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Quarteto Fantástico # 10

Por Conrad Pichler, sobre um plot de Rafael 'Lupo' Monteiro

Ensaio Sobre a Loucura
Parte I

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— Todos os anos, centenas de meteoritos atingem a Terra. 99% se desintegram na atmosfera. Os que adentram a nossa camada protetora natural atingem os oceanos, que cobrem três quartos de nossa superfície... talvez pela posição geográfica, os demais atingem a África e Ásia... é loucura procurar nestes objetos elementos estranhos a nosso planeta, porque todo o universo era uma só matéria e, portanto os elementos químicos encontrados aqui são os mesmos em todo o cosmo.

Subitamente, um corpo cai ao chão.

— Sr. Navington, espero que tenha acordado de seu coma profundo. — diz o dr. Peter Corbeau, enquanto as luzes se acendem na sala de exibição da embaixada da Organização das Nações Unidas em Wakanda, África.

— Me perdoe, doutor... e-eu... eu... — diz o soldado, visivelmente constrangido e sonolento.

— Tudo bem! Espero vocês para começar nossa missão nas minas de vibranium, às dez em ponto! E não esqueçam seus trajes anti-contaminação virológica!

Manhã seguinte, em Nova York.

Um prédio chama a atenção no coração da grande metrópole: o Four Freedoms Plaza. Construído e mantido pela mais moderna tecnologia, este é o lar de muitas famílias, entre elas a família mais fantástica do mundo.

Vindo de um dos quartos, um ruído se espalha pelos corredores, como um ronco forte que percorre as paredes obscuras de uma caverna. Um som tão intenso que, logo, todos os outros três moradores da cobertura estão no corredor, de pijamas e coçando as pálpebras, olhando-se...

— É ele? — pergunta o Sr. Fantástico.

— O que você acha, Reed?!

— Johnny, acho bom você não mexer com ele. Lembra o que aconteceu da última vez?

— Bem, tenho que tentar, não é? — diz Johnny Storm, o Tocha Humana, enchendo um balde com água.

Um pouco depois, seguindo o enorme ruído, Johnny entra no quarto de Ben Grimm, o Coisa, que placidamente dorme em sua poltrona, roncando a todo pulmão. Imediatamente, arremessa o conteúdo do balde sobre o gigante.

Argggh! Queisso, seu palito de fósforo filhadamãe?!?! — o Coisa salta da cama, assustado.

Hahahaha!!! É só água, Bem. Há quanto tempo você não toma banho? Hahaha!!! — diz Johnny, contorcendo-se de tanto rir.

— Seu palito, vou te partir ao meio... — o Coisa quase chega a babar de tanta raiva.

— Precisava roncar tanto, Bem? Até a dona Vilma, da faxina, veio reclamar...

— Mas a velha é surda!

— Hehehe! — Johnny dá um sorrisinho irônico, prenúncio de uma briga logo de manhã.

Na mesa do café, Susan Richards toma seu leite matinal e desabafa resignada enquanto a confusão é instaurada no quarto do Coisa.

— Ai, ai! Mais um dia... tem horas que é bom ser invisível...

Mas, quando a poeira assenta, um sinal é emitido no videofone do Quarteto Fantástico, indicando a linha especial da ONU. O Sr. Fantástico atende.

— Dr. Richards.

— Rich?

— Corbeau? — Reed inicialmente não reconheceu a figura maltratada usando um traje especial, que fala na tela. Mas agora as recordações vêm à sua mente como um vagalhão: Richards e Corbeau foram colegas na faculdade. Dois brilhantes cientistas, dois grandes amigos.

— Temos um problemão em Wakanda! Mineiros de vibranium foram contaminados por uma espécie... *TOOK* de vírus da loucura... alienígena... agora os refugiados ruandeses... *TOOK* eles não controlam... *TOOK* ... estão loucos! — diz o esfarrapado cientista, olhando copiosamente para uma porta atrás dele.

— Pete? Você...

— Rich? Preciso de sua ajud... *CLICK*

Agora, só a estática aparece na tela do videofone, enquanto um preocupado Reed Richards se pergunta o que aconteceu com seu amigo.

