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Ultimate Liga da Justiça # 05

Por Igor Appolinário

"Toda guerra é ganha pelos generais e perdida pelos soldados."
— "O Avesso das Coisas", Drummond

Pedra Fundamental — Parte V
De Conflitos

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Área 51 — Nevada — EUA

Super-Homem e Batman assistem a armada daxamita deixar a órbita de Marte e se aproximar mais e mais da Terra.

— Temos que fazer alguma coisa, Bruce.

— Não me chame assim... mas concordo com você. Você poderia entrar em contato com eles?

— Posso tentar, mas...

Parados!!!

Batman e Super-Homem se viram e vêem dezenas de soldados apontando suas metralhadoras para eles. Batman mexe em seu cinto, mas Kal faz um sinal para que ele fique quieto.

— Soldados, acalmem-se. Nós estamos aqui por causa de uma invasão alienígena, olhem os monitores.

— Acha que só por que estamos na Área 51, vamos acreditar nisso? — diz um dos homens, aparentemente o comandante — Aquilo pode ser o resto da sua família, pelo que eu saiba.

— Não, isso é sério! Eles são hostis, atacaram um de nós e vêm diretamente pra cá!

— Calado, alien...

...KZZZT... unidade 7, responda... KZZT... aconteceu algo terrível... a ONU foi destruída... uma nave alien caiu... todos mortos... (*)

— O quê?! — dizem todos na sala ao mesmo tempo.

— Droga! Eu tenho que ir!

Super-Homem vai embora, perfurando o teto do galpão. Batman olha para os soldados desorientados pela notícia através de seus óculos de visão noturna. Sua roupa hi-tech de tecido negro opaco se contrai acima dos músculos, o morcego cinza estilizado no peito cresce e como uma sombra viva, ele age. Minutos depois, Batman caminha para fora da Área 51 e entra em seu carro, um jipe negro super-equipado.

Interlúdio

— A todos que estiverem ouvindo, aqui é Batman. É chegada a hora do encontro. Recolham todas as pistas que tiverem e tragam ao depósito 53 do porto de Nova York, algo terrível aconteceu e devemos agir...

Casa Branca — Washington, D.C.

— Senhoras e senhores... — inicia o discurso o presidente dos EUA, olhando sombriamente para uma tela de cristal líquido. Nela reproduzem-se os rostos de velhos e novos líderes mundiais, recém empossados após a tragédia na ONU — ...o momento é de grande preocupação. Muitos de vocês acabaram de subir ao trono do poder de seus lares e têm muito com o que lidar em suas próprias terras. Mas o assunto em pauta no momento é realmente importante, pois o destino do mundo livre depende dele. Hoje sofremos um ataque. Não apenas um ataque às terras americanas, mas um ataque ao livre-arbítrio e à liberdade. Um ataque a todos nós como raça humana. Centros de pesquisa em nosso território ainda estão apurando os dados conseguidos, mas informações preliminares nos dizem que uma nave alienígena atingiu o prédio da ONU exatamente às 20:00 de hoje, matando grande parte dos líderes mundiais e o secretário-geral da ONU, o excelentíssimo Kofi Annan. O que venho lhes pedir hoje, senhoras e senhores, não é apenas suas condolências, nem lhes oferecer as minhas, pois os mortos devem ser chorados após a guerra. É isso que lhes digo, líderes do mundo, estamos em guerra...

— Mas isso non serr possible! — diz uma mulher exasperada — O senhorr iniciarrá una guerre contra quem? Escombrros de una suposta nave espacial?

— Sinto lhe informar, madame LePierre, — diz o presidente estadunidense, virando-se levemente — mas uma grande frota de naves alienígenas está se aproximando da Terra, neste exato momento.

— Mesmo tal informação sendo duvidosa, — diz uma senhora de cabelos grisalhos — a ilha e toda a comunidade estarão inteiramente ao seu dispor, nobre plebeu.

— Também estarr ao seu lada, mein freund! Elas terrão que pagarr por isso, mein Gott!

Um a um, líderes de diversos países, muito diferentes entre si, seja em etnia ou posição política, unem-se aos outros para contra-atacarem uma ameaça que paira sobre a cabeça de todos.

— Meus amigos, irmãos. — recomeça o presidente estadunidense — Nosso contra-ataque deve ser direto, decisivo. Não sabemos o que estes homens do espaço podem fazer e o poderio que detêm, por isso proponho que lancemos ataque com nossas armas mais potentes, mas mortíferas e certeiras. Apenas um ataque nuclear maciço pode impedir que estes monstros cheguem mais perto.

— Apoiado!! Apoiado!! Apoiado!! Apoiado!! Apoiado!! — gritam dezenas de vozes em uníssono. Algo terrível começava naquele instante. Mas nada poderia dizer para que lado...

Escombros do prédio da Organização das Nações Unidas — Nova York — NY

— ... mesmo depois de minutos do ataque, os escombros da ONU fumegam e liberam um calor inacreditável. — diz uma repórter para sua câmera, com o prédio destruído ao fundo — Nada humano poderia entrar lá, nada vivo poderia se manter naquele lugar. Após a morte de alguns bombeiros, a polícia e a defesa civil impediram que qualquer pessoa se aproximasse do local.

— Olhem lá! Olhem!!

As pessoas da multidão que cercam o prédio destroçado começam a gritar e apontar para o céu. Um raio azul e vermelho cruza Nova York e cai no meio dos escombros, levantando uma grande nuvem de poeira.

