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Titãs # 02

Por JB Uchôa

São Os Deuses Astronautas?

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— Scooby-dooby-dooooooooo.....

— Sério, eu não agüento mais! Já reprisaram umas dez vezes a prisão do Dr. Spectro!

— Não reclama de barriga cheia, Donna! Lembra quando o maior passatempo da imprensa era malhar os Titãs?

— É verdade, Jesse, mas acho que o que mais me enlouquece é que eles nunca editam a "interpretação" do Mutano.

— Essa foi fraca, Donna, mas engraçada! — diz Wally West enquanto faz um sanduíche em alta velocidade.

Os Titãs estão reunidos para o almoço. Ao menos uma vez por semana isso acontece. É o famoso almoço de domingo, embora hoje seja quarta-feira.

— Ah, fala sério, Donna! Se você estivesse de óculos, eu pensaria que era a Velma!

Tróia limita-se a dar uma risadinha sem graça, continua comendo sua salada e fala pra Mutano que suas piadas estão piores. Por um instante ela se cala e pergunta a si mesma o porque de estar tão amarga.

— Vai ficar conosco dessa vez, Gar?

Garfield Logan não esperava a pergunta de supetão. Talvez ele fosse ficando, ficando...e BUM! Estava de volta. Será medo de ser rejeitado, esquecido de novo?

— Ah... Eu não sei, Dick, vim mesmo só passar uns dias... Hollywood é mesmo muito diver...

— Mutano! Sei que você deve ter ficado chateado e achado que não lembramos de você quando nos reagrupamos. Não é verdade. Os Titãs precisam de você! Quero — nós queremos, aliás, — que fique conosco.

O imenso sorriso do rapaz verde deixa explícito um sim. Sim, ele quer ficar com os Titãs, precisa deles. Os Titãs foram sua chance de recomeçar depois da Patrulha do Destino. Então, é a hora de estar junto.

— E aí, alfacento, fica?

— Fico, Wally, o Asa parece precisar de um garoto-prodígio... — Enquanto Mutano fala, Wally sai e volta.

— Deixa de viadagem, Gar! — grita Cyborg, às gargalhadas.

— Passa o sal, Jesse! — Flash come em alta velocidade, um feixe escarlate de 1,80 metro percorrendo todo o ambiente, seja procurando algo nos armários, seja indo buscar sua caneca favorita em Keystone.

— Pára, Wally! — sem escutar Jesse Quick, West sai novamente... — Depois que ele e Linda terminaram ele ficou neurótico! — ... e volta.

— Ainda tem peixe? — pergunta Wally, faminto.

— Não coma peixe, Wally! — pede Tempest, segurando rapidamente a mão do amigo.

— Vou comer o que, então, Garth? — responde o velocista, fazendo uma careta.

— Hummm...frango? Um Big Mac?

— Esquece... ei, cadê a Kory?

— Ela tinha uma sessão de fotos hoje, antes do almoço, talvez ela ainda venha.

— Como sabe, Dick?

— Ah, falei com ela no telefone... antes de dormir...

— Esse lance de vocês tá complicado demais!

— Somos só amigos, Wally, você sabe disso!

— Sei, vocês não tem nada...igual ao Grant e a Toni.

— ...

Nesse momento, Detonador e Argenta chegam de Los Angeles.

— Hum... o que tem de bom?

— Pêxe! — exclama Lian, com os talheres na mão.

— Oh, que gracinha, Roy! Você que ensinou, né? — Pergunta Argenta sorrindo, passando a mão na cabeça da menina.

— Claro! — enquanto Roy Harper esboça um longo sorriso, Tempest revira os olhos com as mãos no queixo.

— Bem, Asa, falamos com Labareda, Abelha, Arauto e alguns outros Titãs. Com a publicidade e torno da prisão do Dr. Spectro, eles se animaram em recriar os Titãs da Costa Oeste. E eu...

