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Titãs # 06

Por JB Uchôa

Moulin Rouge

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Ainda falta pouco mais de meia hora para amanhecer. O céu ainda está azul escuro. Ao longo da baía de Manhattan, o alaranjar do sol dá o primeiro bom dia com sua luz. A maioria dos nova-iorquinos ainda estão imersos em sonhos, ainda que Frank Sinatra tenha imortalizado Nova York como a cidade que nunca dorme.

Nos andares subterrâneos da Torre Titã existe uma piscina olímpica, que passou a ser abastecida com água salgada após a inclusão de Namorita na equipe. Desde então, ela toma um banho todas as manhãs antes de ir para a universidade. O maiô verde pendurado em uma cadeira, a pele alva, nua, em contato com a água, o sal em seus lábios, o frescor da manhã e a chance de poder estar fazendo tudo diferente. Mas não é apenas ela cultiva esse hábito.

— Aham — pigarreia Tempest.

— Por Poseidon! Desculpe, nunca pensei que alguém fosse usar a piscina a esta hora da manhã. Que vergonha!

— Não se preocupe, acho que todo mundo tem esse fetiche.

— Você também? — a pergunta de Namorita o faz corar, os olhos púrpuras destacando-se no rosto agora rosado. O colega atlante nada diz, apenas sorri entregando o maiô. Assim que Namorita se veste, ele pula dentro d'água.

— Devia ter mudado a água da piscina há mais tempo. Nada se compara à água do mar.

— Devia ser muito chato para você nadar sozinho.

— Era... — Tempest lembra de Tula, do dia em que fez amor com ela no casamento de Donna. Hoje a ex-amante deixou de ser uma ferida aberta e tornou-se uma doce lembrança. Às vezes doída, mas ainda doce. — Como está a Atlântida? — Pergunta rápido, desviando do assunto.

— Estamos bem. Economia estável, povo feliz. Namor está fazendo a Atlântida prosperar, apesar de dividir as tarefas de monarca, vingador e presidente da Oracle. Meu primo tem muitos planos. Apesar de ser um herói aqui, a Atlântida e nosso povo estão sempre em primeiro lugar.

— Aquaman também é um bom rei, mas não sei se ele conseguiria acumular tantas funções se não tivesse tantas pessoas para auxiliá-lo. A volta de Mera trouxe paz pro povo, que sentia falta da Rainha.

Os dois conversam animadamente. A mão de Namorita toca o ombro de Tempest e ele nada diz. Ela sorri. Finalmente já se sente um membro da equipe, onde todos parecem ser meio parentes, como se pertencessem a uma única família.

Poucos metros acima estão os quartos, onde a parte dos Titãs mora e que fazem da Torre não a extensão do seu lar, mas o próprio. Em meio a lençóis brancos e desarrumados, Arsenal beija Tróia apaixonadamente.

— Bom dia, princesa!

— Louco! Não deveríamos estar na Torre! — reclama Tróia, beijando-o de volta.

— Não sei como conseguimos passar tanto tempo longe.

— Eu tinha que me fazer de difícil, Roy! — Na mesma hora, Lian irrompe pelo quarto aos berros, escancarando a porta, chamando o pai para brincar. Tróia puxa o lençol para se cobrir, mas a garota não parece estranhar a "tia" Donna em companhia do pai.

— Oi, filha! Papai vai brincar daqui a pouco, OK?

— Você vem também, tia Donna? — Pergunta Lian, com um sorriso de fazer Tróia morrer de remorso.

— Cof, cof! Desculpe, Harper. — Chanda entra no quarto, constrangida, mas não surpresa, por ter flagrado Arsenal com Tróia. Afinal, há meses os dois estão nesse "chove-não-molha". A babá acha demais ter flagrado os dois nus na cama, internamente criticando a impruedência de não trancar a porta e deixar Lian presenciar a cena. Ela pega a criança no colo e sai friamente.

— Oh, Roy! Por Gaia! Não queria que fosse assim! Lian não deveria...

— Shhhh... Não se preocupe com Lian ou Chanda. Eu falo com elas. — Arsenal levanta da cama e veste um short, olha-se no espelho, penteia o cabelo formando um topete e começa a cantar Donna. No meio da canção ele pára e se ajoelha aos pés da moça. — Quer sair comigo hoje para badalar? Oficialmente?

— Oficial? — ela sorri e o abraça, feliz.

Na cozinha, Wally West toma um café da manhã reforçado com tudo o que existe de mais calórico no mundo. Cereais com chocolate, regados com leite condensado e creme de leite.

— Argh! Não sei como você consegue manter esse corpo! — Pergunta Jesse Quick, enquanto toma uma xícara de café.

— É uma dádiva que nós, homens, temos: não possuir celulite! — responde o Flash, maroto.

— Engraçadinho... Como está com Donna?

— Ela ainda está fria comigo. Ouvi-a dizer que não se sente a vontade comigo por perto. Não entendo, Jesse! Mas não posso forçá-la a conversar, já que ela sempre foge.

— Quer que eu fale com ela?

— Não... Quer apostar uma corrida? Algo curto, para não dar indigestão! — Flash muda rapidamente de assunto. Não quer se prender em dramas pseudo-existenciais que transformariam sua vida em um seriado barato.

— Eu tenho que trabalhar, Wally! Só se for até o meu escritório, lá te ofereço cafeína para começar o dia.

