os mutantes já nascem com esta condição, e seus poderes são naturais, não artificiais. Se todo super-humano fosse mutante, nós do Quarteto também os seríamos. — Reed usa seu tom professoral de costume, e acaba sendo fisgado na armadilha de Mística. Sina nunca falou nada daquilo, e o interesse dela nas crianças é outro.

— Bem, se já acabou a aula de biologia, o que acha de nos aliarmos para resgatar as crianças restantes?

— Nem pensar, Reed! Não se pode confiar nessa mulher! — grita Johnny.

— Calma, Johnny! Devido às circunstâncias, acho válido nos aliarmos a ela, até que as crianças estejam seguras.

— Sei não, Reed.

— Chamem Ben, e preparem-se para fazer algo que nunca pensei que faria: invadir uma instalação militar do nosso país.

O Quarteto Fantástico caminha atentamente pela instalação militar. O general Alfred Johnson está ao seu lado, junto com alguns soldados, que olham para baixo, segurando firme suas armas. Mística caminha muito silenciosamente um pouco atrás deles. Os corredores estreitos e brancos, impessoais, passam uma sensação de pouco conforto aos visitantes não convidados. A tensão no ar é imensa, como se cada olhar trocado soltasse faíscas, o que os torna preparados para o incêndio. Que não demora muito para acontecer.

— Bem, as crianças estão atrás dessa porta. Se me derem licença... — Johnson pega um molhe de chaves, e parece procurar a que deve abrir a porta.

Desconfiado, o Coisa troca cochichos com o Senhor Fantástico:

— Borracha, cê não acha que tá fácil demais até agora?

— Acho sim, Ben. Por isso que devemos ficar atentos, a qualquer momento podemos ser atac...

O Senhor Fantástico não termina sua sentença. Antes que Johnson abra a porta, soldados com armas especiais aparecem pelos dois lados dos corredores, cercando os heróis. Estes tomam posição de combate, e partem para o ataque.

— Em chamas! — o Tocha Humana dá seu grito de guerra, e inflama-se. Ele tenta usar suas chamas para queimar as armas de seus adversários, mas é surpreendido com um tiro no peito. Mas desse tiro ele não recebe uma bala, e sim uma malha preta especial, de um tecido aderente, resistente ao fogo, que logo se espalha por seu corpo, até envolvê-lo completamente, impedindo qualquer contato com o oxigênio do ar. A malha apaga as chamas de Johnny, e também o impede de respirar. Ele cai no chão, e tenta inutilmente rasgar o tecido. Ao abrir os lábios, inconscientemente, em busca de oxigênio, a malha penetra em sua boca, deixando-o desesperado.

A Mulher Invisível, ao ver seu irmão ser atacado, tenta ajudá-lo, mas rapidamente o general Johnson saca sua pistola Smith & Wesson 6904, de calibre 9mm, e lhe dá três tiros pelas costas. Ela então cai, semiconsciente, e seu sangue rapidamente se espalha pelo chão branco, refletindo o combate que prossegue. O Coisa parte para cima de Johnson, mas este encosta na parede, e é ''engolido'' por ela. O Coisa, gritando o seu famoso bordão "tá na hora do pau", dá um soco na parede, destruindo-a completamente, mas não encontra o general do outro lado. Tudo o que ele vê é um mecanismo de teletransporte destruído.

Enquanto isso, o Senhor Fantástico luta com os soldados do outro flanco. Ele estica suas mãos, tornando-as gigantes, e começa a aplicar socos em seus oponentes, que são facilmente derrotados. A maioria deles cai desmaiado no chão, mas entre os que ainda estão de pé, um dá um tiro no herói, com o mesmo tipo de arma que usada contra o Tocha Humana. O corpo do Senhor Fantástico é envolvido pela mesma malha. Reed perde a calma. Ele se concentra, e estica todo seu corpo na mesma proporção para todos os lados. A malha a princípio o acompanha, mas depois oferece resistência. A pele força a malha, o suor começa a escorrer de seu rosto, o ar já o falta. Seus músculos estão tensos, suas pernas ameaçam fraquejar, a vontade de desistir começa a aparecer. Mas ele resiste. Pensa em sua família, em seu filho, e isto lhe dá forças. Ele estica-se mais, a malha cada vez mais apertada, a falta de ar parece que irá explodir seus pulmões, mas ele luta e, finalmente, rompe o tecido. O Senhor Fantástico então respira fundo, estica sua mão, e, com um golpe arrebatador, derrota seus oponentes. Ao olhar para o lado, ele vê o Coisa fazendo-lhe sinal de OK.

