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Ultimate Liga da Justiça # 01

Por Igor Appolinário

"A condição do Homem (...) é a guerra de todos contra todos."
— "Leviatã", Hobbes

Espaço sideral. A fronteira final para a humanidade. E, aparentemente, apenas para a humanidade. Um grande buraco no tecido espacial se abre muito próximo ao décimo planeta deste sistema solar, Sedna, deusa das águas para os esquimós. Naves de todos os tipos e tamanhos, mas portando a mesma insígnia planetária, se movem na imensidão espacial em direção à estrela sol. Um raio de luz verde cruza o espaço e se dirige à grande armada.

Pedra Fundamental — Parte I
De Origens

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De: Clark Kent <clark.kent@dailyplanet.com>
Para: Lana Lang <lana_lang@smallvilletalon.com>
Assunto: Saudades! <criptografado>
Anexo: dailyplanetcover.jpg

Super-Homem!

Foi assim que ela me chamou! Você se lembra dela? A tal de Lane que eu te falei antes? Você deve se lembrar da piadinha que eu fiz sobre seus nomes serem tão parecidos. :-) Mas as semelhanças param por aí, você é muito mais doce e delicada. A Lane é um trator de saia, passa por cima de todo mundo e nem se importa. Acho que não vou agüentar ficar muito tempo perto dela...

Voltando ao "Super-Homem", você deve ter visto na TV o salvamento do ônibus espacial. Era eu! (mas isso você já deve saber) Ficou estampado na primeira página do Planeta uma foto do ônibus (se você prestar atenção vai me ver bem embaixo, usando o casaco do Clégio Smallville) e a manchete da Lane — "Super-Homem: um milagre que veio do céu" — e agora todos os jornais me chamam assim.

Estou pensando naquela roupa que e te falei e tive uma idéia. Lembra quando eu te mostrei o alfabeto de Krypton? Então, a letra S (um diamante com o símbolo de infinito dentro) podia ser estampada bem na frente, assim as pessoas realmente saberiam quem eu sou. É só trocar o símbolo de infinito por um S normal. Vai ficar bem estiloso...

Como vão as coisas no Talon? Muito movimento? Acho que as pessoas vão gostar da reativação do cinema. Smallville vai deixar de ser tão chata para os mais jovens...

Tenho que ir, o sr. White passou por aqui e quase me arrancou a cabeça por não estar lá fora procurando notícias. Ultimamente é só o que eu faço. Procurando a mim mesmo nos céus, com a Lane no calcanhar. Super-Homem virou uma obsessão pra ela...

Muitos beijos, carinho e todo o meu amor...

C.K.

PS: Como vão Martha e Jonathan? Eles ainda continuam na comunidade...? Aquele estilo de vida paz e amor é um completo desperdício...


Diário de expedição do professor Rasputin Palmovitch

DIA 03

Chegamos a uma pequena aldeia nos arredores de Tunguska. Os moradores nos fazem relatos de acontecimentos "sobrenaturais" que permeiam a região e tentam nos dissuadir de continuar a expedição em direção à cratera. Tolos supersticiosos.

DIA 07

Por mais incrível que pareça, estamos demorando mais do que o planejado para atingir o centro da cratera por simples desorientação. Os equipamentos de navegação dos meus camaradas parecem ceder à calamidade natural do lugar, como se conspirassem com a natureza para nos manter longe. Assim que voltar a Moscou vou investigar esse estranho fenômeno.

DIA 15

Finalmente conseguimos! Agora podemos vislumbrar o centro da cratera e algo inimaginável se desfralda à nossa frente: Uma gigantesca nave espacial! Vamos nos aproximar mais e tentar descobrir se ela não é de nosso governo, ou se é mesmo um artefato alienígena. Inconcebível!

DIA 23

Desastre!! Metade da equipe foi morta por raios de fogo que partiram da nave. O restante está gravemente ferido e creio ser o único suficientemente são para sobreviver. Vou tentar entrar na espaçonave agora que ela parece inerte.

DIA 24

Depois de percorrer dezenas de corredores, cheguei ao que parece ser uma ponte de comando. Repleta de máquinas magníficas, mas irremediavelmente destruídas. Alguns sinais eletrônicos podem ser ouvidos, mas duvido que exista algo inteiro o suficiente para ser analisado.

ADENDO: Encontrei uma máquina fabulosa, ainda inteira. Tem o tamanho de um medalhão e deixou minha caneta do tamanho de um alfinete com um simples toque. Imagino as aplicações científicas dessa maravilha...


Memorando interno:

De: Chefe-em-comando da Base
General W. Eiling
Para: Encarregado da Artilharia
Comandante L. Patrick

Por meio deste memorando, informamos que o major Kyle Allan Jordan está sendo dispensado do serviço militar após o vergonhoso incidente perpetrado por sua imperícia. Após a presente data, todos os benefícios...