Meses atrás, na sede da ONU, em Ruanda.

— Embaixador? — diz um homem negro e altivo, adentrando uma sala ampla e refrigerada.

— Sim? — responde o homem atrás de uma mesa.

— Eu sou Tchalla, rei de Wakanda, fronteir...

— Fronteira sul com Ruanda, a menor, porém a mais acolhedora aos refugiados...

— Senhor, infelizmente nossa hospitalidade não durará muito, creio.

— A escassez de chuva, poucas colheitas, muitos refugiados... fome!

— A ONU precisa nos ajudar, precisamos achar uma solução.

— A solução da África está muito além de nós... — diz o embaixador — Um dia, rei Tchalla, a "civilização" deverá voltar e abraçar a África... reconhecer e retribuir tudo que ela nos deu, inclusive a primeira vida humana.

— Compreendo, mas precisamos de uma solução imediata, estou ciente dos seus esforços após o fim da guerra.

— Sr. embaixador... com licença... estão esperando seu pronunciamento. — diz um homem de terno preto, entrando por uma porta lateral.

— Vou indicar ao conselho de segurança civil uma equipe, mas sugiro que coloque uma pessoa de sua confiança nela.

— Embaixador Sérgio... — diz novamente o homem de preto.

— Já vou. — e, voltando-se para Tchalla — As coisas parecem estranhas para vocês, Vingadores (*), e depois da guerra contra Saddam... não sei... — ele aponta a porta e o homem que o espera — Devo ir, alteza, desculpe.

— Obrigado, embaixador Vieira de Melo.

Alguns dias atrás.

Cruzou o céu uma bola de fogo, o som de um trovão: um meteorito, lixo espacial. Ele caiu no coração da mina de vibranium, o estrondo e fogo surpreendeu a todos os funcionários. Mas quando a desorientação passou, foram olhar: numa cratera de poucos metros de diâmetro uma bola metálica flamejava. Logo o metal começou a vibrar, efeito do vibranium. A bola se abriu como uma flor desabrochando... do interior, uma densa nuvem púrpura saía... os mineiros

espantados e maravilhados se aproximaram, logo suas vistas escureceram, sua

consciência falhou... um dos homens, o mais forte, o primeiro a chegar na mina, pegou uma picareta e...

Minutos depois, o único a sair do buraco foi o homem com a ferramenta na mão. Seu corpo todo estava coberto de sangue. Ele caminhou rumo ao sul, onde só havia o campo de refugiados ruandeses...

Hoje.

— Dr. Corbeau, o senhor está bem?

— O major Guannah me tirou de lá... — diz o doutor, com hematomas em todo o rosto.

— Todos foram contaminados pelo vírus púrpura?

— Todos, ele é instantâneo, transmitido pelo ar, cai na corrente sangüínea e acaba no sistema nervoso. Eles perdem a consciência e é o fim... tentaram nos matar como fizeram uns aos outros na mina.

— Doutor, precisamos de reforços! — diz o major, limpando o suor do rosto.

— Eu já chamei o melhor reforço que alguém poderia receber, major...

Nisso, uma nave começa a pairar sobre o pequeno acampamento a um quilômetro do campo de refugiados. Um grande "4" azul sobre a fuselagem prateada denuncia, é o Fantastijato, do Quarteto Fantástico. Logo a nave aterrissa.

— Reed, graças a Deus... — Corbeau, maltrapilho, abraça seu companheiro.

— Corbeau, o que faz na Terra e aqui em Wakanda? — diz Richards, feliz mas ao mesmo tempo curioso em rever o amigo.

— Ele veio te visitar, trouxe até um galo... — o Coisa aponta para o rosto do doutor.

— Galo? — indaga Corbeau.

— Esse na sua cabeça... hehe!

— Estou na Terra há meses. Desenvolvia um novo ônibus espacial para a NASA, e então o rei Tchalla, antes de sumir, me pediu para integrar uma equipe de logística e ciência para melhorar a vida de refugiados em escassez de suprimentos...

— Depois dizem que o programa espacial é uma furada...

A conversa prossegue por mais cinco minutos.