— Borracha, esses aqui já eram.

— Também derrotei meus oponentes. Agora, temos que nos preocupar com os nossos. — o Senhor Fantástico vai à direção da Mulher Invisível, e a examina.

— Sue, agüente firme, iremos salvá-la. — o Senhor Fantástico envolve seu braço direito nos ferimentos de sua esposa, evitando a perda de mais sangue.

— Reed... temos... que salvar... Johnny. — cada palavra pronunciada por Sue parece queimar seus pulmões.

— Iremos salvá-lo, sim, querida. Mas você não está em condições...

— Quieto! Cof... cof... deixe-me... trabalhar...

O Senhor Fantástico segura a mão de sua esposa, e a deixa fazer o que é necessário. A Mulher Invisível concentra-se, esquece a dor que sente, o sangue que esvai de seu corpo, esquece de todo o mundo a sua volta, pensa apenas em seu irmão à beira da morte. A malha grudada no corpo do Tocha não está completamente colada à sua pele, há um espaço subatômico entre os dois, e o que a Mulher Invisível pretende fazer é aumentar esse espaço com seu campo de força. Ela se esforça, ofegante, mas lentamente a malha vai se afastando do corpo de Johnny. O Senhor Fantástico, lembrando de sua dificuldade para se livrar da armadilha, estica seu dedo indicador esquerdo, até deixá-lo fino o bastante para que possa cortar a malha. O Tocha Humana respira fundo várias vezes, tentando convencer a si mesmo de que não está morto. A Mulher Invisível desmaia com o gigantesco esforço que fez. O Coisa, um pouco quieto até aqui, toma a palavra:

— Legal, todo mundo está vivo e tal, mas... alguém viu a Mística durante o combate?

Mística escapou sorrateiramente quando a batalha se iniciou, e vasculhou a instalação procurando as crianças capturadas, até finalmente achá-las. Elas estão num grande salão, onde há um ambiente de realidade virtual que simula um grande quarto de criança. Todavia, no rosto de cada uma delas, o choro e o medo estão visíveis.

— Finalmente achei vocês. Não tenham mais medo, tirarei vocês daqui.

— Acho que não, minha cara! — o general Johnson sai das sombras, apontando sua pistola para a mutante — Essas crianças são minhas, são frutos do meu trabalho, e você não irá se aproveitar delas para qualquer outro fim.

— Você sabe que posso tirar essa sua arma antes que você pisque seus olhos. Desista, e o deixarei vivo.

— Você não está em posição de ameaçar ninguém. Enquanto conversarmos, existem armas guiadas pelo calor, que estão escondidas, apontadas para você, esperando apenas um comando telepático meu para serem disparadas.

— Esse foi o blefe mais ridículo que já ouvi na vida.

— Nós somos o exército americano, filha! Ninguém fode conosco e fica vivo por muito tempo para contar a história.

Neste instante, Mística age rápido, e pula na direção do general. Com um chute forte, arranca a arma da mão de seu oponente. As armas escondidas disparam, mas não funcionam como o esperado. A mira não estava perfeita. Mística é atingida no braço esquerdo e de raspão na barriga, enquanto o general Johnson leva uma bala na cabeça, outra no peito e uma terceira na perna. Mística confere o pulso do general, e confirma sua morte. Ela rouba seu cartão de identificação e assume sua forma. Virando-se para as crianças, chama-as e pede para elas o acompanharem. Antes de sair do recinto, pega a pistola do cadáver.

Four Freedoms Plaza, uma semana depois.

Reed Richards passou a semana toda no seu laboratório, mas dessa vez, ao sair, a sensação é de frustração.

— Finalmente, Reed. Pensei que você fosse passar o resto da vida nesse laboratório.

— Johnny, estou triste demais desta vez. Não quero admitir, mas acho que falhei.

— O que foi desta vez, querido? — pergunta Sue.

— As crianças... elas simplesmente desapareceram!

— Como assim, borracha? — desta vez é Ben Grimm quem fala. Ver o amigo derrotado é algo que ele não está nem um pouco acostumado.

— Aperfeiçoei o aparelho que usei para achá-las da primeira vez, mas não consegui nada. Até pedi ajuda para o professor Xavier, mas ele também não conseguiu achar Mística. E o pior, a base militar que invadimos sumiu do mapa. Mudaram-se para algum outro lugar, e será difícil encontrá-los novamente.

