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Ultimate Liga da Justiça # 10

Por Igor Appolinário

— Irmão, já foi descoberto o paradeiro do nosso guerreiro perdido?

— Abin Sur não dá sinal de vida há muito tempo, irmão. Devemos enviar nossa força-tarefa para o setor 2814?

— Pois então que os Caçadores encontrem o anel do Lanterna Verde.

Caçada Estelar — Parte I
Prelúdio para uma Caçada

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Memorial da ONU — Nova York

— Onde vamos montar essa base, então? — pergunta Lanterna Verde, ao terminar de criar cadeiras para todos os integrantes da nova equipe da Terra, a Liga da Justiça — Nenhum país nos aceitaria, vocês viram o que andam dizendo de nós nos jornais.

— "Heróis ou ameaças?", "Será que a 'Liga' veio mesmo nos salvar?" — repete a Mulher-Maravilha, automaticamente.

— Exatamente. — diz Batman, surgindo de trás de uma árvore — Não deveríamos expor o local de nossa base. Ela deve ficar aqui, nos Estados Unidos, onde teremos fácil acesso, por meios secretos, é claro.

— Eu não concordo. — rebate Super-Homem — Nós devemos conquistar a simpatia da população, e por isso nossa base deve ser de fácil acesso, sim, mas que a população possa vir a nós. Nova York é uma boa opção.

— Mas por que só os EUA são uma opção viável, tovarisch? — questiona Palmovitch — Uma base instalada no mar Cáspio seria um local de fácil acesso e ainda sim protegido.

— No Leste? — indaga Flash — Por que não no Reino Unido então?

Os heróis começam a discutir ferrenhamente sobre o local de instalação da base de operações da Liga. Aquaman está calado em sua cadeira, um trono esverdeado comicamente decorado pelo Lanterna. Após alguns minutos de discussão, ele se levanta e dispara um poderoso raio de seu tridente para o alto, iluminando o parque onde eles estão. Todos se calam e observam o monarca atlante.

— Omolu.

— O quê? Isso é algum tipo de xingamento na sua língua? — diz Flash, ofendido.

— Não. Omolu é a ilha onde estão os destroços daxamitas (*), próximo a Poseidônis e um território internacional no meio do Oceano Atlântico sul.

— Humm, aqueles que estão de acordo levantem as mãos. — diz Batman, levantando a mão.

Porto de Nova York — horas depois

— Você foi muito diplomático... Orin. — diz Diana, a Mulher-Maravilha, observando os navios no porto.

— E você fala o idioma deles cada vez melhor... Diana. Eu vi você no Congresso, muito bonito o uniforme, mas meio... americano.

— Bem, foi essa a idéia. Eu preciso que as pessoas confiem em mim, para a mensagem que eu trago ao mundo monoteísta seja aceita, ou pelo menos ouvida.

— Que missão é essa que a arrastou para fora de sua ilha? Você era uma pessoa importante lá?

— Eu sou a princesa de Themyscira, a Ilha Paraíso, mas minha missão só pode ser revelada no momento oportuno. Em primeiro lugar, devo fazer com que as pessoas voltem a crer nos deuses olímpicos.

— Você vai ter muito trabalho, princesa. Isso será mais difícil do que governar os sete mares. Poseidônis é um caldeirão, pronto para explodir.

— Seu reino deve ser magnífico, Orin. É tão avançado quanto o mundo monoteísta?

— Mais! Temos as mais avançadas tecnologias do planeta, máquinas gigantescas que não poluem os mares, cidades iluminadas pelo calor do subsolo...

— O relato do seu lar me faz ter saudades da minha ilha, minhas irmãs, minha mãe... mas logo minha missão estará completa e nada me impedirá de voltar pra casa.

— Seja lá qual for sua missão...

Caverna do Morcego — Gotham City

Clark Kent, o Super-Homem, usando suas roupas civis, caminha entre os diversos apetrechos e máquinas da caverna e pára ao avistar o computador.

— Você tem gasto bem a fortuna de seus pais, Bruce.