— Ei, ei, luluzinhas! Enquanto vocês tagarelam, o major Guannah acabou de me dizer que te tirou do acampamento, mas que tu perdeu as amostras do vírus.

— Exato, Coisa... posso te chamar de Coisa?

— Minha fase de chorão já passou, tio... — diz o Coisa, revirando os olhos.

— Mas sem as amostras, querido, você não pode ajudar a achar uma cura. — afirma a Mulher Invisível.

— Tem razão, Sue... espere! Pete, você falou de uma mina onde o meteorito caiu... onde fica?

— Isso, cunhado! — graceja Johnny — É melhor do que entrar no campo de refugiados cheio de gente pinel e homicida...

— Fica a uns cinco quilômetros ao norte. — diz Corbeau.

— Ben, ligue os motores. — pede o Sr. Fantástico.

— Esperem, eu também vou! — exclama Corbeau.

— Não, Pete. — responde Richards — Fique, selecione os dados que tiver sobre o caso e organize uma tenda que nos sirva de laboratório. Voltamos logo.

Assim, os quatro aventureiros embarcam e a nave dá partida, decolando rumo ao norte.

— Meu Deus! Espero que eles usem trajes anti-contaminação, o material é altamente contagioso... e que consigam agüentar a visão da chacina que ocorreu lá.

Minutos depois, sobre o marco zero da queda do meteorito.

— Vamos pousar ali, Reed, sobre a planície, à frente da cratera. — o Coisa aponta um descampado, acima da entrada da mina.

— Ótimo. — responde o líder do Quarteto — Me deixe verificar os níveis de radiação...

— Vamos, maninha, eu abro a porta e você separa os equipamentos do maridão. — diz o Tocha Humana, dirigindo-se à sua irmã, a Mulher Invisível.

— Johnny, não! — grita Reed.

— O que foi? — pergunta o Tocha.

— O ar está contaminado com o vírus. Estar exposto a ele é fatal!

— Então, cunhado, é melhor vestir sua fantasia de domador de abelha... — fala Johnny, em mais uma brincadeira.

— Apicultor. — corrige Reed, sem perceber a piada.

— Quietinho, fósforo! — Ben fez um sinal para Johnny.

— Vamos vestir os trajes anti-contaminação agora. — fala a Mulher Invisível — Serão nossa única proteção.

— Certinho, Susie!

Já fora da nava, o Tocha Humana caminha à frente do grupo, seguido pelo Coisa. Mais atrás vem o Sr. Fantástico, utilizando seus equipamentos, e por último a Mulher Invisível.

— Johnny, não use seu poder. Estes trajes não são feitos de moléculas instáveis, que se adaptariam ao uso de nossos dons. — diz Reed, em tom imperativo.

— Falou, borracha! — responde o Tocha.

Próximo à entrada da mina, o Coisa já pode ver alguns corpos estripados. De repente, um grupo de macacos sai das sombras das árvores da floresta, babando e uivando ferozmente.

— Eles estão com raiva! — Johnny fala, surpreso.

— Tão nada, é o vírus, olha os olhos deles! — responde o Coisa — Estão roxos! — as criaturas avançam em direção ao grupo.

— Johnny! — exclama a Mulher Invisível — Eles estão indo para cima de você!

— Calma, querida, não assuste os babuínos! Eles podem... — quando Reed toca o ombro de sua esposa, para lhe avisar do perigo, as criaturas saltam sobre o Tocha.

— Eles atacaram o guri! — assusta-se o Coisa.

— Não... — Johnny Storm desespera-se, enquanto, ferozes, os animais uivam — Não tem... jeito... em chamas!

Tocha, seu burro! — grita o Coisa, vendo seu amigo planar na forma de Tocha Humana — Vai ficar o maior cheiro de macaco queimado aqui!

— Johnny, volte ao normal e entre no jato! — ordena Reed — Você vai se contaminar! — Não, até agora não estou sentindo nada. Pelo visto esse vírus não pode me contaminar enquanto estou...

— Então, fósforo, dá um jeitinho nesses macacos que tão vindo pro meu lado! — as feras saltam sobre o Coisa — Tocha? Johnny? Ajuda aqui!

