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Ultimate Liga da Justiça # 14

Por Igor Appolinário

Caçada Estelar — Parte V
Lar, Feroz Lar

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Sala da guarda — Oa

— < ...repito. Reunião urgente do efetivo. > (*)

O capitão da Tropa dos Lanternas Verdes observa repetidamente o comunicado da Lanterna do setor 1037. Ele sabe que não deveria ter recomendado Boodika ao cargo de tenente, ela era inteligente demais.

Um silvo iônico percorre a sala da guarda e o capitão sabe muito bem do que se trata. Ele se levanta de sua poltrona, que flutua levemente por cima de uma grande mesa redonda com 3600 lugares, e vai até a área de desembarque. Um a um, dezenas de Lanternas Verdes chegam à sala da guarda, vindos dos mais distintos e distantes pontos do Universo.

— Capitão, que mensagem maluca era aquela? Boodika enlouqueceu? — pergunta um grande ser polvóide, sendo secundado por um humanóide repleto de escamas alaranjadas.

— Ela está fora de si! Ela está, de alguma maneira, duvidando das ordens dos Guardiões!

— Eu sei, meus caros. Boodika foi influenciada pelo ladrão do anel de Abin Sur. — diz ele, caminhando para eles lentamente, as mãos ocultas atrás das costas — Eu sei como resolver esse dilema...

A nave-guarda número 258 se aproxima do centro do Universo. Os integrantes da Liga da Justiça, confinados no interior da nave, olham abismados para a região: uma zona escura em meio a um entorno estrelado. No centro o vazio, preenchido apenas por um pequeno planeta rochoso, de solo arenoso levemente esverdeado: Oa, o centro do Universo, no setor zero.

A nave desce no planetóide com um estrondo seco. Os sistemas se desligam e as comportas se abrem, deixando entrar uma lufada de ar frio, rarefeito em oxigênio, mas relativamente satisfatório.

— Cuidado. — diz Batman, ao descer os primeiros degraus da escada para o lado de fora — O planeta parece deserto, mas temos que ficar alertas para possíveis armadilhas.

— Os sistemas da nave não indicam nenhuma ação ostensiva. — diz Átomo, descendo logo atrás.

— O anel também não indica nada de estranho, Batman.

— Eu não sei. — diz Super-Homem, olhando para o céu reticulado — Meus sentidos estão captando alguma coisa fora dos padrões normais, não sei se é só a geografia alienígena ou algo mais...

KRAKOMM!!!

Uma grande explosão chacoalha a terra sob os pés da Liga. O solo arenoso desprende uma poeira esverdeada, que ao baixar, revela um grande exército de robôs Caçadores saindo de uma enorme escotilha, até então escondida, marchando contra o heróis.

— Liga, dividir!!! — grita Batman, correndo para oeste — Mulher-Maravilha e Flash, comigo!

Diana e o velocista correm para próximo de Batman. Super-Homem, Caçador Marciano e Lanterna Verde se chocam diretamente com a onda de Caçadores. Átomo e Aquaman correm de volta para a nave e utilizam os sistemas de armas contra os robôs.

Das janelas esverdeadas do grande palácio esmeralda, a base da Tropa dos Lanternas Verdes, um vulto observa a planície logo a frente. A visão da nave-guarda extraviada cercada pelos Caçadores e os sons de batalha preenchem seus pensamentos.

— Temos que chegar até aquele castelo. — grita Batman, em meio aos estrondos, apontando para o palácio — Lá provavelmente estão os comandos desses robôs...

— Mas como vamos chegar lá? — diz Mulher-Maravilha, defletindo um raio de energia em seus braceletes.

— Podemos aproveitar a distração que os pesos-pesados estão providenciando e nos esgueirar até lá. — raciocina Flash — Não seria difícil, mas teríamos que abandoná-los no meio da batalha...

Batman observa o conflito próximo e vê Super-Homem derrubando algumas unidades dos Caçadores com um poderoso supersopro. Caçador Marciano transmuta sua forma e com garras finas e afiadas começa a fatiar os robôs próximos. A nave-guarda dispara rajadas energéticas contra uma parede de inimigos enquanto é protegida pelo Lanterna Verde.

— Lanterna Verde, — diz Batman pelo comunicador — reative as defesas automáticas da nave e nos acompanhe até a construção no fim da planície.

O pequeno grupo de Liga se afasta da batalha e segue para o palácio. Logo depois, Lanterna Verde surge atrás deles, protegido por sua aura esmeralda.