"Malditos." — pensa Kyle Allan Jordan, amassando o papel em suas mãos — "Aquele acidente não foi minha culpa! Aquele maldito Rodriguez me sabotou! Ele queria a verba do governo..."

O papel cai sobre o solo arenoso, Jordan observa as luzes ao longe. Ele olha as estrelas, um brilho verde se destaca ao lado da lua, mas ele não parece interessado. Ele olha para as próprias mãos, para o revólver em suas mãos.

"Do que adianta reclamar agora? Eu já tive minha honra jogada na lama... ninguém acredita em mim, nem minha família. Por mais que digam que estão ao meu lado..." — Jordan aponta o revólver para a própria cabeça — "Vou livrá-los de mais uma vergonha."

Ele se levanta e fica ereto, o deserto de Nevada à sua frente, as luzes de Las Vegas ao longe. Luzes. Uma luz esverdeada começa a tomar conta do ambiente. Kyle olha para o alto e vê uma bola de fogo verde caindo em sua direção. Ele corre e o estranho objeto cai exatamente no lugar em que ele estava, lançando terra para todos os lados.

— O que diabos é isso? — diz Jordan, se aproximando da irresistível luz esmeralda — Tem alguém aí?

A luz verde se dissipa na noite árida e Jordan fica chocado com o que vê. Um alienígena, humanóide, com a pele cor-de-rosa e usando um uniforme preto e verde, com uma insígnia que Kyle nunca tinha visto antes. Sangue azulado escorrendo pelo chão arenoso.

— Quem é você? Você está bem?

— < Eu sou... anel, traduzir... > (*). Meu nome é Abin Sur... urgh... sou o Lanterna Verde do Setor 2814... aahh!!!

— Calma, não se esforce muito...

— Não! Meu tempo está terminando... devo passar a tarefa a alguém de boa índole...

— Cara, você escolheu a pessoa errada. — diz Kyle espantado, se afastando do alienígena.

— Não, humano. O anel escolheu...

Miami — Flórida

O sol ilumina as maravilhosas praias de Miami, suas areias quentes e seu gélido mar. E os milhares de turistas. Crianças correm pela areia jogando bolas e discos umas para as outras, adolescentes tomam sol e conversam sobre futilidades, mães zelosas esfregam protetor em filhos inquietos enquanto seus maridos lêem o jornal debaixo do guarda-sol. Ou olham embasbacados para o mar...

Uma jovem de pele muito branca e cabelos muito negros caminha calmamente para fora do mar, trajando apenas uma toga de tecido branco, agora muito transparente. Ela passa pela larga faixa de areia, deixando diversos pescoços virados para trás, e coloca os pés sobre a calçada escaldante, sem nem ao menos emitir um suspiro de dor.

Com passos decididos, ela caminha pelas ruas da cidade, observando tudo a sua volta e sem prestar atenção às pessoas apontando-a pelo caminho, como se tentasse absorver o máximo de informação possível.

— Uau! Que maravilha de mulher, hein? — grita o operário de uma construção próxima.

A mulher olha para ele com seus olhos azuis penetrantes, fazendo o homem corar e se esconder. Ela continua seu passeio vagaroso até que se depara com um prédio completamente inusitado para ela, uma grande construção com linhas clássicas, um museu.

Com a mesma determinação com que saiu do mar, a mulher entra no museu e caminha pelos salões decorados. Ao final de um corredor, ela encontra uma porta destrancada e entra, dando de cara com uma mulher negra que termina de empacotar alguns pertences.

— Quem é você?

— < Você é dona deste lugar? > (**)

— < Você fala grego arcaico? Qual seu nome? >

— Maravilha... mulher... ?!

— Vídeo de registro número 158 do projeto "Barreira do Amanhã", dr. Bartholomew West Allen e equipe prontos para iniciar a fusão nuclear que ativa o motor do conversor de barreira. Se tudo ocorrer como esperado, romperemos a camada intermediária entre a terceira e quarta dimensão.

Barry Allen, homem alto, ruivo e de olhos azuis, fala diretamente com a pequena câmera digital que registra os acontecimentos em um grande laboratório. Mais uma meia dúzia de cientistas acompanha o doutor em seu experimento. Uma grande máquina, como um portal de aço reluzente, zune no fundo da sala. Allen se aproxima de um painel de controle na lateral e se vira para a câmera.

— Ao acionar estes controles, a energia de aceleração do modulador vai vibrar em freqüência com o próximo campo dimensional e atravessar a fina camada que nos separa dela, que nós carinhosamente chamamos de "força da aceleração" por suas propriedades únicas. Bem chega de falatório, vamos ao maior evento do século XXI.

Allen aciona os controles, mas algo inesperado acontece. O portal metálico começa a zunir mais alto e mais rápido, uma luz intensa invade a sala, deixando visível apenas o vulto das pessoas na sala.

KRAKOOM!!!!!!

— Oh, meu Deus! Alguma coisa aconteceu de errado! Os conversores dimensionais devem ter explodido! Eu não consigo enxergar direito, tudo está borrado como se andasse em câmera lenta. Meucorpoestáqueimandoeeunãoconsigorespirar...