— Feito!

— 3x2(9YZ)4A! — Os dois borrões escarlates partem rumo à cidade.

Noite. Tróia está em seu apartamento na 5ª Avenida, ainda pensando na loucura de ter dormido com Arsenal na Torre. Ela gosta dele, e muito. Ele a faz sorrir, sentir-se viva e... inteira. Completa! Não um fragmento das memórias de Wally. Como o Flash poderia tê-la recriado se ele só conhecia parte dela? Ou, como diria o próprio Roy, "se ele nunca conheceu a parte boa?" Ela sabe que não é perfeita, que não é o poço de doçura e pureza que Wally idealizou.

— Um tostão pelos seus pensamentos! — Arsenal a abraça por trás e beija sua nuca.

— Eles não valem tanto... Vamos? — Eles se dão os braços e saem juntos, como qualquer casal normal.

Tempest está absorto em pensamentos. Sua mente vaga por Poseidonis, Aquaman, Mera, Tula e Namorita. No começo, ele achou redundante ter dois membros subaquáticos na equipe, e que ele acabaria imerso nas questões políticas de Poseidonis... Assim como Flash está muito mais atuante na Liga, com Jesse nos Titãs. O cheiro de Jasmim permeia o ambiente.

— Ravena? — Sua ex-colega de equipe está parada na porta, e some assim como chegou. — Droga! Será que estou vendo coisas? Será que Ravena é um espectro? Um fantasma? Um resquício de memória? Já é a quarta vez que isso acontece desde que a vi pela primeira vez aqui na Torre. Talvez seja hora de falar com Dick... Ou Donna, que acredita mais no sobrenatural.

Andares abaixo, existe um moderno equipamento para treino dos Titãs. Não se equipara à Sala de Perigo da Mansão X, mas é o que existe de mais moderno em tecnologia e holografia que as Indústrias Dayton puderam pagar. Mutano está treinando há horas, a fim de ultrapassar outro nível hoje, se superar, provar que não é o babaca e nem o piadista do grupo. Que ele pode sozinho se livrar de uma encrenca, mesmo que não se trasforme em um elefante africano ou uma pantera esmeralda.

— Gar? — Cyborg observa o amigo vencer três holografias de vilões do calibre de Homem-Absorvente, Dr. Octopus e Titânia. O que o impressiona é que Mutano não recorreu nenhuma vez ao trasmorfismo e derrotou-os usando mais a inteligência do que a força.

— Computador, encerrar! — Mutano se surpreende quando Cyborg estende a toalha.

— Parabéns, Gar! Foi um treino muito bom!

— Valeu, batedeira! Não sabia que você estava aí!

— Tem treinado bastante?

— Um pouco.. — responde Mutano seriamente.

— Algum problema, Gar?

— Nenhum.

— Qual o motivo desses treinos então? — Mutano olha o amigo sério, olhos semicerrados, se aproxima devagar de Victor Stone e fala em um tom de voz forte, mas calmo.

— Eu não quero ser um babaca, Vic! Eu não quero me ver desprotegido se estiver sem poderes! Eu quero que os Titãs possam contar realmente comigo. Quero estar na primeira linha! E como ninguém me leva a sério mesmo, resolvi mostrar com ações! — Antes que Cyborg possa dizer alguma coisa para apoiar o amigo, Mutano vira as costas e sai. O único pensamento que Cyborg tem vem acompanhado de um sorriso.

— É, Abacate... Finalmente você cresceu!

O nome da boate é Moulin Rouge, como a mais famosa casa noturna francesa. Toda a decoração é meio retrô, com bailarinas e bailarinos sensuais incitando o público a dançar, músicas dance e caribenhas dando um tom sexy e a luz vermelha que torna o ambiente escarlate. Donna Troy atrai a atenção de todos os homens, acompanhados ou não, heterossexuais ou não. Roy Harper já lançou olhares fulminantes para alguns espertinhos mais afoitos e por enquanto bastou. A noite foi cercada de um clima meio mágico, que durou uma eternidade. Na madrugada, ao som de Sparkling Diamonds, Tróia é a própria deusa encarnada, dona de incomensurável beleza e sensualidade.

— Quer que eu chame um táxi, Donna?

— Não! Estamos tão perto, vamos caminhando! — Caminhando de braços dados, despreocupados — afinal, quem pode fazer mal a um exímio arqueiro e uma deusa amazona? —, Donna e Roy conversam como qualquer casal comum, sobre seus amigos e suas vidas. — Eu estou me sentindo bem, Roy! Bem demais! Acho que algumas memórias estão voltando, como o cheiro de Bobby e detalhes do meu casamento com Terry. Da paquera que nós tínhamos na época da Turma Titã... — e ela sorri.

— Gosto demais de você, Donna! Até dá vontade de me regenerar.

— Bobo!

No mesmo instante Arsenal grita, as mãos levadas à cabeça. Joelhos dobrados, suor constante. Fome. A sensação de paz vem chegando... Uma risada alta.

— Roy? Roy? — Donna se ajoelha ao lado dele, que ri feito louco e aos poucos vai ficando calmo, como se estivesse em transe, sonolento.

:: Notas do autor

E então, o que estão achando de Titãs? Preencham esse quadrinho embaixo (vamos, não demora tanto tempo assim!) com idéias, sugestões e críticas!
Um abraço!



 
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