— Eu posso processá-lo por invasão de propriedade... Clark.

— Primeiro você vai ter que explicar a "propriedade" para as autoridades.

Batman se levanta da grande poltrona em frente ao computador e desce as escadas do patamar. O morcego cinza estilizado em seu peito é a única parte visível no escuro da caverna. Ele desce, ficando frente a frente com Super-Homem. As lentes verdes de seus óculos infravermelhos, refletindo os olhos azuis de Clark.

— O que você quer aqui?

— Eu vim falar com você, sobre suas atitudes.

— Vai dar uma de 'Mãe Kent' comigo? Nem sua mãe é assim...

— É exatamente isso que me irrita! Você não se importa com nada, nem ninguém! O que foi aquilo no parque da ONU? Você minou minha autoridade na frente de todos, tomando conta da reunião!

— Sua autoridade? Quem o nomeou líder da Liga da Justiça, ser superior? Eu não deveria ter concordado em entrar nessa equipe, você deixa tudo mais difícil...

— Eu achei que tinha ficado claro que eu estava no comando. E você deixa tudo mais difícil!

— Cuidado, Kal-El, essa mania de se achar um ser superior a todos os humanos é exatamente o que seu pai, digo, o verdadeiro, quer que você seja.

— Eu não sou Jor-El!

— Então pare de querer controlar o mundo!!

Os olhos de Clark brilham intensamente e ele parte da caverna em supervelocidade. Bruce tira os óculos infravermelhos e esfrega os olhos, suspirando, e volta ao computador.

British Museum — Londres

Dentro do departamento de antigüidades orientais, o professor Rasputin Palmovitch e o doutor Bartholomew West Allen passeiam entre as coleções de arte e arqueologia oriental e islâmica. Eles passam pelas cerâmicas chinesas e se detêm um minuto, conversando.

— B313 é muito provavelmente só mais um dos corpos do cinturão de Kuiper, professor. Não acredito que seja um novo planeta.

— Mas Sedna também pode ser um desses corpos, e já é considerado um planeta.

— Bem, um dia vamos pedir uma carona até lá e descobrir, Rasputin.

— Ha, ha, ha! Você é hilário, Barry. Como você pode passar de um discurso sério a uma piada tão rápido!?

— Uma das qualidades do Flash. É bom que possamos revelar nossas identidades, pelo menos entre nós. Nossos "segredos" estão bem acima de nós, não é?

— Pois é, nossos governos controlam grande parte do que somos, isso não é muito bom.

— Concordo, amigo, mas e quanto aos nossos colegas? O que acha deles?

— Bem, a bela Diana é uma incógnita, não sabemos bem de onde vem, nem o que pretende. J'onn é um ser intrigante e com uma história de vida muito triste, seus poderes são magníficos. O rei Orin é um soberano nato e sabe ser diplomático quando preciso e guerreiro quando necessário. Já os "americanos"...

— Entendo bem o que quer dizer. Super-Homem e Lanterna Verde são autoritários e prepotentes, Batman é soturno e controlador. São as facetas do espectro americano.

— Sim, mas ainda sim acho que pelo menos um deles tem salvação. O Lanterna Verde é um gênio, um artista. É uma potência esperando pra ser descoberta...

Mare Imbrium — Lua

J'onn J'onzz e Lanterna Verde estão sentados no alto de uma grande depressão lunar, observando a Terra se erguer no horizonte.

"Devo dizer que seu planeta é muito bonito. Já passei algum tempo observando-o daqui, antes. Agora que conheço seu povo, devo dizer que vocês são interessantíssimos. Tão diversos, tantos traumas e alegrias. Marte não era assim." — diz J'onn, telepaticamente, ao seu companheiro.

"Você tem passeado muito, pelo que eu vejo." — diz Jordan, através da conexão do anel.

"Tenho me disfarçado como vocês. Em diferentes países, diferentes raças. Feito o bem, quando pude."