— Não desiste, borracha. Cê sempre consegue, não vai ser desta vez que vai falhar.

— Obrigado pela confiança, meu amigo. O que eu fico pensando é que, se Mística fugiu mesmo com as crianças, e desapareceu desse jeito, ela provavelmente não está sozinha. O que me faz pensar em com quem ela se aliou...

Cancun, México, três dias atrás.

O sol e as praias desta bela cidade mexicana atraem milhares de turistas todo ano. No entanto, para alguns americanos, esta pode ser também uma cidade de negócios. No aeroporto da cidade, dois deles se encontram.

— Aqui estão as crianças. Cuide bem delas, pois deverei sumir por um tempo. — diz Mística, usando a aparência de uma turista qualquer, que não chama mais a atenção, além do fato de ser americana. Afinal, ela não pode parecer com uma nativa trazendo três crianças americanas consigo.

— OK, querida. Dá um beijinho no seu marido então. — usando um indutor de imagens, o mercenário mutante Deadpool parece também um turista americano, usando um longo bigode e roupas coloridas características.

— Me chama de querida de novo e eu arranco sua língua! — responde Mística, olhando séria para seu interlocutor.

— Você é muito sem graça, sabia?

— Sabe, Deadpool, estou me perguntando uma coisa. O que levaria um mercenário como você a de repente querer se aliar à causa mutante?

— Ora, mercenários também têm coração, chuchu! Além do mais, as minorias devem se unir, pois se não lutarmos por nossos direitos, quem irá? Eu vejo um novo sol nascendo para nós, e... — ele pega sua pistola 45 rapidamente, e aponta para Mística — Sinto, mas negócios são negócios.

Mística tenta reagir, mas Deadpool é mais rápido, e dispara sua arma, atingindo a mutante na cabeça. Ela cai no chão sangrando. O policial que chega próximo ao local leva um tiro bem no meio da testa, e em instantes o mercenário está dentro do avião particular, que já estava com o motor ligado e pronto para decolar.

Um grande tumulto toma conta do aeroporto. Mística foi apenas ferida, a bala não foi fatal. Ela se levanta sangrando, e quando vê policiais se aproximando, finge desespero, gritando:

— Meus filhos, meus filhos!

A polícia faz algumas perguntas, e ela diz não saber espanhol. É levada para a enfermaria do aeroporto, onde é medicada. Após uma enfermeira fazer os curativos, Mística aplica-lhe um golpe que a faz desmaiar. A mutante então assume a forma da enfermeira, e consegue escapar do aeroporto.

A fuga do avião também é relativamente fácil. As crianças, assustadas, não entendem mais o que está acontecendo.

— Para onde vamos agora, señor Deadpool? — pergunta o piloto, chamado Miguel.

— Vamos para a Chiapas, como combinado, pois tenho que cumprir um contrato para matar um líder zapatista. Por que você acha que conseguimos fugir tão fácil? E depois, vamos levar essa pirralhada pra fazer um passeiozinho, que o tio Deadpool aqui é um cara legal. Só não vou limpar cocô de ninguém, por isso se segurem até chegarmos, OK? — Deadpool fala, virando-se para as crianças, sorrindo, e apontando sua arma para elas.

— E onde o señor pensa em fazer esse passeio?

— Num lugar que eu tenho certeza que eles irão adorar! Tem castelos, tem robôs, tem festas nas ruas pra comemorar o rei tão bonzinho deles. De que lugar eu poderia estar falando que não fosse a maravilhosa, a sensacional... Latvéria!!!!! Olha a carinha deles, Miguel. Você não acha que eles vão ser felizes lá?

— Tenho certeza que sim, señor.


A seguir: Pantera Negra.


:: Notas do Autor

(*) Uma versão resumida dos eventos da última edição. voltar ao texto

(**) Extinto grupo mutante patrocinado pelo governo dos Estados Unidos. voltar ao texto

(***) Sina era uma mutante que morreu em combate na edição 57 da revista dos X-Men da Editora Abril, em julho de 1993. Seu poder era o de ver o futuro. Ela era amante de Mística, apesar disto ter sido confirmado apenas parcialmente na minissérie X-Men Eternamente, publicada nas revistas X-Men Extra 1 e 2 da Editora Panini, em janeiro e fevereiro de 2002. As duas criaram como se fosse uma filha a mutante Vampira, integrante dos X-Men. voltar ao texto



 
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