— Como é? Se eles querem agir como um grupo, tudo bem, mas não acho legal criar subdvisões dos Titãs como antigamente. Eu realmente preferia que eles ficassem como Titãs de apoio.

— Titãs de apoio?

— É Toni. Creio que formarmos facções dos Titãs seria pior. Correríamos mais riscos de nos expor publicamente... sem mencionar nossas obrigações particulares! Tempest, por exemplo, é embaixador de Poseidonis. Wally está efetivo na Liga da Justiça. Kory é modelo... e por aí vai! Todos nós temos uma vida além do grupo. Com nossas obrigações, seria difícil manter mais de uma equipe na linha. Os Titãs de apoio seriam recrutados em situações específicas, além de nos manter informados do que acontece no restante do país e do mundo.

— A idéia é boa, Dick. Mas sei lá, assim fica parecendo que somos uma empresa.

— Para todos os efeitos nós somos mesmo uma empresa, Gar. Uma empresa sem fins lucrativos. Vivemos com algum outro emprego e somos mantidos pelo "patrimônio" do Garth. Não estamos aqui por diversão, mas por responsabilidade.

— Acho que Wally e Jesse podem contatar os outros, cobririam terreno em pouco tempo.

— Tá certo, Donna. Podemos fazer isso já, não é, Jesse?

— Claro Wally, a gente divide o globo entre parte leste e oeste.

— Hã...Dick...eu quero ficar como apoio.

— Por que, Argenta? Você tem tanto potencial! — pergunta Tróia, intrigada.

— Em todos os sentidos... — graceja Arsenal.

— Bem, gente, eu fui aceita na faculdade de cinema da Califórnia! Mesmo com poderes, seria horrível vir sempre pra cá. Quero me dedicar a algo mais do que ser heroína, entendem?

— É justo, Asa, a maioria de nós temos um emprego, uma carreira. — concorda Donna. — Saiba que é bem vinda sempre que quiser.

— Obrigada, Donna.

— Hã... eu também quero sair... isto é, ficar como apoio. — enquanto Detonador fala, Arsenal cochicha algo com Cyborg sobre ele e Toni terem combinado isso, para ficarem mais juntinhos.

— Pô, é debandada?

— Se acalma, Alface, deixa o cara falar!

— Pô, Vic, é só eu chegar que vai todo mundo embora!

— É sério, gente! Não é por mim, mas por vocês! Teve muita publicidade em cima da prisão do Dr. Spectro. O cara é um mané, mas a volta dos Titãs foi alardeada sem dó... e tudo isso positivamente! Há quanto tempo isso não acontece? Querendo ou não, sou um fora-da-lei! Já imaginaram se aparece algum "Fox Mulder" atrás do sumiço mágico da minha ficha? Isso geraria publicidade negativa e todos nós lembramos do que aconteceu anos atrás. A imagem dos Titãs está excelente, porque correr o risco de estragar tudo?

— Nós o escolhemos, Grant Emerson, correremos todos os riscos!

Eu não quero, Roy, me desculpe. Eu tenho a chance de fazer tudo direito, mas não quero estragar isso e levar vocês junto. Seríamos tão mal vistos como a X-Force ou os X-Men, que apesar de terem objetivos nobres são marginalizados.

Com o discurso do Detonador, todos se calam. Eles sabem que ele está certo.

— É, cara, a decisão é só tua.

— Já foi decidido, Asa, mas a gente se cruza. — Nesse instante, Estelar chega na cozinha, vestida com um Valentino preto ligeiramente transparente.

Uau! — grita Mutano, com sua habitual "discrição". Asa Noturna fica calado, mas seus olhos estão vidrados em Kory.

— O que foi, Dick, cheguei em má hora?

— Ãh... não Kory... mais ou menos... Wally, me dá uma carona até Blüdhaven?

— Claro, Dick! Vamos?

Enquanto Asa Noturna sai com Flash, ainda resta um clima não de tensão, mas chato no ar.

— Acho melhor arrumarmos nossas coisas, Toni. — fala Detonador, fazendo um sinal da porta.

