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Quarteto Fantástico # 16

Por Conrad Pichler

— "Bem-vindos ao Aeroporto Internacional do Egito. Horário local: 22h. Dia 13 de Abril..."

Essa foi a última frase que as centenas de pessoas escutaram antes que uma explosão calasse todas as vozes. Em menos de um minuto, tudo estava destruído, focos de incêndio e curtos-circuitos apareciam em vários cantos, um vazamento de água lava o sangue do chão e dos corpos espalhados no saguão.

Quando a poeira começa a baixar. Uma figura obscura caminha pela destruição, com suas botas de metal reluzente, seu manto verde escurecido, quase cinza, toca as lajes de concreto entulhadas no chão. Ele caminha para uma a pista de pouso e seus aviões destruídos, ele vê o avião presidencial em chamas, ninguém poderia fugir de sua mão de ferro. Logo atrás de uma pesada máscara, seus olhos vêem as luzes da cidade, das explosões, dos helicópteros do exército egípcio combatendo e perdendo para seus robôs humanóides.

Victor Von Doom havia conquistado um dos mais antigos tronos do mundo. Ele sabia que em horas todo o mundo saberia que o antigo monarca da Latvéria agora é o senhor do alto e baixo Nilo, das pirâmides e de todos os segredos místicos e ancestrais escondidos sob a areia do deserto.

O Retorno do Destino

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— Plantão de notícias do Jornal das Oito, com Vic Sage e Jack Ryder...

Ben Grimm resmunga quando vê o logotipo da TV dar lugar ao rosto sério do repórter, entre uma golada de cerveja e um punhado de pipoca:

— Podiam pelo menos... nham nham... Podiam contratar a Trish Tilby... nham nham... Ou a Lois Lane... nham nham...

— Boa noite. As Nações Unidas estão em choque... — disse Sage com rosto sério. Seguido de Ryder:

— A menos de três horas o Secretário Geral recebeu um ultimato do governo Egípcio, exigindo que todas as sanções contra o homem conhecido como Doutor Destino sejam descontinuadas...

— Doom? Que po**a é essa?

— ... Victor Von Doom antigo monarca vitalício da Latvéria foi recentemente destituído de seu trono pelas forças aliadas comandas pelo Capitão América..." (*)

— Reed?! Reed! — grita Bem Grimm — Vem logo, pombas!

Num instante, Johnny Storm aparece, seguido de Sue e seu filho Franklin a tira-colo.

— Que foi, Benji? Tá com a lata de cerva grudada no dente de novo?

— Cala a boca fedelho e vê a TV!

— Oba, mãe, TV! — Franklin saltou no colo do tio Grimm, sem se importar com a rústica pele de pedra que reveste o Coisa.

— "... há instantes recebemos um vídeo do mais procurado terrorista mundial, Ra's Al Ghul, no qual, ele dá detalhes da situação no Egito e faz ameaças..."

— Ô, Susie, acho que o Reed vai querer ver isso...

Não só o Quarteto Fantástico parou para ouvir as palavras de R'as Al Ghul, (**) mas toda a cidade; nos apartamentos de alta classe, nas casas humildes, nas lojas de departamentos e mercadinhos de conveniência, as pessoas grudam os olhos das telinhas para ouvir de uma voz robusta, algo que se parece muito com uma sentença de morte:

— "Mundo Ocidental, escute: Nesta noite, o Dr. Victor Von Doom conquistou o poder do berço da civilização para que nele nasça uma nova raça que povoará a face da terra, remodelando suas feições, eliminando a podridão e as máscaras da hipocrisia. Uma raça imortal será guiada pelas mãos devotas do novo imperador do Nilo e do destino humano. Àqueles que esperam na eternidade e nas sombras, ergam-se! Façam raiar na noite escura da alma das grandes cidades e acendam o fogo que brilhará e guiará as novas vidas, alimentem esse fogo com as casas dos inimigos da eternidade. Aproveitem a família reunida para num golpe extirpar-lhes o câncer".

Num beco soturno, a voz de Ghul ressoa pelas janelas, enquanto um rapaz e uma jovem se abraçam, beijam-se na testa e sussurram algumas palavras inaudíveis. Medo, ansiedade e determinação enchem os olhares deles e percorrem seus corações inquietos.

— Já revimos quatro ou cinco vezes essa fita, Reed! Que tu tem pra dizer? — pergunta Grimm.

— É um DVD, Benji! E nós vimos isso oito vezes, Reed...? — diz Johnny.

— Sejamos realistas. Essa foi a última coisa que nós pensaríamos que poderia acontecer, não é? Doom é obcecado pela Latvéria. Mas, dominar um país democrático, um patrimônio cultural da humanidade?

— Sejamos realistas? — Johnny levanta-se e dá uma volta pelo laboratório entulhado do Sr. Fantástico. — Susie, Doom é louco! Um lunático! Isso é o que ele é...

— Doom nunca foi louco, Johnny, com a inteligência dele, nem sei se poderíamos classificá-lo por qualquer padrão ou teste psiquiátrico. — Reed tenta ponderar escolher as palavras, enquanto revira os óculos nos dedos elásticos. — Doom precisa do poder para realizar seus projetos e, nesse caso, ele precisa mais de poder do que de um reino.

— Que diabos você tá falando, borracha? Tá dando nó na minha cuca! É mais fácil dizer que ele é louco de pedra e pronto! — esbraveja o Coisa sentado no canto do ambiente.

— E de pedra e de loucos o Benji entende, cunhado! — Johnny quer rir, mas é vencido pelo silêncio constrangedor e os olhares fulminantes do Coisa.