Johnny começa a voar aleatoriamente levando as mãos à cabeça, gemendo em grande aflição.

— Borracha, o Johnny pirou! — grita o Coisa, enquanto enfrenta os macacos.

Nisso, mais um bando de babuínos sai da floresta e vai contra Coisa e o Tocha Humana. Mas Johnny começa a rosnar como uma fera. Então, Ben Grimm sente um arrepio, que é seguido de uma grande explosão, em luz branca, que se espalha pela planície, elevando a temperatura ao nível de uma estrela em nova. Quando tudo acaba, o Coisa está caído, seu traje especial destruído, e Johnny está desacordado. Em volta deles, dezenas de macacos carbonizados, assim como toda a planície e os cadáveres dentro da mina. Logo atrás, próximo ao Fantastijato, está o casal Richards. Eles e sua nave estão protegidos por um campo de força gerado pela Mulher Invisível.

— Como você está, querida? — diz Reed, amparando sua esposa.

— Estou bem. Posso acessar meu campo de força mesmo dentro do traje...

— Eu logo pensei nisso. Veja, Ben está se levantando. Parece que está bem.

— Vamos pegar o Johnny. — fala Susan.

— Sim.

Quando o casal se aproxima, Susan ergue o Tocha Humana com seu campo de força e Reed percebe que o Coisa está contaminado pelo vírus da loucura púrpura.

— Susan, corra para o jato! Ben foi contaminado! — exclama o Sr. Fantástico, vendo seu rochoso amigo erguer-se, grunhindo.

O Sr. Fantástico e a Mulher Invisível correm para o jato. O Coisa começa a se levantar e os enxerga. Ele rosna para o céu e salta. Quando Reed entra pela porta do jato, o Coisa já está a poucos metros. Richards clica no botão que ativa o piloto automático; a nave decola, mas não antes de sentir o poderoso impacto do corpo de Ben Grimm. Mesmo assim, eles conseguem sair da planície, rumo à base zero, o campo de refugiados, onde Peter Corbeau os espera.

— Meu Deus, Ben e Johnny estão contaminados... — uma lágrima começa a se formar nos olhos de Sue.

— Calma, querida. Podemos tirar do seu irmão um anticorpo contra o vírus e Ben ficou numa região desabitada. Depois podemos voltar e dar-lhe o antídoto.

— Reed, você tem de encontrar um antídoto! Você não pode deixar meu irmão morrer!

— E-eu sei... eu sei. Vou contatar Corbeau, mas antes vou prender Johnny nesta maca. Susan, observe a situação do uniforme por debaixo do traje... — por baixo da roupa anti-contaminação, o uniforme do Quarteto Fantástico está carbonizado e coberto por uma camada pegajosa — Mas ele é feito de moléculas instáveis, não deveria reagir assim com os poderes do Tocha.

— Será que foi o efeito nova? — indaga Sue.

— Não. Eu preparei o traje de Johnny para suportar este efeito... mas vou contatar Corbeau.

Por apenas quarenta segundos, o Sr. Fantástico dá as costas. Tocha começa a tossir e cuspir sangue, deixando Susan desesperada. Em uma convulsão, Johnny leva o braço ao rosto de sua irmã com força, rasgando sua máscara. Em segundos, seus olhos são tomados por uma coloração púrpura. Ela está contaminada com o vírus alienígena. Nisso, Reed retorna.

— Susan, contatei a base e... meu Deus!

Ela reage ferozmente, atingindo com um vagalhão de campo de força invisível o Sr. Fantástico, prensando-o contra o painel do jato. Reed Richards se vê em um dilema nunca imaginado por ele antes: não pode usar seus poderes para se livrar das garras invisíveis de sua esposa sem se arriscar a ser contaminado, mas também não pode ficar esperando ser morto sem achar uma cura para o vírus que ameaça a vida de centenas de pessoas.


Na próxima edição: Três Fantásticos contaminados pelo vírus purpura, apenas um para achar a cura e salvar a vida de dezenas de famílias. Mas será que há tempo?


:: Notas do autor

(*) Saiba mais sobre a situação dos Vingadores lendo a saga Borderline, em breve aqui no Hyperfan. voltar ao texto



 
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