— Antes de sair eu vou querer um abraço, viu? — Tróia olha para os dois jovens Titãs. Apesar do pouco tempo, Argenta já era considerada uma boa amiga.

— Claro, Donna — diz Argenta já abraçando Tróia — A gente aparece de vez em quando!

— O que aconteceu Vic? — pergunta Estelar, baixinho, tentando não chamar atenção

— Vamos indo Kory, eu explico no caminho.

Arsenal pede a Mutano para tomar conta de Lian enquanto a babá não chega.

— Aí, Gar, fica mesmo na forma de macaco para a menina não se assustar com tua cara feia. Tenho que tomar banho para me encontrar com uma gata. Falando nisso, Tempest, você bem que podia ficar aquecendo a água para economizar energia.

— Pô, pára com isso, Roy! Que saco! — Tempest sai irritado. "Não é sempre assim?", ele pensa. Roy Harper o elegeu para bobo da corte, alvo de todas as suas piadas.

— Você pega muito pesado, Roy, não deu para perceber que o Garth detesta?

— No fundo ele gosta — diz Harper abraçando Tróia — quero saber mesmo quando é que a Gata-Maravilha vai me dar uma chance.

— Você já teve sua chance!

— Outra chance, eu quis dizer!

— Se continuar me chamando de Gata-Maravilha nosso encontro será no hospital.

— Então isso quer dizer que tenho uma chance!

— Mínima, Roy, mínima!

Chanda é a babá de Lian. Se não é fácil cuidar de uma criança normal, quanto mais da filha de super-herói. Lian é elétrica, hiperativa. Quando finalmente se cansa, desaba num sono profundo, dos inocentes... Ao mesmo tempo em que Chanda consegue manter Lian entretida com a televisão, assistindo uma reportagem sobre artes marciais, Gar Logan conversa com a moça alterando sua forma constantemente.

— Você não tem medo de lidar com super-heróis? De algum supervilão atacar a base?

— Não!

— Claro! Além da Torre Titã ser segura você tem os melhores heróis do mundo aqui. Você não fica um pouquinho excitada?

— Não mesmo. — responde Chanda, virando enfadonhamente as páginas de uma revista.

— Mas não tema — diz Mutano ao transformar-se em um urso verde — eu protejo você.

— Mutano, avise ao Roy que ele pediu para cuidar de uma criança, não de duas. Vou querer dobrado. — Gar volta à forma humana. Chanda o olha friamente, levando-o a afastar-se para perto da televisão.

— Ei, Lian, afasta um pouco pra lá! Você não prefere assistir o Cartoon Network?

— Não, alface!

Parte Leste de Manhattan

— Que bom que você veio, Vic. Vai fazer o quê?

— Não vou atrapalhar teu encontro Roy, fica tranqüilo! Aproveitei a carona para comprar um presente pros meus avós. Os velhos vão fazer 50 anos de casados!

— Uau! Cinqüenta anos com a mesma mulher? Às vezes, eu queria isso... me ajeitar sabe? Mas acho que tudo tem a hora certa. E enquanto a mulher perfeita não aparece, eu saio por aí, experimentando!

— Típico, Roy...

Victor Stone aponta para uma loja do outro lado da rua. Ele estranha as pessoas não olharem para ele assustadas. Afinal, o Omegadromo, seu novo corpo, não é nada discreto. Ele atravessa a rua sozinho, seu amigo faz um sinal de que daqui a pouco o alcançará, enquanto pára pra comprar uma soda.

Ao atravessar a rua, Arsenal sente-se tonto, a cabeça pesa. Ele fica feliz, triste... é como se se apaixonasse mil vezes ao mesmo tempo! Como se não pudesse sofrer decepções! O mundo ao seu redor muda e ele está no paraíso! A realidade se transforma novamente quando ele vê o ônibus escolar vindo em sua direção. Supreso, o motorista tenta desviar-se, causando pânico e uma colisão.