Mansão Wayne — Noroeste de Gotham City

— Você vai me dizer que tudo sobre ele é completamente normal? Até isso? — diz uma voz jovem, de um homem recém saído da adolescência, ecoando dentro de uma caverna.

— Ora, meu jovem. — diz uma voz mais velha — Sob muitos aspectos nosso patrão é completamente normal. Mas é claro que quando se passa pelo que ele passou, não se pode ser muito... comum.

— Mas seqüestrar alguém e trazer pra uma caverna sabe-se lá onde, está muito fora dos padrões!

— Meu jovem, você concordou com isso desde o princípio. Você tem o mesmo senso de justiça de meu patrão... nosso patrão...

— Sei... me conta mais sobre esse grande acontecimento que fez ele ser assim.

— Certa noite, nestas ruas sombrias e agourentas, um jovem casal caminhava após uma sessão de cinema, o passatempo favorito de seu pequeno filho. A noite estava perfeita, mas um ladrão obviamente mal intencionado e provavelmente drogado, apareceu para estragar a diversão daquela noite. Com dois tiros, toda a felicidade daquele garoto foi tirada de seu pequeno ser e apenas um desejo de vingança furiosa ficou para completá-lo. Após anos treinando mente, corpo e espírito, ele estava pronto para cumprir a promessa que fez a si mesmo: combater o crime e o terror de uma cidade que nunca descansa. Mas seu próprio aprimoramento não era o suficiente, ele precisava de outros, guerreiros que lutassem sua guerra.

— Então é aí que eu entro...

— Exato, você e outros, como Oráculo, o misterioso colaborador virtual que, ao invés de contatado, encontrou nosso patrão.

— Será que vamos encontrá-lo pessoalmente algum dia? Será que eu vou realmente saber quem são vocês algum dia? — diz o jovem, encarando um vidro negro, através do qual ouve a voz mais velha.

— Bem, meu jovem, isso já é assunto para outras histórias...

Sob a superfície do Atlântico central — Dois meses depois

Crônicas de Atlântida, 6013 d.A. (***): Este é mais um dos momentos tristes a serem registrados nas crônicas de nossa tão magnífica nação. Dentro da casa real, o veneno do povo atlante se manifestou. Pois a grande honrada rainha Elana deu à luz os herdeiros do rei, um robusto e com os olhos e cabelos tão pretos quanto as profundezas oceânicas, e um loiro. Veneno. Maldição. Seus olhos são claros como as águas do mar, um presságio de forte liderança. Mas desde tempos imemoriais é preconizado que aqueles nascidos com os cabelos da cor do sol estão destinados a acabar com a sociedade atlante como ela existe...

A criança abençoada será chamada Orm, em homenagem ao primeiro de sua linhagem. Já o maldito será enviado a superfície, sem nome, sem esperança...


— Nesse ponto, as crônicas param de mencionar a criança. Ela deveria morrer asfixiada na superfície...

— E não morreu, certo?

— Não. A rainha Elana era justa e generosa, mas seu marido nunca foi o alvo de sua paixão. O mago real, Atlan, era o pai de seus filhos e de seus poderes eles herdaram a habilidade de respirar na água ou no ar.

Atlan deixou que a criança fosse condenada, sabendo que ela não morreria, e a recuperou da superfície, criando-a em segredo, treinando-a nas artes da magia e da guerra. Quando Orm tomou o poder, matando seu suposto pai e exilando Elana, Atlan decidiu que seria o momento de revelar o outro herdeiro.

— Orm planejava invadir a superfície e tomar controle do mundo. Tolo. Mas uma jovem vidente, futura esposa do rei, viu entre as brumas do futuro que o tridente de Poseidon seria fundamental para o novo governante.

No final, aquele com o coração justo e guerreiro foi o vencedor do embate. O rei tirano foi deposto, e o rei Orin, mesmo nome do primeiro da linhagem de Atlan, da casa de Art-Uriak, tornou-se o soberano de toda a Atlântida.

— Bela história. — diz a jovem rainha Mera, embalando um bebê, loiro como o pai — Espero que ele se orgulhe de você...

— Eu também... — diz o rei Orin, olhando para o rosto tranqüilo de seu herdeiro.

— Majestade! Majestade! — grita um homem idoso, vestido de maneira extravagante, correndo pelos corredores do salão real.

— Vulko, o que houve?

— Majestade, um objeto desconhecido foi detectado pelos sensores de fronteira. Ele está se aproximando da capital...

— Guarda! — grita o rei Orin para um jovem que permanecia ao lado do trono — Traga meu tridente e diga aos generais para armarem as defesas da amurada da cidade!


Continua...


:: Notas do Autor

(*) Traduzido da idioma-natal de Alfa de Centauro. voltar ao texto

(**) Traduzido do grego arcaico. voltar ao texto

(***) d.A. = depois do afundamento. voltar ao texto




 
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