— Reed, eles disseram que Doom manteve a Lei Islâmica e o Senado. Estão dizendo até que ele comprou as Forças Armadas com tecnologia da Hidra e da IMA, depois os militares o nomearam Chefe-em-Comando.

— Doom não está interessado no poder de Chefe de Estado, nem do Egito, nem de lugar algum. — Reed parece absorvido por seus pensamentos, enquanto escuta, num fone de ouvido, as declarações de R'as Al Ghul pela décima vez. — Ele está querendo dizer algo ao mundo, mas ninguém parece conseguir escutar.

O silêncio volta a tomar conta da sala, mas, desta vez, é um silêncio pesado e intranqüilo. Enquanto Reed Richards repassa o vídeo pela décima primeira vez, Susan Richards, Benjamim Grimm e Johnny Storm se entre olham.

Com a notícia percorrendo o mundo, os políticos e poderosos se reúnem e trocam mensagens para entender a situação e tomar uma posição em comum. Decisões e posições que não agradam a todos:

— Senhor Presidente, eu discordo completamente de sua posição. Os EUA não podem ficar a mercê desse caos internacional, precisamos investir!

— Eu entendo sua preocupação Agente Gyrich, mas da próxima vez que se dirigir a mim nesse tom e dessa forma, eu vou exonerar o senhor de seu cargo!

Lucius Fox é conhecido por seu temperamento pacato, mas sua voz soou tão ríspida que fez calar uma raposa velha como Henry Peter Gyrich.

— Desculpe-me, senhor.

— Preciso de uma ligação para Reed Richards, precisamos informar-lhe que, depois das baixas sofridas pelos ataques do Braço Perfeito da Hidra e da rebelião das Tropas Vingadoras, (***) vamos depender dele para investigar e supervisionar a situação.

— Vou providenciar isso, senhor. — Gyrich sai, deixando Fox pensativo.

Mais uma manhã e uma tarde passaram e, nas ruas, as pessoas comentam a situação, em seus diálogos entrecortados por fatos do dia a dia, tarefas e despedidas nas calçadas movimentadas de Nova York.

— Você vai ficar bem, mocinho?

— Vou sim, mãe.

Susan olha seu filho nos olhos, beija a ponta do nariz e dá-lhe um abraço apertado e delongado. Reed passa a mão na cabeça do filho, enquanto tira do bolso do jaleco branco um globo prateado do tamanho de uma bola de tênis, ele procura as mãos de Alicia Masters e entrega o objeto aos cuidados dela.

— Alicia, pegue. Se alguma coisa acontecer, acione esse botão nessa pequena saliência... Assim, você trará ajuda. — Reed procura no reflexo dos óculos da moça os seus próprios olhos cansados.

— Nada vai acontecer com o Frank, Reed, fique tranqüilo. — O menino abraça a sua "tia", enquanto ela tenta acalmar os pais da criança. — Vamos para a casa da Tia Petúnia no Brooklin e ficaremos juntos por alguns dias nos divertindo, não é, Frank?

— Sim, tia Alie! Logo voltaremos para ver vocês, pai.

— Que bom, agora, peguem o táxi, antes que vá embora.

O menino entra no carro e dá tantos acenos de adeus quando é possível. Susan redobra o número de beijos, enquanto Reed se condói de preocupação e uma ansiedade estranha para seu intelecto tão racional e frio.

Abraçados, o casal Richards entra no Four Freedoms Plaza. Um prédio tão imponente quanto alto. Sua famosa fachada desenhada com o número em todas as quatro faces da estrutura parece um farol no meio da Grande Maçã.

Um farol que pode ser visto de longe ou passar despercebido pelos olhos dos moradores da cidade. Mas, do Central Park ou da Times Square, sempre há alguém para apreciar o lar do Quarteto Fantástico.

Para dois jovens, o prédio é um destino certo, eles dão as mãos, e logo alçam vôo, flutuando rumo à icônica construção, não há mais tempo para observar.

Eles flutuam pela noite largando seus casacos, deixando à mostra suas roupas pretas, seus ventres carregadas de explosivos amarrados por faixas verdes, onde se poderia ler em língua desconhecida versos de uma tradição há muito esquecida.

Avançando por entre os prédios, o Four Freedoms vai crescendo no horizonte. Os o rapaz olha nos olhos da moça, eles apertam as mãos e, há menos de cem metros do prédio, os dois desaparecem.

Alguns segundos de paz.

E uma explosão de brilho sórdido se espalha por quarteirões. Subindo os andares do prédio elegante. Destruindo toda a estrutura de vidro e metal das janelas. Distribuindo estilhaços pelas ruas todas de todas as direções. Num curto momento, tão demorado quanto um pesadelo, o topo do prédio, lapidado com os números quatro corroem-se e sucumbem na poeira. Destruição. Ondas de choque. Estilhaços.

Em seguida, toda a estrutura do prédio vai submergindo na densa e escura nuvem negra e espessa. Só então, parece que o som volta a existir e um túrgido trovão acorda a cidade. Acorda os pais de família, os guardas de trânsito, os repórteres de televisão, os assassinos, os ladrões, os heróis que combatem o crime, os alarmes dos carros, as sirenes, os gritos dos fracos e guerreiros e o choro das crianças.

É nessa imensa e barulhenta nuvem de poeira que a noite termina.

É meia-noite e uma nova madrugada começa.


:: Notas do Autor

(*) Veja as histórias do Capitão América, aqui no Hyperfan. voltar ao texto

(**) Sim, é nosso bat-vilão preferido e, também, um hábil terrorista. voltar ao texto

(***) Nas recentes histórias dos Vingadores, aqui no Hyperfan. voltar ao texto




 
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