A porta emperra de encontro ao muro, o motor começa a pegar fogo e Roy Harper continua no chão, no meio da rua, com as mãos a cabeça. Cyborg nota a confusão e usa seu novo e fantástico corpo para salvar as crianças, transformado-se em um escorregador. Para solucionar o problema do fogo e não correr riscos de uma explosão, o herói cibernético usa suas mãos como abafadores. Num instante, tão rápido como aconteceu, o acidente é contido. A população aplaude, crianças o abraçam e Victor Stone sente-se novamente uma pessoa de verdade, como há muito tempo não se sentia.

— Arsenal? Cara, o que aconteceu? Porque ficou parado feito bobo na rua? — pergunta Cyborg, ajudando o amigo a se levantar.

— Eu... eu... não sei Vic! Senti uma zonzeira... Deve ter sido o efeito dos burritos que comi. — diz Arsenal, tentando dar um pouco de leveza ao clima tenso — Me leva para casa?

Num beco, uma sombra apenas observa, e Arsenal sente um calafrio. Ele já sentiu as sensações de tontura e felicidade, ele sabe o que é. Só não sabe como é possível!

Ilha Titã, mais tarde

Tempest, Arsenal, Tróia, Cyborg e Mutano estão reunido em frente a TV.

— Esse cara é um babaca! Só sabe malhar tudo que é super-herói! Detesto esse Jack Ryder!

— Gar, nós queremos assistir o noticiário, dá pra parar de falar?

— Ah, esse babaca só fala merda! — resmunga Mutano com os braços cruzados.

Donna o manda calar-se. Vic Sage anuncia sobre a volta dos deuses gregos.* Em outro canal, Jack Ryder pergunta se isso tem haver com o sumiço dos Vingadores.** "Será que o Thor foi trazer todos os imortais para vestir colantes coloridos?", pergunta Ryder, mordaz. "O mais ridículo é ver o mundo cair perante os pés desses imortais. Porque o Super-Homem não dá logo uma surra neles? Sabem por quê? Porque é bem capaz deles estarem metidos nessa história juntos!"

Os Titãs assistem, com os olhos arregalados, a matéria sobre a chegada dos deuses, escoltados pela Mulher-Maravilha.

— Grande Réia!

— Putz! Será que não é a regravação de Fúria de Titãs que anunciaram? — pergunta Mutano, os olhos vidrados na televisão, e o queixo meio metro aberto.

— Quieto, Gar! Até sabão em pó tá indo nessa onda! — critica Tempest, já um pouco transtornado com os comentários do apresentador.

— Galera, eu tenho que ir para Gateway! — anuncia Tróia, levantando-se do sofá.

— Nós vamos com você, Donna! — exclama Cyborg.

— É melhor ficarem, Vic. Não entendo por que Zeus tomou essa atitude. Junto de Diana, eu posso ver como fica a situação. Vou sozinha.

Madrugada

"Tróia juntou poucas coisas em uma sacola e foi para Gateway. Não teve nem tempo de ligar para Diana e avisar sobre sua chegada."

Na calada da noite, uma mulher de cabelos negros percorre todos os aposentos. Seus passos são serenos, sua pele exala o cheiro de jasmim. Roy Harper dorme inquieto no quarto com a filha. Seus sonhos não têm mulheres nuas, boates de strip-tease, cerveja ou algum supervilão levando uma surra. A alma de Arsenal está em trevas. Garfield Logan ainda possui sonhos pueris, de beijos escondidos e de um amor puro por Dana Markov.

"Não consigo entrar nos sonhos de Victor Stone... intrigante. Richard, Wallace, Donna, Garth e os outros não estão em casa. Casa... será que ainda posso voltar a ter um lar? Sentir paixões, frustrações, ódio e fúria?"

Sua mão percorre o rosto de Arsenal e sente um calafrio. Morte.

"Não será sua hora Roy Harper. Eu não permitirei!"

:: Notas do Autor

* Ver Mulher-Maravilha # 05
** Ver Vingadores # 02



 
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