— É inacreditável! — grita a repórter — Um raio colorido caiu nos destroços da ONU e levantou uma nuvem que impede que vejamos o que está acontecendo lá dentro...

Super-Homem escava os destroços, enfurecido. Ele usa todos os seus poderes nos restos da estrutura, vendo através dos metais, derrubando paredes ainda intactas, derretendo barreiras, procurando sobreviventes. Ele vasculha o ponto zero do impacto e algo faz ele estancar, incrédulo.

— Malditos! — grita Kal, segurando um pedaço da nave daxamita.

Kal-El olha para o espaço. Seus olhos brilhando como brasas, suas mãos esmagando o pedaço de metal. Ele levanta vôo, tão rápido e com tanta fúria, que dezenas de destroços levantam-se do solo, no seu vácuo.

Depósito 53 — Nova York

Em um armazém vazio e sem iluminação, Batman aguarda os heróis que enfrentaram o robô daxamita. Pouco a pouco, Lanterna Verde, Diana, Átomo e Flash chegam ao local.

— Onde está Aquaman? — diz a voz grave de Batman entre as sombras — Eu disse para todos virem.

— Sinto que "sua majestade" não quer nada conosco. Não enquanto seu reino continuar intacto no fundo do mar. — diz Lanterna Verde, com um certo asco na voz.

— Mas em breve nem os mares poderão ser um refúgio. — diz Palmovitch.

— Eu sei... — diz Orin, abrindo as portas do armazém — ... por isso estou aqui.

— Por que mudou de decisão? — diz Jordan, intrigado.

— Acho que um "passarinho verde" me disse o que eu precisava ouvir. Mas não se enganem, eu sou um rei e estou aqui por meu povo.

— Bem. — continua Batman — Já que estão todos aqui, vamos nos atualizar com os fatos. A ONU foi atacada por uma nave alienígena, aparentemente todos no prédio morreram. Super-Homem foi checar os destroços, mas não temos esperanças...

— Por Hera... — diz Diana, entendendo parte da notícia — Mortos...?

— Sim. E mais, uma grande frota alienígena está vindo em nossa direção...

— É verdade. — diz o Lanterna — Eu fui atacado por eles! Muitas naves, navetas e cargueiros. Eles querem nos atacar, mas pretendem levar alguma coisa de nós...

— Aquela perfuratriz — diz Flash — era feita de uma liga metálica desconhecida e muito resistente contra ataques energéticos. Mas, como provamos naquela batalha, ela é frágil contra tensão mecânica...

— Não se esqueça, tovarisch, que aquele metal é incrivelmente termorresistente. Creio que eles pretendiam atingir o magma subcrostal.

— Mas... o que... faremos agora? — pergunta Diana, ainda pouco acostumada com as palavras.

— Por isso eu os reuni aqui. Tenho um plano...

Bangladesh — sul da Ásia

— < Mamãe, olhe! No céu, a carruagem de Alá!! > (**)

— < Criança tola, não blasfeme! Não há nada no céu... >

A mulher perde a fala ao olhar para o alto. Assim como milhares de pessoas, que também contemplam o firmamento. A armada daxamita surge por entre as nuvens, mesmo estando distantes na exosfera, aterrorizando todas as nações do mundo.

Em outros lugares do mundo, líderes militares lançam seus ataques, desesperados com a superioridade alienígena.

— Ataquem!!! Disparem todos os mísseis!!

Exosfera — órbita terrestre

Super-Homem voa em grande velocidade e atinge a exosfera. Ele se depara com a armada e fica estarrecido, esquecendo momentaneamente seu ódio. Sem que ele perceba, milhares de mísseis também atravessam a atmosfera e partem para cima da armada. No último segundo, Super-Homem percebe os mísseis e se protegem, esperando a grande explosão.

Segundos de espera, o frio do espaço atingindo o corpo de Kal. Muito frio. Frio demais. Super-Homem olha para a armada e fica chocado. Assim como dezenas de líderes mundiais ao observarem as imagens de satélite: a armada impassível, com os mísseis nucleares flutuando intactos em suas órbitas, presos em um escudo energético.

Lenta e inexoravelmente, grande naves cilíndricas se aproximam da atmosfera, o máximo que seus motores podem agüentar contra a gravidade do planeta. Vários compartimentos se abrem e dezenas de projéteis são lançados contra a Terra. Eles atingem os mares e oceanos e se revelam como robôs-perfuratrizes, que começam a perfurar a crosta terrestre.

Bestificado, Super-Homem retorna sua atenção para a armada, seu ódio renasce ainda mais forte. Ele se prepara para atacar a mais imponente das naves, Ix-9, porém diversas navetas se separam do grupo e partem para cima de Kal-El.

Ix-9 — nave-comando da armada daxamita

O silêncio é quase permanente em Ix-9, principalmente nesta sala. O "bip" acelerado das máquinas é de um ritmo constante e tedioso, para ele quase uma sinfonia. Porém hoje é diferente, algo permeia o ar, ele pode sentir, ele sempre pode.

Ele abre seus olhos, duas brasas vermelhas iluminam o ambiente. As luzes piscam e se tornam incrivelmente claras.


Continua.


:: Notas do Autor

(*) Na edição anterior. voltar ao texto

(**) Traduzido do bengali. voltar ao texto




 
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