"É bom poder se acostumar com as novidades da vida." — diz Jordan, olhando seu anel — "Essa é uma novidade e tanto. Não sei exatamente de onde o anel veio, mas um alienígena chamado Abin Sur o entregou para mim antes de morrer, e disse fazer parte de uma equipe chamada Tropa dos Lanternas Verdes. Eu gostaria de encontrá-los, mas não sei por onde começar a procurar..."

"Quando Marte ainda era um local pacífico, eu conheci um Lanterna Verde. Não era o ser chamado Abin Sur, mas ele me disse que a Tropa foi criada por seres primordiais conhecidos como Guardiões do Universo, e que foram definidos setores espaciais em que cada Lanterna deveria patrulhar. Antes deles, seres do próprio setor que defendiam, os Guardiões usavam robôs patrulheiros, creio que se chamavam Caçadores..."

Bip-bip! Bip-bip! Bip-bip!

— Bom, parece que vamos ter que falar disso depois, temos trabalho a fazer...

Cingapura

— Lanterna, tire as pessoas do segundo andar, eu vou para a cobertura.

Super-Homem sobrevoa o prédio em chamas, as pessoas presas gritam desesperadamente. Ele pode ouvir os gritos, contar os sobreviventes pelo bater de seus corações. Lanterna Verde cria um grande escorregador em uma das janelas do segundo andar e entra no prédio, protegido pela aura do anel. Do lado de fora, mães, pais, parentes gritam e choram por seus entes queridos fadados a morrer. Mas a Liga luta para garantir que nada de mal aconteça. Caçador de Marte e Aquaman escavam o leito de um rio para desviar suas águas. J'onn usa seus poderes transmorfos para cavar o novo leito, enquanto Orin mergulha nas águas, fazendo os peixes se afastarem e usando o tridente para abrir caminho no solo. Quando o rio começa a correr mais próximo ao prédio incendiado, Aquaman surge de dentro das águas e aponta seu tridente para o prédio, fazendo a água partir do rio em uma curva espiral e apagar lentamente as chamas.

— Super-Homem, cuidado! — grita Lanterna Verde, protegendo as pessoas próximas dos destroços.

Super-Homem voa para longe do prédio quando o telhado cai sob o peso da água, carregando para longe várias pessoas. Porém, logo abaixo do prédio, protegidos sob os escudos esmeraldas do Lanterna Verde, pessoas gritam, apontando algum dos andares mais altos.

— < As crianças! Elas ainda estão lá dentro!!! > (**)

"Eu vou!" — diz J'onn, telepaticamente, voando do leito do rio para dentro do prédio, uma expressão de dor em seu rosto.

— Ele voa? — pergunta Aquaman, saindo da água, perto do Lanterna Verde.

Mas Jordan não responde, tanto ele quanto as pessoas em volta não desgrudam os olhos do prédio, que brilha em brasa. Segundos de espera depois, J'onn cai para fora do prédio, protegendo com seu corpo as crianças.

Super-Homem, Aquaman e Lanterna Verde correm para o lado do companheiro e, após afastar as crianças, percebem que seu corpo está todo marcado com queimaduras estranhas, como se a carne não estivesse queimada, mas sim degradada.

— O que houve com você, J'onn? — pergunta Jordan.

— Fogo... me tirem de perto do fogo! Ele destrói meu corpo, me afeta... muito mais do que a vocês... — diz o marciano, desmaiando nos braços do Lanterna Verde.

Espaço sideral

...busca no setor 2813 terminada: Nada encontrado. Iniciando busca no setor 2814...

— O setor do Lanterna Verde Abin Sur...

— O anel deve estar lá. Deixe os computadores terminarem a busca.

Dois seres observam os monitores do grande sistema de busca da nave espacial. Enquanto eles cruzam o espaço, os computadores vasculham os setores por onde passam, em busca do anel perdido. Subitamente, um planeta surge na tela e a voz metálica dos computadores diz:

Busca completa: Anel encontrado. Planeta: Terra.


Continua!


:: Notas do Autor

(*) Veja a guerra daxamita no arco "Pedra Fundamental" (Ultimate LJA # 01 a # 09). voltar ao texto

(**) Traduzido do tamil. voltar ao texto




 
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