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Ultimate Liga da Justiça # 03

Por Igor Appolinário

"Nenhuma batalha (...) desenrola-se como previram aqueles que armam os planos."
— "Guerra e Paz", Leon Tolstoi

Pedra Fundamental — Parte III
De Encontros

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Gateway City — costa oeste — EUA

— Com exclusividade da WGC, mostramos agora imagens ao vivo do local da queda do gigantesco meteoro que atingiu o Oceano Atlântico há poucas horas. Extraordinariamente, o fundo do oceano brilha intensamente, como se diversas explosões estivessem acontecendo...

— Hera!

— O que houve, Diana? — pergunta a professora Helena Sandopoulos, entrando na sala ao ouvir o grito de sua hóspede, a misteriosa jovem que saiu do mar — O que você está vendo aí? Eu já lhe disse que a televisão pode ser algo enganoso...

Helena olha para a tela do monitor de TV e fica espantada com as cenas do oceano.

— Themyscira! Perigo!!

— Calma, Diana. Você me disse que sua ilha fica longe desse lugar.

— Não, Themyscira!!!

A desesperada jovem de longos cabelos negros cacheados corre para a janela e se lança sobre o vazio. Helena corre atrás dela e pára no peitoral, observando a jovem voando contra o céu azul.

— Hum... eu ainda descubro como ela faz isso.

Escondida atrás de um batente, Cassandra, a filha adolescente da professora Sandopoulos, observa maravilhada a cena.

Fundo do Atlântico

O robô se levanta do fundo oceânico após ser derrubado pelos mísseis do anguloso submarino. (*) O piloto prepara mais torpedos e os dispara seguidamente contra a máquina, que resiste ao ataque e investe contra o submarino. O piloto tenta desviar, mas um dos tiros atinge-o em cheio, fazendo o submarino perder o controle e atingir o fundo oceânico.

— Calma, tovarisch. Eu vou ajudá-lo! Como não pensei nisso antes?! — grita Palmovitch, saindo de seu esconderijo e, acionando o controle em seu cinturão, cresce até atingir cerca de trinta metros de altura. Ele agarra o submarino e o robô e os lança para a superfície com um forte arremesso.

Superfície do Atlântico

Uma chama escarlate risca o oceano em grande velocidade, vindo do leste. Do oeste, um raio azul e vermelho cruza o ar. Os dois convergem para o mesmo ponto, onde explosões tornam o oceano claro como o sol.

Super-Homem perscruta a superfície do oceano com sua visão de raios-x, tentando encontrar a fonte dos clarões. De repente, um jato de água parte do mar logo abaixo e dois objetos metálicos são lançados para a superfície. O submarino anguloso sobe alguns metros e depois cai na água, flutuando. O robô também sobe vários metros, mas, quando a gravidade vence a força de Palmovitch, ele não cai novamente na água, flutuando alguns metros acima do mar. O raio vermelho chega ao campo de batalha e pára sobre o casco do submarino.

— Saia do casco agora! — grita a voz de dentro do submarino.

— Eu sou agente do serviço secreto britânico e vim investigar essa monstruosidade mecânica aí. E você? A que governo pertence esse submarino?

— Isso é propriedade particular. E não interessa de quem.

O robô gira sobre seus propulsores, vasculhando os horizontes como se procurasse algo. Ele se volta para o norte e aciona alguns foguetes. Como um raio, um vulto corta o ar e se choca com o robô, lançando-o para o alto. Super-Homem e o homem sobre o casco do submarino olham para a cena estupefatos: uma mulher divina acabara de lançar a máquina pelos os ares!

Orin e Palmovitch surgem na superfície marinha e vêem o robô em ascensão. Rei Orin ergue seu tridente e efetua um disparo contra a máquina, sendo seguido por Super-Homem e pelo homem do submarino.

O robô se despedaça, lançando diversas peças e pedaços sobre o oceano. Todos tentam se proteger da chuva sinistra, exceto Palmovitch, que olha intrigado para o horizonte norte.

Órbita de Saturno

Um raio verde cruza o espaço, seguindo em direção ao final do sistema solar. Kyle Jordan admira as estrelas, envolto pela aura do anel em sua mão. Ao dar a volta em uma das luas do planeta Saturno, Kyle se espanta com a visão a sua frente: centenas de naves alienígenas, de diversos tamanhos, avançando em direção ao sol.

Frota desconhecida, por favor identifiquem-se. — diz Kyle, usando o anel para enviar uma mensagem de rádio para a nave-comando — Aqui é o Lanterna Verde do Setor 2814. Por favor, identifiquem-se!

A frota alienígena continua sua vagarosa aproximação, não emitindo o mínimo sinal de resposta.

"Droga! E agora? Eu nunca tive que enfrentar uma frota alien antes..." — pensa Kyle. Ele começa a se aproximar da nave aparentemente mais importante, cercada de muitas outras naves menores. Quando se encontra a meio caminho dela, as naves menores se posicionam na frente e abrem diversos compartimentos, revelando uma pesada artilharia.

Parados! Eu sou o Lanterna Ver...

BOOMM!!

As naves disparam contra o homem, lançando-o longe, em crescente velocidade e em direção à Terra.

Atlântico central

Super-Homem e Palmovitch reúnem algumas peças do robô sobre o casco do submarino. O seu ocupante misterioso sai por uma escotilha. Ele traja uma roupa de tecido grosso e negro, que cobre seu corpo do pescoço para baixo, e um tipo de máscara com olhos verdes e antenas laterais. Em seu peito uma marca, com a forma de um morcego cinza, chama a atenção de todos.

— O que pretendem com essas peças? — diz o homem misterioso, caminhando pelo casco.