— Onde vocês estão indo? Aqueles robôs estão atacando com tudo!

— Acalme-se, Lanterna. Vamos atrás de quem está controlando tudo isso...

BOOM! BOOM! BOOM!

Ecos ensurdecedores retumbam por um grande salão dentro do palácio esmeralda. Uma porta chacoalha fortemente, cada vez mais intensamente a cada batida, até ser finalmente arrancada do batente. No lugar da grande porta, no arco de entrada do saguão do palácio, um aríete esmeralda se desfaz lentamente, enquanto Lanterna Verde, Mulher-Maravilha, Flash e Batman entram.

— Uau! — exclama Flash, observando a opulência da decoração — Meio monocromático, mas realmente fantástico.

Ao chegar no meio do grande salão, o grupo é surpreendido por um barulho. De repente, todas as portas do salão se fecham rapidamente e mesmo a saída arrombada é selada por um lacre verde.

— Vocês não passarão dessa sala! — diz um Lanterna Verde rosado e de forma globóide, que surge no salão, sua voz soando automática, quase artificial.

Em um instante, todo o grupo é cercado por cerca de uma dezena de Lanternas Verdes de diversas raças intergalácticas. Batman acena para os seus companheiros, que se dispersam.

Mulher-Maravilha e Lanterna Verde partem para cima do grupo inimigo, derrubando os mais próximos e enfrentando as criações esmeraldas que os atacam. Flash usa sua supervelocidade para desviar de raios de energia disparados por um pequeno grupo de três Lanternas, enquanto Batman se defende como pode com seus apetrechos.

Ficando mais distante do confronto principal, Batman consegue se aproximar de uma grande porta no final do salão que chama sua atenção pela imponência e pelos entalhes cuidadosos. Ele derruba um dos Lanternas, que está parado próximo ao local, usando uma granada de concussão e se aproxima da porta. Encostando o ouvido sobre ela, Batman escuta um leve murmurar, mas nenhum tipo de alarme quanto ao confronto no sala anterior. Ele arma um dispositivo contra a porta e se afasta, retornando ao confronto.

Lanterna Verde usa ao máximo os poderes de seu anel, tentando ao mesmo tempo proteger seus colegas e submeter os Lanternas que os atacam vigorosamente. Batman retorna ao seu campo visual e faz um sinal para que ele se aproxime. Após receber algumas instruções, Jordan cria uma grande parede entre os colegas e os Lanternas. Os atacantes ficam confusos com a tática, mas começam a criar armas de perfuração e outros métodos para atravessar a barreira, quando são surpreendidos por um clarão cegante.

Aproveitando a distração concebida por Batman, Kyle atravessa o salão e se aproxima da porta, agora com um grande rombo provido pela bomba plantada anteriormente e disparada ao mesmo tempo que a granada de luz. Ele penetra a grande câmara e se depara com uma cena incrível: uma grande anfiteatro esmeralda com centenas de lugares ocupados por silenciosos seres de pele azulada e cabelos brancos, todos aparentemente alheios à entrada de Jordan pela porta principal da câmara, que desemboca em uma espécie de fosso logo abaixo da arquibancada, como um coliseu.

— Quem são vocês? — exclama Jordan, desejando que o anel traduza suas palavras para qualquer que seja a língua daqueles seres — São vocês que lideram a Tropa?

Nenhuma resposta é ouvida do alto das arquibancadas do sinistro anfiteatro. Jordan fica imaginando se aqueles estranhos seres entenderam suas palavras, ou se ao menos chegaram a escutá-lo. Pior ainda, sua mente fica em expectativa, imaginando que talvez eles apenas estejam considerando o que fazer com aquele invasor inconveniente.

Perdido em seus próprios pensamentos, Jordan não percebe a aproximação de um vulto pelas suas costas e é atingido, sem chances de defesa, por um poderoso raio de energia. Com o corpo todo fumegando e os sentidos prestes a falhar, Kyle Allan Jordan se vira no piso da câmara e encara o capitão da Tropa dos Lanternas Verdes, seus olhos amarelados brilhando em triunfo.

— < Se nem o rebelde Abin Sur foi capaz de me deter, terráqueo, > — diz a voz maquiavélica sendo traduzida pelo anel — < que chances um novato tem contra o poder de Sinestro? >


Conclui na próxima edição!


:: Notas do Autor

(*) Na edição anterior. voltar ao texto




 
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