— Olá, tovarisch! Eu e nosso amigo superpoderoso aqui estamos atrás de pistas. Pode me chamar de Átomo. E você, como se chama?

— Eu sou Batman. Quem é o maluco na água? — Batman aponta para Orin, que com o seu tridente vaporiza os poluentes espalhados pelo robô sobre o mar.

— Ele não é de falar muito. — diz Super-Homem — Como não quis dizer seu nome, o apelidamos de "Aquaman", por motivos óbvios.

— Onde estão os outros dois?

— Acho que estão do outro lado, conversando...

A mulher divina e o corredor estão sentados no casco. Ela está quieta, tímida. Ele fala sem parar.

— ...e aí, "boom"! O experimento voou pelos ares e aqui estou eu, o Flash! Em todos os testes eu já consegui ultrapassar a velocidade do som, minha próxima meta é a velocidade da luz. E você? De onde vem?

— < Eu não consigo te entender, estranho. Você fala mais rápido do que o normal! > (**)

— OK, eu não entendi nada do que você disse... quer saber como o serviço secreto me contratou?

Batman, Super-Homem e Átomo observam os estranhos caracteres impressos nas peças do robô. Nenhum deles consegue identificar a linguagem.

— Isso com certeza não é um idioma humano. — diz Átomo.

— A língua me parece conhecida, mas nada faz sentido... — diz Super-Homem, pensativo.

— Vocês não entendem o que está escrito aqui? — diz Batman, perplexo — Está claro. "Perfuratriz padrão sub-crostal. Termo-resistente...". Há outra palavra nesta peça, parece um nome "Daxam"...

— Isso é incrível! — diz Palmovitch, entusiasmado — Como você compreende essa língua?

— Eu não faço idéia...

— Intrigante. É mais interessante ainda saber que este objeto é uma perfuratriz. Isso explica muita coisa.

— Explica o quê? — indaga Super-Homem.

— Ora, meu caro, você ficar mais atento aos detalhes. Esta máquina estava caminhando em linha reta no fundo oceânico, sem se importar com falhas no solo e obstáculos. Pelo que nosso amigo Aquaman me relatou, direto para a Atlântida. Quando foi desviado de seu caminho, o robô pareceu procurar algo e voltou-se para o norte. Creio que seguiria nesta direção, caso nossa amiga helena não houvesse aparecido.

— E se conclui que...? — pergunta Batman, nervoso.

— Ora, meu camarada apressado. Resumindo meu caminho de pensamento, este espécime metálico estava seguindo os campos magnéticos da Terra...

— Ele seguia as Linhas de Ley.

Os três sobre o casco do submarino se viram para a água e encaram o dono da voz com forte sotaque. Orin, com a barba e os cabelos loiros compridos molhados, sobe lentamente no casco.

— Eu sinto a magia, o tridente me dá esse poder. Atlântida é o ponto de cruzamento das lendárias Linhas de Ley.

— Os chamados "caminhos da magia". Teoria muito interessante, mas cientificamente improvável. Continuo com as linhas magnéticas, é muito mais confiável.

— Descrente. Mas é um direito seu. Sua terra, suas leis. O que vamos fazer com todos esse pedaços de metal? Não parecem com nada já visto na Terra, podem contaminar o ambiente.

— Para quem não dizia nada a um minuto atrás, até que você é bem comunicativo. O que estava fazendo na água, homem-peixe? — diz Super-Homem, encarando o estranho.

— Tirando os poluentes, para não matar a vida marinha. O mar é minha primeira e única preocupação.

— Pois você está nesse barco agora e tem que se preocupar com o que... argh!!

Super-Homem se abaixa, apertando a cabeça. Ele grita e joga a cabeça para o alto, abrindo os olhos. Um raio esverdeado cruza o céu. Super-Homem dispara em direção ao raio. A muitos quilômetros do chão, Clark ampara um homem envolto por uma aura verde, muito ferido. Ele desce lentamente e o deita sob o casco do submarino.

— Muitos... temos que nos defender... — murmura o Lanterna Verde, semiconsciente.

Espaço

Um homem, usando uma extravagante vestimenta, atravessa um grande corredor metálico. Ao passar por uma ampla janela, vemos o gigante planeta Júpiter e suas diversas luas. O homem entra em um salão, com a maioria de suas paredes tomadas por janelas imensas, onde diversos homens aguardam em torno de uma mesa redonda.

— General Valor, por que fomos chamados à sua nave? — diz um senhor, igualmente trajado e irritado.

— Comandante Garous, — diz o general, sentando na maior cadeira da mesa — Ix-9 é a nave comando desta Armada. E, pelo Imperador de Daxam, eu fui nomeado o líder desta missão. Portanto, faça o que mando, sem questionamento.

— Pois diga logo o motivo desse chamado. O conselho de guerra está todo aqui. — diz outro conselheiro.

— Eu decidi revelar nossa presença aos terráqueos. Permanecemos ocultos até o momento, mas temos que agir.

— Mas por que apressar um plano bem traçado, general?

— Nosso encontro com o Lanterna Verde do setor foi um infortúnio. Logo darão pela falta dele.

— Mas eles são primitivos! — grita Garous — Não possuem tecnologia para singrar o espaço. Podemos terminar nossas pesquisas da atmosfera e nutrientes com calma.

— Não há tempo, as sondas preliminares falharam. Existem superseres naquele planeta. Temos que dar o primeiro golpe.

— Mas general...!

— Sem "mas". Ativem o computador central e levem a armada direto para a órbita terrestre.


Continua...


:: Notas do Autor

(*) Na edição anterior. voltar ao texto

(**) Traduzido do grego arcaico. voltar ao texto




 
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